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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Distrações na Oração



O Beato João Paulo II, na carta "No início do novo milênio", convidou toda a Igreja a tomar consciência de que não pode existir experiência de Deus, nem apostolado autêntico, nem amor fraterno, nem uma humanidade unida na construção da civilização do amor sem a oração. 

Para que possamos fazer algo bom dentro e fora de nós, para que possamos produzir frutos abundantes na videira que é Cristo, precisamos entrar na plena comunhão com Ele. Repetimos várias vezes que a oração não é uma imposição, uma lei que nos obriga e escraviza, mas uma necessidade, uma urgência do coração que, sentindo-se solitário, exilado, incompreendido, busca ansiosamente um amigo que o possa amar e escutar. Na oração, Deus e o homem se amam reciprocamente, e um fica feliz de se contemplar no outro. Deus se contempla no homem criado à sua imagem e semelhança, e o homem se contempla em Deus, vendo a que é chamado a ser.

A oração nos liberta de todos os nós, permite-nos levantar vôo. Santa Teresa de Ávila diz que somos chamados, como a pombinha branca, a alçar vôo para Deus, a entrar, vencendo todos os obstáculos, no castelo interior; e a porta pela qual entramos neste castelo é a oração. 

Quando nos decidimos a rezar é porque nos encontramos em dificuldades e não sabemos como sair delas sozinhos, ou estamos tomados por uma alegria tão grande que não podemos fazer outra coisa senão gritar aos sete ventos: "Obrigado, Senhor". É algo maior do que nós. Os indiferentes, os insensíveis, os que se sentem bem com o "rastejar" e não desejam voar e ultrapassar o azul do céu para estar com o Senhor, nunca serão grandes orantes.

Mas, se rezar é tão bom - como dizem os místicos, os santos, os homens e mulheres que gastaram a vida toda procurando o rosto do Amado -, por que para nós há momentos em que a oração se faz difícil? Quais são as dificuldades maiores que encontramos na oração e como superá-las? Para vencer as dificuldades é necessário, antes de mais nada, ter muita confiança em Deus e pouca em nós. É ter consciência de que o Senhor nos dará a alegria de estar com Ele. Ele, como Pai amoroso, alegra-se quando nos vê lutando contra os inimigos que nos impedem de amá-lo e adorá-lo.

Não ter medo do fracasso

Todas as coisas têm as cores com que nós as pintamos; dependem do olhar com que as contemplamos. Para o pessimista, tudo vai mal; para o otimista, quase tudo vai bem. 

Nossa oração é sempre atendida por Deus. Mesmo quando parece que não, Ele nos escuta e, na sua infinita sabedoria, nos dá o que necessitamos para o nosso crescimento. Somente Deus sabe do que realmente precisamos, e jamais Ele fecha o ouvido aos nossos gritos e súplicas. Quantas vezes na minha vida, quando era mais jovem, achei que Deus se "divertia", quase com um certo "sadismo", negando-me o que eu lhe pedia com tanta insistência. Mas, com o passar do tempo, sendo amadurecido ao sol do sofrimento e da experiência, fui vendo que Deus age de forma diferente. Fui me lembrando das palavras do profeta Isaías: "Os meus caminhos não são os vossos caminhos'; ou de Jesus: "O Pai sabe do que vocês necessitam antes que vocês peçam".

Ser confiante no amor misericordioso de Deus é deixar a Ele a liberdade de agir em nossa vida. Uma liberdade que sempre é colocada a serviço do ser humano. A oração, recorda-nos o Catecismo, é um verdadeiro combate. Uma vigilância perene sobre nós mesmos para não deixarmos entrar no coração os sentimentos que impedem o nosso encontro filial com Deus.

"Enfim, nosso combate deve enfrentar aquilo que sentimos como nossos fracassos na oração: desânimo diante de nossa aridez, tristeza por não ter dado tudo ao Senhor, por ter "muitos bens", decepção por não ser atendidos segundo nossa vontade própria, insulto ao nosso orgulho (o qual não aceita nossa indignidade de pecadores), alergia à gratuidade da oração etc. A conclusão é sempre a mesma: para que rezar? Para superar esses obstáculos é preciso lutar para ter a humildade, a confiança, a perseverança" (Cat, 2728).

