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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Exemplo Formativo de Francisco

Oitenta porcento do que o Papa Francisco diz são experiências vividas: quando o escuto muitas vezes posso relacionar suas palavras com situações concretas. Não é um teórico; é um homem prático. E sabe aprender do santo Povo de Deus”. O padre Guillermo Ortiz, jesuíta argentino, que trabalha na Rádio Vaticano, teve-o como reitor e diretor espiritual. Recorda que no Colégio Máximo falava de espiritualidade e da própria vida de fé alimentando os porcos. Falou com Vatican Insider sobre as experiências que viveu com o então reitor Bergoglio, e explicou porque é tão importante para ele a devoção popular.
Padre Ortiz, qual foi, até agora, o momento mais importante da viagem ao México?
Creio que a oração diante da imagem de N. Sra. de Guadalupe. É importantíssima a devoção do Papa por Maria. É preciso ler e reler os discursos dos primeiros dois dias: nos textos e nas palavras de Francisco reconhece-se a grande importância da fé popular, a importância do povo.
No Catecismo encontra-se a infalibilidade papal sobre temas de fé e de moral, mas recorda-se pouco que também no Catecismo está a infalibilidade do Povo de Deus em sua maneira de expressar sua fé.
Falando com os bispos do México, em 13 de fevereiro, o Papa fez uma espécie de movimento pendular, como o da ecografia. Descreveu a Virgem e depois falou sobre o povo, com o cordão umbilical da religiosidade popular. Convidou os bispos para se inclinarem sobre o regaço da fé do povo. A Virgem que é o regaço do Filho de Deus e do santo povo fiel de Deus.
O Papa “aprende” da fé das pessoas?
Ele o disse antes da viagem ao México; disse que vinha para aprender. O Papa é um filho da Virgem, mas também é um filho do Povo de Deus. Ele sabe que Deus age no povo, conhece o “sensus fidei” do povo, o povo pobre que não tem nada.
Na homilia da missa na Basílica de Guadalupe Francisco citou um hino litúrgico: “Olhar-te, Mãe, contemplar-te apenas, o coração silencioso em tua ternura, no teu casto silêncio de açucenas”. É um texto que é muito importante para o Papa. Encontra-se no Breviário. Ele o fotocopiou e recortou para distribuí-lo, dando-me uma cópia como conselho espiritual, como oração: simplesmente estar juntos, contemplando o olhar de Maria, colocando diante dela o que temos no coração.
Desde quando conhece Bergoglio?
Sou argentino, de Córdoba. Encontrei-o na minha cidade em julho de 1977. Eu tinha 17 anos e queria tornar-me jesuíta. Fui falar com ele, porque ele era o provincial, ou seja, o superior dos jesuítas na Argentina. Disse-lhe: “Quero ser jesuíta”. Ele me ouviu. É muito importante escutar para ele. E depois me disse: “Está bem. Vamos ver se dentro de seis meses tens ainda esta ideia”.
Cheguei ao Colégio Máximo em 1981. Ele, enquanto isso, foi nomeado reitor, depois de seu mandato como provincial. Desde o primeiro dia do noviciado eu trabalhava no bairro e ele quis que se transformasse uma construção que servia de depósito para animais em uma paróquia. Fizemos uma igreja. Convidou-me para trabalhar na rua e me acompanhou de perto.
Como era como reitor o padre Bergoglio? É verdade que os acostumava aos trabalhos mais humildes?
Sim, é verdade. Mas não se pode fazer de outra maneira. Havia trabalhado muito pelas vocações, havia muitos estudantes e não tínhamos como nos sustentar, não tinha bolsas. Não tínhamos dinheiro para a comida. Assim, Bergoglio comprou algumas vacas, porcos, ovelhas, e durante os primeiros anos tivemos que cuidar do gado. E depois a carne… ela exalava até pelas orelhas. Nós tínhamos que cuidar destes animais, e alguns eram um pouco “delicadinhos” e não gostavam disso.
Eu limpava os porcos, isto é, o mesmo trabalho que o filho pródigo fez antes de voltar para a casa do pai. Bergoglio nos dava o exemplo. Se estivéssemos falando sobre o meu caminho espiritual, e depois chegava a hora de colocar a lavadora, íamos juntos e ele colocava toda a roupa íntima na enorme máquina. A ele cabia colocar a roupa suja, depois nós a estendíamos. Ele mesmo ia dar de comer aos porcos. E quando o fazia, às vezes seguia acompanhando algum de nós sobre a espiritualidade. Ele não fazia nenhuma diferença entre a teoria e a prática. Foi exigente conosco, mas nós tínhamos que ser postos à prova. Tínhamos que aprender com sacrifício. Isto também é formação.
Era uma maneira para estar mais presente na realidade das pessoas comuns?
Recordo que em seus discursos de formação sempre repetia que para nós, que fazemos o voto de pobreza, isto tinha que significar também trabalhar. Dizia: a pobreza é trabalho. Um pobre tem que trabalhar e esforçar-se.
Nós, no Colégio Máximo, estávamos a 60 quilômetros de Buenos Aires: a população viajava duas horas para chegar à capital e depois outras duas para voltar, e é preciso somar a isso outras 8, 10, 14 horas de trabalho. Trabalhar e esforçar-se ajudava no sentido da realidade e te permitia tocar as chagas das pessoas. É um sentido da realidade, este, que é um dom de Deus. Não é um discurso que tens que meter na cabeça.
Uma vez, no Colégio Máximo, veio uma mulher que estava com frio e estava buscando uma coberta. Dissemo-lhe que não tínhamos. E a mulher disse a Bergoglio: “Então, dá-me a tua”. Ele foi buscar a sua e lhe deu. Esta mulher, dizia, lhe havia ensinado que devemos compartilhar e dar do que se tem, não o que sobra.
Recorda algum outro episódio?
Eu estive com ele até dezembro de 1984. Depois fui para o Colégio El Salvador em Buenos Aires. E quando ele terminou o seu período como reitor, em dezembro de 1985, sem ter já nenhum cargo, foi viver no mesmo colégio que eu: já não era formador ou meu superior. Vivíamos no mesmo andar, estávamos a algumas portas de distância e no meio havia um banheiro comum.
Eu saía cedinho da manhã para ensinar e voltava já tarde da noite. Uma vez esqueci alguns papéis no meu quarto e voltei por outra porta, pela dos fundos. A essa hora não havia ninguém. E vi Bergoglio enquanto estava limpando o vaso sanitário, ajoelhado.
Recordo as atenções que reservava aos padres mais idosos, como os escutava… Ele é um homem para os demais, não se refere a si mesmo. Oitenta porcento do que o Papa diz são experiências vividas: quando o escuto muitas vezes posso relacionar suas palavras com situações concretas. Não é um teórico; é um homem prático.

