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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Você é Católico Apostólico Romano?


No meio desse mercado de seitas e religiões que cresce a cada dia, já se perguntou por que você é Católico Apostólico Romano? Seria simplesmente pelo fato de ter recebido está fé como tradição familiar? Seria talvez, porque você se simpatizou com a igreja, com alguém, ou foi influenciado por outros?  Mas a questão é: porque eu devo ser católico?Afinal, todas as religiões não são boas? Também não existem diversas outras religiões que falam de Jesus como Deus?


Com as facilidades de um mundo cada vez mais acessível e globalizado, as informações correm de um lado para outro muito rapidamente.  Quase não temos tempo de assimilar esses conteúdos e muitas coisas são ditas, espalhadas tomadas como verdade sem ao menos saber a origem dessas verdades e pior do que isso, sem saber o porquê de se acreditar em tais verdades. Muitos católicos abandonam a igreja porque crescem, estudam, vivem, mas não estudam a fé católica; então quando surgem os problemas da vida, os questionamentos e as dúvidas da fé, não sabem as repostas para suas indagações e começam a procurar nas outras religiões as suas respostas, sem saber que a igreja católica tem essas respostas.


Dentro do cristianismo, somente a igreja católica tem dois mil anos e foi fundada pelo próprio Senhor Jesus. Quando Jesus perguntou a seus discípulos suas opiniões sobre Ele, o apóstolo Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus elogiou Pedro dizendo, “Bem-aventurado és, Simão filho de Jonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (Mateus 16:16-18). A igreja católica não foi fundada por um bispo, um papa, um iluminado qualquer ou um alguém que esteja em situação financeira difícil e abra uma “igrejinha” qualquer com um nome qualquer em lojinha de esquina. Foi o próprio Jesus que a instituiu e a confiou a Pedro para levar a salvação a todos os homens de todos os tempos e lugares até ele voltar para entregar tudo novamente ao Pai.


É importante notar algumas coisas deste evangelho, por exemplo: Jesus diz: “a minha igreja”, de uma maneira determinada, no singular, ele não disse a Pedro “uma igreja” de maneira indeterminada, como se pudessem haver outras, mas “a minha igreja” no singular, usou o artigo definido e no singular. Só há então uma Igreja d’Ele, a que ele confiou a Pedro, para apascentar junto com os apóstolos, é a Igreja de Pedro que já teve seus 264 sucessores, é a Igreja Católica. Não necessitaria ser um grande estudioso das religiões globais, nem ser um fiel, basta apenas conhecer um pouco da história. Além disso, a própria bíblia deixa bastante claro o desejo do Senhor Jesus, onde alguns espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam pra sua própria ruína, como o fazem também com as demais escrituras; como afirma a segunda carta de Pedro (II Ped 3,16). E ainda mais: Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo (1 Coríntios 3:11).


Não se trata de proselitismo. Este também não é o desejo do Santo Padre o Papa Bento XVI, que em sua visita ao Brasil, afirmou que a Igreja não necessita disso. A verdade é o próprio Cristo e é Ele quem atrai quem Ele quiser para a Sua Igreja: Não fostes vós que Me escolhestes a Mim; pelo contrário, Eu vos escolhi a vós. João 15:16. O católico, acima de tudo aquele que é discípulo, e tem a missão de evangelizar, tem o dever de conhecer aquilo que prega e diz que vive. As sagradas escrituras estão ao alcance de todos, não faltam livros e mais livros de formação, nem quem se disponha a ensinar (os livros: em defesa da fé Católica, de Gilberto Gomes Barbosa, fundador da Comunidade Obra de Maria e também: Porque sou Católico do Prof. Felipe Aquino são ótimas sugestões). São Pedro nos pede em sua segunda epístola: “Crescei na graça e no conhecimento de nosso senhor e salvador Jesus Cristo.” II Ped 3,18 . A maior defesa contra as mentiras e enganações desse mundo é estar abraçado ao escudo da verdade, e esta, você só encontrará se buscar. “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre.”(Mateus, 7:7-8.).
Deus vos guarde na paz e no espírito da verdade.
Martoncheles Borges
Consagrado na Comunidade Obra de Maria

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Ano da Fé e o Catecismo da Igreja



O livro "comido"

Na pregação para a Casa Pontifícia, tento me orientar, na escolha dos temas, pelas graças ou pelos eventos especiais que a Igreja vive em um determinado momento da sua história. Recentemente tivemos a abertura do ano da fé, o quinquagésimo aniversário do Concílio Vaticano II e o Sínodo sobre a evangelização e a transmissão da fé cristã. Portanto, pensei fazer no Advento uma reflexão sobre cada um destes três eventos.
Começo com o ano da fé. Para não me perder em um tema, a fé, que é grande como o mar, concentro-me em um ponto da carta "Porta Fidei" do Santo Padre, que exorta encarecidamente a fazer do Catecismo da Igreja Católica (que, entre outras coisas, celebra este ano o vigésimo aniversário de publicação) o instrumento privilegiado para viver frutuosamente a graça deste ano. O papa escreve na sua carta:


“O Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de fato, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé” (Bento XVI, Carta apost. “Porta fidei”, nº 11)
Não falarei sobre o conteúdo do CIC, das suas divisões, critérios utilizados; seria como querer explicar a Divina Comédia de Dante Alighieri. O que sim gostaria é de esforça-me para mostrar como  fazer que este livro, de um instrumento comum, como um violino bem apoiado sobre um pano de veludo, se transforme num instrumento que soa e faz vibrar os corações. A Paixão segundo Mateus, de Bach, permaneceu por um século uma partitura escrita, conservada em arquivos musicais, até que em 1829 Felix Mendelssohn preparou em Berlim uma execução magistral e a partir daquele dia o mundo soube qual melodia e coro sublimes estavam contidas naquelas páginas, até então mudas.

São realidades diferentes, é verdade, mas algo parecido acontece com cada livro que fala da fé, incluindo o CIC: deve-se passar da partitura para a execução, da página muda para algo vivo que faz vibrar a alma. A visão de Ezequiel da mão estendida segurando um rolo nos ajuda a entender o que é necessário para que isso aconteça:

“Eu olhei e vi uma mão estendida para mim, e nela um livro enrolado. Desenrolou-o diante de mim. Estava escrito na frente e no verso e continha lamentações, gemidos e ais. Ele me disse: “Filho do homem, come o que tens diante de ti! Come este rolo e vai falar à casa de Israel”. Eu abri a boca e ele me fez comer o rolo, dizendo: “Filho do homem, alimenta teu ventre e sacia as entranhas com este rolo que te dou”. Eu o comi, e era doce como mel em minha boca” (Ez 2,9-3,3)

O Sumo Pontífice é a mão que, neste ano, apresenta de novo à Igreja o CIC, dizendo para cada católico: “alimenta teu ventre e sacia as entranhas com este rolo que te dou”. O que significa comer um livro? Não só estudá-lo, analisá-lo, memorizá-lo, mas fazê-lo carne da própria carne e sangue do próprio sangue, “assimilá-lo”, como se faz materialmente com a comida que comemos. Transformá-lo de fé estudada em fé vivida.