Diante de tudo isto é bom nos convencermos de que a oração exige esforço nosso. Todo diálogo, para ser construtivo, vai exigindo uma constante atenção ao que acontece dentro de nós. Orar é abrir o nosso humano para que o divino possa entrar. Nunca devemos destruir a nossa sensibilidade, a nossa humanidade, mas torná-la mais atenta e aberta à ação de Deus em nós.

A alegria de ser distraído

Ensinaram-nos a considerar as distrações como a maior dificuldade da nossa vida de oração, a vê-las como "marimbondos" que não nos deixam tranqüilos quando queremos estar a sós com aquele que amamos, um empecilho no diálogo, no amor e na vida. Ser distraído foi considerado como algo desrespeitoso por aquilo que estamos fazendo. Diante desta dificuldade comum em todos nós devemos, sem dúvida, redimensionar a nossa atitude frente às distrações na vida de oração. 

É preciso tomar consciência de que não somos distraídos somente na oração, mas em todas as atividades. Quantas vezes estamos diante da TV, mas o nosso coração, fantasia e pensamento estão tão distantes que perguntamos a alguém: "De que este programa está falando?" Ou quem de nós não se "pegou distraído" no trânsito a ponto de entrar numa rua errada? Ou ainda, durante o estudo leu cinco páginas e nada reteve na memória porque estava distraído... A distração, portanto, faz parte da nossa humanidade. Ninguém consegue pensar horas a fio no mesmo assunto e argumento. O ser humano é volúvel, tem necessidade de voar a tantos lugares, pensar em muitas coisas ao mesmo tempo... Como a abelha vai de flor em flor e, sem parar em nenhuma, vai sugando o néctar para sua vida pessoal e comunitária.

Ser distraído pode ser considerado não como um mal, mas como uma forte intuição do amor. Às vezes, pode ser o Espírito Santo querendo recordar-nos algo importante. Quem sabe você está rezando e, de imediato, vem-lhe o pensamento de que se esqueceu de desligar o gás da cozinha... Santa distração, que leva a correr e a evitar o perigo! Ou se rezando se "distrai" pensando nos pais, nos trabalhos, nas dificuldades, na falta de amor, nas pessoas... É o momento para você colocar tudo no coração de Deus e transformar essas distrações em motivações orantes para sua vida.

Diante das distrações, temos duas opções: assumir a nossa situação e o que nos vem à mente, ao coração, e fazer de tudo isso oração a ser apresentada a Deus, que é o melhor caminho; ou "chamar de volta" a nossa memória, a nossa atenção ao que estamos meditando. Este constante esforço é agradável ao Senhor porque manifesta o nosso amor e a nossa decisão de estarmos atentos à voz do Espírito.
É bom não perder tempo com as distrações, não se deixar atrair por elas, mas saber administrá-las com paciência e alegria. Quanto menos importância lhes damos, menos elas nos perseguem. Esta sabedoria é própria dos santos e de quem quer ser santo. "Pensar", nos adverte Teresa de Ávila, "o que estamos dizendo e a quem o estamos dizendo. Não seria justo falar com uma pessoa pensando em outras coisas ou com o olhar distante, como quem está cansado da presença do amigo".

Esta sabedoria está presente na pedagogia da Igreja que, no Catecismo, nos recorda: "A dificuldade comum de nossa oração é a distração. Esta pode referir-se às palavras e ao seu sentido, na oração vocal. Pode, porém, referir-se mais profundamente àquele a quem oramos, na oração vocal (litúrgica ou pessoal), na meditação e na oração mental. Perseguir obsessivamente as distrações seria cair em suas armadilhas, já que é suficiente o voltar ao nosso coração: uma distração nos revela aquilo a que estamos amarrados, e essa tomada de consciência humilde diante do Senhor deve despertar nosso amor preferencial por Ele, oferecendo-lhe resolutamente nosso coração, para que Ele o purifique. Aí se situa o combate: a escolha do senhor a quem servir. Positivamente, o combate contra nosso "eu" possessivo e dominador é a vigilância, a sobriedade do coração" (Cat, 2729-2730).