Fonte: Aletéia

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Padre Escreve ao Papa Antes de Morrer aos 31 anos


"Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração."

 


Pe Fabrizio nasceu em Nápoles (Itália), no dia 8 de setembro de 1982. Quase 3 mil pessoas se reuniram no bairro de Ponticelli para lhe dar adeus na igreja de Nossa Senhora das Neves, onde ele era vigário. Padre Fabrizio viveu um grande sofrimento nos últimos meses, mas com fé e força interior. Sempre sorrindo, com uma palavra de consolo para os amigos e familiares que estiveram com ele até o último momento. Oferecemos a seguir a carta que ele enviou ao Papa Francisco.

A Sua Santidade o Papa Francisco:

Santo Padre,

nas orações diárias que dirijo a Deus, não deixo de rezar pelo senhor e pelo ministério que Deus lhe confiou, para que Ele possa lhe dar forças e alegria para continuar anunciando a boa nova do Evangelho.

Eu me chamo Fabrizio De Michino e sou um jovem padre da diocese de Nápoles. Tenho 31 anos e há cinco sou sacerdote. Desempenho meu serviço no Seminário Arcebispal de Nápoles como professor de um grupo de diáconos, e em uma paróquia em Ponticelli, que se encontra na periferia de Nápoles. A paróquia, recordando o milagre registrado na colina Esquilino, recebe o nome de Nossa Senhora das Neves.

Ponticelli é um bairro degradado por sua pobreza e alta criminalidade, mas a cada dia descubro verdadeiramente a beleza de ver o que o Senhor realiza nestas pessoas que confiam em Deus e na Virgem.

Também eu, desde que estou nesta paróquia, pude ampliar cada vez mais meu amor pela Mãe Celeste, experimentando também nas dificuldades a sua proximidade e proteção. Infelizmente, há três anos eu luto contra uma doença rara: um tumor no interior do coração. Há um mês estou com metástase no fígado e no baço. Nesses anos difíceis, no entanto, nunca perdi a alegria de ser anunciador do Evangelho. Também no cansaço eu percebo, verdadeiramente, esta força que não vem de mim, mas de Deus, que me permite desempenhar com simplicidade o meu ministério. Há uma citação bíblica que tem me acompanhado e me enche de confiança na força do Senhor: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).

Neste tempo tem sido muito próxima a presença do meu bispo, o cardeal Crescenzio Sepe, que me apoia constantemente, ainda que às vezes me peça para descansar, para que eu não me sobrecarregue.

Agradeço a Deus também por meus familiares e meus amigos sacerdotes que me ajudam e apoiam, sobretudo quando faço as diferentes terapias, compartilhando comigo os momentos de inevitável sofrimento. Também os meus médicos me apoiam muito e fazem o impossível para encontrar os tratamentos adequados para mim.

Santo Padre,

estou me alongando muito, mas só quero dizer que ofereço a Deus tudo isso, pelo bem da Igreja e pelo senhor de um modo especial, para que Deus o abençoe sempre e o acompanhe neste ministério de serviço e amor.

Eu lhe rogo que reze por mim: o que peço todos os dias ao Senhor é que seja feita a Sua vontade, sempre e em todas as partes. Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração.

Seguro de suas orações paternas, o saúdo devotamente.

Padre Fabrizio De Michino
 
Fonte:Aleteia.org 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Jovem que rejeitou o aborto após estupro: Não tenham medo de dizer sim à vida!


Verónica Cardona ficou grávida aos 16 anos de idade depois de ser estuprada por seu próprio pai. Esta jovem colombiana optou por defender a vida do bebê e, cinco anos depois de viver este drama, exorta às mulheres que passam por casos similares a que "não tenham medo de dizer sim à vida, não tenham medo de dizer sim ao amor!".

Faz uns dias visitou o Equador para apoiar uma manifestação contra alegalização do aborto por estupro. Aí contou o que aconteceu com ela e como Deus lhe deu forças para continuar.
Em uma entrevista concedida ao grupo ACI, Verónica confessou que o primeiro impacto depois de saber que tinha ficado grávida após o estupro foi desolador.
Verônica e sua filha, Maria Fernanda.

"Foi um impacto muito grande me dar conta de que estava grávida. Nesse preciso momento senti que minha vida tinha fracassado, ainda mais porque sabia que o bebê que eu esperava era o "produto" da violação por parte do meu próprio pai".

Verónica recorda que o medo se apoderou dela, mas que não queria se submeter a um aborto. "Caí em depressão uns dias, não queria matar a um ser inocente, mas tinha medo, possivelmente o mesmo medo que sentem muitas mulheres ao saber que estão grávidas".