Isto não pode ser feito com o volume inteiro do livro, e com todas as pequenas partes contidas nele. Não é possível fazê-lo analiticamente, mas só sinteticamente. Explico-me. É necessário captar o princípio que informa e unifica o todo, enfim o coração palpitante do CIC. E o que é esse coração? Não é um dogma ou uma verdade, uma doutrina ou um princípio ético; é uma pessoa: Jesus Cristo! “Repassando as páginas, - escreve o Santo Padre sobre o CIC, na mesma carta apostólica - descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja” (Bento XVI, Carta apost. “Porta fidei”, nº 11).

Se toda a Escritura, como afirma o próprio Jesus, fala dele (cf. Jo 5, 39), se ela está cheia de Cristo e se resume toda nele, poderia ser diferente para o CIC que quer ser uma exposição sistemática da mesma escritura, elaborada pela Tradição, sob a guia do Magistério?

Na primeira parte, dedicada à fé, o CIC lembra o grande princípio de São Tomas de Aquino de que o “ato de fé do crente não para no enunciado, mas chega na realidade” (“Fides non terminatur ad enunciabile sed ad rem”, São Tomas de Aquino, Suma Teológica, II-II, 1,2 ad 2; cit. no CIC n. 170). Bem, qual é a realidade, a “coisa” última da fé? Deus, é claro! Não, porém, um deus qualquer que cada um retrata a seu bel prazer, mas o Deus que se revelou em Cristo, que se “identifica” com ele a ponto de dizer: “Quem me vê, vê o Pai” e “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 18).

Quando dizemos fé “em Jesus Cristo” não separamos o Novo do Antigo Testamento, não começamos a nova fé com a vinda de Cristo à terra. Se fosse assim, excluiríamos do número dos crentes o mesmo Abraão que chamamos “nosso pai na fé” (cf. Rm 4, 16). Identificando o seu Pai com “o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó” (Mt 22, 32) e com o Deus "da lei e dos profetas" (Mt 22, 40), Jesus autenticou a fé judaica, mostrou o caráter profético, afirmando que é dele que estavam falando (cf. Lc 24, 27. 44; Jo 5, 46). É isso que faz que, para os cristãos, a fé judaica seja diferente de qualquer outra fé e é isso que justifica o estatuto especial que tem, depois do Concílio Vaticano II, o diálogo com os judeus com relação ao diálogo com as outras religiões.

Querigma e didaquê

No começo da Igreja a distinção entre querigma e  didaquê era clara. O querigma, que Paulo chama também de "o evangelho", dizia respeito à obra de Deus em Cristo Jesus, o mistério pascal de morte e ressurreição, e consistia em fórmulas breves de fé, como aquela que se deduz do discurso de Pedro no dia de Pentecostes: “Vós o matastes, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou, e o constituiu Senhor” (cf. At 2,23-36), ou também, “Se, pois, com tua boca confessares que Jesus é Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”(Rm 10,9).

A didaquê, por outro lado, tratava do ensinamento que se tinha depois de ter abraçado a fé, o desenvolvimento e a formação completa do crente. Estavam convencidos (principalmente Paulo) de que a fé, como tal, só florescia na presença do querigma. Este não era um resumo da fé ou uma parte dela, mas a semente que faz crescer todo o resto. Também os 4 Evangelhos foram escritos depois, justamente para explicar o querigma.

Até mesmo a parte mais antiga do credo falava de Cristo, e esclarecia a dupla composição, humana e divina. Um exemplo disso está no versículo da Carta aos Romanos que fala de Cristo “segundo a carne, descendente de Davi, segundo o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, desde a ressurreição dos mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1,3-4). Logo este núcleo original, ou credo cristológico, foi incorporado em um contexto mais amplo, como o segundo artigo do símbolo de fé. Nascem, até mesmo por exigências ligadas ao batismo, os símbolos trinitários que chegaram até nós.

Esse processo é parte do que Newman chama “o desenvolvimento da doutrina cristã”; é um enriquecimento, não um afastamento da fé original. Cabe a nós hoje – em primeiro lugar aos bispos, aos pregadores, aos catequistas – ressaltar o aspecto “a parte” do querigma como momento germinal da fé. Numa obra lírica, para retomar a imagem musical, há o recitativo e o cantado e no cantado estão os “agudos” que agitam o auditório e provocam emoções fortes, às vezes também calafrios. Agora sabemos qual é o agudo de toda catequese.

A nossa situação voltou a ser a mesma que no tempo dos apóstolos. Eles tinham diante de si um mundo pré-cristão para evangelizar; nós temos diante de nós, pelo menos até certo ponto, e em alguns ambientes, um mundo pós-cristão para evangelizar. Devemos voltar para o método deles, trazer à luz "a espada do Espírito", que é o anúncio, em Espírito e poder, de Cristo morto pelos nossos pecados e ressuscitado para a nossa justificação (cf. Rm 4,25).

O querigma não é apenas o anúncio de alguns fatos ou verdades de fé claramente definidas; é também uma certa atmosfera espiritual que pode ser criada dizendo qualquer coisa, um pano de fundo sobre o qual coloca-se tudo. É responsabilidade do anunciador, por meio da sua fé, permitir ao Espírito Santo criar esta atmosfera.

Então, qual é o sentido do CIC? O mesmo do que era na Igreja apostólica a didaquê: formar a fé, dar-lhe um conteúdo, mostrar-lhe as exigências éticas e práticas, levar a fé a se tornar “operante na caridade” (cf. Gl 5,6). Isso é bem destacado em um parágrafo do mesmo CIC. Depois de ter lembrado o princípio tomista de que “a fé não termina nas fórmulas, mas na realidade”, acrescenta:

“ No entanto, é através das fórmulas da fé que nos aproximamos dessas realidades. As fórmulas permitem-nos exprimir e transmitir a fé, celebrá-la em comunidade, assimilá-la e dela viver cada vez mais” (CIC nº 170).

Por isso a importância do adjetivo “católica” no  título do livro. A força de algumas Igrejas não católicas está em colocar tudo no momento inicial, na chegada na fé, na adesão ao querigma e na aceitação de Jesus como Senhor, visto como um"nascer de novo”, ou como “segunda conversão". Porém, pode tornar-se um limite se nos limitamos a isso e tudo continua a girar em torno disso.

Nós, católicos, temos que aprender algo dessas igrejas, mas temos muito para dar também. Na Igreja Católica tudo isso é o começo, não o fim da vida cristã. Depois daquela decisão, abre-se o caminho para o crescimento e a plenitude da vida cristã e, graças à sua riqueza sacramental, ao magistério, ao exemplo de muitos santos, a Igreja Católica está em uma posição privilegiada para conduzir os fiéis à perfeição da vida de fé. O Papa escreve na carta "Porta Fidei":

“Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé” (Bento XVI, Carta apost. “Porta fidei”, nº 11).

A unção da fé

Falei do querigma como do “agudo” da catequese. Mas para produzir este agudo não basta levantar o tom da voz, se precisa mais do que isso.

“Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! [esta é, por excelência, a nota aguda!] a não ser no Espírito Santo" (1 Coríntios 12, 3). O evangelista João faz uma aplicação do tema da unção que se mostra especialmente atual neste ano da fé. Escreve:

“Vós recebestes a unção do Santo, e todos vós tendes conhecimento [...] a unção que recebestes de Jesus permanece convosco, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. A sua unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa. Por isso, conforme vos ensinou, permanecei nele” (1 Jo 2, 20.27).

