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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Papa à RCC: "Voltem ao Primeiro Amor!"



 Uma multidão em festa acolheu na tarde deste domingo o Papa Francisco no Estádio Olímpico de Roma, para celebrar os 37 anos da Renovação Carismática italiana.

O Presidente do Movimento, Salvatore Martinez, deu as boas-vindas ao Pontífice, afirmando que o Olímpico hoje não é palco de um jogo de futebol, com os times da Roma, da Lácio ou do São Lourenço (da Argentina). Mas há sempre uma equipe, a dos discípulos de Jesus, cujo técnico é o Espírito Santo e o capitão é o Papa Francisco. "A estratégia de jogo é maravilhosa. Colocando em campo a fé, a vitória de Jesus está garantida", disse ele.

O Santo Padre, De joelhos, recebeu a oração de todos presentes que rezavam em línguas, conforme o Carisma próprio, e em seus idiomas de origem.



Tomaram a palavra representantes dos sacerdotes, dos jovens, da família e dos enfermos, que deixaram seu testemunho, intercalados por palavras do Santo Padre, que porém fez notar aos organizadores que faltava um representante dos avós.

“Aos sacerdotes, me vem uma única palavra: proximidade. Proximidade a Jesus Cristo, na oração. Próximos ao Senhor. E proximidade às pessoas, ao povo de Deus que lhes é confiado. Amem sua gente”, disse Francisco.

Aos jovens, suas palavras foram: “Seria triste um jovem que protege sua juventude num cofre. Assim, esta juventude se torna velha, no pior sentido da palavra. Torna-se pano velho. Não serve para nada. A juventude serve para arriscar: arriscar bem, com esperança. Apostá-la em coisas grandes. Deve ser doada para que outros conheçam o Senhor. Não a poupem para vocês, avante!"

Para as famílias presentes, o Pontífice recordou que são a Igreja doméstica, onde Jesus cresce, cresce no amor dos cônjuges, na vida dos filhos. Por isso o inimigo a ataca tanto: o demônio não a quer! E tenta destrui-la. “O Senhor abençoe a família e a fortifique nesta crise na qual o diabo quer destrui-la.”

Em seu pronunciamento, Francisco definiu a Renovação Carismática “uma corrente de graça na Igreja e para a Igreja”. Como em uma orquestra, nenhum movimento pode pensar em ser mais importante ou maior que o outro. “Quando isso acontece, a peste tem início. Ninguém pode dizer: eu sou o chefe. Como toda a Igreja, há um só chefe, um único Senhor: Jesus.”
Como na entrevista que concedeu voltando do Brasil, Francisco repetiu que não amava muitos os “carismáticos”, mas depois se tornou o assistente espiritual da Renovação Carismática, nomeado pela Conferência Episcopal Argentina. "Trata-se de uma força", afirmou o Papa, pedindo que renovem o amor pela palavra, carregando no bolso o Evangelho.

E advertiu: “Cuidado para não perder a liberdade que o Espírito Santo nos doou. O perigo para a Renovação é a da excessiva organização. Sim, ela é necessária. Mas não percam a graça de deixar Deus ser Deus. Não há graça maior que deixar-se guiar pelo Espírito Santo”.

O Pontífice identificou ainda outro perigo, que é se tornar controlador da graça de Deus. “Muitas vezes, os responsáveis (gosto mais da denominação 'servidores') por alguma comunidade se tornam, sem querer, administradores da graça, decidindo quem pode recebê-la. Vocês são dispensadores, não controladores. Não sejam a alfândega ao Espírito Santo”. E indicou três obras como guias seguros para não errar o caminho, sendo uma delas "Renovação Carismática e serviço ao homem", escrita pelo Card. Suenens e por Dom Hélder Câmara. "Este é o percurso, sintetizou: evangelização, ecumenismo espiritual, cuidado pelos pobres e necessitados e acolhida dos maginalizados. E tudo isto baseado na adoração!"


"Voltem ao Primeiro Amor!"Acrescentou o Santo Padre.

Por fim, Francisco disse o que espera da Renovação. Em primeiro lugar, a conversão ao amor de Jesus. “Espero de vocês uma evangelização com a Palavra de Deus que anuncia que Jesus está vivo e ama todos os homens.” Em segundo lugar, dar testemunho de ecumenismo espiritual, de permanecer unidos no amor que Jesus pede a todos os homens. A seguir, a aproximação aos pobres e aos necessitados, para tocar em sua carne a carne ferida de Jesus. “Aproximem-se, por favor.”

O Pontífice concluiu com um apelo: “Busquem a unidade da Renovação, porque a unidade vem do Espírito Santo. A divisão vem do demônio. Fujam das lutas internas, por favor.”

Fonte: Rádio Vaticana e TV Aparecida

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Escola de Formação-Palavra de Profecia, Nos Dias de Hoje?

“Acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões” (Jl 3,1).

Palavra de profecia? O que é isso?

A palavra de profecia é um dom do Espírito Santo pelo qual, através de uma pessoa que fala,
Deus exerce o seu poder. O Senhor mesmo põe a sua palavra cheia de sabedoria, de força e de vida na boca de seus profetas. Deus manda dizer, o profeta fala e a palavra, por uma força do alto, realiza o que foi anunciado.

A palavra que sai da boca de Deus “arranca e demole, arruína e destrói”, mas faz isso sempre “para edificar, construir e plantar” algo novo e melhor. Depois da profecia, sempre brota a esperança de uma vida nova, pois assim o próprio Senhor declara: “Vou fazer reentrar em vós o sopro da vida para vos fazer reviver” (Ez 37,5).

Esse dom do Espírito não se limita a denunciar o mal, mas é palavra de Deus que indica também o remédio. Com a sua palavra, Deus cura os enfermos.


Ainda hoje, quando se fala do carisma de profecia é fácil perceber que muitas pessoas não o conhecem. E, quando o conhecem, têm muitas dúvidas a seu respeito. Não sabem do que se trata exatamente e chegam a confundir profecia com predições do futuro. Entre os primeiros cristãos, porém, isso era bem diferente. Apesar de saberem que a sua profecia era limitada e imperfeita (cf. I Cor 13,9), eles conheciam muito bem esse carisma e tinham certeza de que era inspirado por Deus. Podemos dizer que conheciam porque eles possuíam, viviam, experimentavam e aplicavam esse dom em todos os dias de suas vidas. Eram homens e mulheres simples, mas cheios de uma grande intimidade com Deus. Sua experiência carismática era tão intensa que São Paulo precisou intervir para os ensinar a aproveitar melhor as graças tão abundantes que Deus derramava sobre eles.


Suas reuniões de oração eram famosas, pois eram alegres, animadas e cheias de vida. Mas se falarmos da nossa comunidade, das nossas reuniões de oração, o que podemos dizer sobre o dom da profecia? São Paulo, diante daqueles homens e mulheres de Corinto, inflamados pelo Espírito, chegou a dizer: “...não lhes falta dom algum”. Eram tantos os que possuíam esse carisma que Paulo determinou:

“Quanto aos profetas, falem dois ou três, e os outros julguem” (I Cor 14,29).

Nas comunidades de hoje, contudo, as pessoas pouco conhecem esse dom. E, às vezes, aqueles

que o conhecem na teoria não têm coragem de colocá-lo em prática, por vergonha ou por medo.

