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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Que é o Combate Espiritual?

São Paulo compara o cristão com um soldado
 
 O ministério de libertação é uma força de apoio ao combate espiritual a que todo cristão é chamado a viver. Precisamos conhecer esse combate na vida e nas palavras de Jesus.
 
O Mestre sofreu tentações antes de começar Sua vida pública: cobiça, vaidade e orgulho! Venceu esses males e nos ensinou a pedir: Pai, não nos deixeis cair em tentação, MAS LIVRAI-NOS DO MAL. O Pai-Nosso é a principal oração de libertação. O Apóstolo Paulo falou muito de Combate Espiritual. O texto mais eloquente sobre esse tema está em Efésios 6,10-17: armadura do cristão. Cada versículo desse texto deve ser meditado com muita atenção.
 
A armadura de Deus é Jesus. Precisamos nos revestir de Cristo para estar a salvo dos ataques do inimigo. Isso significa permitir que o “homem novo” vá crescendo em nós, até o ponto de podermos dizer: já não sou eu que vivo, Cristo vive em mim.
 
Estar revestido de Cristo significa sentir como Ele sentia, fazer o que Ele fazia, falar como Ele falava, agir como Ele agia. É colocar a vontade amorosa de Deus como princípio e centro da nossa vida.
 
A Eucaristia é a expressão maior desse revestir-se de Cristo. É o melhor refúgio. Precisamos estar conscientes de que o inimigo de Deus existe e age. A Igreja afirma claramente que o demônio existe. Mas não é tão poderoso assim… é criatura, age só com a permissão de Deus.
 
É interessante conhecer as estratégias do maligno para que possamos resistir “no dia mau”, ou seja, na “hora H”. Santo Inácio de Loyola, com suas “regras de discernimento” nos ensina com sabedoria a perceber a voz do Espírito Santo, distinguindo-a da sedutora cantinela do inimigo.
 
Ao final do seu texto São Paulo compara o cristão com um soldado pronto para a guerra:
 
· o cinturão da verdade: Lembre-se de que o inimigo é o pai da mentira. É o príncipe das trevas. Portanto, não resiste à luz e à verdade. O Sacramento da Confissão é uma luz de verdade que deve ser utilizado como estratégia contra ele.
 
· a couraça da justiça: bastaria lembrar a Campanha da Fraternidade destes dois últimos anos. Justiça e Paz se abraçarão.
 
· calçado da prontidão para anunciar o Evangelho da Paz: a Nova Evangelização é uma estratégia de libertação. Quando nos fechamos em nós mesmos estamos à mercê dos ataques… mas quando nos colocamos a caminho…
 
· o capacete da salvação: na cabeça, um critério muito seguro que distingue as verdadeiras das falsas doutrinas: Jesus é o Salvador.
 
· a Espada do Espírito: é a Palavra de Deus, nosso instrumento de libertação.
 
QUESTÕES PARA REFLEXÃO PESSOAL
 
1. Conheço algo do Combate Espiritual na vida dos Santos? (Santo Agostinho, Antão, Bento…)
 
2. Já tive a curiosidade de pesquisar esse tema no Catecismo da Igreja Católica?
 
3. Conheço algum outro texto da Bíblia que frequentemente me anima no combate?
 
4. Tenho um diretor espiritual, ou, pelo menos, um confessor?
 
5. Tenho um projeto pessoal de vida? Escrito? Tenho metas? Ou meu combate consiste apenas em resolver problemas!?
 
 
Padre Joãozinho, SCJ
 
Oração de Combate Espiritual:
 
Oração de São Miguel Arcanjo
(pequeno exorcismo de São Leão XIII que deve ser rezado diariamente.)
 
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio! Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos; e vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo poder Divino, precipitai ao inferno a satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Exorcismo e Libertação, Qual a Diferença?


Vou contar a vocês uma coisa que meus pais fizeram e que mudou toda a minha vida. E aproveito também para deixar isso como um conselho aos pais. Sou o primeiro de cinco filhos que meus pais tiveram. Quando tinha um mês de vida, meus pais me entregaram como um presente a Nossa Senhora, diante de sua imagem. Você viu no que deu: hoje sou sacerdote. Glória a Deus por isso! Meus irmãos, o céu nos leva muito a sério!

O tema desta pregação é: “Exorcismo e Oração de Libertação”. Meus irmãos, o demônio treme diante da Palavra de Deus! O padre exorcista Gabriele Amorth, durante seu ministério, sempre rezava com este trecho do Evangelho de São Marcos 16,15-20 em latim. Acompanhe comigo:

“Então Jesus disse-lhes: 'Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade. Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem são estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem cobras ou beberem algum veneno, não sofrerão nenhum mal; quando colocarem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados.' Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e, por meio dos sinais que os acompanhavam, provava que o ensinamento deles era verdadeiro”.
Estes sinais, meus irmãos, não acompanham apenas os padres. Eles são para todos nós. Estes sinais acompanham todos aqueles que creem. É tão bonito ver que a Palavra de Deus não é apenas anunciada com belas palavras, mas também por meio de sinais, milagres e prodígios. Estes sinais são necessários. Todos nós ansiamos por ver o poder de Deus. Jesus é o “Deus salva”. Queremos experimentar em nossas vidas o poder salvífico do Senhor.

Jesus chamou doze apóstolos para estarem com Ele. Nossa vida de fé está fundamentada nisso, ou seja, na relação com Deus. Somos todos chamados ao discipulado. Depois, Jesus deu autoridade aos Seus discípulos. E eles puderam realizar estes sinais no nome do Senhor.