Verónica recorda que temia não ser "capaz de sair adiante, medo aos preconceitos, medo a que me vissem com pena, medo a enfrentar a realidade, medo a ficar sozinha".

"Naturalmente quase toda minha família, doutores, juízes, todos queriam que abortasse, sobretudo porque aqui na Colômbia o aborto tinha acabado de tornar-se legal em três casos: por estupro, por má formação e por risco da vida da mãe", indicou.

A jovem mãe assinalou que ela cumpria todos os requisitos para que pudesse abortar de acordo à legislação colombiana: sofreu uma violação, existia a possibilidade de má formação em seu bebê, e era uma gravidez de alto risco.

Entretanto, um fator importante em sua decisão foi encontrar um dia a sua mãe chorando e lhe pedindo perdão, porque ela mesma tinha considerado a possibilidade de abortá-la quando estava em seu ventre.

Esse fato fortaleceu sua convicção de que "não tinha o direito de tirar a vida de ninguém, e menos ainda de uma pessoa indefesa, uma pessoa que não me tinha feito nada".
Após tomar a decisão de ter o seu bebê, a família de Verónica deixou de falar com ela durante vários dias e só sua mãe a apoiou.

"Assim começou a crescer em meu ventre o maior milagre de amor. Foi uma experiência formosa ainda que tenha sido dura", assegurou.

Verónica assinalou que "quando via as ecografias, podia me dar conta do grande milagre da vida, sentir seus pequenos, mas inofensivos golpes no meu estômago e logo ver sua ternura ao nascer".

Durante o tempo da gravidez, a mãe de Verónica participava de uma comunidade católica, que a ajudou a fortalecer sua decisão de "trazer vida ao mundo, já fora que ao nascer desse a minha filha em adoção, ou decidisse ficar com minha filha e sair adiante".

Verónica assinalou que ao princípio quis esquecer-se de Deus. "Fiquei zangada com Ele porque não podia entender como um Deus tão bom e que me amava tanto podia permitir que isso acontecesse comigo, que não tinha feito nada de ruim na vida", disse.Entretanto, apesar de sua dor, "refugiava-me nele e lhe pedia forças para continuar adiante, e hoje estou segura de que Ele sempre esteve comigo em minhas noites e dias de pranto. Era Ele quem me animava e me levantava!", assinalou.

Ao nascer sua filha, a quem chamou María Fernanda, Verónica enfrentou "vazios", que tentou encher com festas, amigos e trabalho, mas não foi até que participou de um retiro espiritual da comunidade Laços de Amor Mariano que pôde "voltar a viver".

Durante esse retiro espiritual pôde perdoar a todos os que lhe fizeram mal, incluindo o seu pai. "Entendi muitas coisas, senti-me digna novamente, voltei a nascer!", recordou.
Ao sair do retiro, Verónica era muito mais consciente de que "a vida é um dom".

"Indignavam-me, como me indignam agora, os argumentos dos abortistas, que se escondem em casos como o meu para matar a um inocente e encher o bolso com dinheiro manchado de sangue inocente, dizendo que sempre que olhe para a criança você vai lembrar-se do momento tão doloroso que foi o de ser abusada", assinalou.

Verónica assegura que sente "a necessidade enorme de gritar a verdade ao mundo, que é que um filho nunca vai lembrar às circunstâncias (de um estupro), porque é uma pessoa absolutamente diferente. Pelo contrário, vai te ajudar a sanar as feridas, vai te dar alegria e sentido a sua existência".

"Falo desde a minha própria experiência e não como os abortistas que falam sem sequer conhecer ou ter passado por uma experiência destas, porque a maioria de quem apoia o aborto nunca abortou".

Verónica assegurou que "as mulheres que, enganadas abortam, depois são defensoras da vida".

"Os abortistas não se preocupam com a mulher como aparentam fazê-lo. Se se preocupassem realmente, não ofereceriam um aborto, mas pelo contrário ofereceriam ajuda para que ela possa sair adiante com seu filho", assinalou.

Se para os que promovem o aborto realmente lhes importasse o sofrimento da mulher "aceitariam realidades como a síndrome pós-aborto, aceitariam que a vida começa na fecundação do óvulo como o dizem os cientistas".

Verónica criticou que os abortistas "reclamam ‘direitos’ da mulher e eles são os primeiros em passar por cima deles".

"As mulheres têm direito a uma maternidade, e eles passam por cima deste formoso dom convertendo o ventre das mulheres no túmulo do seu próprio filho", criticou.

"O aborto não faz com que a gravidez deixe de existir, matar não é uma opção, é a pior decisão", indicou, acrescentando que enquanto que a vida engendra vida, o aborto produz "morte, dor, pranto, desespero, angústia e uma culpa que muito dificilmente será apagada de sua mente, de sua alma, de seu ser".

Verónica exigiu que os abortistas não brinquem "com a dor da mulher e de muitos homens que também são vítimas de um aborto".

Remarcando que a defesa da vida frente ao aborto não é um tema religioso, Verónica Cardona convidou a "católicos, cristãos, evangélicos, ateus e a todos os que estão a favor da vida" a que "não nos cansemos de ser a voz daqueles, que embora tenham voz e direitos, os querem calar desde o ventre".

Citando ao fundador de Laços de Amor Mariano, Rodrigo Jaramillo, Verónica sublinhou que "quem aborta a uma criança do seu ventre, aborta a Jesus do seu coração", pois "Jesus é a mesma vida".

Verónica também revelou que "por graça de Deus pude perdoar o meu pai, olhá-lo aos olhos e agradecer-lhe por ter me dado a vida", e embora sua filha, que atualmente tem cinco anos "ainda não sabe bem tudo o que aconteceu", está decidida a ir contando pouco a pouco tudo, pois "ela tem direito a saber a verdade".