O autor desta unção é o Espírito Santo, como deduzido do fato de que em outros lugares a função de "ensinar todas as coisas" é atribuída ao Paráclito como "Espírito de verdade" (Jo 14, 26). É, como vários Padres escrevem, uma “unção da fé”: “A unção que vem do Santo – escreve Clemente de Alexandria – se realiza na fé”; “A unção é a fé em Cristo”, diz outro escritor da mesma escola (Clemente Al. Adumbrationes in 1 Johannis (PG 9, 737B); Homélies paschales (SCh 36, p.40): textos citados por I. de la Potterie, L’unzione del cristiano con la fede, in Biblica 40, 1959, 12-69).

Em seu comentário, Agostinho faz, a este respeito, uma pergunta para o evangelista. Porque, diz ele, escreveste a tua carta, se aqueles aos quais te dirigias, já tinham recebido a unção que ensina todas as coisas e não tinham necessidade de que alguém lhes instruísse? E aqui está a sua resposta, baseada no tema do mestre interior:

"O som das nossas palavras atinge o ouvido, mas o verdadeiro mestre está dentro [...] falei a todos, mas àqueles aos quais a unção não fala, aqueles que o Espírito não ensina internamente, vão embora sem terem aprendido nada [...]. O mestre é, portanto, interior o mestre que realmente instrui; é Cristo, é a sua inspiração para ensinar". (S. Agostinho, Commento alla Prima Lettera di Giovanni 3,13  (PL  35, 2004 s), Tradução nossa).

Portanto, a instrução exterior é necessária. Os mestres são necessários. Mas as suas vozes só penetram o coração se adicionada aquela interior do Espírito. “E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem" (At 5,32). Com estas palavras, pronunciadas diante do Sinédrio, o Apóstolo Pedro não só afirma a necessidade do testemunho interior do Espírito, mas também indica qual é a condição para recebê-la: a disponibilidade para obedecer, para submeter-se à Palavra.

É a unção do Espírito que faz passar dos enunciados de fé à sua realidade. Um tema caro ao evangelista João é aquele do crer que é também conhecer: “E nós, que cremos, reconhecemos o amor que Deus tem para conosco” (1 Jo 4,16). "Nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus" (Jo 6, 69). "Conhecer", neste caso, como no geral em toda a Escritura, não significa o que significa para nós hoje, ou seja, ter a ideia ou o conceito de uma coisa. Significa experimentar, entrar em relação com a coisa ou com a pessoa. (Cf. C.H. Dodd, L’interpretazione del Quarto Vangelo, Brescia, Paideia1974, pp. 195 s.). A afirmação da Virgem: "Não conheço homem", não queria dizer que não sabia o que era um homem...

Foi um caso de evidente unção da fé aquele que Pascal experimentou na noite do dia 23 de novembro de 1654 e que colocou em breves frases exclamativas em um escrito encontrado depois da morte costurado dentro de sua jaqueta:

"Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, não dos filósofos e dos estudiosos. Certeza. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz. Deus de Jesus Cristo [...]. Ele é encontrado somente pelo caminho do Evangelho. [...]. Alegria, alegria. Alegria, lágrimas de alegria. [...] E isso é a vida eterna, que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro e aquele que enviaste: Jesus Cristo"( B. Pascal, Memoriale, ed. Brunschvicg. Tradução nossa).

A unção da fé acontece geralmente quando, em uma palavra de Deus ou em uma afirmação de fé, cai subitamente a iluminação do Espírito Santo, acompanhada normalmente por uma forte emoção. Lembro-me que um ano, na festa de Cristo Rei, escutava na primeira leitura da Missa a profecia de Daniel sobre o Filho do Homem:

" Em imagens noturnas tive esta visão: Entre as nuvens do céu vinha alguém semelhante a um filho do homem. Chegou até perto do ancião, e foi levado à sua presença. Foi-lhe dada a soberania, a glória e a realeza. Todos os povos, nações e línguas hão de servir-lhe. Seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado e sua realeza é tal, que jamais será destruída!” (Dn 7,13-14).

Sabe-se que o Novo Testamento viu realizada a profecia de Daniel em Jesus; ele mesmo diante do sinédrio a faz própria (cf. Mt 26, 64); uma frase do texto entrou até mesmo no credo (“cuis regnum non erit finis”). Eu sabia, pelos meus estudos, tudo isso, mas naquele momento era uma outra coisa. Era como se a cena acontecesse ali, diante dos meus olhos. Sim, aquele filho do homem que avançava era ele, Jesus. Todas as dúvidas e explicações alternativas dos estudiosos, que também conhecia, pareciam-me, naquele momento, simples pretextos para não crer. Experimentava, sem saber, a unção da fé.

Em outra ocasião (acho que já compartilhei essa experiência no passado, mas que ajuda a entender) participava da Missa de Meia Noite presidida pelo Papa João Paulo II em São Pedro. Chegou a hora do canto da Kalenda, ou seja, a proclamação solene do nascimento do Salvador, presente no antigo Martirológio e reintroduzida na liturgia do Natal depois do Vaticano II:

"Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo...

Treze séculos depois da saída de Israel do Egito...

Na nonagésima quarta Olimpíada...

No ano 752 da fundação de Roma...

No quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto,

Jesus Cristo Deus eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses nasceu da Virgem Maria em Belém de Judá".


Quando cheguei nessas últimas palavras senti uma repentina clareza interior, e me lembro que dizia para mim mesmo: “É verdade! Tudo isso que se canta é verdade! Não são só palavras. O eterno entra no tempo. O último evento da série rompeu a série; criou um "antes" e um "depois" irreversíveis; o cálculo do tempo que antes acontecia com relação a diferentes eventos (Olimpíada tal, reino tal), agora acontece com relação a um único evento”: antes dele, depois dele. Uma comoção súbita me atravessou toda a pessoa, enquanto podia somente dizer: “Obrigado, Santíssima Trindade, e obrigado também a vós, Santa Mãe de Deus!”.

A unção do Espírito Santo também produz um efeito, por assim dizer, "colateral" no anunciador: faz que ele experimente a alegria de proclamar Jesus e o seu Evangelho. Transforma a evangelização de tarefa e dever, numa honra e num motivo de orgulho. É a alegria que conhece bem o mensageiro que chega a uma cidade sitiada dizendo que sítio foi tirado. Ou o aralto que na antiguidade corria na frente para levar ao povo o anúncio de uma vitória decisiva obtida no campo do próprio exército. A “boa notícia”, antes mesmo de quem a recebe, faz feliz quem a traz.

A visão de Ezequiel, do rolo comido, realizou-se uma vez na história em sentido também literal e não apenas metafórico. Foi quando o livro das palavras de Deus esteve contido em uma única Palavra, o Verbo. O Pai o levou à Maria; Maria o acolheu, encheu, também fisicamente, as vísceras, e depois o deu ao mundo, o “pronunciou” dando-lhe a luz. Ela é o modelo de todo evangelizador e de todo catequista. Nos ensina a encher-nos de Jesus para dá-lo aos outros. Maria concebeu Jesus “por obra do Espírito Santo” e assim deve ser também com cada anunciador.

O Santo Padre conclui sua carta de convocação do ano da fé com uma referência à Virgem: "Confiamos, escreve, à Mãe de Deus, proclamada “beata” porque “acreditou” (Lc 1, 45), este tempo de graça" (“Porta fidei”, nº 15.). Peçamos a Ela a graça de experimentar, neste ano, muitos momentos de unção da fé. "Virgo fidelis, ora pro nobis”. Virgem fiel, rogai por nós.