Quando percebemos que estamos "voando por aí", devemos aprender a voltar "ao assunto" e não permitir que alguém nos distraia do amor que devemos doar ao Amado. "Eu dormia, mas meu coração velava"...
Quem vive na tensão do amor será sempre como Maria, que "guardava todas estas coisas no seu coração e as meditava".
As distrações, as fantasias são as loucas da casa e por isso é preciso aprender a recolhê-las quando querem ir mais longe do que lhes é permitido. Superar as distrações é um exercício. Nunca chegaremos a evitá-las plenamente. Somente com uma graça especial do Senhor ou um êxtase ou uma visão, quando todas as nossas potências estão suspensas. Enquanto estivermos por aqui mesmo é preciso saber colocar, como nos diz o salmista, "freio e cabresto" às fantasias e distrações para que não nos levem longe do nosso Amado. É preciso dominar, administrar as distrações sem violência. O segredo é que, segundo a intensidade do amor que arde no nosso coração, estaremos mais atentos e fiéis ao amor do nosso Deus. 

No passado eu ficava nervoso, inquieto, desanimado diante das distrações da minha vida. Hoje, quem desanima são as distrações, porque sabem que, quando batem à minha porta, na maioria das vezes, a encontram fechada. 

É necessário vencer as distrações com a força do amor. Mas, se elas vierem, convém aproveitar o que trazem, reciclar tudo isso e transformar em oração. Mesmo quando as distrações trazem à memória o pecado, que é como lixo, é preciso lembrar que o lixo reciclado gera energia e força. Reciclar as distrações é fazê-las passar pelo coração de Deus. Que o texto do apóstolo Paulo possa nos servir como exemplo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? ... Mas, em tudo isso vencemos por aquele que nos amou" (Rm 8,35-37).
Nada pode nos separar do amor de Cristo. Nem as distrações, mágoas ou pensamentos inúteis; nada nem ninguém, porque Cristo é nosso e somos dele.

"...O intelecto não se fixa em nada, parece frenético, de tal maneira está descontrolado. Quem assim está verá, devido ao sofrimento que lhe sobrevem, que não é culpado por isso. Não deve afligir-se, porque é pior, nem se cansar em querer trazer à razão quem não a tem, isto é, seu próprio intelecto; reze como puder... De nossa parte, o que podemos fazer é procurar ficar a sós, e queira Deus que isso baste, como eu digo, para que entendamos com quem estamos e a resposta que o Senhor dá aos nossos pedidos. Pensais que Ele está calado? Mesmo que não o ouçamos, Ele nos fala ao coração quando de coração lhe pedimos" (Santa Teresa)


Frei Patrício Sciadini, OCD

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Levar Todos a Experimentarem do Espírito Santo

Jesus voltará para restaurar todas as coisas. Ele precisa limpar este mundo. Retirar o trigo do meio do joio. Ele já esperou demais. Ele anseia pela hora de vir e buscar Sua Esposa: nós, Sua Igreja. Nestes tempos urgentes, de preparação da noiva para o “Esposo”, a evangelização que fazemos não pode ser uma evangelização qualquer. Não é contar historinhas ou simples reflexões. A grande graça, hoje, é dar o Espírito Santo. É levar as pessoas a receber o derramamento do Espírito, a graça que Jesus anunciou dizendo: 

“Vós, é no Espírito que sereis batizados” (At 1,5).
 Quem está cheio do Espírito Santo, deve levá-Lo para os outros. Uma vela acesa pode levar fogo para muitas outras. É assim que se passa o fogo. É assim que se passa o Espírito Santo de Deus! Essa é a missão que cabe a nós. Hoje a Igreja, que é a noiva, precisa urgentemente dessa graça. Ela acabou sendo acometida por doença, e o remédio eficaz que Deus lhe deu é o Espírito Santo; Ele precisa curar Sua noiva; é urgente libertá-la e prepará-la para o Esposo que está chegando.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