ACI Digital

sábado, 14 de abril de 2012

Sobre o Direito de Viver...


Inventei uma história para celebrar a Vida. Ana, filha de família muito rica, apaixona-se por um homem sem bens materiais, Antonio. Casa-se com separação de bens. Ana engravida de um anencéfalo e o casal decide tê-lo. Ana morre de parto, o filho sobrevive alguns minutos, herda a fortuna de Ana. Antonio herda todos os bens do filho que sobreviveu alguns minutos além do tempo de vida de Ana. Nenhuma palavra será suficiente para negar a existência jurídica do filho que só foi por alguns instantes além de Ana.
A história que inventei é válida no contexto do meu discurso jurídico. Não sou pároco, não tenho afirmação de espiritualidade a nestas linhas postular. Aqui anoto apenas o que me cabe como artesão da compreensão das leis. Palavras bem arranjadas não bastam para ocultar, em quantos fazem praça do aborto de anencéfalos, inexorável desprezo pela vida de quem poderia escapar com resquícios de existência e produzindo consequências jurídicas marcantes do ventre que o abrigou.
Matar ou deixar morrer o pequeno ser que foi parido não é diferente da interrupção da sua gestação.Mata-se durante a gestação, atualmente, com recursos tecnológicos aprimorados, bisturis eletrônicos dos quais os fetos procuram desesperadamente escapar no interior de úteros que os recusam.Mais “digna” seria a crueldade da sua execução imediatamente após o parto,mesmo porque deixaria de existir risco para as mães. Um breve homicídio e tudo acabado.
Vou contudo diretamente ao direito, nosso direito positivo. No Brasil o nascituro não apenas é protegido pela ordem jurídica, sua dignidade humana preexistindo ao fato do nascimento, mas é também titular de direitos adquiridos. Transcrevo a lei, artigo 2o do Código Civil:
A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
No intervalo entre a concepção e o nascimento dizia Pontes de Miranda “os direitos, que se constituíram, têm sujeito, apenas não se sabe qual seja”. Não há, pois, espaço para distinções, como assinalou o ministro aposentado do STF, José Néri da Silveira, em parecer sobre o tema:
Em nosso ordenamento jurídico, não se concebe distinção também entre seres humanos em desenvolvimento na fase intrauterina, ainda que se comprovem anomalias ou malformações do feto; todos enquanto se desenvolvem no útero materno são protegidos, em sua vida e dignidade humana, pela Constituição e leis.
Trata-se de seres humanos que podem receber doações [art. 542 do Código Civil], figurar em disposições testamentárias [art.1.799 do Código Civil] e mesmo ser adotados [art. 1.621 do Código Civil]. É inconcebível, como afirmou Teixeira de Freitas ainda no século XIX, um de nossos mais renomados civilistas, que haja ente com suscetibilidade de adquirir direitos sem que haja pessoa. E, digo eu mesmo agora, nele inspirado, que se a doação feita ao nascituro valerá desde que aceita pelo seu representante legal tal como afirma o artigo 542 do Código Civil – é forçoso concluir que os nascituros já existem e são pessoas, pois “o nada não se representa”.
Queiram ou não os que fazem praça do aborto de anencéfalos, o fato é que a frustração da sua existência fora do útero materno, por ato do homem, é inadmissível [mais do que inadmissível, criminosa] no quadro do direito positivo brasileiro. É certo que, salvo os casos em que há, comprovadamente, morte intrauterina, o feto é um ser vivo.
Tanto é assim que nenhum, entre a hierarquia dos juízes de nossa terra, nenhum deles em tese negaria aplicação do disposto no artigo 123 do Código Penal¹, que tipifica o crime de infanticídio, à mulher que matasse, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho anencéfalo, durante o parto ou logo após, sujeitando a a pena de detenção, de dois a seis anos. Note-se bem que ao texto do tipo penal acrescentei unicamente o vocábulo anencéfalo!
Ora, se o filho anencéfalo morto pela mãe sob a influência do estado puerperal é ser vivo, por que não o seria o feto anencéfalo que repito pode receber doações, figurar em disposições testamentárias e mesmo ser adotado?
Que lógica é esta que toma como ser, que considera ser alguém – e não res – o anencéfalo vítima de infanticídio, mas atribui ao feto que lhe corresponde o caráter de coisa ou algo assim?
De mais a mais, a certeza do diagnóstico médico da anencefalia não é absoluta, de modo que a prevenção do erro, mesmo culposo, não será sempre possível. O que dizer, então, do erro doloso?
A quantas não chegaria, então, em seu dinamismo – se admitido o aborto – o “moinho satânico” de que falava Karl Polanyi?² A mim causa espanto a ideia de que se esteja a postular abortos, e com tanto de ênfase, sem interesse econômico determinado. O que me permite cogitar da eventualidade de, embora se aludindo à defesa de apregoados direitos da mulher, estar-se a pretender a migração, da prática do aborto, do universo da ilicitude penal, para o campo da exploração da atividade econômica. Em termos diretos e incisivos, para o mercado. Escrevi esta pequena nota para gritar, tão alto quanto possa, o direito de viver.
* * *
¹“Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena – detenção de dois a seis anos.”
²A grande transformação: as origens da nossa época. Tradução portuguesa de Fanny Wrobel. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

Eros Grau
Ministro Aposentado do STF

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Modelo Kylie Bisutti Cancelou Contrato Com a Marca de Lingerie Victoria’s Secret por Causa de Sua Fé.