Quando o Senhor Jesus manifesta Seus sinais no meio do povo, os corações se abrem para a escuta da Palavra. Eu mesmo, que lhes falo nesta manhã, sou testemunha disso. Lembro-me de, quando ainda era um jovem sacerdote, Deus me usou para que aquelas pessoas fossem tocadas por Sua graça. Depois da bênção que dei em nome de Jesus, ao final daquela novena, sete pessoas foram curadas. No dia seguinte, quanta gente apareceu naquela novena! Pessoas vindas de tantos lugares distantes para serem curadas. E o que eu fazia? Anunciava a Palavra de Deus a elas, pois os corações se encontravam abertos e sedentos para acolher a Boa Nova.

Gente curada de câncer, casais que não conseguiam ter filhos... Quanta gente agraciada após receber a bênção de Jesus! Deus só precisa de instrumentos que estejam disponíveis para que Ele possa usar como um eficaz veículo da Sua graça.

Mas, diante disso, surge o seguinte questionamento: “Por que nem todos são imediatamente curados?” Nossa Senhora, em Fátima, deu um importante ensinamento aos Três Pastorinhos, que traziam os pedidos do povo até a Virgem Santíssima. Ela dizia: “Alguns serão curados ainda neste ano, mas nem todos, pois alguns precisam primeiro se arrepender dos seus pecados”.

O que a Mãe do Céu está nos ensinando com isso? Que é preciso cuidar primeiro da saúde da alma! Muitos buscam a cura do corpo, mas não cuidam do próprio interior. Ainda não se arrependeram, não procuraram o sacramento da reconciliação e penitência e não deram passos concretos de conversão.

Muitos são aqueles que se revoltam contra Deus porque ainda não tiveram suas súplicas ouvidas. Não, meus irmãos! Deus é Pai e sabe o que é melhor para nós. Existem graças que não receberemos se não as pedirmos ao Senhor. Mas também existem situações nas quais podemos oferecer nossos sofrimentos suportados pela conversão dos pecadores. Esta é, sem dúvida alguma, uma das formas mais poderosas de intercessão: oferecer o próprio sofrimento, a tribulação vivida, pela conversão das almas.

Portanto, não se revolte! Não deixe de louvar a Deus. Louve mesmo em meio às chamas e à provação que você hoje enfrenta.

O que é o exorcismo? Ele vem dos tempos antigos. Vemos nas Sagradas Escrituras que todos os batizados, nos primeiros tempos, eram exorcistas. Com o passar do tempo, a Igreja foi controlando esse ministério de exorcismo. E por quê? Porque o demônio é muito inteligente e esperto! Então, é preciso muita atenção e cuidado na realização desse ministério, para que se evitem abusos e exposições desnecessárias.

A Igreja nos ensina que o exorcismo é uma celebração litúrgica, na qual pedimos a libertação de alguém da ação do demônio. Existe também o chamado “grande exorcismo”, que só pode ser realizado por um padre exorcista com a autorização do bispo diocesano.

E no que consiste a oração de libertação? Ela é uma oração na qual você pede para ser liberto dos ataques do demônio. “Eu posso fazer essa oração, padre?”, você pode me perguntar agora. “Sim, sem dúvida!”, eu lhe respondo. Inclusive na oração do Pai-Nosso, Jesus nos ensina a pedirmos ao Pai: “Livrai-nos do mal”. Existem muitas orações de libertação. Devemos rezá-las pedindo a Deus que nos livre das ações do maligno.

O cuidado que devemos tomar é o de não ficar conversando com o demônio. Somente o exorcista deve fazê-lo. O inimigo sempre começa dizendo uma “verdade” a nosso respeito. É preciso tomar muito cuidado com isso, pois ele é o sedutor por excelência e acaba nos envolvendo em suas armadilhas e mentiras. Nos Evangelhos, Jesus sempre ordenava aos demônios que se calassem. O diabo não pode ser o nosso “catequista”! Ele é mentiroso e acaba nos ludibriando como fez com os nossos primeiros pais, Adão e Eva. Conversemos com o Senhor! E peçamos sempre a Ele que nos livre do mal.

E quando não existe um padre exorcista onde você vive? O que fazer? Resposta: Santa Missa, sacramento da confissão, santo terço diário... É assim que vamos reagindo diante da ação do mal na nossa vida.

Se você está no pecado, meu irmão, o demônio consegue facilmente interferir na sua vida. Saia do pecado já! Se você estiver na graça de Deus, estará mais do que protegido contra o mal. Creia nisso!

Pe Duarte Lara
Exorcista Português 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O demônio não é Fábula, Diz o Papa Francisco

“A presença do demônio no mundo é real e não uma fábula. É o Evangelho que o diz e os cristãos devem sempre estar alertas contra o maligno”. Foi o que recordou o Papa Francisco, comentando na missa matutina na Casa Santa Marta o trecho evangélico da celebração na qual Jesus expulsa o demônio, mas não é compreendido.


 Alguns padres, quando lêem esta passagem, ou outras, dizem que Jesus curou aquela pessoa de uma doença mental. É verdade que antigamente se podia confundir epilepsia com estar possuído pelo demônio – disse o Papa – mas é igualmente verdade que o demônio existe! A presença do demônio está na primeira página da Bíblia e também no final, com a vitória de Deus sobre ele”.

A seguir, Francisco indicou três caminhos para resistir ao maligno, sendo vigilantes:

Não confundir a verdade. Jesus luta contra o diabo; e este é o primeiro critério. O segundo é que ‘quem não está com Jesus está contra Jesus’. Não existe outro comportamento. E o terceiro critério é a vigilância do nosso coração, porque o demônio é astuto, nunca é expulso para sempre”.