Alguns não o fazem porque se acham indignos, e por essa razão o grupo de oração, a paróquia, a Igreja ficam privados de um carisma vigoroso, que enraíza, edifica e firma a comunidade em Deus.

(Artigo extraído do livro: "O dom de profecia"-Márcio Mendes-Com. Canção Nova)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Escola de Formação Carismática: Bento XVI e o Novo Pentecostes


  Venerados Irmãos no Sacerdócio e no Espiscopado, Queridos Irmãos e irmãs!(...) Como já tive a ocasião de afirmar noutras circunstâncias, os Movimentos eclesiais e as Novas Comunidades, que floresceram depois do Concílio Vaticano II, constituem um singular dom do Senhor e um recurso precioso para a vida da Igreja. Eles devem ser acolhidos com confiança e valorizados nas suas diversas contribuições para os colocar com confiança ao serviço da utilidade comum de modo ordenado e fecundo. De grande interesse é também a vossa atual reflexão sobre a centralidade de Cristo na pregação, assim como sobre a importância dos"Carismas na vida da Igreja particular", com referência à teologia paulina, ao Novo Testamento e à experiência da Renovação Carismática. O que aprendemos do Novo Testamento sobre os carismas, que surgiram como sinais visíveis da vinda do Espírito Santo, não é um acontecimento histórico do passado, mas realidade sempre viva: é o mesmo Espírito divino, alma da Igreja, que age nela em cada época, e estas suas intervenções misteriosas e eficazes manifestam-se neste nosso tempo de modo providencial. Os Movimentos e as Novas Comunidades são como irrupções do Espírito Santo na Igreja e na sociedade contemporânea. Então podemos dizer que um dos elementos e dos aspectos positivos das Comunidades da Renovação Carismática Católica é precisamente a importância que revestem nelas os carismas ou dons do Espírito Santo e mérito seu é ter evocado na Igreja a atualidade.

  O Concílio Vaticano II, em diversos documentos, faz referência aos Movimentos e às novas Comunidades eclesiais, sobretudo na Constituição Dogmática Lumen gentium, onde lemos: "Os carismas extraordinários, ou também os mais simples e mais comuns, dado que são sobretudo apropriados e úteis para as necessidades da Igreja, devem ser acolhidos com gratidão e consolação" (n. 12). Em seguida, também o Catecismo da Igreja Católica ressaltou o valor e a importância dos novos carismas na Igreja, cuja autenticidade é contudo garantida pela disponibilidade a submeter-se ao discernimento da autoridade eclesiástica (cf. n. 2003). Precisamente porque assistimos a um prometedor florescimento de movimentos e comunidades eclesiais, é importante que os Pastores exerçam em relação a eles um discernimento prudente e sábio. Faço votos de coração por que seja intensificado o diálogo entre Pastores e Movimentos eclesiásticos a todos os níveis: nas paróquias, nas dioceses e com a Sé Apostólica. Sei que estão a ser estudadas modalidades oportunas para conferir reconhecimento pontifício aos novos Movimentos e Comunidades eclesiais e não são poucos os que já o receberam. Este dado o reconhecimento ou a ereção de associações internacionais da parte da Santa Sé para a Igreja universal os Pastores, sobretudo os Bispos, devem tê-lo em consideração no discernimento obrigatório que lhes compete (cf. Congregação para os Bispos, Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos Apostolicam Successores, Cap. 4, 8).

  Queridos irmãos e irmãs, entre estas novas realidades eclesiais reconhecidas pela Santa Sé, inclui-se também a vossa, a Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Communities and Fellowships, Associação Internacional de fiéis, que desempenha uma missão específica no âmbito da Renovação Carismática Católica (cf. Decreto do Pontifício Conselho para os Leigos de 30 de Novembro de 1990 prot. 1585/s-6//b-so). Um dos seus objetivos, em conformidade com as indicações do meu venerado predecessor João Paulo II, é salvaguardar a identidade católica das comunidades carismáticas e encorajá-las a manter um vínculo estreito com os Bispos e com o Romano Pontífice (cf. Carta autógrafa à Catholic Fraternity, 1 de Junho de 1998). É ainda com prazer que tomo conhecimento de que ela se propõe a instituição de um Centro de formação permanente para os membros e os responsáveis das Comunidades Carismáticas. Isto permitirá que a Catholic Fraternity valorize melhor a própria missão eclesial orientada para a evangelização, a liturgia, a adoração, o ecumenismo, a família, os jovens e as vocações de especial consagração: missão que será ainda mais ajudada pela transferência da Sede internacional da associação para Roma, com a possibilidade de estar em contato mais estreito com o Pontifício Conselho para os Leigos.

  Queridos irmãos e irmãs, a salvaguarda da fidelidade à identidade católica e da eclesialidade da parte de cada uma das vossas comunidades permitir-vos-á dar em toda a parte um testemunho vivo e laborioso do profundo mistério da Igreja. E será precisamente isto que promoverá a capacidade das várias comunidades de atrair novos membros. Confio os trabalhos dos vossos respectivos congressos à proteção de Maria, Mãe da Igreja, Templo vivo do Espírito Santo, e à intercessão dos santos Francisco e Clara de Assis, exemplos de santidade e de renovação espiritual, enquanto de coração concedo a vós e a todas as vossas comunidades uma especial Bênção Apostólica.