Primeira Pregação do Advento 2012 do Padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap
Fonte: Zenit.org

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Que é o Credo?


Desde o início de sua vida apostólica, a Igreja elaborou o que passou a ser chamado de “Símbolo dos Apóstolos”, cujo nome é o resumo fiel da fé dos apóstolos; foi uma maneira simples e eficaz de a Igreja exprimir e transmitir a sua fé em fórmulas breves e normativas para todos. Em seus doze artigos, o 'Creio' sintetiza tudo aquilo que o católico crê. Este é como "o mais antigo Catecismo romano". É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma. Os grandes santos doutores da Igreja falaram muito do 'Credo'. Santo Ireneu (140-202), na sua obra contra os hereges gnósticos, escreveu: "A Igreja, espalhada hoje pelo mundo inteiro, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a fé num só Deus, Pai e Onipotente, que fez o céu e a terra (...).Esta é a doutrina que a Igreja recebeu; e esta é a fé, que mesmo dispersa no mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Esta fé anuncia, ensina, transmite como se falasse uma só língua.  (Adv. Haer.1,9)

São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, disse: "Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira, de onde se recolheu o que existe de mais importante para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém, em um pequeníssimo grão, um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra, em algumas palavras, todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento (Catech. ill. 5,12)

Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja que batizou Santo Agostinho, mostra de onde vem a autoridade do 'Símbolo dos Apóstolos', e a sua importância:
"Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro dos apóstolos, teve a sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão da fé" (CIC §194)."Este símbolo é o selo espiritual, a mediação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é seguramente o tesouro da nossa alma” (CIC §197). Os seus doze artigos, segundo uma tradição atestada por Santo Ambrósio, simbolizam com o número dos apóstolos o conjunto da fé apostólica (cf. CIC §191).

O símbolo da fé, o 'Credo', é a “identificação” do católico. Assim, ele é professado solenemente no dia do Senhor, no batismo e em outras oportunidades. Todo católico precisa conhecê-lo com profundidade.

Por causa das heresias trinitárias e cristológicas que agitaram a Igreja nos séculos II, III e IV, ela foi obrigada a realizar concílios ecumênicos (universais) para dissipar os erros dos hereges. Os mais importantes para definir os dogmas básicos da fé cristã foram os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla I (381). O primeiro condenou o arianismo, de Ário, sacerdote de Alexandria que negava a divindade de Jesus; o segundo condenou o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla que negava a divindade do Espírito Santo.

Desses dois importantes Concílios originou-se o 'Credo' chamado "Niceno-constantinopolitano", o qual traz os mesmos artigos da fé do 'Símbolo dos Apóstolos', porém de maneira mais explícita e detalhada, especialmente no que se refere às Pessoas divinas de Jesus e do Espírito Santo.

Além desses dois símbolos da fé mais importantes, outros 'Credos' foram elaborados ao longo dos séculos, sempre em resposta a determinadas dificuldades ou dúvidas vividas nas Igrejas Apostólicas antigas. Um exemplo é o símbolo “Quicumque”, dito de Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria; as profissões de fé dos Concílios de Toledo, Latrão, Lião, Trento e também de certos Pontífices como a do Papa Dâmaso e do Papa Paulo VI (1968).

O Catecismo da Igreja nos diz que: "Nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado como ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a tocar e a aprofundar, hoje, a fé de sempre por meio dos diversos resumos que dela têm sido feitos" (CIC § 193).

O Papa Paulo VI achou oportuno fazer uma solene Profissão de Fé no encerramento do “Ano da Fé” de 1968. O Papa Paulo VI quis colocá-lo como um farol e uma âncora para a Igreja caminhar nos tempos difíceis que vivemos, por entre tantas falsas doutrinas e falsos profetas, que se misturam sorrateiramente como o joio no meio do trigo, mesmo dentro da Igreja.

Paulo VI falou, na época, daqueles que atentam “contra os ensinamentos da doutrina cristã”, causando “perturbação e perplexidade em muitas almas fiéis”. Preocupava o Papa as “hipóteses arbitrárias” e subjetivas que são usadas por alguns, mesmo teólogos, para uma interpretação da revelação divina, em discordância da autêntica interpretação dada pelo Magistério da Igreja.

Sabemos que é a Verdade que nos leva à salvação (cf. CIC §851). São Paulo fala da “sã doutrina da salvação” (2 Tm 4,7) e afirma que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4); e “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15).

Prof. Felipe Aquino
Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

E Nós Nos Achando Cristãos...

"Nós, porém, pregamos o Cristo Crucificado!"(I Cor  1,23)
Veja esse vídeo!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Profecia do Avivamento


Temos visto um abatimento, um esfriamento da fé. Muitas vezes as pessoas estão vivendo o que diz o profeta Ezequiel sobre os ossos secos, estão abatidos, sem esperança.

Porém muitas vezes o homem tem se achado Deus, um filósofo chamado Nietzsche (Seu pai era pastor luterano, porém ele rejeita a fé durante sua adolescência, e os seus estudos de filosofia afastam-no da carreira teológica), ele declara a morte de Deus, e esta mentalidade tem se espalhado pelo mundo. 

Temos visto uma implantação marxista, comunista e isso traz uma forte influencia na fé, nos costumes, na moral. Onde se relativista tudo, não existe uma verdade absoluta. 

Deus não desistiu da humanidade, Ele quer avivar a nossa fé. Deus quer soprar o Espírito Santo para que os ossos voltem a viver. 

A fé está morta e fria pelas opções morais. Hoje existe um ateísmo prático. A esperança que precisamos é um avivamento no Espírito. 

Papa Leão XIII fez uma experiência mística e compôs um exorcismo que rezávamos sempre na Canção Nova nas missas de segunda-feira. Ele ainda consagrou no início do Século XX ao Espírito Santo a Santa igreja.

Vamos fazer uma memória do Século XX. O que aconteceu neste século? I e II guerra mundial, revolução sexual a partir do festival de woodstock. Mesmo diante de todos estes acontecimentos fomos assegurados por esta consagração ao Espírito. 

Uma Beata da congregação de Santa Zita escreveu para o Papa Leão XIII diversas cartas pedindo este reavivamento. A Beata Helena Guerra pede ao Santo Padre que faça o Espírito Santo mais conhecido, amado e invocado. Vendo o mundo de sua época pervertido por Satanás e uma multidão de almas se distanciando do Coração de Deus, Helena é convencida pelo Senhor a iniciar um grande epistolário com o Papa Leão XIII. Em suas cartas, ela pedirá ao Papa que chame novamente os cristãos para um retorno ao Cenáculo.
O Papa viu que aquilo era vontade de Deus, e Ele deu os passos e escreveu a primeira Encíclica ao Espirito Santo (Divinum Illud) e na entrada do Século XX , exatamente no dia 01 de janeiro de 1900 consagra o século ao Espírito Santo.

Mas nós não estávamos preparados. Naquela noite uma irmã na igreja evangélica começa a rezar em línguas e ali começa o movimento pentecostal.

Passado alguns séculos vem o Papa João XXIII, um Papa que a princípio seria de transição. Ele convoca o Concílio Vaticano II. Veio a reforma litúrgica e no início do Concílio ele faz uma oração: “Que se renove os sinais, milagres e prodígios em toda a face da terra.”