Advertindo os cristãos para “não ser ingênuos”, o Papa disse que a estratégia do diabo é essa: ele diz “Você é cristão, tem fé, vai adiante que eu não volto. Mas depois, quando você está acostumado e se sente seguro, ele volta”.

“O Evangelho de hoje – explicou o Papa – começa com o demônio expulso e termina com o demônio voltando! É como um leão feroz, que nos circunda. Isto não é mentira” – assegurou Francisco:

É a Palavra do Senhor. Peçamos a Ele a graça de levar a sério estas coisas. Ele veio lutar por nossa salvação e venceu o demônio! Não façamos negócios com o demônio; ele tenta voltar para casa, se apoderar de nós. Não devemos relativizar, mas vigiar, sempre e com Jesus”.

Rádio Vaticano

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Não Podemos "Normalizar" o Pecado!


Eu gostaria de falar sobre a força que Deus nos dá nesta vida, na nossa caminhada. O que Deus mais deseja é que sejamos pessoas cada vez mais humanas e felizes. Nós vivemos, hoje, uma enfermidade coletiva. Estamos doentes por causa de alguns 'vírus' e vamos contagiando os outros: o 'vírus' da solidão, de desesperança, do desânimo, da depressão. Vivemos também o contágio da normalização do pecado. Deus nos fez para sermos livres, para sermos sadio, mas estamos nos contentando com a situação de enfermos.

“Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites. Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço. O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça” (Rom 6,12-14). 

Eu recebo muitas perguntas como "Padre, isto é pecado?" As pessoas só querem saber o que é ou não pecado, mas o que elas precisam é ter consciência da escravidão das paixões. Paixão pelo poder, pelo dinheiro etc. Falamos tanto e ficamos escandalizados com relação à prostituição, mas nos prostituímos com poucas coisas, somos escravos de coisas muito menores. 

O homem vive uma constante luta contra o pecado. Nossa vida é luta desde o momento que acordamos até quando vamos dormir. Jesus não foi tentado apenas no deserto, mas constantemente. A palavra diz que quando Ele venceu a tentação no deserto, o demônio partiu “até uma outra oportunidade”. 

O demônio é sutil, ele se disfarça na beleza, na paixão para nos seduzir. O pecado se mascara de algo bom, porque, se ele fosse mostrar a verdadeira face, você não cairia nele. Nós estamos vivendo na lei da normalidade, tolerantes com as imundícies no mundo. Ficamos resistentes à graça e aceitando as anormalidade do mundo. 

Nós estamos vendo, por exemplo, a onda de violência nos estados e ficando acomodados. Não adianta colocar a polícia para repreender, pois a violência tem gerado mais violência. Qual o problema? O problema destes atos bárbaros da sociedade está na família. Recupere a família e o seu papel na sociedade, e as coisas vão ficar bem. 

A maior força do inimigo é, justamente, nos introduzir na lei da normalidade. O que você foi assimilando na sua vida que pertence aos pagãos? Nós sabemos que o mundo paganizou as datas cristãs. A Páscoa foi paganizada com o coelho da Páscoa, o chocolate. O Natal foi paganizado com o Papai Noel. O dia de Nossa Senhora Aparecida foi paganizado com o Dia das Crianças. Nada contra as crianças, nada contra o Papai Noel, mas estamos falando do mundo paganizado que entrou em nós e hoje aceitamos todo este consumismo como normal. 

Nós não devemos temer a queda de número de católicos no país. O passo que devemos dar, no nosso país, é sairmos da condição de simpatizantes de Jesus para discípulos d'Ele. Neste Ano da Fé não há espaço para os simpatizantes. 

Pe Reginaldo Manzotti

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Existe Atuação Diabólica?Como Proceder?

"Quais são hoje as maiores necessidades da Igreja? Não deixem que a minha resposta os surpreenda como sendo simplista e, ao mesmo tempo, supersticiosa e fora da realidade. Uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa contra este mal chamado Satanás. O diabo é uma força atuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade misteriosa e amedrontadora."
 (Papa Paulo VI, L'Osservatore Romano, 24/11/1972)




1. A realidade 
a) O nosso é um povo de forte traço cultural místico em todas as camadas sociais e faixas etárias; 
b) Os pastores da Igreja atual são geralmente despreparados para uma abordagem que realmente satisfaça aos anseios e necessidades desse povo:
          + por uma formação racionalista;
         + por não ter tido nenhuma preparação teórica ou prática para essa realidade no seminário. 
c) A floração das seitas, que dão respostas (errôneas, muitas vezes) às necessidades do povo, explorando, enganando, mas fazendo enorme sucesso e causando forte impressão de credibilidade e autoridade junto às pessoas de todas as classes sociais. 
d) Tudo isso mostra a urgente necessidade de abordar algumas situações especiais, que escapam à nossa rotina de compreensão. 