Bento XVI, 31-10-2008
Aos representantes da RCC e Novas Comunidades


sábado, 4 de agosto de 2012

Bento XVI e As Comunidades Carismáticas: UM DOM


Venerados Irmãos 
no Episcopado e no Sacerdócio 
Queridos irmãos e irmãs!
(...) Como já tive a ocasião de afirmar noutras circunstâncias, os Movimentos eclesiais e as Novas Comunidades, que floresceram depois do Concílio Vaticano II, constituem um singular dom do Senhor e um recurso precioso para a vida da Igreja. Eles devem ser acolhidos com confiança e valorizados nas suas diversas contribuições para os colocar com confiança ao serviço da utilidade comum de modo ordenado e fecundo. De grande interesse é também a vossa actual reflexão sobre a centralidade de Cristo na pregação, assim como sobre a importância dos "Carismas na vida da Igreja particular", com referência à teologia paulina, ao Novo Testamento e à experiência da Renovação Carismática. O que aprendemos do Novo Testamento sobre os carismas, que surgiram como sinais visíveis da vinda do Espírito Santo, não é um acontecimento histórico do passado, mas realidade sempre viva:  é o mesmo Espírito divino, alma da Igreja, que age nela em cada época, e estas suas intervenções misteriosas e eficazes manifestam-se neste nosso tempo de modo providencial. Os Movimentos e as Novas Comunidades são como irrupções do Espírito Santo na Igreja e na sociedade contemporânea. Então podemos dizer que um dos elementos e dos aspectos positivos das Comunidades da Renovação Carismática Católica é precisamente a importância que revestem nelas os carismas ou dons do Espírito Santo e mérito seu é ter evocado na Igreja a actualidade.
O Concílio Vaticano II, em diversos documentos, faz referência aos Movimentos e às novas Comunidades eclesiais, sobretudo na Constituição Dogmática Lumen gentium, onde lemos:  "Os carismas extraordinários, ou também os mais simples e mais comuns, dado que são sobretudo apropriados e úteis para as necessidades da Igreja, devem ser acolhidos com gratidão e consolação" (n. 12). Em seguida, também o Catecismo da Igreja Católica ressaltou o valor e a importância dos novos carismas na Igreja, cuja autenticidade é contudo garantida pela disponibilidade a submeter-se ao discernimento da autoridade eclesiástica (cf. n. 2003). Precisamente porque assistimos a um prometedor florescimento de movimentos e comunidades eclesiais, é importante que os Pastores exerçam em relação a eles um discernimento prudente e sábio. Faço votos de coração por que seja intensificado o diálogo entre Pastores e Movimentos eclesiásticos a todos os níveis:  nas paróquias, nas dioceses e com a Sé Apostólica. Sei que estão a ser estudadas modalidades oportunas para conferir reconhecimento pontifício aos novos Movimentos e Comunidades eclesiais e não são poucos os que já o receberam. Este dado o reconhecimento ou a erecção de associações internacionais da parte da Santa Sé para a Igreja universal os Pastores, sobretudo os Bispos, devem tê-lo em consideração no discernimento obrigatório que lhes compete (cf. Congregação para os Bispos, Directório para o Ministério Pastoral dos Bispos Apostolicam Successores, Cap. 4, 8).
Queridos irmãos e irmãs, entre estas novas realidades eclesiais reconhecidas pela Santa Sé, inclui-se também a vossa, a Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Communities and Fellowships, Associação Internacional de fiéis, que desempenha uma missão específica no âmbito da Renovação Carismática Católica (cf. Decreto do Pontifício Conselho para os Leigos de 30 de Novembro de 1990 prot. 1585/s-6//b-so). Um dos seus objectivos, em conformidade com as indicações do meu venerado predecessor João Paulo II, é salvaguardar a identidade católica das comunidades carismáticas e encorajá-las a manter um vínculo estreito com os Bispos e com o Romano Pontífice (cf. Carta autógrafa à Catholic Fraternity, 1 de Junho de 1998). É ainda com prazer que tomo conhecimento de que ela se propõe a instituição de um Centro de formação permanente para os membros e os responsáveis das Comunidades Carismáticas. Isto permitirá que a Catholic Fraternity valorize melhor a própria missão eclesial orientada para a evangelização, a liturgia, a adoração, o ecumenismo, a família, os jovens e as vocações de especial consagração:  missão que será ainda mais ajudada pela transferência da Sede internacional da associação  para  Roma,  com  a  possibilidade de estar em contacto mais estreito com o Pontifício Conselho para os Leigos.
Queridos irmãos e irmãs, a salvaguarda da fidelidade à identidade católica e da eclesialidade da parte de cada uma das vossas comunidades permitir-vos-á dar em toda a parte um testemunho vivo e laborioso do profundo mistério da Igreja. E será precisamente isto que promoverá a capacidade das várias comunidades de atrair novos membros. Confio os trabalhos dos vossos respectivos congressos à protecção de Maria, Mãe da Igreja, Templo vivo do Espírito Santo, e à intercessão dos santos Francisco e Clara de Assis, exemplos de santidade e de renovação espiritual, enquanto de coração concedo a vós e a todas as vossas comunidades uma especial Bênção Apostólica.


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por Papa Bento XVI * 
DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS REPRESENTANTES DA COMUNIDADE DA RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

sábado, 21 de julho de 2012

Carismas: Ferramentas de Resgate

A palavra de ordem que São Paulo deu a seu discípulo Timóteo é a ordem de Deus para nós nos dias de hoje:

“Eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria. Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem de mim seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus” (2Tm 1,6-8).

É preciso que você seja assim. É assim que você vai ser instrumento de Deus. Ele precisa de você, porque Ele não quer perder nenhum dos seus filhos. 

É Deus mesmo que está reclamando os seus filhos de volta:
 “Traze meus filhos das longínquas paragens e minhas filhas dos confins da terra. Todos aqueles que trazem meu nome e que criei para minha glória. Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas, porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes?” (Is 43,6b-7.18-19a).


O Senhor está dizendo: “Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora”, porque hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, da vida da Renovação na sua cidade. Acredite, hoje é o primeiro dia do resto da vida da Renovação na sua cidade, na sua região. Estamos começando um tempo novo. Estamos virando a página.

“Não recordeis mais das coisas antigas.” As coisas duras, sofridas, aquilo que você padeceu por causa da Renovação. O que ficou para trás já é passado. Já viramos a página. O Senhor está mandando não lembrar de mais nada: isso tudo já é passado. Até seus erros, sua covardia já são páginas viradas.

O Senhor quer fazer obra nova. Já podemos ver os brotos florescendo. O Senhor não despreza seu passado, só diz para você não se lembrar mais porque Ele já está mostrando o novo que está surgindo: os rebentos, os brotos. “Não o vedes?”

“Não vos lembreis mais dos acontecimentos de outrora, não recordeis mais as coisas antigas; porque eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto e fazer correr arroios pela estepe” (Is 43,18-19).

Tenha a certeza de que o Senhor já virou a página e não vai mais voltar atrás.

Qual é o grande pedido que precisamos fazer?

Reinflama, Senhor! Reinflama o carisma que está em nós. Dá-nos aquela ousadia que deste àquela primeira comunidade.

O que aconteceu? Tudo está narrado nos capítulos 3 e 4 dos Atos dos Apóstolos.

Pedro e João vão para a prisão. São ameaçados. Proibidos de falar em nome de Jesus, de fazer milagres. Quando eles retornam, a comunidade está reunida em fervorosa oração.

Ela não ficou com medo, nem colocou medo em Pedro e João. Não procedeu com falsa prudência dizendo: “Olha, Pedro, olha, João, não sejam tão afoitos... João, você deve ser mais equilibrado, vai devagar... Daqui a pouco vão acabar conosco, como acabaram com Jesus...”

Foi assim que fizeram? Não! Eles não frearam nem Pedro nem João. Pelo contrário, levantaram um clamor diante de Deus e fizeram uma grande oração. E o que eles disseram? Leiamos com o coração:

“Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra. Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!” (At 4,29-30).


É essa oração que precisamos fazer hoje na Igreja. É isso que devemos pedir ao Senhor. Ousadia! Intrepidez! Não é medo, não é timidez. Não é insegurança, não é freio. Não são rédeas curtas. Não é nada disso. Ousadia é justamente o contrário de tudo isso. Precisamos pedir que se realizem curas, milagres e prodígios. A nossa parte é apenas pedir. É pedir que o Senhor faça, e o Senhor fará!

O Senhor vai nos encher com o Espírito Santo e vai transformar toda a nossa vida. O Senhor vai levar embora tudo aquilo que está nos tornando pessoas inseguras e medrosas. Vai curar as nossas doenças, nos libertar de nossas angústias, dos nossos desesperos. Ele vai trazer solução para os nossos problemas, acabar com os vícios dos nossos filhos, vai arrancar o seu marido do adultério, tirar a sua mulher da depressão. Sim, o Senhor vai mudar todas as coisas, porque nada é impossível para Deus, tudo é possível àquele que crê e tudo pode ser mudado pela oração. A nossa parte é orar. É pedir.

Nos carismas, o que fazemos é pedir. É tão simples como apertar um botão! Quando você pede a Jesus que atenda a oração e cure aquela pessoa, é algo tão simples como apertar um botão. Por que então esse medo todo de usar os carismas do Espírito? A cura vem do Senhor. O que você fez foi pedir. Pedir com fé, com expectativa de receber.