A modelo americana Kylie Bisutti ficou famosa ao ganhar um concurso promovido pela prestigiada marca de lingerie Victoria’s Secret em 2009. A modelo foi a vencedora de um concurso que teve mais de 10 mil participantes. Porém agora a modelo decidiu romper seu contrato por questões religiosas.
Aos 21 anos, Bisutti é conhecida como uma das “anjinhas” da marca, mas declarou que hoje tem alguns arrependimentos em sua carreira, como frequentar festas e posar para fotos com roupas íntimas. “Eu decidi não desfilar mais com roupas íntimas, porque eu sinto que não estou honrando a Deus ou ao meu marido fazendo isso”, disse a modelo, casada desde os 19 anos.
A modelo afirmou em entrevista ao canal de notícias Fox News que, com essa sua decisão, estará abrindo mão de um sonho profissional em nome de sua fé cristã: “Trabalhar para Victoria’s Secret era meu grande objetivo na vida, tudo o que eu queria na minha carreira. Na verdade, eu adorava trabalhar lá, foi divertido e eu fiquei bastante conhecida. Mas comecei a me sentir cada vez mais desconfortável em posar de roupa íntima por causa da minha fé”. Ela afirmou ser cristã e disse que começou a se condenar por essas fotos e desfiles.

“Eu realmente não quero ser esse tipo de modelo para as meninas, porque eu vi um monte de meninas cristãs olhando para mim como um exemplo, e não quero que elas pensem que é certo andar por aí e mostrar para os meninos seu corpo em roupas íntimas”, completou.
“Eu caí em muitas coisas… é uma indústria tentadora… Meu objetivo hoje é ser um modelo melhor para a juventude… Eu quero que as pessoas vejam que há algo diferente em mim por causa da minha fé”, finalizou.
O cancelamento de seu contrato com a marca de roupas íntimas não significa que Kylie Bisutti irá abandonar sua carreira como modelo. Há pouco tempo ela gravou com Jennifer Lopez um novo comercial para a loja de departamentos Kohl, e está envolvida em um novo show de TV que deverá estrear em setembro pelo canal CW.
Fonte:Comunidade Shalom

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ATENÇÃO, ATENÇÃO! PRECISA-SE DE CATÓLICOS AUTÊNTICOS. VOCÊ É UM?

Quando vamos pela rua e vemos um anúncio de emprego dizendo: “Precisa-se de engenheiro”, a primeira coisa que faz este anúncio é excluir todas aquelas pessoas que não são engenheiros. Por exemplo: Uma pessoa que nunca estudou não poderá desejar este emprego, terá que se contentar com outro tipo de trabalho, mas não o de engenheiro. Não podemos dizer: “Eu não estudei para engenheiro, mas posso aprender”. Para ser engenheiro devemos conhecer as técnicas, livros de engenharia, conhecer algumas fórmulas e ter um pouco de experiência. Para completar tem a parte mais difícil: muito sacrifício e estudos para se tornar um excelente engenheiro. Depois de muitos anos de esforço, se recebe o diploma de uma universidade autorizada pelo governo. Por fim, podemos ser chamados de engenheiros e até praticar a profissão. 


Tudo o que vale a pena na nossa vida, requer esforço, dedicação, sacrifício e, porque não, umas boas lágrimas.

O exemplo que usei para falar do esforço de um universitário, até ter a honra de levar o nome de engenheiro, serve para tentar explicar que não basta só dizer: “Eu sou católico”. É necessário mostrar com a vida, defender as convicções e os ensinamentos da Igreja Católica para levar este nome. 

Quantos verdadeiramente são católicos? Ser católico implica estar em sintonia com a doutrina e o magistério da Igreja, com o Colégio Episcopal em comunhão com o Santo Padre.

Como podemos dizer que somos verdadeiros católicos se nos falta o básico? Da mesma forma que não podemos chamar uma pessoa de engenheiro, sem que tenha o seu diploma e saiba um mínimo de engenharia, do mesmo modo, não podemos chamar de católicos aqueles que desconhecem a doutrina da Igreja ou que, apoiem leis e modos de pensar incompatíveis com a Igreja Católica. 
O Brasil, sendo o país com maior número de católicos no mundo, deixa muito a desejar. As leis que estão sendo aprovadas cada vez mais nos levam a pensar num país acatólico. Como pensar num país onde a maioria se diz católica e, não obstante, uma minoria impõe suas leis contra a vida humana, contra a dignidade das crianças indefesas, contra os ensinamentos da Igreja? 

A Igreja fiel à sua missão de defender a natureza humana, criada e amada por Deus, nos dias de hoje, recebe ataques não só daqueles que não pertence ao seu redil, como também é atacada pelos que se dizem ser seus filhos.

Para ser católico não basta uma fé recebida dos antepassados e não vivida. É necessário ser assimilada, totalmente, o que nos agrada e, às vezes, também o que nos desagrada. Explicar o porquê de ser católico, com o motivo da tradição familiar não é suficiente para se viver um catolicismo integral, ou seja, até suas últimas consequências. 

Diante da pergunta: Por que nos encontramos com um catolicismo morno? Podemos responder dizendo: Porque os católicos assumiram um nome e não um estilo de vida. 

Um jovem que recebe um diploma de engenharia deve buscar desempenhar uma atividade própria da sua profissão, para que outras pessoas vejam que efetivamente ele é um engenheiro, porque, senão, pode até ser que ele tenha tirado boas notas na faculdade, mas se não atuar o aprendido, é inútil seu diploma. Da mesma forma, se um católico não atua sua fé católica, é inútil dizer que é católico. 

Hoje em dia, muitas pessoas dizem ser católicas não praticantes, depois, surgem os escândalos e o nome da Igreja Católica é difamado, por aqueles que se dizem ser, mas não o são. 