2. A fenomenologia 
Enquadram-se nesses casos especiais que desejamos abordar as pessoas com os seguintes sintomas:
         + Forte sensação de uma presença maléfica que a acompanha e/ou a ameaça;
        + Crises de transe: a pessoa sai de si, age de modo violento, grita, corre, desmaia, depois não recorda o que fez;
         + Sensação de alta negatividade num determinado ambiente ou no convívio familiar;
         + Problemas de saúde aparentemente normais mas não explicáveis por vias normais;
         + Forte e fundada suspeita de estar sendo vítima de malefício (feitiço, despacho, etc);
        + Fenômenos estranhos de cunho parapsicológico como, por exemplo, casas mal-assombradas, coisas que se movem, luzes que acendem e apagam sozinhas, barulhos esquisitos, coisas que pegam fogo sozinhas, etc.
         + Sonhos persistentes de conteúdo negativo, alucinações negativas, idéias e sentimentos obsessivos... 
Observações:
(a) Em não poucas dessas situações, os médicos ou psicólogos dizem: procure um padre ou procure “outros meios”. O padre torna-se, então, a última esperança dessas pessoas. A Igreja tem o dever de dar uma resposta! 
(b) Duas atitudes erradas:
         + Ignorar ou negar levianamente a existência do problema e despedir a pessoa sem mais, deixando-a sem amparo nem esperança;
         + Eximir-se de procurar uma via de solução. Simplesmente consolar e basta. Tal solução é totalmente insuficiente! Sei de padres que simplesmente mandam procurar a Renovação Carismática ou um pastor protestante. São soluções covardes e vergonhosas! 
3. Passos a serem dados 
Além do óbvio acolhimento caridoso, cheio de atenção e da capacidade de escuta, é necessário uma criteriologia para um correto encaminhamento. Eis alguns passos a serem dados: 
            a) Sem preconceitos, procurar individuar o tipo de problema, que pode advir de três áreas: (1) médico-psicológica, (2) parapsicológica ou (3) espiritual. Há situações em que se pode logo perceber tratar-se de algo de cunho espiritual. 
            b) Em todos os casos, nunca se deve deixar de rezar pela pessoa: nossa oração de ministros de Deus, oração ligada ao nosso ministério no exercício do sacramento da Ordem, tem grande valor e eficácia. É absolutamente necessário superar nosso respeito humano e nossos preconceitos racionalistas! É preciso compreender que mesmo num problema estritamente médico, psicológico ou parapsicológico, a oração, a dinâmica da procura sincera e humilde de Deus, a confiança no Senhor e na sua santa vontade e a prática sacramental têm uma enorme importância. Uma oração de cura ou de libertação dirigida ao Pai pelo Filho no Espírito, sempre fazendo memória dos mistérios salvíficos em Jesus Cristo, não somente tem grande eficácia terapêutica como também enorme potência evangelizadora. A pessoa experimenta, agradecida e emocionada, a ação de Deus que se manifesta salvando-a, libertando-a, fazendo-se presente à sua dor e ao seu momento difícil. Rezar por quem sofre e com quem sofre é indispensável: é sinal de fé e renúncia a toda presunção que exclui Deus do dia-a-dia... Em outras palavras: envia-se ao médico, ao psicólogo ou ao psiquiatra, mas reza-se também, reza-se primeiro! Pode-se fazer isso tomando um salmo conveniente, depois, com a imposição das mãos, fazer-se uma breve oração espontânea, concluída com um Pai-nosso e uma Ave-Maria e, finalmente, dando-se uma bênção. 
            c) Se os sintomas apresentados forem claramente extraordinários, podem ser de cunho parapsicológico. É importante compreender que, em geral, todos esses fenômenos são causados por pressão psicológica de problemas e vivências não resolvidas e não assimiladas pela pessoa e podem ser tratados com a tomada de consciência do problema que os gera e uma reta maneira de enfrentar os desafios da vida com sabedoria, maturidade e confiança em Deus. Neste âmbito, a vida espiritual ajuda muitíssimo. Nunca se devem separar as duas coisas: a oração, a confissão, a vida sacramental, a vida de comunidade ajudam muitíssimo. Então, de modo prático: em pessoas com problemas extraordinários, deve-se conversar até que se descubra frustrações e/ou tensões que gerem essa explosão de fenômenos. Aí então, é conscientizar a pessoa de que deve trabalhar esse problema aceitando, buscando solução e confiando em Deus pela oração e o abandono em suas mãos. Às vezes, é recomendável também a ajuda de um psicólogo; no mais das vezes, basta uma série de conversas e aconselhamento do próprio padre. Num caso de fenômenos mais graves e intensos, convém encaminhar para alguém que tenha noções mais precisas de parapsicologia. 
            d) Caso os sintomas estejam ligados claramente a uma experiência religiosa negativa e deixe na pessoa marcas de tentação de afastamento de Deus, desprezo pelo sagrado, ódio às pessoas e às coisas de Deus, etc, é muito importante que o padre, com prudência ajude a pessoa neste nível religioso. Seria um erro procurar solução na medicina, na psiquiatria ou na parapsicologia... A própria parapsicologia não exclui a possibilidade de fenômenos supranormais, isto é, de cunho acima da natureza, pertencentes propriamente ao âmbito da religião e do sobrenatural! Aqui se encaixam os milagres, as influências maléficas, a infestação e a possessão diabólica. É necessário afirmar claramente que neste campo somente a religião pode ajudar! 
Em casos assim, algumas vezes, psicólogos e psiquiatras sérios e desprovidos de preconceitos racionalistas e imanentistas, pedem a ajuda de exorcistas! Exemplos: o exorcista da Diocese de Roma, Pe. Gabriele Amorth participou recentemente, como conferencista, de dois encontros com psiquiatras de grande qualificação científica: em 16 de abril de 1993, na Clínica de psiquiatria da Universidade de Roma, na sede de Tor Vergata, por iniciativa da Sociedade Italiana de Psiquiatria e no dia 12 de abril de 1995 fez conferência e dirigiu um debate no âmbito do Ministério da Saúde italiano, num Curso de Prevenção do Departamento de Saúde Mental. Interessante que havia psiquiatras agnósticos e ateus, que fizeram perguntas muito interessantes e pertinentes. (Sugiro o filme “O exorcismo de Emyle Rose”). 
4. Como proceder em casos de origem supranormal (sobrenatural) 
a) Alguns elementos teológicos 
            Recordemos que a existência dos anjos e demônios é parte da revelação bíblica e da fé constante da Igreja. E não só: a Igreja ensina que há real possibilidade da ação do Diabo e seus anjos no mundo. Só a título de exemplos, pense-se na práxis litúrgica da Igreja, que é expressão da sua fé e tenha-se presente o Catecismo da Igreja Católica nn. 325-327; 328-333; 350-351; 334-336; 352; 391-395; 414.
            Anjos e demônios devem ser claramente compreendidos como seres pessoais, livres e inteligentes. É nesta direção que caminham as indicações do Novo Testamento e da fé da Igreja expressa na Tradição e na liturgia. Não é aceitável o subterfúgio de falar no Diabo ou nos demônios como simples personificação do mal. Não foi assim que Jesus compreendeu nem é assim que a Igreja compreende. Só a título de exemplo do Magistério recente pense-se no próprio Ritual de Exorcismos, renovado segundo a liturgia do Vaticano II. 
            O caminho cristão sempre foi visto pela Escritura e pela Tradição teológica e espiritual também como uma luta contra o Diabo e seus anjos. Basta pensar nos ritos do catecumenato e do Batismo: aí se fazem os pequenos exorcismos e a renúncia clara e explícita a Satanás e suas obras. Pense-se também que Jesus, na oração que nos ensinou, ensina-nos a pedir que o Pai nos livre do Maligno, isto é, de Satanás! É absolutamente inaceitável dizer que as referências de Jesus aos anjos e demônios são contingências sócio-culturais! Deve-se recordar que os saduceus não acreditavam nem em anjos (ou demônios); Jesus, ao contrário ensina claramente a existências desses! Não podemos ser mestres de Jesus ou contradize-lo em nome de preconceitos imanentistas ou racionalistas! 
            Quanto aos modos de ação diabólica, a tradição espiritual da Igreja, fundamentada no Novo Testamento e na sua prática bi-milenar identifica: 