Carisma é uma coisa simples. Tanto assim, que não é o carisma que nos salva. Você sabia disso? O próprio Jesus disse que quando Ele vier muitos dirão:

“Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?’ E, no entanto, eu lhes direi: nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!” (Mt 7,22-23).

O que nos redime é a Salvação que vem de Jesus, e o que nos santifica é a ação do Espírito Santo. Os carismas são ferramentas que usamos por causa do povo. São como enxadas e picaretas que usamos. Mas não são eles que nos salvam. Então não tenha receio de usá-los. Os dons são para os outros. Quem opera é Deus. Os instrumentos são os carismas que Ele nos deu. Por isso, não podemos ficar com medo deles, só podemos usá-los.

Eles são como a enxada, como a picareta, como a marreta, o machado: você precisa usá-los bem. Eles precisam estar afiados. Carisma é assim. É preciso que nós os usemos: com o uso eles ficam cada vez mais afiados. Nós aprendemos como utilizar essas maravilhosas ferramentas. Elas são essenciais no resgate dos nossos irmãos.

O Senhor está gritando: “Devolve-os! Não os retenhas! Traze os meus filhos e minhas filhas, por mais longe que eles estejam! Todos aqueles que eu conquistei para mim são meus! Devolve-os!”

Porque aquela primeira comunidade rezou assim, veja o que aconteceu:

“Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (At 4,31).

É essa graça que precisamos pedir ao Senhor hoje:

Sim, Senhor, estende a tua mão para que se realizem curas, sinais, milagres e prodígios em nome do teu servo, Jesus. Atenta para as suas ameaças e concede a teus servos que anunciem com ousadia a tua palavra.

Batiza-nos todos no teu Espírito Santo, faze tremer a Terra e que sejamos cheios do Espírito Santo. Que, com ousadia, com intrepidez, anunciemos a tua palavra! Dá-nos a coragem de nos deixar usar pelos teus carismas, para que sinais, curas e milagres aconteçam em nome de Jesus. É isso que pedimos. É isso que, unânimes, suplicamos.

É a tua Igreja necessitada que pede. É o teu povo machucado que necessita. É em nome deles que pedimos. É por causa da tua Igreja. Faze-nos cheios do Espírito Santo. Sim, que os teus carismas se manifestem em nós e se realizem plenamente para que o teu povo veja a tua obra e, assim, glorifique o teu nome e o Nosso Pai que está nos céus. Bendito sejas, Senhor Jesus. Amém!

Monsenhor Jonas Abib

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ordenação Diaconal

Ordenação Diaconal - Rodrigo Rios2
 No último dia 06, foi ordenado na Catedral Metropolitana de Maceió, pelas mãos do Sr. Arcebispo Metropolitano, Dom Antônio Muniz, Diácono Transitório da Santa Igreja, nosso Irmão Rodrigo Rios Batista. Sua Vocação nasceu no seio da Renovação Carismática Católica, dando os primeiros passos no Grupo de Oração Renovados em Cristo(IFAL-AL) e no Grupo de Oração Rosa Mística, de onde nasceu a Comunidade de Aliança Missão Rosa Mística.

Rodrigo Rios Batista
No discurso de agradecimento o Diácono citou nossa Missão e  reconheceu a importância da RCC e das Novas Comunidades em seu despertar vocacional.



Nos alegramos com nosso irmão Diácono e já rezamos por ele neste caminho rumo ao Sacerdócio em Cristo Jesus!











Missão Rosa Mística

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Profecia do Avivamento


Temos visto um abatimento, um esfriamento da fé. Muitas vezes as pessoas estão vivendo o que diz o profeta Ezequiel sobre os ossos secos, estão abatidos, sem esperança.

Porém muitas vezes o homem tem se achado Deus, um filósofo chamado Nietzsche (Seu pai era pastor luterano, porém ele rejeita a fé durante sua adolescência, e os seus estudos de filosofia afastam-no da carreira teológica), ele declara a morte de Deus, e esta mentalidade tem se espalhado pelo mundo. 

Temos visto uma implantação marxista, comunista e isso traz uma forte influencia na fé, nos costumes, na moral. Onde se relativista tudo, não existe uma verdade absoluta. 

Deus não desistiu da humanidade, Ele quer avivar a nossa fé. Deus quer soprar o Espírito Santo para que os ossos voltem a viver. 

A fé está morta e fria pelas opções morais. Hoje existe um ateísmo prático. A esperança que precisamos é um avivamento no Espírito. 

Papa Leão XIII fez uma experiência mística e compôs um exorcismo que rezávamos sempre na Canção Nova nas missas de segunda-feira. Ele ainda consagrou no início do Século XX ao Espírito Santo a Santa igreja.

Vamos fazer uma memória do Século XX. O que aconteceu neste século? I e II guerra mundial, revolução sexual a partir do festival de woodstock. Mesmo diante de todos estes acontecimentos fomos assegurados por esta consagração ao Espírito. 

Uma Beata da congregação de Santa Zita escreveu para o Papa Leão XIII diversas cartas pedindo este reavivamento. A Beata Helena Guerra pede ao Santo Padre que faça o Espírito Santo mais conhecido, amado e invocado. Vendo o mundo de sua época pervertido por Satanás e uma multidão de almas se distanciando do Coração de Deus, Helena é convencida pelo Senhor a iniciar um grande epistolário com o Papa Leão XIII. Em suas cartas, ela pedirá ao Papa que chame novamente os cristãos para um retorno ao Cenáculo.
O Papa viu que aquilo era vontade de Deus, e Ele deu os passos e escreveu a primeira Encíclica ao Espirito Santo (Divinum Illud) e na entrada do Século XX , exatamente no dia 01 de janeiro de 1900 consagra o século ao Espírito Santo.

Mas nós não estávamos preparados. Naquela noite uma irmã na igreja evangélica começa a rezar em línguas e ali começa o movimento pentecostal.

Passado alguns séculos vem o Papa João XXIII, um Papa que a princípio seria de transição. Ele convoca o Concílio Vaticano II. Veio a reforma litúrgica e no início do Concílio ele faz uma oração: “Que se renove os sinais, milagres e prodígios em toda a face da terra.”

Em fevereiro de 1967 num universidade começa o avivamento católico,nasce a RCC. Uma resposta a Consagração do Papa Leão XIII. Ali a igreja começa a experimentar a graça do Avivamento, seguida de muita perseguição, mas a resposta veio. Deus não vai deixar a humanidade se perder.

Eu creio que o avivamento está começando hoje também em nossa vida, porém, Deus quer homens e mulheres que rezem, o avivamento só acontece se um povo orar. Não podemos ficar de braços cruzados vendo a morte espiritual acontecer. Quem faz o avivamento acontecer é Deus, mas é preciso que o homem comece a rezar. 