Por que hoje em dia, encontramos no Brasil, pessoas que votam em partidos que se não são anticlericais, pelo menos rejeitam abertamente a intervenção da Igreja em defender a vida, desde a concepção até a sua morte natural? Muitos militantes da cultura da morte estão trabalhando em todos os meios de comunicações possíveis, aproveitando a falta de identidade da maioria dos católicos de hoje. Católicos de nome, só que ainda não assumiram completamente a responsabilidade de serem verdadeiros católicos.



Diante desta constatação, quero propor algo prático para seguirmos crescendo nesta identificação plena para sermos verdadeiros católicos. Primeiro, intensificar a união com Cristo, que se dá por meio da oração. A pessoa que realmente ora, reconhece esta graça de ser católico e transmite aos outros esta luz que irradia um católico verdadeiro. Em segundo lugar, buscar conhecer mais sobre o Papa, sobre os ensinamentos que ele transmite nos seus escritos. É triste constatar que a única informação que muitos católicos têm do Papa, vem através dos jornais ou emissoras anticatólicas, ou por críticas de pessoas que escutaram de terceiros, sobre o Vaticano, sobre a Hierarquia, etc. 

É um direito nosso exigirmos que os padres ou ministros nos instruam no conhecimento da nossa Igreja. A fé nos ajuda a ver na pessoa do Papa a voz do próprio Cristo e do Espírito Santo, só que devemos saber o que pronunciou esta voz, para que a coloquemos em prática.

Um católico não pode ser indiferente ou ignorar, temas controvertidos que são motivos de polêmica e acusações por parte das seitas e dos que não creem, por exemplo: as imagens, a Virgem Maria, o aborto, eutanásia. Todos estes temas, diariamente são jogados na cara dos católicos e se estas seitas ou ateus veem que não existe uma posição clara, teimam em por a fé destas pessoas entre parênteses, buscando uma forma de colocá-las em dúvida. 

Buscar uma ampla cultura religiosa é dever de cada católico. Não podemos pôr a desculpa do pouco conhecimento da própria fé, acusar ou atacar a Igreja Católica ou a sua hierarquia. A Igreja somos nós. Não um grupo reduzido de pessoas, como os padres, as freiras, os seminaristas; estes são uma parte, importante na transmissão e no ensinamento da palavra de Deus, dos sacramentos. Só que se não existirem católicos convencidos, comprometidos no batismo, que amem Cristo e a Igreja, não se poderá combater o inimigo, ou seja, o próprio satanás, que busca perder todas as almas, levando-as à perdição.

Somos Igreja e devemos edificar esta Igreja com nossa vida, nosso testemunho. Se cada católico tivesse a preocupação de se formar e transmitir esta formação aos seus familiares, amigos parentes, hoje talvez o mundo fosse melhor. A fé vivida até às suas últimas consequências seria, como dizia João Paulo II, “o momento da Civilização do Amor”. 

No meio de tantas necessidades que tem o mundo de hoje, nada é mais importante que ter uma Igreja Católica totalmente unida e cheia de católicos integrais. Deus queira que possamos tirar o anúncio que leva anos posto na nossa religião: “Precisa-se de Católicos convencidos”.



Sem. Carlos Pereira, LC

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Herói ou Otário?

Há alguns meses, surpreendi-me com uma afirmação da médica e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva: O herói de ontem tornou-se o otário de hoje. Algo fez um “clic” dentro de mim, certa de que ela havia expressado algo que muitos percebem e poucos conseguem descrever. Onde estão os heróis? Onde os homens e mulheres cheios de virtudes e coragem? Onde os que dão a própria vida para salvar outros? Bem, aqui e ali se vê algum, exaltado pelo telejornal em um “ato humanitário”,mas a maioria, mesmo, aqueles que vivem o dia a dia longe das câmeras, esses são conhecidos como otários.
Se alguém ouve um grito de “socorro”, logo se encolhe, ou se joga no chão com medo de bala perdida. Um ou outro mais corajoso, esconde-se atrás da porta e liga para a polícia do celular. Socorrer, porém, quase ninguém socorre.

Presencia assalto na rua? Ah! Agora, sim, se faz algo como antigamente: correr o mais rápido possível. Só que, antigamente, se corria para ajudar a vítima, agora, corre-se para o lado oposto. Ou alguém vai ser otário de se meter entre o ladrão e a vítima? Nem pensar! Gritar “pega ladrão”? Só se for muito otário! Agarrar o braço do cara que está com a mão dentro da bolsa da senhora que se equilibra no ônibus? Otário!

E socorrer alguém que foi atropelado, assaltado, jogado no asfalto? Nem pensar! Pode ser um truque para pegar um otário que pare para socorrer. Dar carona? Pensa que sou otário? Mas, e se for uma carona para uma senhora idosa que está se arrastando em direção ao posto de saúde? Mas, que pergunta! Só um otário faria isso. Não vê que é truque para pegar alguma mente muito embotada? E se for um carro acidentado com alguém ensangüentado fazendo sinal no acostamento da estrada? Truque, otário. É ketchup e assalto na certa.

Certo dia, um homem foi assaltado e deixado ferido no meio da estrada. Passaram por ele um sacerdote e um levita, apressados para chegar à oração, e não foram otários. Não pararam para socorrê-lo. Afinal, heroísmo tem hora. Quem mandou ser assaltado e ferido logo ali na passagem deles?

Depois dos dois “homens de Deus”, passou um antipatizado por todos. Era estrangeiro e nem conhecia o lugar direito. Não conseguiria, porém, deixar aquele ferido sem socorro. Colocou-o em seu transporte, cuidou das feridas e ainda arranjou quem cuidasse dele até sua volta da viagem interrompida. Havia perdido um tempo enorme com aquele bagaço de homem, mas não se considerou otário. Aliás, nem otário nem herói. Apenas fez o que gostariam que fizessem com ele.