Em fevereiro de 1967 num universidade começa o avivamento católico,nasce a RCC. Uma resposta a Consagração do Papa Leão XIII. Ali a igreja começa a experimentar a graça do Avivamento, seguida de muita perseguição, mas a resposta veio. Deus não vai deixar a humanidade se perder.

Eu creio que o avivamento está começando hoje também em nossa vida, porém, Deus quer homens e mulheres que rezem, o avivamento só acontece se um povo orar. Não podemos ficar de braços cruzados vendo a morte espiritual acontecer. Quem faz o avivamento acontecer é Deus, mas é preciso que o homem comece a rezar. 

Nós não podemos ser egoístas, devemos rezar. Nesta manhã de pentecostes diga sim a este chamado. Diga comigo: “Usa-me Senhor! Eu quero um avivamento na minha vida”

Pe. Roger Luís
Com. Canção Nova

domingo, 3 de abril de 2011

Constância na Tribulação

Nenhum de nós está fora da tribulação, enquanto estivermos vivos, estaremos nessa realidade da prova, das aflições. Sempre estaremos vivendo alguma tribulação. Tem pessoas que quer começar um caminhada espiritual e não quer ter mais problemas, mas as provações fazem parte da vida do ser humano.

Na tribulação você precisa ser forte, pois Deus já nos disse: “Se forte e corajoso, não te acovardes”.

Considerai uma grande alegria, meus irmãos, quando tiverdes de passar por diversas provações, pois sabeis que a prova da fé produz em vós a constância. Ora, a constância deve levar a uma obra perfeita: que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.” (Tg 1,2-4) 

Para chegarmos a esse estágio de sermos perfeitos, precisamos ser provados na fé. E eu lhe pergunto você tem fé? Seja uma fé provada ou imatura, está ela tem que ser provada, pois senão continuará tendo uma fé pequena. A sua fé por não ter sido provada, ou por não ter aceitado a prova, fica uma fé pequena. 

Fé é o fundamento da esperança, é a capacidade de ver coisas que ainda não existem. Você tem essa fé e ela precisa ser provada. Uma mãe não vê o filho fora das drogas, isso é um teste, não desista dele, não desista do Senhor, não abandone a sua Igreja. 

Para se ter esperança é necessário ter fé. Você tem fé, mas precisa aceitar o teste, em vez de ficar reclamando. Deus precisa provar sua fé, pois ela é sua base e quando mais forte estiver sua base, mais você poderá construir sobre ela. Tudo que você na Canção Nova, foi por causa de uma fé provada de um homem, Monsenhor Jonas Abib. Na sua casa será a mesma coisa, na sua fé, Deus construirá coisas maravilhosas.

Só passa por prova quem está vivo e essa prova é para o teste para que você possa ver os frutos. “pois sabeis que a prova da fé produz em vós a constância. Ora, a constância deve levar a uma obra perfeita: que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.”(Tg 1,3-4) 



Sê forte e corajoso, pois farás este povo herdar a terra que jurei dar a seus pais. Sim, sê forte e muito corajoso, e cuida de agir segundo toda a lei que Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te desvies nem para a direita nem para a esquerda, a fim de que tenhas êxito por onde quer que andes. Não cesses de falar deste livro da Lei. Medita nele dia e noite, para que procures agir de acordo com tudo o que nele está escrito. Assim farás prosperar teus caminhos e serás bem sucedido. Não te ordenei que sejas forte e corajoso? Não tenhas medo, não te acovardes, pois o SENHOR, teu Deus, estará contigo por onde quer que vás”. (Js 1,6-9)

Para que temer ser um fraco na tribulação, se Deus nos dá condições para sermos fortes, o Senhor não diz que se rezarmos Ele tirará as tribulações, mas que nos dará forças para suportá-las. Não há como medir a tribulação de cada um, pois cada um sente o seu peso. Deus lhe chama a ser forte e corajoso e lhe dá dicas “Medita neste livro dia e noite” como você quer passar pelas tribulações se você não lê a Palavra de Deus?

A tribulação virá, paciência! Mas junto com ela a força de Deus, para fazer de você um super guerreiro para fazer você superar o problema.E o problema nunca aumenta, a primeira vez que você o olha, ele se aparenta enorme, mas depois de você rezar, você cresce e o problema não se aparenta mais tão grande e depois de rezar ainda mais, você crescerá mais e o conseguirá ver como pequeno.

Se sua tribulação for o seu marido, sua esposa, reze por ele/ela. Você é templo do Espírito Santo, mostre o lado da santidade, da dignidade. Existe testes e provas para todas as faixas etárias, mas o Senhor lhe diz hoje: “Coragem”.

Em Hebreus 3,12 o Senhor nos diz para sermos cuidadores uns dos outros “Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade; que ninguém se afaste do Deus vivo.” Deus vivo, é Jesus na Eucaristia. Que você não se afaste do corpo, sangue, alma e divindade e também não se afaste dos outros sacramentos, confissão.

“Antes, animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ressoar esse “hoje”, para que nenhum de vós fique endurecido pela sedução do pecado - pois tornamo-nos parceiros de Cristo, contanto que mantenhamos firme até o fim a nossa constância inicial.” (Hebreus 3,13-12) 

Procure sempre se manter na constância inicial, Deus tem planos para você, mas só saberá se manter-se constante e forte nas tribulações. 


Dunga
Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Herói ou Otário?

Há alguns meses, surpreendi-me com uma afirmação da médica e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva: O herói de ontem tornou-se o otário de hoje. Algo fez um “clic” dentro de mim, certa de que ela havia expressado algo que muitos percebem e poucos conseguem descrever. Onde estão os heróis? Onde os homens e mulheres cheios de virtudes e coragem? Onde os que dão a própria vida para salvar outros? Bem, aqui e ali se vê algum, exaltado pelo telejornal em um “ato humanitário”,mas a maioria, mesmo, aqueles que vivem o dia a dia longe das câmeras, esses são conhecidos como otários.
Se alguém ouve um grito de “socorro”, logo se encolhe, ou se joga no chão com medo de bala perdida. Um ou outro mais corajoso, esconde-se atrás da porta e liga para a polícia do celular. Socorrer, porém, quase ninguém socorre.

Presencia assalto na rua? Ah! Agora, sim, se faz algo como antigamente: correr o mais rápido possível. Só que, antigamente, se corria para ajudar a vítima, agora, corre-se para o lado oposto. Ou alguém vai ser otário de se meter entre o ladrão e a vítima? Nem pensar! Gritar “pega ladrão”? Só se for muito otário! Agarrar o braço do cara que está com a mão dentro da bolsa da senhora que se equilibra no ônibus? Otário!

E socorrer alguém que foi atropelado, assaltado, jogado no asfalto? Nem pensar! Pode ser um truque para pegar um otário que pare para socorrer. Dar carona? Pensa que sou otário? Mas, e se for uma carona para uma senhora idosa que está se arrastando em direção ao posto de saúde? Mas, que pergunta! Só um otário faria isso. Não vê que é truque para pegar alguma mente muito embotada? E se for um carro acidentado com alguém ensangüentado fazendo sinal no acostamento da estrada? Truque, otário. É ketchup e assalto na certa.

Certo dia, um homem foi assaltado e deixado ferido no meio da estrada. Passaram por ele um sacerdote e um levita, apressados para chegar à oração, e não foram otários. Não pararam para socorrê-lo. Afinal, heroísmo tem hora. Quem mandou ser assaltado e ferido logo ali na passagem deles?