domingo, 24 de julho de 2011

A Via da Vontade de Deus


“Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” Rm 8,28

Amados irmãos e irmãs, Deus nos ama e este amor supera tudo, suporta tudo, pois Ele quer a vida do homem, não sua morte. Precisamos acreditar nisso e viver intensamente esta verdade, correspondendo a este grande amor. Supliquemos a sabedoria Divina para discernir bem aquilo que agrada a Deus e assim, escolher a melhor parte que é obedecer a sua voz. Deste modo, iremos retribuir com Sua Graça, todo bem que o Senhor Deus fez em nosso favor.
Ser grato a Deus, é escolher aquilo que não passa, investindo toda a vida no que é Eterno. São muitas opções e inúmeros caminhos que surgem diante de nós, mas só uma via nos leva a felicidade plena: a via da vontade de Deus. Devemos, portanto, deixar para traz o que é transitório, desta forma, encontraremos o grande tesouro que verdadeiramente enriquece a nossa vida. Jesus é o grande tesouro! E Ele se deixa encontrar, nos concedendo a alegria do céu e plena satisfação.

Parece contraditório esta frase, mas não é: Deus se deixa encontrar, no entanto, nós devemos procurá-Lo. Esta busca de nossa parte revela o livre desejo de nosso coração pelo que é Eterno. Revela também, o estilo de vida que queremos neste mundo, o modo de viver as nossas relações com as pessoas e os bens temporários. Aquele que vive assim traz em si uma real segurança, mesmo diante dos acontecimentos trágicos da vida. Deus é nosso arrimo, e nos garante toda a força para prosseguirmos decididamente, sem nenhum receio e medo.

Somos escolhidos irmãos, fomos separados para Deus. E o que mais precisamos pedir para as nossas vidas é a sabedoria Divina. Saibamos viver! Colocando Jesus Cristo como o único Senhor de nosso Coração. Ele é o Amado de nossa Alma!

Deus abençoe a todos e que a Doce Mãe de Deus interceda a Jesus por nós.

Pe. José André CDMD

sábado, 16 de abril de 2011

Luta Com as Tuas Armas!

Quando o jovem Davi se dispunha a brigar com o gigante Golias, o rei Saul emprestou sua armadura de aço, seu escudo e sua espada, porém o pastot de Belém não podia nem caminhar com tanto peso (conf. 1Sm 17, 38-39). Ele teve que renunciar às armas reais e brigar com sua funda e cinco pedras de arroio. David não derrotou Golias com as armas do rei Saul, mas com as suas próprias.
Deus também ordena ao juiz Gedeão, que se sente incapaz de enfrentar uma batalha contra os madianitas: vai e, com essa força que tens, livra Israel das mãos dos madianitas (conf. Jz 6,14).

Vamos enfrentar a batalha com toda nossa força, mas só com a força que temos. Ali está o segredo de nossa vitória.

Moisés, por sua parte, estava acostumado a apascentar o rebanho de seu sogro Jetro e vivia na rotina e na melancolia. Até que um dia se atreveu a dar um passo ao fascinante mundo do desconhecido e foi “para além do deserto”, para encontrar um novo sentido à sua existencia (Ex 3,1).

Era uma vez um grande músico chamado Nicolo Paganini, nascido em Gênova, Itália, em fins do seculo XVIII, que foi considerado o melhor violinista de todos os tempos.

Certa noite, o palco da Scala de Milán estava repleto de admiradores, sedentos para escutá-lo. Paganini colocou seu violino no ombro e o que se escutou foi indescritivel: tons graves que se misturavam com fins agudos. Fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias pareciam ter asas e voar ao contato de seus dedos encantados. De repente, um ruído estranho surpreendeu a todos. Uma das cordas do violino de Paganini havia se rompido. Paganini continuou tocando e arrancando sons deliciosos de um violino com problemas.

Pouco depois, a segunda corda do violino de Paganini se rompeu. Como se nada tivesse acontecido, Paganini esqueceu as dificuldades e continuou criando sons do impossivel.
Pela sobrecarga do esforço, uma terceira corda do violino de Paganini se rompeu. E ele continuou produzindo melodiosas notas.

No concerto da vida, se rompem as cordas de nosso violino quando se deteriora a saúde, quando perdemos de repente pessoas queridas, quando um amigo nos traí e outras mil formas imprevistas. De qualquer maneira, o musico deve continuar tocando, inspirado na criatividade e na perseverança.