+ a tentação,
         + a infestação           = pessoal (também chamada de obsessão): aqui a ação diabólica é como um cerco, um assédio, pois que vem de fora, prejudicando a saúde, afetando a imaginação, memória, os sentidos, causando alucinação, etc...
                                     = local: a ação diabólica dá-se num lugar, num ambiente, provocando sensações negativas, desmantelos nas relações humanas, nos negócios e projetos das pessoas, etc...
         + a possessão: dá-se quando o um ou mais demônios apoderam-se do corpo da pessoa (nunca de sua alma, de seu núcleo pessoal), utilizando-o de modo tirânico, agressivo e humilhante. Trata-se, pois, de uma ação do Diabo a partir de dentro da própria pessoa. 
            Convém recordar como a teologia atual, tendo redescoberto a perspectiva bíblico-patrística, concebe a relação entre natural e sobrenatural: os dois campos se distinguem, mas não se separam. O sobrenatural não exclui nem nega o natural, mas pode se manifestar através dele. Há fenômenos aparentemente naturais e que se dão pelas nossas capacidades naturais que, no entanto, tem como causa última, o Maligno! No Evangelho, há doenças de origem natural (e Jesus as cura) e de origem sobrenatural (e Jesus, então exorciza). Cuidado para não pensarmos que Jesus e os primeiros cristãos eram tolinhos sem discernimento! Estamos tratando do nosso Deus e Salvador e de seus santos apóstolos!           
Ainda do ponto de vista da hermenêutica teológica, é preciso deixar claro que a palavra e a práxis de Jesus bem como a perene Tradição da Igreja, sem desprezar as aquisições da ciência atual, são os critérios últimos de nossa compreensão, de nosso discernimento e de nossa práxis. 
b) Criteriologia 
            Ainda que haja indícios de uma presença sobrenatural maléfica na pessoa que procura ajuda, nunca se deve pensar primeiramente em possessão diabólica: o exorcismo é o último recurso, depois do clínico, do neurologista e do psiquiatra. 
            Isso não exclui a possibilidade de uma força negativa, uma presença maligna provocada pela ação do Diabo e pela maldade humana. É o caso, por exemplo, da infestação. É importante não separar natural e sobrenatural: o sobrenatural pode agir através de fenômenos aparentemente naturais. Um exemplo: um feitiço, um despacho que se faz contra alguém pode realmente atingir a pessoa. Isso a parapsicologia explica de modo natural e dá o nome de subjugação telepsíquica. No entanto, certamente, aí também há a ação do Maligno, que sempre está misteriosamente presente na maldade humana. Uma coisa não exclui a outra (analogamente, nossos dons naturais não excluem a ação da graça de Deus). O importante é que tenhamos consciência da real possibilidade da possessão: “Uma árdua luta contra os poderes das trevas perpassa toda a história dos homens. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até o último dia, segundo a palavra do Senhor” (Ritual de Exorcismos, Introd. 2 citando a GS 37). 
            Procedimento: Se alguém nos procura e os sintomas parecem de uma misteriosa ação maligna (infestação) – mas não de possessão -, deve-se: (1) Recomendar a oração, um caminho de sincera conversão, de prática dos sacramentos, de confiança em Deus e crescimento na vida cristã. Deve-se evitar todo reducionismo mágico, pensando que basta uma oração e está tudo resolvido. Não! Há um caminho a ser feito e estas situações devem ser motivo para uma real evangelização no sentido mais profundo do termo: um anúncio e um acolhimento da Boa Nova de salvação e libertação que Cristo nos traz com sua morte e ressurreição! (2) Rezar com a pessoa e sobre a pessoa quer espontaneamente, quer utilizando o esquema de súplicas do Apêndice I do Ritual (pp. 77-82), quer utilizando os salmos e leituras bíblicas do capítulo II do Ritual (pp. 47-69); (3) Recomendar que a pessoa reze salmos, reze o terço e, sobretudo, as orações propostas no Apêndice II do Ritual (pp. 83-89). 
            No caso de infestação local: uma série de bênçãos simples no lugar ou, em casos mais sérios, as orações segundo o Apêndice I do Ritual (pp. 77-82). 
            Observação: Seja na infestação pessoal (obsessão) que na local, pode ser necessário mais de um ou dois momentos de oração... É também muito conveniente o uso de sinais consagrados pela práxis secular da Igreja, como a água benta, o sinal da cruz na testa, nos ombros, a imposição das mãos, o uso da medalha de São Bento. 
c) A questão da possessão 
            A possessão é afirmada pela Escritura e a constante Tradição da Igreja. O novo Catecismo ensina sua possibilidade (cf. n. 1673). Diz o Ritual: “O mistério da divina piedade se torna mais difícil ao nosso intelecto quando, por permissão de Deus, ocorrem casos de especial tormento ou possessão que o Diabo exerce em prejuízo do homem incorporado ao povo de Deus e iluminado por Cristo, para que caminhe para a vida eterna como filho da luz. Então, claramente se manifesta o mistério da iniqüidade que age no mundo, embora o Diabo não consiga ultrapassar os limites que Deus lhe impôs... Em tais casos, a Igreja suplica a Cristo Senhor e Salvador e, confiante no poder dele, oferece auxílios ao fiel atormentado, a fim de que seja libertado do tormento ou da possessão” (Ritual, Introd. 10). 
            “Entre esses auxílios, sobressai o exorcismo maior, solene, também chamado grande exorcismo, que é uma oração litúrgica. Por esse motivo, o exorcismo, que visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja, é uma prece que faz parte dos sacramentais; portanto, um sinal sagrado pelo qual são significados efeitos principalmente espirituais obtidos por intercessão da Igreja” (n. 11). 
            Observações:           O exorcismo maior, litúrgico, como está nas páginas 23-45 do Ritual, só pode ser feito com expressa licença do Ordinário local.
                                          Trata-se sempre do próprio Bispo, que é o exorcista originário, ou de um sacerdote por ele designado.
                                          Este exorcismo é diverso da oração de libertação e cura, que pode ser feita até mesmo por fiéis leigos. Repito: este tipo de oração pode e deve ser feita seja por leigos como também e principalmente pelos sacerdotes e diáconos. O modo de faze-la já foi indicado mais acima.
                                           O exorcista julgará prudentemente sobre a conveniência do uso do exorcismo e, caso seja necessário, consultará a ciência médica e psiquiátrica, com profissionais que tenham senso das coisas espirituais.  
5. Considerações finais 
Atualmente, com a profunda crise de valores da nossa sociedade, com o paganismo galopante, com o consumo de drogas, com a dissolução da família, com a libertinagem sexual e a apologia da imoralidade, com um fechamento prático para Deus, com o renascimento de tantas seitas e velhas superstições, com a Nova Era e o esoterismo, com a falta de oração e de uma vida ascética, esses casos de presença maléfica tendem a ter um aumento. Devemos estar aptos a acolher e ajudar a esses irmãos num caminho de descoberta de Cristo do compromisso com ele e do seu poder libertador. 
Uma adequada atenção a esses casos especiais significa: 
            Uma Igreja atenta ao âmago da sua missão: libertar o homem de tudo quanto demoniza sua vida, doando-lhe a liberdade para a qual Cristo nos libertou; 
            Uma correta pastoral nesta área debela a superstição, a mistificação e o fanatismo, além de trazer enorme consolo e alívio às pessoas; 
            Transcurar esse aspecto da pastoral é cair num racionalismo injustificável, doutrinalmente deficiente e pastoralmente mutilado. Se a Igreja já não souber o que fazer ante a presença do mal nas suas variadas manifestações, então ela nega um aspecto essencial da salvação trazida por Cristo, obscurece o sentido da obra do Senhor e nega na prática o sentido pascal da nossa esperança. Nunca esqueçamos que a vitória sobre o mal e a morte é o traço por excelência do senhorio de Cristo. Uma Igreja que não seja ministra dessa vitória perde a credibilidade, deixa de ser religião para se tornar simplesmente uma ONG.



Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju

sábado, 16 de abril de 2011

Luta Com as Tuas Armas!

Quando o jovem Davi se dispunha a brigar com o gigante Golias, o rei Saul emprestou sua armadura de aço, seu escudo e sua espada, porém o pastot de Belém não podia nem caminhar com tanto peso (conf. 1Sm 17, 38-39). Ele teve que renunciar às armas reais e brigar com sua funda e cinco pedras de arroio. David não derrotou Golias com as armas do rei Saul, mas com as suas próprias.
Deus também ordena ao juiz Gedeão, que se sente incapaz de enfrentar uma batalha contra os madianitas: vai e, com essa força que tens, livra Israel das mãos dos madianitas (conf. Jz 6,14).

Vamos enfrentar a batalha com toda nossa força, mas só com a força que temos. Ali está o segredo de nossa vitória.

Moisés, por sua parte, estava acostumado a apascentar o rebanho de seu sogro Jetro e vivia na rotina e na melancolia. Até que um dia se atreveu a dar um passo ao fascinante mundo do desconhecido e foi “para além do deserto”, para encontrar um novo sentido à sua existencia (Ex 3,1).

Era uma vez um grande músico chamado Nicolo Paganini, nascido em Gênova, Itália, em fins do seculo XVIII, que foi considerado o melhor violinista de todos os tempos.