Depois dos dois “homens de Deus”, passou um antipatizado por todos. Era estrangeiro e nem conhecia o lugar direito. Não conseguiria, porém, deixar aquele ferido sem socorro. Colocou-o em seu transporte, cuidou das feridas e ainda arranjou quem cuidasse dele até sua volta da viagem interrompida. Havia perdido um tempo enorme com aquele bagaço de homem, mas não se considerou otário. Aliás, nem otário nem herói. Apenas fez o que gostariam que fizessem com ele.

Uma noite, após um acidente, vi-me na estrada, com dois irmãos ensangüentados junto a mim e, logo atrás, um boi que havia “voado” quando pego por nosso carro. Era muito óbvio que havíamos tido um acidente. Eu e o rapaz, acenávamos para cada carro que passava, tentando conseguir ajuda para sua esposa, sangrando, encostada ao carro. Ninguém parou.

Não sei se você sabe o que isso significa, mas eu sei. Já fui o ferido a pedir socorro na estrada.

O segredo certamente é este: fazer aos outros o que gostaria que fosse feito a você caso estivesse na mesma situação. Ser um irmão, não um desconhecido, uma máscara na multidão. O herói é irmão, tem nome, endereço, coração, solidariedade, compaixão. O otário é... bem, um otário, mesmo. Um egoísta, individualista, sem nome, sem endereço, sem coração, indiferente ao sofrimento do outro.

O otário está pronto para assistir, impávido, o outro morrer, desde que salve sua pele. Enche-se de uma covardia bem conhecida, que vem do egoísmo. O herói está disposto a arriscar a própria vida para ajudar o outro. Enche-se de uma coragem desconhecida, que vem do amor. Essa é a definição correta, evangélica, verdadeira do herói. Foi isso o que Jesus fez, por amor. Infelizmente, foi isso o que esquecemos, a tal ponto que cometemos o lamentável engano de classificar como otário quem, na mentalidade do Evangelho, é herói.

Emmir Nogueira 
Comunidade Shalom

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Leigo Americano Percorre o País em Corrida Pela Oração

O leigo católico americano Jeff Grabosky iniciou uma grande aventura física e espiritual: correrá mais de cinco mil quilômetros, entre Califórnia e Nova Iorque, durante quatro meses, para promover a importância da oração. 

Grabosky, de 27 anos, assegura que rezará durante todo seu caminho pois, apesar das dificuldades que encontrou, quer usar seus talentos para servir a Deus e ajudar aqueles que lhe pediram orações.

Traction WordPress ThemeO ponto de início de sua corrida pessoal foi em Oceanside, na Califórnia, na última quinta-feira, 20. Ele tem previsto chegar à sua meta no Smith Point de Long Island, em Nova Iorque, no dia 26 de maio.
Sua missão principal é alentar a oração nos Estados Unidos e no mundo. Ele está recebendo intenções de oração e vai rezar uma dezena do terço por cada pedido enviado através da internet.

Grabosky explicou que sua fé permitiu que ele superasse épocas muito duras de sua vida. Apenas uma semana após a morte de sua mãe, devido a um câncer no ano 2006, sua esposa se separou dele.

Jeff assegura que pode superar esta experiência de abandono depois de passar dois meses vivendo na rua graças ao poder da oração. "A única constante na minha vida [a oração], pois sempre pedi a Deus por sua ajuda. As coisas estavam muito difíceis, mas eu confiava que o Senhor me tiraria de lá e que Ele tinha um plano", ressalta.

Além destas dificuldades, Grabosky enfrentou ainda um colapso pulmonar que o deixou sob cuidados intensivos, por uma semana. Longe de perder a fé em Deus, Jeff disse que ela ficou fortalecida por esta experiência.

Agora Jeff Grabosky quer inspirar outras pessoas e animá-las a buscar os seus sonhos "inclusive se, neste mundo, se pensa que pode ser impossível".

Nascido em Nova Jersey, Grabosky foi corredor desde a infância. Correu em cross country e em pista, durante sua época escolar, mas não chegou ao atletismo profissional.
Quando, no ano 2008, correu sua segunda maratona, teve pela primeira vez a ideia de percorrer os Estados Unidos correndo.

"Pensei que uma corrida por todo o país seria uma experiência impressionante e um desafio incrível, mas o coloquei em um segundo plano por um tempo, por causa de tudo o que tinha ocorrido em minha vida", explica Jeff.

"É interessante ver como Deus atua. Comecei pensando que era necessário para terminar esta corrida por mim, mas agora tenho que terminá-la por todos aqueles por quem estou orando", acrescenta.

"Cada vez que me senti perdido na vida, a oração me ajudou a encontrar meu caminho de novo", confessa o católico norte-americano. Ele recorda também que "Deus pode nos ajudar a superar algo se confiarmos nele. Às pessoas que estão em momentos difíceis eu digo que esta vida é frequentemente difícil, mas Deus tem um plano para nós e se o permitimos de coração, Ele pode e vai fazer coisas incríveis com nossas vidas. Se realmente acreditarem isso, não será difícil sorrir e olhar cada dia com uma atitude otimista".

A rota de Grabosky cruzará os estados do Arizona, Novo México, Texas, Oklahoma, Missouri, Illinois, Indiana, Ohio, West Virginia, Pennsylvania, Maryland, Virginia e Pennsylvania. Também chegará a Nova Jersey e Washington, DC.

Grabosky pediu aos que queiram apoiá-lo que enviem seus pedidos de oração e convidou todos os que o vejam no percurso a correrem ou caminharem com ele.