Uma noite, após um acidente, vi-me na estrada, com dois irmãos ensangüentados junto a mim e, logo atrás, um boi que havia “voado” quando pego por nosso carro. Era muito óbvio que havíamos tido um acidente. Eu e o rapaz, acenávamos para cada carro que passava, tentando conseguir ajuda para sua esposa, sangrando, encostada ao carro. Ninguém parou.

Não sei se você sabe o que isso significa, mas eu sei. Já fui o ferido a pedir socorro na estrada.

O segredo certamente é este: fazer aos outros o que gostaria que fosse feito a você caso estivesse na mesma situação. Ser um irmão, não um desconhecido, uma máscara na multidão. O herói é irmão, tem nome, endereço, coração, solidariedade, compaixão. O otário é... bem, um otário, mesmo. Um egoísta, individualista, sem nome, sem endereço, sem coração, indiferente ao sofrimento do outro.

O otário está pronto para assistir, impávido, o outro morrer, desde que salve sua pele. Enche-se de uma covardia bem conhecida, que vem do egoísmo. O herói está disposto a arriscar a própria vida para ajudar o outro. Enche-se de uma coragem desconhecida, que vem do amor. Essa é a definição correta, evangélica, verdadeira do herói. Foi isso o que Jesus fez, por amor. Infelizmente, foi isso o que esquecemos, a tal ponto que cometemos o lamentável engano de classificar como otário quem, na mentalidade do Evangelho, é herói.

Emmir Nogueira 
Comunidade Shalom

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Brilha Cristão!

Cristo, em seu Evangelho, nos fala sobre como somos luz para este mundo e como devemos assumir, corajosa e abertamente, a nossa missão de iluminar as trevas com as nossas boas obras: “Vós sois a luz do mundo. Não se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas na luminária, e assim ela brilha para todos os que estão na casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante do mundo, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos Céus.” (Mt 5,14-16)


Se olharmos para o mundo de hoje, perceberemos com muita facilidade várias trevas que precisam ser alcançadas pela nossa luz, pela luz de Cristo que resplandece através de nós. As trevas da corrupção, que precisam ser iluminadas pela luz da nossa justiça e honestidade. A escuridão da sensualidade, que deve ser dissipada pela claridade da nossa castidade, provada em nosso vestir e nas nossas brincadeiras, e assim por diante. Cada sombra do mundo ao nosso redor deve ser iluminada por Cristo por meio da nossa vida de santidade e virtude.



Uma treva em particular, muito densa e que cresce bastante nos dias de hoje, e que precisa também da nossa claridade para frear a sua expansão é a do individualismo e da indiferença ao outro. Como cada um de nossa sociedade tem se fechado mais e mais em si mesmos, em suas vidas, em seus computadores, em seus apartamentos ou casas, e não olham o outro ao seu redor! E não penso só no outro-necessitado, na rua ou em tantos outros lugares esquecidos. Quantos de nós conhecemos nossos vizinhos? Quantos não ignoramos os problemas de nosso colega de trabalho, de nosso irmão de grupo de oração ou mesmo de sangue. Quando foi a última vez que ligamos para alguém sem nenhum interesse particular, simplesmente para perguntar: como é que você está?



Como, então, vencemos essas trevas? Com a nossa caridade e com o amor fraterno.



É impressionante como a vivência da caridade tem o poder de atrair as pessoas para Deus. Tertuliano já testemunhava que a caridade dos primeiros cristãos chamava a atenção dos pagãos, levando-os a exclamar: “vede como eles se amam mutuamente!” São inúmeros os testemunhos que já escutei de pessoas que se sentiram questionadas ao verem a vida fraterna na nossa Comunidade. Coisas que para nós são tão cotidianas, como exaltar as virtudes de um irmão, homenageá-lo em seu aniversário com cartazes e apresentações, levar um lanche no quarto de um irmão enfermo ou conversar animadamente à mesa do almoço, tornam-se fonte de luz e levantam interrogações salutares naqueles que, de alguma forma, estão inseridos na escuridão dessa indiferença ao outro.



É nessa simplicidade que vivemos a nossa missão de sermos luz no mundo. No dia a dia, esforçando-nos para darmos passos na vivência das virtudes, vivendo a santidade de cada dia. Não buscando grandes feitos, mas escondendo-se nas pequenas obras. Assim seremos canais da caridade e amor de Cristo pelo homem e deixaremos que a Luz e bondade de Deus, que ilumina e enche a face da terra (cf. Sl 32,5), brilhe também sobre a face daquele que está ao nosso lado, o nosso próximo (cf. Lc 10,37). 


Edinardo de Oliveira
Comunidade Shalom

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Santa Edith Stein

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)
A santa de hoje também é conhecida pelo nome de Santa Edith Stein. Juntamente com Santa Brígida e Santa Catarina de Sena é uma das "Patronas da Europa". Beatificada a 1 de Maio de 1987, acabou sendo canonizada 11 anos depois, a 11 de Outubro de 1998, pelo Papa João Paulo II.
Última de 11 irmãos, nasceu em Breslau (Alemanha), a 12 de Outubro de 1891, no dia em que a família festejava o "Dia da Expiação", a grande festa judaica. Por esta razão, a mãe, judia fervorosa, teve sempre uma predileção por esta filha.

O pai, comerciante de madeiras, morreu quando Edith ainda não tinha completado os 2 anos. A mãe, mulher muito religiosa, solícita e voluntariosa, teve que assumir todo o cuidado da família, mas não conseguiu manter nos filhos uma fé viva. Stein perdeu a fé: "Com plena consciência e por livre eleição", ela afirma mais tarde.
Edith dedica-se então a uma vida de estudos na Universidade de Breslau tendo como meta a Filosofia.