Nós não podemos ser egoístas, devemos rezar. Nesta manhã de pentecostes diga sim a este chamado. Diga comigo: “Usa-me Senhor! Eu quero um avivamento na minha vida”

Pe. Roger Luís
Com. Canção Nova

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Noite Carismática na JMJ



Grupo oficial da RCCBRASIL participou das atividades realizadas pelo Movimento da Espanha
A Praça Espanha , em Madri, estava lotada para uma noite de louvor e adoração. Durante a Jornada Mundial da Juventude, diversas atividades se espalham pela cidade, oferecendo muitas alternativas de programação para os peregrinos.
Como opção carismática para os participantes da Jornada, a Renovação Carismática Católica da Espanha promoveu o evento “Alive”, momento forte de espiritualidade e louvor com a marca da identidade do Movimento. Como não podia deixar de ser, o grupo oficial da RCCBRASIL na JMJ esteve presente.
O encontro contou com a presença de diversos líderes carismáticos da Espanha e da presidente do Serviço Internacional da Renovação Carismática, Michelle Moran. A programação começou com a apresentação de uma banda espanhola formada por padres e leigos. Com músicas animadas, eles motivaram a multidão a clamar a presença do Espírito Santo.
Na sequência, aconteceu a pregação que tratou do tema da JMJ “Enraizados em Cristo, firmes na fé”. Depois disso, a noite foi encerrada com uma adoração ao Santíssimo Sacramento. De joelhos, os presentes fizeram uma verdadeira demonstração pública de fé.
Juventude Carismática na JMJ
Depois de dias intensos de missão na diocese de Pamplona, os cerca de 180 jovens da RCCBRASIL estão, desde segunda-feira (15), em Madri para participar das atividades da Jornada. Todas as manhãs, os jovens se dirigem para as catequeses. Nessa sexta-feira, eles se preparam para ouvir as palavras do Arcebispo de Belém e assessor eclesiástico da RCC do Brasil, Dom Alberto Taveira. 
 A viagem para a Espanha tem sido uma experiência rica de eclesialidade e missão para a juventude carismática do Brasil.  

Fonte: RCC Brasil

domingo, 31 de outubro de 2010

Comunidades dos 5 Continentes se Reúnem em Assis

Willieny Isaias
Dom Michael Santier, preside Missa no 14ª Conferência Internacional da Fraternidade Católica
Representantes das Novas Comunidades dos cinco continentes estiveram presentes no XVI Congresso Internacional da Fraternidade Católica das Novas Comunidades de Vida e Aliança que acontece em Assis, na Itália, desde o dia 28.

Fraternidade Católica é composta por comunidades e associações católicas de fiéis que foram vivificadas e enriquecidas pelos dons do Espírito Santo, e se identifica com as graças da Renovação Carismática Católica (RCC) e é uma estrutura a serviço da RCC.

O cancaonova.com entrevistou um representante de cada comunidade que tem missão em diferentes continentes.

O primeiro entrevistado foi Jean-Luc Moens da Comunidade Emanuel fundada em 1972 por Pierre Goursat na França, e hoje se faz presente em 60 países. Segundo Jean, a adoração, a compaixão e a evangelização são as graças da comunidade. “Jesus nos dá Seu amor, e esse amor faz com que tenhamos um amor especial para as pessoas que não O conhecem e temos o desejo de anunciá-Lo”. “Portanto, da adoração para a compaixão e finalmente a evangelização”, concluiu.

Para representar o continente africano, conversamos com padre Vital Pierre Nkenlifack da Comunidade Missionária de Caná fundada há 28 anos em Camarões. O sacerdote contou que a comunidade surgiu a partir da palavra que está no Evangelho de São João 2,3 “façam tudo o que Ele vos disser”, trecho da passagem das Bodas de Caná, e que a grande ênfase da comunidade está na espiritualidade que gira em torno da Eucaristia. A comunidade está envolvida com vários ministérios, pastorais que envolvem os jovens e casais casados, além de contribuírem na direção do seminário maior da cidade e também com trabalho de comunicação na rádio da arquidiocese que foi cedida a eles pelo arcebispo. “Nosso carisma é fazer qualquer coisa que o arcebispo pede para nós, temos como missão servir a Igreja através do arcebispo”, testemunhou.

Do continente asiático veio a fundadora da Comunidade Rebanho do Senhor, Teche Rodriguez, que junto com seu esposo Bobby Rodriguez fundaram a comunidade em 1986. “No início, quando Deus me chamou para fundar a comunidade não foi fácil, eu me sentia insuficiente”, testemunha. Teche pequeno grupo se transformou em milhares de membros. E assinalou que durante o primeiro grupo de oração foi impressionante como Deus enviou pessoas que precisavam de salvação, e enquanto a comunidade crescia em pessoas, crescia também em oração. “Deus tem mais planos ainda para cada um de nós, Deus não olhou e nem olha para as nossas habilidades, mas sim para a nossa disponibilidade”, observou.

Representando a Oceania, o moderador da comunidade Emanuel na Australia, Shayne Bennet nos relata sua experiencia de viver como cristão no meio de uma sociedade muito secularizada. "Estamos engajados em inúmeros serviços de evangelização, mas o nosso trabalho mais forte é com os jovens" explica o missionário. Ele partilha também que na cidade de Paddington, a comunidade abriu uma escola de treinamento para pregadores, que foi inspirada no trabalho da comunidade Shalom, em Fortaleza.

Inúmeras comunidades fundadas no Brasil também se fizeram presentes no evento, entre elas a Comunidade Nova Aliança, que nasceu em Anápolis, Goias. Magno Fernando define seu carisma e missão pela restauração da aliança de amor, compromisso e fidelidade entre Deus Pai e a humanidade. A comunidade esta presente em 9 dioceses do território brasileiro, além de outras duas no exterior, inclusive na França.

Willieny Isaias Com. Canção Nova

domingo, 23 de maio de 2010

Pentecostes é Hoje!


Podemos abordar o evento ocorrido naquele Pentecostes em que Deus cumpriu a promessa de dar inusitadamente o Espírito Santo sob dois diferentes pontos de vista:

- a partir de uma perspectiva histórica – em que Pentecostes deve ser considerado como um evento único, pontual, irrepetível;

- e a partir de uma perspectiva que toma em conta também os efeitos de Pentecostes – pelo qual devemos então considerar aquele evento como o início de uma nova era na economia da salvação, em que o Espírito Santo passa a estar presente não apenas no meio de nós – como, aliás, sempre esteve! –, mas (essa sim é a novidade primordial), também, em nós!...

O que aconteceu em Pentecostes não foi o derramamento definitivo, conclusivo, total da graça messiânica do Espírito, mas o início desse derramamento. Aquele Espírito que – ainda que sempre estivera presente entre nós – “não havia sido dado porque Jesus ainda não havia sido glorificado” (cf. Jo 7, 37-39), agora, mediante o mistério pascal protagonizado por Jesus, é dado de uma maneira nova aos Apóstolos e à Igreja e, por intermédio deles, à humanidade e ao mundo todo. Ele, que já fora primeiramente enviado como dom para o Filho que se fez homem, em Pentecostes vem em sua nova missão para consumar a obra do Filho. “Deste modo, será ele quem levará à realização plena a nova era da história da salvação”. (cf. DeV,22)...

Podemos dizer, pois, apropriadamente, que “os tempos que estamos vivendo são tempos da efusão do Espírito Santo” (cf. Cat. Ig. Cat., 2819).

Inseparáveis que são em sua natureza divina única, as pessoas divinas também são inseparáveis naquilo que fazem; isto é, sempre que age, Deus o faz trinitariamente.

“Contudo, cada pessoa divina opera a obra comum segundo a sua propriedade pessoal... e cada uma delas manifesta o que lhe é próprio na Trindade...” (cf. Cat. Ig. Cat., n. 258 e 266).

E o que seria próprio do operar do Espírito nestes momentos da história que constituem o seu tempo? Por quais sinais devemos, nós – Igreja congregada sob o impulso da Trindade – ansiar, em decorrência de sua presente missão entre nós (e em nós!)?