Fonte: ACI e jeffrunsamerica.com

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Campanha Ateísta Explicada

Desde domingo, 12 de dezembro de 2010, por iniciativa da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, acontece a chamada “campanha dos ônibus ateus” [1]. A campanha já passou por diversos países como Estados Unidos, Reino Unido e Espanha. Outras ações como esta têm acontecido no mundo.
Alguns ônibus em Salvador (BA) e Porto Alegre (RS) exibirão mensagens expondo o ponto de vista de ateus e agnósticos sobre temas como fé e moralidade. A campanha tem como slogan: “Diga não ao preconceito contra ateus”, com imagens e frases polêmicas. Uma delas afirma: “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”. Em outra, aparecem Adolf Hitler como crente e Charles Chaplin como ateu, ilustrando o texto “religião não define caráter”.
A iniciativa traz ainda a foto de um avião atingindo o World Trade Center, com os dizeres: “Se Deus existe, tudo é permitido” - em referência à famosa citação, de forma contrária, do romance “Irmãos Karamazov”, de Dostoievski: “Se Deus não existe, tudo é permitido” ou “Se Deus não existe, então, eu sou deus”.
Segundo o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, a campanha é para chamar a atenção da sociedade e tirar 2% de ateus da invisibilidade, pois muitos têm medo de se manifestar por causa do preconceito contra eles.
O presidente da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência e responsável pelo ‘Blog das Religiões’, em zerohora.com, Guershon Kwasniewski, diz que “a manifestação é válida, desde que não haja ofensas. “Vivemos em uma sociedade com liberdade de expressão. Todo aquele que quer se manifestar, crente ou não em Deus, tem o direito sempre que não ofenda aquele que não pense do mesmo jeito”.
Direito de expressão
De fato, é fundamental que o direito de expressão seja garantido desde que não se desrespeite as pessoas e as crenças de cada um. Que o debate seja livre e respeitoso, conduzido pela razão e não pelo fanatismo ou emoção, a fim de que a verdade apareça.
Jesus disse que a verdade nos libertará (cf. João 8,32) e São Paulo afirmou que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Nós católicos acreditamos que a verdade religiosa é aquela que a Igreja ensina, pois o apóstolo dos gentios também escreveu que “a Igreja é a coluna e o alicerce da verdade” (cf. I Tm 3,15); uma vez que ela aprendeu essa verdade com “Aquele que é a Verdade” (cf. João 14,6).
Por essa razão, defendemos a verdade ensinada pela nossa fé, mas fazemos isso sem discriminar, ofender ou menosprezar aqueles que discordam de nós. Acima de nossas divergências espirituais devem estar a nossa educação e o respeito por cada pessoa.
Sobre o ateísmo e essa campanha, temos o direito de rebater alguns pontos. Em primeiro lugar, nos parece muito perigoso uma generalização que está sendo feita no sentido de que grandes catástrofes provocadas pelo homem, como a queda das torres gêmeas dos EUA, seja culpa da crença em Deus. Pode ser que alguma religião possa se apoiar em Deus para usar da violência, mas a fé católica jamais aceita isso; pelo contrário; Jesus a proibiu terminantemente. O Cristianismo não pode ser acusado de usar hoje da violência. O Sermão da Montanha, que é a “Constituição do Reino de Cristo”, é a carta do amor e da mansidão, do perdão e da paz. A Igreja se empenha pela paz no mundo.
O Cristianismo se impôs ao mundo romano e o conquistou pela força da fé e da caridade, sem derramar sangue dos opositores. Diferentemente disso, durante quase três séculos o sangue de milhares de mártires foi derramado; até de mulheres e crianças. Tertuliano (†220) chegou a escrever ao imperador Antonino Pio para lhe dizer que não adiantava matar os cristãos, porque “o sangue dos mártires era semente de novos cristãos”.
Lamentavelmente, alguns filhos da Igreja, imperadores e reis, até papas e bispos que parecem não ter assimilado bem a doutrina do Mestre, lançaram mão da violência em alguns períodos da história passada, o que levou o Papa João Paulo II a pedir perdão ao mundo pelos pecados desses filhos da Igreja, no Jubileu do ano 2000. Mas há muito tempo a Igreja não aceita a violência, abomina todo tipo de guerra e de discriminação humana. Portanto, não se pode colocar a religião, de modo geral, como “causa” da violência atual. Líderes de várias religiões têm se reunido com o Santo Padre pela paz.
Por outro lado, não é verdade o que diz a campanha do ateísmo que “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”. A fé católica nos dá respostas às nossas perguntas, mesmo que os não católicos não as aceitem. O Catecismo da Igreja e o Compêndio do Catecismo são verdadeiros “catálogos de respostas” às questões mais angustiantes do ser humano. Basta lê-los.
Não é verdade também que a Igreja e a nossa fé “impedem perguntas”. Elas estão sempre prontas para respondê-las. No entanto, parece que a resistência da fé católica em manter intactos os princípios recebidos de Cristo faça com que alguns pensem errôneamente que ela impeça perguntas. Não, ela apenas não aceita mudar a verdade que Cristo nos ensinou, tanto no campo da fé quanto no da moral, pois a verdade não muda. O Teorema de Pitágoras já tem 2.400 anos e até hoje ninguém conseguiu desmenti-lo; porque é uma verdade.
A mensagem da campanha, que traz Adolf Hitler como crente e Charles Chaplin como ateu, dizendo que “religião não imprime caráter”, não é verdadeira. A fé católica imprime caráter, sim. Hitler estava havia anos luz de distância de ser cristão como querem alguns. O nazismo matou cerca de 2 mil padres. O ditador nazista queria assassinar o Papa Pio XII [2]. Portanto, usar Hitler como exemplo de “crente” não é coerente. Por outro lado, Stalin, Lenin, e outros comunistas russos ateus condenaram cerca de cem milhões à morte. [3]
A fé católica imprime caráter, seriedade, honradez, honestidade, pureza e santidade, mesmo que nem todos os católicos deem prova disso. Os Evangelhos e as Cartas dos Apóstolos não se cansam de lembrar aos fiéis sobre a busca da santidade. Falta espaço para relatar tudo. Não matar, não roubar, não desejar a mulher do próximo, não cobiçar as coisas alheias, amar o próximo como a ti mesmo… Todo o Evangelho e as Cartas dos Apóstolos são um compêndio de moral, pois condenam veementemente os pecados capitais: soberba, ganância, impureza, gula, ira, inveja, preguiça, maledicência, etc. Como negar isso? Milhares se santificaram nessa doutrina.
Sobre a campanha
Por isso, e por outras coisas, nos parece vazia a argumentação da campanha. Além do mais, Deus não é um mito nem um “delírio” como quer o Dr. Richard Dawkins. O Natal não é um mito. Deus é uma realidade. Sem Ele não existiria o universo e cada um de nós. O ateísmo jamais poderá explicar isso. O senhor “Acaso” não existe. Tudo o que existe fora do nada é parte de um plano.
Dr. Francis Collins, coordenador do maior projeto de biotecnologia desenvolvido até hoje – Projeto Genoma – disse à Revista Veja: “Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas” [4]. Alguns biólogos – Prêmios Nobel – ilustram isso, vejamos alguns exemplos [5]:
“Todo ser vivo possui o próprio programa gravado em fitas DNA, mediante a qual se autoconstrói e a seguir funciona. Desvenda-se assim o segredo da vida. Não existe maior maravilha.”
[Dr. Marshall W. Nirenberg, Prêmio Nobel de Fisiologia – Medicina em 1968 pela interpretação do código genético e sua função na síntese das proteínas].
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“As maravilhas de nossa técnica estão a nível de brinquedos infantis, se comparadas com as da natureza.”
[Dr. George Wald, Prêmio Nobel de Fisiologia – Medicina em 1967 pelas descobertas referentes aos processos visuais fisiológico e químico no olho.]
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“Se as fitas DNA de um homem – de um só – fossem unidas linearmente, poderiam circunscrever todo o Sistema Solar.”
[Dr. Francis Compton Crick, Prêmio Nobel de Fisiologia – Medicina em 1962, por suas descobertas referentes à estrutura molecular dos ácidos nucléicos e seu significado para a transferência de informação em material vivo].
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“Com o átomo de um bilhão de estrelas, o acaso cego não conseguiria produzir sequer uma proteína útil para a vida”.
[Dr. Adolf Butenandt, Prêmio Nobel em Química, em 1938, por seu trabalho sobre os hormônios sexuais.]
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“A programação nas fitas DNA ativa a célula como se fosse uma microscópica fábrica ultra-automatizada e cibernética. Movimenta-a de maneira inconcebivelmente exata, veloz e bem organizada.
[Dr. George Beadle, Prêmio Nobel de Fisiologia – Medicina, em 1958, por suas descobertas que os genes agem regulando definidos eventos químicos.]
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“Chegou-nos uma mensagem dos abismos do tempo”.
[Dr. Jacques Monod, Prêmio Nobel, em 1965 por suas pesquisas sobre as células da vida.]

Professor Felipe Aquino

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Fé Faz Bem à Saúde?