Certa noite, o palco da Scala de Milán estava repleto de admiradores, sedentos para escutá-lo. Paganini colocou seu violino no ombro e o que se escutou foi indescritivel: tons graves que se misturavam com fins agudos. Fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias pareciam ter asas e voar ao contato de seus dedos encantados. De repente, um ruído estranho surpreendeu a todos. Uma das cordas do violino de Paganini havia se rompido. Paganini continuou tocando e arrancando sons deliciosos de um violino com problemas.

Pouco depois, a segunda corda do violino de Paganini se rompeu. Como se nada tivesse acontecido, Paganini esqueceu as dificuldades e continuou criando sons do impossivel.
Pela sobrecarga do esforço, uma terceira corda do violino de Paganini se rompeu. E ele continuou produzindo melodiosas notas.

No concerto da vida, se rompem as cordas de nosso violino quando se deteriora a saúde, quando perdemos de repente pessoas queridas, quando um amigo nos traí e outras mil formas imprevistas. De qualquer maneira, o musico deve continuar tocando, inspirado na criatividade e na perseverança.

Mesmo que as cordas se rompam, seguiremos sem nos deter e florescerão qualidades ocultas que nem nós sabíamos que existiam em nosso interior. Então, os outros se emocionam e se motivam, porque percebem que, se alguém pode tocar seu instrumento musical em meio às dificuldades, eles também acreditam que podem fazê-lo.

Quando estiver desanimado, nunca desista, pois ainda existe a corda da constância para tentar uma vez mais, dando um passo “mais além” com um enfoque novo. Enquanto tiver a corda da perseverança ou da criatividade, pode continuar a caminhar, encontrando soluções inesperadas. Desperta o Paganini que há dentro de você e avança para vencer.

Vitória é a arte de continuar onde os outros se dão por vencidos. Quando tudo parece desmoronar, se brinde com uma oportuinidade e avance sem parar. Toca a mágica corda da motivação e tire sons virgens que ninguém conhece.

Toca teu violino com as cordas que tens!

Prado Flores

domingo, 3 de abril de 2011

Constância na Tribulação

Nenhum de nós está fora da tribulação, enquanto estivermos vivos, estaremos nessa realidade da prova, das aflições. Sempre estaremos vivendo alguma tribulação. Tem pessoas que quer começar um caminhada espiritual e não quer ter mais problemas, mas as provações fazem parte da vida do ser humano.

Na tribulação você precisa ser forte, pois Deus já nos disse: “Se forte e corajoso, não te acovardes”.

Considerai uma grande alegria, meus irmãos, quando tiverdes de passar por diversas provações, pois sabeis que a prova da fé produz em vós a constância. Ora, a constância deve levar a uma obra perfeita: que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.” (Tg 1,2-4) 

Para chegarmos a esse estágio de sermos perfeitos, precisamos ser provados na fé. E eu lhe pergunto você tem fé? Seja uma fé provada ou imatura, está ela tem que ser provada, pois senão continuará tendo uma fé pequena. A sua fé por não ter sido provada, ou por não ter aceitado a prova, fica uma fé pequena. 

Fé é o fundamento da esperança, é a capacidade de ver coisas que ainda não existem. Você tem essa fé e ela precisa ser provada. Uma mãe não vê o filho fora das drogas, isso é um teste, não desista dele, não desista do Senhor, não abandone a sua Igreja. 

Para se ter esperança é necessário ter fé. Você tem fé, mas precisa aceitar o teste, em vez de ficar reclamando. Deus precisa provar sua fé, pois ela é sua base e quando mais forte estiver sua base, mais você poderá construir sobre ela. Tudo que você na Canção Nova, foi por causa de uma fé provada de um homem, Monsenhor Jonas Abib. Na sua casa será a mesma coisa, na sua fé, Deus construirá coisas maravilhosas.

Só passa por prova quem está vivo e essa prova é para o teste para que você possa ver os frutos. “pois sabeis que a prova da fé produz em vós a constância. Ora, a constância deve levar a uma obra perfeita: que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.”(Tg 1,3-4) 



Sê forte e corajoso, pois farás este povo herdar a terra que jurei dar a seus pais. Sim, sê forte e muito corajoso, e cuida de agir segundo toda a lei que Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te desvies nem para a direita nem para a esquerda, a fim de que tenhas êxito por onde quer que andes. Não cesses de falar deste livro da Lei. Medita nele dia e noite, para que procures agir de acordo com tudo o que nele está escrito. Assim farás prosperar teus caminhos e serás bem sucedido. Não te ordenei que sejas forte e corajoso? Não tenhas medo, não te acovardes, pois o SENHOR, teu Deus, estará contigo por onde quer que vás”. (Js 1,6-9)

Para que temer ser um fraco na tribulação, se Deus nos dá condições para sermos fortes, o Senhor não diz que se rezarmos Ele tirará as tribulações, mas que nos dará forças para suportá-las. Não há como medir a tribulação de cada um, pois cada um sente o seu peso. Deus lhe chama a ser forte e corajoso e lhe dá dicas “Medita neste livro dia e noite” como você quer passar pelas tribulações se você não lê a Palavra de Deus?

A tribulação virá, paciência! Mas junto com ela a força de Deus, para fazer de você um super guerreiro para fazer você superar o problema.E o problema nunca aumenta, a primeira vez que você o olha, ele se aparenta enorme, mas depois de você rezar, você cresce e o problema não se aparenta mais tão grande e depois de rezar ainda mais, você crescerá mais e o conseguirá ver como pequeno.

Se sua tribulação for o seu marido, sua esposa, reze por ele/ela. Você é templo do Espírito Santo, mostre o lado da santidade, da dignidade. Existe testes e provas para todas as faixas etárias, mas o Senhor lhe diz hoje: “Coragem”.