Mesmo que as cordas se rompam, seguiremos sem nos deter e florescerão qualidades ocultas que nem nós sabíamos que existiam em nosso interior. Então, os outros se emocionam e se motivam, porque percebem que, se alguém pode tocar seu instrumento musical em meio às dificuldades, eles também acreditam que podem fazê-lo.

Quando estiver desanimado, nunca desista, pois ainda existe a corda da constância para tentar uma vez mais, dando um passo “mais além” com um enfoque novo. Enquanto tiver a corda da perseverança ou da criatividade, pode continuar a caminhar, encontrando soluções inesperadas. Desperta o Paganini que há dentro de você e avança para vencer.

Vitória é a arte de continuar onde os outros se dão por vencidos. Quando tudo parece desmoronar, se brinde com uma oportuinidade e avance sem parar. Toca a mágica corda da motivação e tire sons virgens que ninguém conhece.

Toca teu violino com as cordas que tens!

Prado Flores

domingo, 3 de abril de 2011

Constância na Tribulação

Nenhum de nós está fora da tribulação, enquanto estivermos vivos, estaremos nessa realidade da prova, das aflições. Sempre estaremos vivendo alguma tribulação. Tem pessoas que quer começar um caminhada espiritual e não quer ter mais problemas, mas as provações fazem parte da vida do ser humano.

Na tribulação você precisa ser forte, pois Deus já nos disse: “Se forte e corajoso, não te acovardes”.

Considerai uma grande alegria, meus irmãos, quando tiverdes de passar por diversas provações, pois sabeis que a prova da fé produz em vós a constância. Ora, a constância deve levar a uma obra perfeita: que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.” (Tg 1,2-4) 

Para chegarmos a esse estágio de sermos perfeitos, precisamos ser provados na fé. E eu lhe pergunto você tem fé? Seja uma fé provada ou imatura, está ela tem que ser provada, pois senão continuará tendo uma fé pequena. A sua fé por não ter sido provada, ou por não ter aceitado a prova, fica uma fé pequena. 

Fé é o fundamento da esperança, é a capacidade de ver coisas que ainda não existem. Você tem essa fé e ela precisa ser provada. Uma mãe não vê o filho fora das drogas, isso é um teste, não desista dele, não desista do Senhor, não abandone a sua Igreja. 

Para se ter esperança é necessário ter fé. Você tem fé, mas precisa aceitar o teste, em vez de ficar reclamando. Deus precisa provar sua fé, pois ela é sua base e quando mais forte estiver sua base, mais você poderá construir sobre ela. Tudo que você na Canção Nova, foi por causa de uma fé provada de um homem, Monsenhor Jonas Abib. Na sua casa será a mesma coisa, na sua fé, Deus construirá coisas maravilhosas.

Só passa por prova quem está vivo e essa prova é para o teste para que você possa ver os frutos. “pois sabeis que a prova da fé produz em vós a constância. Ora, a constância deve levar a uma obra perfeita: que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.”(Tg 1,3-4) 



Sê forte e corajoso, pois farás este povo herdar a terra que jurei dar a seus pais. Sim, sê forte e muito corajoso, e cuida de agir segundo toda a lei que Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te desvies nem para a direita nem para a esquerda, a fim de que tenhas êxito por onde quer que andes. Não cesses de falar deste livro da Lei. Medita nele dia e noite, para que procures agir de acordo com tudo o que nele está escrito. Assim farás prosperar teus caminhos e serás bem sucedido. Não te ordenei que sejas forte e corajoso? Não tenhas medo, não te acovardes, pois o SENHOR, teu Deus, estará contigo por onde quer que vás”. (Js 1,6-9)

Para que temer ser um fraco na tribulação, se Deus nos dá condições para sermos fortes, o Senhor não diz que se rezarmos Ele tirará as tribulações, mas que nos dará forças para suportá-las. Não há como medir a tribulação de cada um, pois cada um sente o seu peso. Deus lhe chama a ser forte e corajoso e lhe dá dicas “Medita neste livro dia e noite” como você quer passar pelas tribulações se você não lê a Palavra de Deus?