A capacidade inata de procurar a explicação de um fenômeno é uma das diferenças entre o ser humano e outros animais. O homem primitivo não tinha como entender eventos mais complexos, como a erupção de um vulcão, um eclipse ou um raio. A busca de explicações sobrenaturais pode ser considerada natural. Mas por que ela desembocou na fé e no surgimento das religiões? Cientistas de diferentes áreas se debruçaram sobre a questão nos últimos anos e chegaram a conclusões surpreendentes. Não só a fé parece estar programada em nosso cérebro, como teria benefícios para a saúde.
tercoCom sua intuição genial, Charles Darwin, criador da teoria da evolução há 150 anos, já havia registrado idéia semelhante no livro A descendência do homem, em 1871: “Uma crença em agentes espirituais onipresentes parece ser universal”. “Somos predispostos biologicamente a ter crenças, entre elas a religiosa”, diz Jordan Grafman, chefe do departamento de neurociência cognitiva do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame. Grafman é o autor de uma das pesquisas mais recentes sobre o tema, publicada neste mês na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
Em seu estudo, Grafman analisou o cérebro de 40 pessoas – religiosas e não religiosas – enquanto liam frases que confirmavam ou confrontavam a crença em Deus. Usando imagens de ressonância magnética funcional – que mede a oxigenação do cérebro –, o neurocientista descobriu que as partes ativadas durante a leitura de frases relacionadas à fé eram quase as mesmas usadas para entender as emoções e as intenções de outras pessoas. Isso quer dizer, segundo Grafman, que a capacidade de crer em um ser ou ordem superior possivelmente surgiu ao mesmo tempo que a habilidade de prever o comportamento de outra pessoa – fundamental para a sobrevivência da espécie e a formação da sociedade. E para estabelecer relações de causa e efeito. A interferência de um ser muito poderoso seria uma explicação eficiente para aplacar a necessidade de entender o que não se consegue explicar com o conhecimento comum.
Mas o que levaria o ser humano, dotado de razão, a acreditar que um velhinho de barba branca, em cima de uma nuvem, atira raios sobre a Terra? Ou que 72 virgens aguardam os fiéis no Paraíso? “Tendemos a atribuir características humanas às coisas, inclusive ao ser divino”, diz Andrew Newberg, neurocientista da Universidade da Pensilvânia , autor de outro importante estudo sobre o poder da meditação e da oração. “A crença religiosa surgiu como um efeito colateral da maneira como nossa mente é organizada, da maneira como ela funciona naturalmente”, diz Justin Barrett, antropólogo e professor da Universidade de Oxford.
Para Barrett, autor do livro Why would anyone believe in God? (“Por que alguém acreditaria em Deus?”), há evidências de que os sistemas religiosos ajudam a manter comunidades unidas – a dividir, a confiar, a construir redes sociais mais fortes. Barrett afirma que a mente das crianças é um exemplo de como a fé se manifesta precocemente. Em uma das experiências, pesquisadores mostraram uma caixa de biscoitos às crianças e perguntaram a elas o que havia dentro. Como não são bobas, as crianças responderam: “Biscoitos”. Ao abrir a caixa, o que encontravam eram pedras. Então, os cientistas perguntaram às mesmas crianças o que suas mães achariam que havia dentro da lata e o que Deus diria se visse a lata. As crianças de 3 anos disseram que as mães, assim como Deus, diriam que havia pedras. A partir dos 5 anos, elas responderam que a mãe diria “biscoitos”, mas que Deus responderia “pedras”.
Já se chegou a pensar que uma espécie de curto-circuito na parte lateral do cérebro pudesse gerar casos de religiosidade extrema. Ficou famosa uma experiência do neurocientista americano Michael Persinger, batizada “O Capacete de Deus”: um capacete que estimulava eletricamente o cérebro do usuário. Segundo Persinger, oito em cada dez pessoas, qualquer que fosse a confissão religiosa, diziam experimentar um “sentimento religioso” ao vestir o aparato. Mas a maioria dos estudos científicos recentes – sejam eles baseados em imagens do cérebro ou no comportamento humano – afastou a hipótese de que a experiência religiosa seja o mero efeito de estímulos eletromagnéticos em uma parte específica do cérebro. O biólogo evolucionista pop e “ateu militante” Richard Dawkins chegou a usar o capacete para um documentário da BBC britânica. Não conseguiu “encontrar Deus” – só desconforto para respirar e mexer-se. Hoje, Persinger se defende das críticas a seu estudo. “A ‘estimulação religiosa’ reduz a ansiedade e pode ser útil para melhorar a cooperação social”, disse.
Newberg, que estuda as manifestações cerebrais da fé há pelo menos 15 anos, descobriu que as práticas religiosas acionam, entre outras regiões do cérebro, os lobos frontais, responsáveis pela capacidade de concentração, e os parietais, que nos dão a consciência de nós mesmos e do mundo. Em seu novo livro, How God changes the brain (“Como Deus muda seu cérebro”), que será lançado nesta semana nos Estados Unidos, Newberg explora os efeitos da fé sobre o cérebro e a vida das pessoas. Segundo o neurocientista, os estudos anteriores olhavam para os efeitos de curto prazo de práticas como a meditação e a oração. Agora, ele e seu grupo encararam a difícil tarefa de responder à questão: o que acontecerá se você adotar, com frequência, uma prática como a meditação ou a prece?
Andrew Newberg – “O cérebro dos ateus é diferente”
O neurocientista fala sobre seu livro Como Deus muda seu cérebro
ÉPOCA – Como Deus pode mudar a estrutura cerebral das pessoas?
Andrew Newberg –
 Os nossos estudos usando imagens do cérebro mostram que, no longo prazo, há alterações no lobo frontal (relacionado à memória e à regulação das emoções) e no sistema límbico (ligado às emoções). As pessoas tendem a conseguir controlar mais suas emoções e expressá-las. A meditação e a oração ajudam a melhorar a relação consigo mesmo e com os outros. Também especulamos que essas práticas alteram, inclusive, a química cerebral, como os níveis de serotonina e dopamina, que regulam nosso humor, nossa memória e o funcionamento geral de nosso corpo, mas ainda não temos provas disso.
ÉPOCA – Em seu livro, o senhor fala bastante da meditação, uma prática tradicionalmente ligada às religiões orientais. Existe alguma diferença entre, por exemplo, o catolicismo e o budismo?
Newberg – 
Não olhamos exatamente para as diferenças entre as religiões, mas para as diferentes práticas. A forma como você pratica a religião é mais importante que as ideias religiosas em si.
ÉPOCA – Há um consenso entre os cientistas de que a fé pode ajudar na manutenção da saúde?
Newberg – 
Muitos cientistas acreditam que a espiritualidade tem um papel na saúde. A pergunta é quem vai administrar isso e como os profissionais de saúde vão lidar com a espiritualidade de uma maneira apropriada e benéfica. Essas questões ainda não foram respondidas.
ÉPOCA – Há alguma diferença neurológica entre aqueles que creem e os que não creem em Deus?
Newberg – 
Encontramos algumas diferenças, sim, e também notamos diferenças dependendo do tipo de prática religiosa. O problema é que nunca sabemos se aquelas mudanças estão lá porque a pessoa é religiosa há muito tempo ou se ela nasceu daquela maneira e, por causa disso, procurou um tipo de religião ou meditação.
Letícia Sorg
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI64864-15224,00-A+FE+QUE+FAZ+BEM+A+SAUDE.html