Nesta sua nova missão de nos revelar e comunicar a obra do Filho, o Espírito quer nos convencer de que Deus é Aba! Pai (Rm 8,15), e que somos, em Cristo, irmãos (Rm 8,16) e herdeiros da graça (Rm 8, 17); que Jesus Cristo é Senhor (I Cor 12,3), e que nele encontramos a vida plena e verdadeira (Rm 8, 1-2). E que por isso precisamos dar testemunho desse Cristo, tarefa que não conseguimos realizar sem Seu poder (At 1,5-8), sem Seu auxílio interior (DV, 5)...

“O Espírito Santo, na sua misteriosa ligação de divina comunhão com o Redentor do homem, é quem dá continuidade à sua obra: ele recebe do que é do Cristo e transmite-o a todos, entrando incessantemente na história do mundo através do coração do homem” (DeV, 67).

Com uma fé expectante, pois, que se alinhe aos crescentes anseios da Igreja no último século por “um novo e perene Pentecostes” (conforme, por exemplo, o desejo de João XXIII, de Paulo VI, João Paulo II, e de Bento XVI...), precisamos entender que aquele Pentecostes histórico foi apenas o início de um derramamento diferenciado do dom do Espírito em nós e entre nós. Agora – diferentemente do que acontecia antes da glorificação de Jesus – o dom do Espírito é ofertado a todos (At 2,37-39), vem para estar sempre presente em quem o acolhe (Jo 14,16), revelado como Pessoa (Jo 14,26), conosco e em nós ( Jo 14, 16-17), e não apenas de um modo natural, imanente, mas – pela graça do sacramento do Batismo – de maneira sobrenatural (I Cor 3,16;6,20).

Pentecostes revela-se, assim, como o alvorecer de um novo tempo que nos oferece – como nunca! – a possibilidade de um novo relacionamento, de um relacionamento mais íntimo e experiencial com a Pessoa do Espírito Santo, pois que nunca estivera Ele tão presente em nós – como dom –, como está hoje. (No dizer de Cirilo de Alexandria, “havia nos profetas uma iluminação riquíssima do Espírito Santo. Mas nos fiéis não há somente esta iluminação; é o próprio Espírito que habita e permanece em nós. Somos chamados o templo de Deus, coisa que jamais foi dita dos profetas”.

Quando nossos bispos, reunidos em Aparecida para a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, nos convidam a “esperar um novo Pentecostes... uma vinda do Espírito...” (cf. Doc. de Aparecida, 362), e reconhecem que “necessitamos de um novo Pentecostes!” (cf. Doc. de Aparecida, 548), precisamos também nós todos abrirmo-nos de coração e mente a esse novo – e necessário! – derramamento, a esse nova – e possível! – efusão do Espírito (cf. Cat. Ig. Católica, 667), para que experimentemos de fato uma conversão pastoral (cf. Doc. Aparecida, 365-372) que nos predisponha a um renovado e autêntico impulso missionário, e assim “recobremos o ‘fervor espiritual’ (...), e recuperemos o valor e a audácia apostólicos” (cf. Doc. Aparecida, 552)...

Paulo VI, já em 1972, exortava-nos sobre a necessidade que tem a Igreja de um Pentecostes permanente. Na Carta Encíclica Redemptoris Missio (nº 92), João Paulo II nos ensinava: “Como os apóstolos depois da ascensão de Cristo, a Igreja deve reunir-se no Cenáculo “com Maria, a Mãe de Jesus” (At 1, 14), para implorar o Espírito e obter força e coragem para cumprir o mandato missionário. Também nós, bem mais do que os Apóstolos, temos necessidade de ser transformados e guiados pelo Espírito”. E, em uma audiência proferida a 16 de outubro de 1974, preconizava ele: “Quisera Deus, que o Senhor aumentasse ainda uma chuva de carismas para fazer a Igreja fecunda, bonita e maravilhosa, capaz de impor-se inclusive à atenção e ao pasmo do mundo profano, do mundo laicizante” (...) “Se a Igreja souber entrar em uma fase de tal predisposição para uma nova e perene vinda do Espírito Santo, Ele, a “luz dos corações”, não demorará em entregar-se, para gozo, luz, fortaleza, virtude apostólica e caridade unitiva, de tudo enfim, de que hoje necessita a Igreja”. E, na Carta Apostólica Tertio Millenio Adveniente (nº 59), insistia ele: “...Exorto os venerados Irmãos no Episcopado e as comunidades eclesiais a eles confiadas a abrirem o coração às sugestões do Espírito”...

Possa o Espírito Santo, por nossa sede e anuência, predispor nossos corações a um novo, fecundo e abundante derramamento de suas graças, e assim, dóceis às Suas inspirações, sejamos animados a, “com Seu poderoso sopro, levar nossos navios mar adentro, sem medo das tormentas, seguros de que a Providência de Deus nos proporcionará grandes surpresas” (cf. Doc. Aparecida, 551). Amém!


Reinaldo B. dos Reis

Representante do Brasil no ICCRS

terça-feira, 21 de julho de 2009

Jesus, Senhor Pelo Espírito


Deus é Senhor: assim o proclamam as Escrituras, do Gênesis ao Apocalipse. O Espírito Santo é “Senhor, e dá a vida”: assim professa nele a Igreja sua fé, no Símbolo chamado Niceno-Constantinopolitano. Mas esse atributo que é próprio da essência divina única (comum às três pessoas divinas, pois...), quis Deus que, de modo pessoal, fosse reconhecido na figura do Cristo, Salvador e Redentor. O sonho eterno do Pai era conduzir toda a criação ao reconhecimento do Filho, pelo Espírito, como Senhor de tudo e de todos: “Ele nos manifestou o misterioso desígnio de sua vontade, que em sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos – desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra...” Para isso,“ fomos selados com o Espírito que fora prometido...” ( cf. Ef 1, 3-14).

Proclamar Jesus como Senhor – isto é, colocar Jesus no Centro de tudo –, é uma importantíssima e fundamental doutrina bíblica. Não se trata de um slogan usado por alguns irmãos Evangélicos, Pentecostais, mas de uma profunda verdade de fé que precisa ser tomada em conta em todo e qualquer programa de evangelização.

Após a vinda do Espírito em Pentecostes (onde Ele nos é apresentado como o Dom de Deus, em cumprimento de Suas promessas), a primeira coisa que Pedro e os apóstolos fazem (depois de responder a algumas pequenas questões dos presentes), é ir direto ao ponto da nova realidade que se abre à humanidade. E o ponto é Jesus Cristo, no centro. É Jesus Cristo como Senhor. Na força do Espírito – conforme a promessa – , o simples, medroso e inculto Pedro ousadamente proclama esta novidade que deveria ser a base da doutrina do Ressuscitado: “...Israelitas, ouvi estas palavras...Vós matastes a Jesus de Nazaré... A este Jesus, Deus o ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas. Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis... Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo.” (cf. At 2, 22-36).

Também hoje, nesses tempos privilegiados do Espírito (cf. EN, 75), se quisermos reevangelizar nosso secularizado, aético, pragmático, e cada vez mais anti-evangélico mundo moderno, precisamos, aproveitando dessa nova e vivificante vinda do Espírito sobre a Igreja, colocar Jesus no centro, pois o fruto da experiência da efusão copiosa do Espírito como vem ocorrendo no último século precisa servir ao propósito de Deus na renovação, na restauração da soberania de Jesus Cristo na vida das pessoas, e através delas na Igreja, nas igrejas, e na sociedade...No poder do Espírito, convidar as pessoas a destronar o ego e entrar num relacionamento pessoal com Jesus, como Senhor e Salvador.