Os anos de estudos passam até que, no ano de 1921, Edith visita um casal convertido ao Evangelho. Na biblioteca deste casal ela encontra a autobiografia de Santa Teresa de Ávila. Edith lê o livro durante toda a noite. "Quando fechei o livro, disse para mim própria: é esta a verdade", declarou ela mais tarde.

Em Janeiro de 1922, Stein é batizada e no dia 02 de Fevereiro desse mesmo ano é crismada pelo Bispo de Espira. Em 1932 é-lhe atribuída uma cátedra numa instituição católica, onde desenvolve a sua própria antropologia, encontrando a maneira de unir ciência e fé. Em 1933 a noite fecha-se sobre a Alemanha. Edith Stein tem que deixar a docência e ela própria declarou nesta altura:
 
"Tinha-me tornado uma estrangeira no mundo". E no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, entra para o Mosteiro das Carmelitas de Colônia, passando a chamar-se Teresa Benedita da Cruz. Após cinco anos, faz a sua profissão perpétua.

Da Alemanha, Edith é transferida para a Holanda juntamente com sua irmã Rosa, que também é batizada na Igreja Católica e prestava serviço no convento. Neste período do regime nazista, os Bispos católicos dos Países Baixos fazem um comunicado contra as deportações dos judeus. Em represália a este comunicado, a Gestapo invade o convento na Holanda e prendem Edith e sua irmã. Ambas são levadas para o campo de concentração de Westerbork.

No dia 07 de Agosto, ela parte para Auschwitz, ao lado de sua irmã e um grupo de 985 judeus. Por fim, no dia 09 de Agosto, a Irmã Teresa Benedita da Cruz, juntamente com a sua irmã Rosa, morre nas câmaras de gás e depois tem seu corpo queimado.
Assim, através do martírio, Santa Teresa Benedita da Cruz, recebe a coroa da glória eterna no Céu..


Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ela Preferiu o Céu

Eis um grande testemunho neste mundo abortista, como dizia o Papa João Paulo II: “Nós vivemos em meio a “cultura de morte”, mas ela preferiu a vida mesmo pagando com a sua. Isso é a prova de que o amor é mais forte que a morte. Nasceu em Magenta perto de Milão em 4 de outubro de 1922.

Gianna era a décima de 13 filhos e foi educada por pais piedosos que a ensinaram que a vida era um grande presente de Deus para ser abraçado com graça. Conseqüentemente ela tinha uma forte esperança na Providencia Divina e estava confiante no poder das preces.Como adolescente e como adulta ela foi membro da Sociedade São Vicente de Paulo e voluntária para trabalhar com os pobres e os idosos. Ao mesmo tempo ela diligentemente estudou e conseguiu se formar em medicina e cirurgia na Universidade de Pávia em 1949. No ano seguinte ela abriu uma clinica em Mesero perto de sua terra natal. Ela se especializou em pediatria na Universidade de Milão em 1952, e após ela deu especial atenção às mães, as crianças, aos idosos e aos pobres.

Giana via a medicina como um meio de servir ao Criador, assim ela aumentou seu generoso serviço para a Ação Católica. Mas em oposição à maioria dos santos Gianna exibia uma verdadeira alegria para viver. Ela amava esquiar e o “trekking” nas montanhas. Alguns pensavam que tão boa cristã iria entrar para um convento, mas após varias reflexões ela viu que sua vocação era para o casamento e cooperando com Deus em “formar uma verdadeira família Cristã”.

Em 24 de setembro de 1955, ela casou-se com Pietro Molla na Basílica de São Martinho em Magenta, e ela tornou-se uma feliz esposa. Gianna não era uma santa comum. Ela alegremente abraçou o casamento e balanceou as suas obrigações como mulher de carreira, esposa e mãe. Em novembro 1956 ela se tornou mãe de Pierluigi, em dezembro de 1957 de Mariolina, e em julho de 1959 de Laura. Em setembro de 1961, no segundo mês de gravidez ela descobriu que tinha um fibroma no útero. Era necessário uma cirurgia e ela estava, como médica, perfeitamente consciente dos riscos de continuar a sua gravidez, mas ela pediu ao cirurgião para salvar o filho que ela carregava e deixou a si própria nas mãos de Deus. Ela passou os sete meses seguintes na alegria de seus afazeres de mãe e médica, mas, contudo preocupada que o bebê em seu útero pudesse nascer com problemas e para prevenir isso, orou muito a Deus.

Alguns dias antes da criança nascer, embora confiante na Divina Providencia, ela estava decidida a dar sua vida para salvar a da criança. “Se você precisar decidir entre eu e a criança escolha a criança insistiu ela ao seu médico”.Assim Gianna Emanuela nasceu na manhã de 21 de abril de 1962. Apesar de todos os esforços para salva-la, Santa Gianna veio há falecer uma semana depois, com horríveis dores.

Mas ela sempre dizia: “Jesus, Jesus eu te amo, eu te amo” e veio a falecer exclamando esta frase no dia 28 de abril. Ela tinha apenas 39 anos de idade. Seu funeral foi ocasião de grande tristeza, fé e oração. O seu corpo está no cemitério de Mesero perto de Magenta.

Ela foi beatificada em 24 de abril de 1994 e canonizada em 16 de maio de 2004 pelo Papa João Paulo II.

Novena: Ó Deus, amante da vida, que doaste à SANTA GIANNA responder com plena generosidade à vocação cristã de esposa e de mãe, concede também a nós, por intercessão dela, a graça (… faça o pedido…) e também seguir fielmente os teus desígnios, a fim de que resplandeça sempre nas nossas famílias a graça que consagra o amor eterno e a vida humana.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho, que é Deus, e vive e reina contigo na unidade do espírito Santo. Amém.

Comunidade Canção Nova