A tribulação virá, paciência! Mas junto com ela a força de Deus, para fazer de você um super guerreiro para fazer você superar o problema.E o problema nunca aumenta, a primeira vez que você o olha, ele se aparenta enorme, mas depois de você rezar, você cresce e o problema não se aparenta mais tão grande e depois de rezar ainda mais, você crescerá mais e o conseguirá ver como pequeno.

Se sua tribulação for o seu marido, sua esposa, reze por ele/ela. Você é templo do Espírito Santo, mostre o lado da santidade, da dignidade. Existe testes e provas para todas as faixas etárias, mas o Senhor lhe diz hoje: “Coragem”.

Em Hebreus 3,12 o Senhor nos diz para sermos cuidadores uns dos outros “Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade; que ninguém se afaste do Deus vivo.” Deus vivo, é Jesus na Eucaristia. Que você não se afaste do corpo, sangue, alma e divindade e também não se afaste dos outros sacramentos, confissão.

“Antes, animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ressoar esse “hoje”, para que nenhum de vós fique endurecido pela sedução do pecado - pois tornamo-nos parceiros de Cristo, contanto que mantenhamos firme até o fim a nossa constância inicial.” (Hebreus 3,13-12) 

Procure sempre se manter na constância inicial, Deus tem planos para você, mas só saberá se manter-se constante e forte nas tribulações. 


Dunga
Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 7 de março de 2011

Oração, A Luz da Alma

A oração, o diálogo com Deus, é um bem incomparável, porque nos põe em comunhão íntima com Deus. Assim como os olhos do corpo são iluminados quando recebem a luz, a alma que se eleva para Deus é iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude exterior, mas que provém do coração e não se limita a ocasiões ou horas determinadas, prolongando-se dia e noite, sem interrupção.
Com efeito, não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas tarefas – como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou quaisquer outros serviços do próximo – é preciso conservar sempre vivos o desejo a lembrança de Deus. E assim, todas as nossas obras, temperadas com sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.
A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens, Pala oração a alma se eleva até aos céus e une-se ao Senhor num abraço inefável; como uma criança que, chorando, chama sua mãe, a alma deseja o leite divino, exprime seus próprios desejos e recebe dons superiores a tudo que é natural e visível.
A oração é venerável mensageira que nos leva à presença de Deus, alegra a alma e tranqüiliza o coração. Não penses que essa oração se reduza a palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não provêm dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o Apóstolo: Nós não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis (Rm 8, 26).
Semelhante oração, quando o Senhor a concede a alguém, é uma riqueza que não lhe pode ser tirada e um alimento celeste que sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se do desejo eterno de Deus, como que de um fogo devorador que abrasa o coração.
Praticando-a em sua pureza original, adorna tua casa de modéstia e humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça. Enfeita-se com boas obras, quais plaquetas de ouro, ornamenta-se de fé e de magnanimidade em vez de paredes e mosaicos. Com cúpulas e coroamento de todo o edifício, coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada, assim terás um esplêndido palácio real para o receber, e poderás tê-lo contigo na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo da sua presença.   
 Das Homilias do Pseudo-Crisóstomo, Séc IV

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Leigo Americano Percorre o País em Corrida Pela Oração

O leigo católico americano Jeff Grabosky iniciou uma grande aventura física e espiritual: correrá mais de cinco mil quilômetros, entre Califórnia e Nova Iorque, durante quatro meses, para promover a importância da oração. 

Grabosky, de 27 anos, assegura que rezará durante todo seu caminho pois, apesar das dificuldades que encontrou, quer usar seus talentos para servir a Deus e ajudar aqueles que lhe pediram orações.

Traction WordPress ThemeO ponto de início de sua corrida pessoal foi em Oceanside, na Califórnia, na última quinta-feira, 20. Ele tem previsto chegar à sua meta no Smith Point de Long Island, em Nova Iorque, no dia 26 de maio.
Sua missão principal é alentar a oração nos Estados Unidos e no mundo. Ele está recebendo intenções de oração e vai rezar uma dezena do terço por cada pedido enviado através da internet.

Grabosky explicou que sua fé permitiu que ele superasse épocas muito duras de sua vida. Apenas uma semana após a morte de sua mãe, devido a um câncer no ano 2006, sua esposa se separou dele.