Diz Raniero Cantalanessa: “ O Espírito coloca na boca do pregador as palavras: ‘Jesus é o Senhor!’, e eis a evangelização...” Sim, porque, somente quando esse Jesus – Senhor de tudo e de todos, por direito e por conquista – é assumido como meu Senhor, posso constatar que “conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber, e que tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas...”, cf. Doc. Aparecida, 29. Talvez, ao evangelizarmos, estejamos enfatizando exageradamente nossas heranças doutrinárias, nossas leis canônicas, os aspectos institucionais de nossa Igreja, as liturgias, devoções e espiritualidades, e negligenciando verdades essenciais da fé – como essa doutrina do senhorio de Jesus. Não nos damos conta que toda essa cultura sobre a pessoa e a Igreja de Jesus – por vezes – é carga demasiada pesada para quem não teve ainda um encontro pessoal com o Messias, como Senhor e Salvador. “...Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva.” (Doc. Aparecida, 12).

Toda a doutrina, liturgia, teologia, espiritualidades, são preciosidades de nossa fé. Mas, assim o serão se ocorrer em nossa vida o encontro com o Cristo, Senhor! Diz Paulo que, tudo aquilo que para ele eram vantagens (ver Fl 3, 4-11.17-20), ele considerou como perda, por Cristo. “Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor...”

Diz ainda o apóstolo que reconhecer a Jesus como Senhor, é coisa que só podemos fazer sob a ação do Espírito Santo (cf. I Cor 12,3). Isso porque, essa profissão (aliás, a mais antiga profissão de fé usada na Igreja primitiva), não era apenas uma fórmula que qualquer um podia pronunciar. Continha em si conseqüências, como o repúdio a quaisquer ídolos e a volta consciente a Deus. Diz Arnold Bittlinger, que, “quem diz: Jesus é o Senhor, precisa estar dizendo, ao mesmo tempo: Jesus é o meu Senhor ! Ou seja, a confissão de fé autêntica inclui uma entrega a Jesus!” (Não foi essa a profissão de fé de Tomé, quando fez a experiência do encontro pessoal com o Cristo ressuscitado, e disse: “Meu Senhor e meu Deus”, cf. Jo 20,28)?

Supõe reconhecer a Jesus de Nazaré – verbo encarnado, pessoa humano-divina – como Senhor absoluto de todas as coisas (inclusive do tempo, da história, do que é eterno). E isso não é coisa que a mente e o coração humanos conseguem alcançar senão com o operar e a ação coadjuvante do Espírito (cf. DV, 5), revelador da verdade (cf. Jo 16,13) e testemunha nomeada do Filho (cf. Jo 15,26)... Paulo chega a identificar essa confissão como uma condição para a salvação: “...Se, com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”(Rm 10,9). Porque Jesus conquistou o direito de ser nosso Senhor também assumido as nossas culpas, “morrendo por nossos pecados e ressuscitando para a nossa justificação” (Rm 4,25). Por esse aniquilamento, por sua obediência à vontade do Pai, por sua morte de cruz, “Deus lhe outorgou um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.” (cf. Ef 2,5-11).

Dizer que Jesus Cristo é o Senhor, é dizer que o Cordeiro de Deus, imolado, está de pé: venceu! É dizer que a morte, o sofrimento, a vida...tudo, tem sentido! Que a humanidade tem jeito, que o mal não tem a última palavra. É sentir-se convidado a viver uma vida que não acabará jamais. É concordar em ter a Deus por Pai, a ter o outro por irmão, a ser templo do Espírito Santo... É ser herdeiro da promessa, de graças incomensuráveis e imerecidas...É reconhecer, nele, o Sol que não conhece ocaso, e que sempre ressurge triunfante dentre as nuvens, das sombras, das brumas, das tempestades, dos temores...É olhar nos olhos de quem você ama e dizer: você não morrerá jamais, pois “por isto é que Cristo morreu e tornou à vida: para ser o Senhor tanto dos vivos como dos mortos.” (Rm 14,9). Aleluia! MARANATHA! O Senhor vem! MARANA THÁ! Vem, Senhor Jesus!!! (cf 1 Cor 16,23; Apc 22,20)...

Reinaldo Bezerra dos Reis - Representante do Brasil no ICCRS

sábado, 30 de maio de 2009

Despertar para Pentecostes HOJE!


“Mas o Paráclito, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito. E aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e fará outras ainda maiores”. (Jo. 14,26;14,12)

No livro dos Atos dos Apóstolos podemos sentir quão poderoso foi o derramamento do Espírito Santo sobre o seu povo. Naqueles dias, todos que ali estavam em oração tiveram uma experiência forte do poder de Deus que transformou suas vidas tornando-os testemunhas fiéis da salvação de Jesus.

Hoje Deus quer que tenhamos este mesmo poder pois somos exortados a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e só podemos realizar tais maravilhas deixando que o Senhor nos unja com o seu Espírito.

Quando o Espírito Santo é derramado sobre nós, experimentamos o amor de Deus e passamos a compreender que, assim como Deus é amor, nós que somos sua imagem e semelhança, fomos criados para o amor: o amor a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como nós mesmos.

Se tudo se resume no amor não só devemos, como precisamos estar sempre cheios de amor. Mas o amor é um dom de Deus e como todo dom vem Espírito, só podemos estar plenos de amor se estivermos plenos do Espírito. Foi o amor quem deu sua vida por nós. É por amor que devemos realizar todas as nossas obras, pois se não tenho amor sou como o bronze que soa, ou como címbalo que retine. É este dom que nos torna pessoas verdadeiramente espirituais.

Para tornarmos esse amor concreto, temos que agarrar todos os dons que Deus põe a nossa disposição, deixando-nos abertos ao seu Santo Espírito e mais que isso, tendo uma expectativa saudável desses dons, ansiando por eles.

No momento em que despertamos para os dons, não podemos restrigi-los a nós mesmos, pois eles são para a edificação da Igreja. Ora, se você edifica a Igreja e como você também é Igreja, você também é edificado e isso é sabedoria de Deus. Eu só frutifico se meus frutos alimentam aqueles que tem fome.

Os dons carismáticos têm, como uma de suas finalidades, a evangelização. Eles nos foram dados para que fôssemos autênticos evangelizadores, ramos que dessem frutos, pessoas cheias do poder de Deus. Tenhamos em mente que os frutos da vinha não são para os galhos, mas para os que têm fome. Se usarmos os dons somente para nós próprios, esse dons vão murchar e morrer, pois o egoísmo e o medo, são sentimentos que sufocam o Espírito Santo em nós.

Todos nós cristão recebemos uma ordem clara: “Ide e evangelizei a toda criatura”. Evangelizar é testemunhar e testemunhar é viver Cristo. Mas não podemos viver Cristo sem o poder que vem do alto, sem o seu Espírito Santo que nos vivifica e nos convence do amor.

É o Espírito que nos liberta do medo, da timidez, da insegurança, da auto-piedade. O Espírito Santo é o Espírito da verdade que nos mostra quem somos, arrancando toda e qualquer máscara que não raras vezes insistimos em vestir. É Ele, que por amor , nos ensina a orar através de seus dons transformando-nos e capacitando-nos a sermos testemunhas, até os confins da terra, de Jesus, o Senhor.