Em Hebreus 3,12 o Senhor nos diz para sermos cuidadores uns dos outros “Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade; que ninguém se afaste do Deus vivo.” Deus vivo, é Jesus na Eucaristia. Que você não se afaste do corpo, sangue, alma e divindade e também não se afaste dos outros sacramentos, confissão.

“Antes, animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ressoar esse “hoje”, para que nenhum de vós fique endurecido pela sedução do pecado - pois tornamo-nos parceiros de Cristo, contanto que mantenhamos firme até o fim a nossa constância inicial.” (Hebreus 3,13-12) 

Procure sempre se manter na constância inicial, Deus tem planos para você, mas só saberá se manter-se constante e forte nas tribulações. 


Dunga
Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Entrar num Combate para Vencer!

Quando o povo hebreu saiu do Egito, houve dois acontecimentos muito parecidos: a passagem do Mar Vermelho (saída do Egito), e a passagem do Rio Jordão, na fronteira da Terra Prometida. 

O primeiro acontecimento foi para levantar o ânimo dos fugitivos escravos, o que chamamos hoje de autoestima. Com esta experiência eles se sentiram capazes de superar problemas invencíveis. Era a gasolina que necessitavam para atravessar as inclemências do deserto e poder vencer o número de obstáculos que ainda se apresentariam. 

O segundo acontecimento, a passagem do Rio Jordão, era para que os habitantes de Canaã constatassem que o povo hebreu era acompanhado por um Deus poderoso, fiel à aliança e que cumpriria a promessa de entregar-lhes a Terra Prometida. Os habitantes de Jericó perceberam que se tratava de um Deus poderoso, que caminhava ao lado dos hebreus e era capaz de intervir com uma força sobrenatural para cumprir as promessas. 

Josué enviou alguns espiões que exploraram e analisaram cuidadosamente tudo o que se referia aos moradores de Canaã. Os "repórteres" trouxeram duas versões. 

A versão pessimista: "São gigantes invencíveis. Suas muralhas chegam ao céu. Somos simples gafanhotos a seus pés". Sim, se tratava de um exército invencível, que tinha armas defensivas (as muralhas) e armas ofensivas (gigantes bem armados). 

A versão otimista: "A terra é bela, a mais bela de todas as terras. Vale a pena todo esforço". Mas o mais importante foi que desde antes de entrar em Canaã, Josué já havia imaginado as aspirações dos povos nômades, sedentos de território. Josué realiza então um gesto simbólico e profético: Antes da batalha, divide o território. "Vamos tomar esta terra hoje mesmo. Ela é nossa". Está seguro que vai ganhar a batalha. Quem não tem a certeza da vitória na mente, jamais a conseguirá no campo de batalha da vida. 

Assim, quando os hebreus chegaram à fronteira da Terra Prometida, sua fama e façanhas já haviam penetrado as fronteiras de Canaã e haviam conquistado a mente de seus inimigos, pois começaram a ter medo. 

Os habitantes de Jericó tinham tudo para derrotar facilmente um exército que ainda estava à sombra da escravidão. Eles [os hebreus] eram nômades, sem armas, sem experiência ou poder militar. No entanto, os moradores de Jericó decidiram não lutar. Diz a Palavra que Jericó "estava trancada dentro de seus muros e barreiras". Eles olhavam uns para os outros e o medo crescia entre si. Já estavam derrotados, porque não queriam lutar.

A tática de Josué: dar 7 voltas ao redor da cidade para fazer crescer o temor de um ataque que não veio.... "De uma forma ou outra, vocês cairão em nossas mãos", disse ele. O medo cresceu tanto que decidiram não se defender. Já tinham renunciado atacar os hebreus. Agora, ruem e caem as muralhas defensivas de suas vidas. Eles foram, então, presas fáceis para os inimigos que eram bem menos fortes e capacitados. 

Por que perdeu Jericó? O problema deles foi não atacar e não se defender, pois se deram por vencidos antes da batalha. 

Tiveram medo da fama que precedia os hebreus: Seu Deus era um Deus poderoso. Os hebreus conquistaram Jericó não porque suas paredes caíram por milagre, mas porque seus habitantes não queriam lutar, pois se deram por derrotados antes mesmo de entrar na batalha.

Por que ganharam os hebreus?

Eles tomaram posse antes de entrar no território. Eles estavam convencidos da vitória. Sua mente era uma mente vitoriosa. Eles tinham um Deus poderoso ao lado deles, que os fez passar o Mar Vermelho para dar-lhes autoconfiança. 

Quando cruzamos os braços e não lutamos, estamos nas mãos dos nossos adversários. Quando decidimos atravessar o "Jordão" não podemos voltar atrás, então não há outra estrada a não ser a luta e a vitória até o fim. Quando conhecemos os pontos fortes e fracos do inimigo ou a empreitada queremos ganhar, estamos mais bem preparados para enfrentar a batalha. 

Quando num ato real, tomamos posse do desafio que está diante de nós, então somos capazes de superá-lo. Mas acima de tudo, na vitória ou na derrota existe um fato definitivo: o Deus que nos libertou da escravidão, conduzindo-nos através do deserto, nos prometeu uma terra.

Quando fizemos a experiência da passagem do "Mar Vermelho", a passagem da escravidão, perdemos o medo de outros problemas. Quando escolhemos um largo caminho, já não podemos voltar atrás. Só fica aberta a possibilidade da vitória. 

Quando sabemos que tudo depende de uma promessa feita por Deus, as nossas atitudes mudam, porque temos confiança e esperança. Sabemos que alcançaremos a vitória porque Deus prometeu e Ele é fiel. 

José H Prado Flores
Pregador internacional, Fundador e Diretor Internacional
das Escolas de Evangelização Santo André