Jeff assegura que pode superar esta experiência de abandono depois de passar dois meses vivendo na rua graças ao poder da oração. "A única constante na minha vida [a oração], pois sempre pedi a Deus por sua ajuda. As coisas estavam muito difíceis, mas eu confiava que o Senhor me tiraria de lá e que Ele tinha um plano", ressalta.

Além destas dificuldades, Grabosky enfrentou ainda um colapso pulmonar que o deixou sob cuidados intensivos, por uma semana. Longe de perder a fé em Deus, Jeff disse que ela ficou fortalecida por esta experiência.

Agora Jeff Grabosky quer inspirar outras pessoas e animá-las a buscar os seus sonhos "inclusive se, neste mundo, se pensa que pode ser impossível".

Nascido em Nova Jersey, Grabosky foi corredor desde a infância. Correu em cross country e em pista, durante sua época escolar, mas não chegou ao atletismo profissional.
Quando, no ano 2008, correu sua segunda maratona, teve pela primeira vez a ideia de percorrer os Estados Unidos correndo.

"Pensei que uma corrida por todo o país seria uma experiência impressionante e um desafio incrível, mas o coloquei em um segundo plano por um tempo, por causa de tudo o que tinha ocorrido em minha vida", explica Jeff.

"É interessante ver como Deus atua. Comecei pensando que era necessário para terminar esta corrida por mim, mas agora tenho que terminá-la por todos aqueles por quem estou orando", acrescenta.

"Cada vez que me senti perdido na vida, a oração me ajudou a encontrar meu caminho de novo", confessa o católico norte-americano. Ele recorda também que "Deus pode nos ajudar a superar algo se confiarmos nele. Às pessoas que estão em momentos difíceis eu digo que esta vida é frequentemente difícil, mas Deus tem um plano para nós e se o permitimos de coração, Ele pode e vai fazer coisas incríveis com nossas vidas. Se realmente acreditarem isso, não será difícil sorrir e olhar cada dia com uma atitude otimista".

A rota de Grabosky cruzará os estados do Arizona, Novo México, Texas, Oklahoma, Missouri, Illinois, Indiana, Ohio, West Virginia, Pennsylvania, Maryland, Virginia e Pennsylvania. Também chegará a Nova Jersey e Washington, DC.

Grabosky pediu aos que queiram apoiá-lo que enviem seus pedidos de oração e convidou todos os que o vejam no percurso a correrem ou caminharem com ele.

Fonte: ACI e jeffrunsamerica.com

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Como Vencer as Tentações da Carne?