Deus não nos quer cristãos temerosos que apenas molham os pés nas águas do santuário. Como em Ez.47, 3-12 devemos, sim, mergulhar, deixar que a água nos carregue para que produzamos frutos, pois o Senhor tem hoje um trabalho que só nós podemos fazer.

É preciso então buscar esses dons e proclamá-los pois é através deles que o Senhor cura, orienta e fala aos corações. Recordemos quantas vezes num momento de oração, uma palavra de ciência, de sabedoria, uma profecia já nos renovaram ou nos libertaram durante a caminhada de vivência do evangelho. E o que dizer então do maravilhoso dom de línguas que vem em nosso socorro, nós que não sabemos nem o que pedir! Através desse Dom é o próprio Espírito, que perscruta os corações e conhece a vontade do Pai, que intercede por nós, pedindo aquilo que nosso ser necessita.

Foi através desse dom que, em At. 2, Deus chamou a atenção das pessoas que ao se aproximarem, puderam ser evangelizadas. Assim não menosprezemos nenhuma das ferramentas que Deus nos oferece para crescermos na graça e no conhecimento.

A verdade é que não podemos impedir a Deus de falar aos nossos irmãos porque estamos fechados aos seus dons, principalmente nós que já tivemos uma experiência do seu amor e constatamos as transformações em nossas vidas.

Desejemos pois ser instrumentos que levam o amor àqueles que estão sedentos de Deus. Que o nosso ser se abra aos dons que levam a santificação e a unidade da Igreja para que todos os lábios proclamem que Jesus é o Senhor!

Ir. Nancy Kellar
Coordenadora do Ministério de Ensino do ICCRS

domingo, 17 de maio de 2009

Caminhamos na Luz do Senhor!


“Renova os sinais, Senhor, e repete as maravilhas!” (cf. Eclo 36,6).

Certamente, no profundo do nosso ser, este é o mais sincero desejo a nos inquietar e a nos despertar uma nostalgia de Deus e de suas maravilhas. Diante de um mundo tão necessitado de Deus e a buscá-lo nos fenômenos e nas vãs “manifestações de espiritualidades vazias”, nas filosofias e ideologias, temos como nunca, necessidade dos sinais de Deus e do seu poder criador. Muitos se perguntam: Por que não fazemos mais maravilhas aos olhos dos homens? Não seria esse o tempo favorável de Deus agir quando a descrença e a indiferença a seu respeito parecem ser a nova religião? Deus não deixou de amar o seu povo? Então, manifesta-te e renova os teus sinais, Senhor!

Parece que estamos como o Povo de Israel quando caía na desolação manifestavam a desesperança: “Por acaso o amor de Deus foi esgotado? Sua promessa, afinal, terá falhado? E concluíam amargamente: A mão de Deus não é a mesma: está mudada!” (cf. Sl 76, 2-11) Acontece que, para nós existe uma infinita diferença: Temos a Revelação de Deus em Cristo Jesus. Os olhos e o coração dos Judeus caminhavam olhando para a cortina de fumaça, para a chama de fogo ou ainda para os vãos sacrifícios de expiação, mas nós, no entanto, caminhamos à Luz do Senhor. Foi-nos manifestada a Salvação de Deus, escondida aos antepassados e revelados agora, neste tempo favorável para a nós. Deus nos falou por meio do Seu Filho (cf. Hb 1,1). Portanto, “não há motivos para que nós vivamos como os que não têm esperança” (cf. I Ts 4,13).

Uma importante reflexão: Será que o maior sinal dos nossos tempos não seria a fé? Por acaso nos parece fácil sustentar coerentemente uma fé autêntica e dar testemunho de Cristo em tempos como os nossos? Deus se encarnou, fez-se um de nós e, tornou-se maravilhosamente próximo, íntimo, amigo do homem na sua estrada que outrora, enquanto estava sozinho tinham o destino de Emaús, mas agora, inflamados pela sua palavra e pela Eucaristia, caminha para Jerusalém. O grande milagre da Encarnação do Verbo, por acaso, não continua a acontecer diariamente quando o sacerdote - mediante a ação do Espírito Santo - consagra o pão e o vinho e passa a ser o Corpo e o Sangue de Cristo, o mistério por excelência da fé? Não é, o Corpo e o Sangue do Senhor, no Santíssimo Sacramento do altar, a maior e mais fascinante maravilha que os nossos olhos podem contemplar nesta vida? Sim, claro que é! Então, Senhor, arranca-nos de toda cegueira do coração, da alma e dos olhos, e continua a renovar os teus sinais no meio de nós!

Interrogo-me: Não será um grande sinal do amor de Deus, da sua manifestação maravilhosa o fato de podermos ir até o sacerdote, tantas vezes com uma vida completamente destruída pelo pecado, mas o arrependimento - que já é uma ação da graça de Deus - nos levou para os pés do sacerdote e, ao confessarmos sinceramente os nossos pecados fomos regenerados, salvos de nós mesmos, dos nossos pecados que leva à morte definitiva e de toda arrogância da auto-suficiência? Senhor, este sinal, eu e um número incalculável de filhos e filhas tuas, experimentamos sempre, por isso muito obrigado! Quão grande obra maravilhosa aos nossos olhos é o milagre da vida da Igreja. Na sua missão corajosa e nos passos do Cordeiro, continua sua missão de ser Sacramento Universal da Salvação. Sem a maternidade, o cuidado, o amor, as correções e alegrias que vivemos na Igreja a através dela, o mundo não seria mundo, a humanidade não teria uma face, um rosto humano, uma identidade e uma vocação.

Mas Deus não deixou de agir! Podemos confiar que Deus não adormeceu no seu cuidado providencial e na condução da sua obra, como não abandonou sua herança para que ela caminhe às apalpadelas. “Faz parte da fé cristã a certeza de que Deus nunca abandona a humanidade e de que, por essa razão, ela também nunca pode se tornar um fracasso total (…) a fé dá alegria e posse do que esperamos. A fé nos dá a certeza de que existe o grande Amor, portanto, sou alguém indefectivamente amado” (Bento XVI, O Sal da terra). Também é possível olharmos para as nossas vidas e contemplarmos a mão amorosa de Deus, sua ternura e sua misericórdia, mesmo quando o mal, o sofrimento e a dor cruzam as nossas vidas. Quão chocante testemunho do que a graça é capaz de realizar quando encontra espaço no coração e na alma, podemos contemplar no testemunho de vida e conversão da Santa africana Josefina Bakhita (cf. Bento XVI, Spe Salvi).

Peçamos o milagre dos olhos do coração, mas também dos nossos olhos físicos e rezemos com o Salmista: “Olhai, Senhor, meu Deus, e respondei-me! Não deixeis que se apague a luz dos olhos” (Sl 12,4). Diante de tudo isso nós continuamos a te pedir, Senhor, não por dúvida ou falta de fé, mas para que a fé dos cambaleantes seja encorajada: Renova os teus sinais e repete as tuas maravilhas! Manifesta-te na vida da tua Igreja, na vida de cada batizado e no meio da humanidade, especialmente no coração e aos olhos de tantas vidas obscurecidas pelas trevas! Nós caminhamos à Tua luz, Senhor, eis a grande diferença!Assim seja!

Antonio Marcos
Consagrado na Comunidade de Vida Shalom