"Eu vos exorto: deixai-vos sempre guiar pelo Espírito, e nunca satisfaçais o que deseja a vida carnal. Pois o que a carne deseja é contra o Espírito e o que o Espírito deseja é contra a carne" (Gl 5,16-17).
São Paulo, escrevendo aos gálatas fala da vida carnal, se referindo à impureza, devassidão, imoralidade sexual, libertinagem, inveja, discórdia, bebedeira, orgia, ciúme, ira e outras coisas semelhantes (cf. Gl 5, 19-21). Dando sequência aos versículos, o apóstolo dos gentios ressalta: "todos os que vivem dessa maneira não herdarão o reino de Deus."
Você já teve a horrível sensação de ser vencido(a) pelas tentações da carne? Se a resposta for "sim", não se assuste! Eu também já tive e se não me cuidar ou não me disciplinar, serei vencida sempre. O inimigo de Deus está constantemente nos rodeando, pronto a nos devorar, por isso, é preciso vigilância e muita oração.
"Se não te mortificas, nunca serás uma alma de oração. Nenhum ideal se torna realidade sem sacrifício" (São Josemaría Escrivá).
Geralmente somos tentados na nossa maior fraqueza. Qual é seu ponto fraco? Sua sexualidade, seu temperamento, a gula, a inveja, o ciúme, a discórdia? Fale agora o nome de sua fraqueza para você mesmo (a). Depois de responder, talvez sua próxima pergunta seja: "Mas o que fazer nesses momentos, nos quais me sinto impotente diante das tentações e o que fazer para vencê-las?"
Primeiro: fugir das ocasiões de queda e não procurá-las. Porque se deixarmos para fugir quando ela já está nos envolvendo, será muito difícil resistir. Além de fugir, não podemos ser ocasião de pecado para as pessoas que convivem conosco.
Segundo: Só com o espírito fortalecido será possível dominar os impulsos da carne. Venceremos e dominaremos nossa carne com a oração e a intimidade com Deus, buscando os frutos do Espírito Santo de Deus, que são: alegria, amor, paz, paciência, amabilidade, mansidão, domínio próprio, este, sobretudo, conseguimos somente com muito esforço, e fazendo mortificações, ou seja, renúncia daquilo que gostamos muito: refrigerantes, doces, entre outros.
Por que isso é importante? Porque quem não domina a boca, geralmente tem uma grande dificuldade para controlar seus impulsos sexuais. Essa frase que um dia ouvi de um padre, mestre em teologia moral, me levou a fazer uma grande reflexão. Deus fez muitas libertações na minha vida a partir do momento em que eu gravei isso na minha mente e no meu coração.
"Sem disciplina não há santidade" (monsenhor Jonas Abib). Nossa vida espiritual deve ser regrada e planejada. Por isso, não podemos deixar a oração como última tarefa do dia. Ao despertar, já precisamos consagrar ao Senhor tudo o que vamos viver no nosso dia, nossos pensamentos, nosso desejo de viver a castidade, as pessoas com quem nos relacionaremos e lembrar: precisamos fugir das ocasiões de pecado e não ser ocasião de queda para as pessoas.
Que todo o nosso dia seja uma oração traduzida em ações. Não adianta orarmos e não colocarmos em prática aquilo que Deus nos pede. É Ele quem tudo vê! Não queira provar nada para ninguém.
Mensalmente, ou quando for possível, procure ser orientado por um sacerdote ou diretor espiritual de sua confiança. Faça mortificações, as quais o ajudarão e o levarão ao amadurecimento, ao controle e ao equilíbrio afetivo-sexual.
Isso é possível e com o auxílio do Espírito Santo você poderá vencer as fraquezas da carne.
Tenho dado a Deus a vitória na minha afetividade e na minha sexualidade. Digo que é difícil, mas é possível sim.
Você quer vencer também? Comece agora com uma boa confissão, sem medo. O Senhor está com você!
Muita oração e muita disciplina!
Ana Neri-Com. Canção Nova

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Fé Faz Bem à Saúde?

A capacidade inata de procurar a explicação de um fenômeno é uma das diferenças entre o ser humano e outros animais. O homem primitivo não tinha como entender eventos mais complexos, como a erupção de um vulcão, um eclipse ou um raio. A busca de explicações sobrenaturais pode ser considerada natural. Mas por que ela desembocou na fé e no surgimento das religiões? Cientistas de diferentes áreas se debruçaram sobre a questão nos últimos anos e chegaram a conclusões surpreendentes. Não só a fé parece estar programada em nosso cérebro, como teria benefícios para a saúde.
tercoCom sua intuição genial, Charles Darwin, criador da teoria da evolução há 150 anos, já havia registrado idéia semelhante no livro A descendência do homem, em 1871: “Uma crença em agentes espirituais onipresentes parece ser universal”. “Somos predispostos biologicamente a ter crenças, entre elas a religiosa”, diz Jordan Grafman, chefe do departamento de neurociência cognitiva do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame. Grafman é o autor de uma das pesquisas mais recentes sobre o tema, publicada neste mês na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
Em seu estudo, Grafman analisou o cérebro de 40 pessoas – religiosas e não religiosas – enquanto liam frases que confirmavam ou confrontavam a crença em Deus. Usando imagens de ressonância magnética funcional – que mede a oxigenação do cérebro –, o neurocientista descobriu que as partes ativadas durante a leitura de frases relacionadas à fé eram quase as mesmas usadas para entender as emoções e as intenções de outras pessoas. Isso quer dizer, segundo Grafman, que a capacidade de crer em um ser ou ordem superior possivelmente surgiu ao mesmo tempo que a habilidade de prever o comportamento de outra pessoa – fundamental para a sobrevivência da espécie e a formação da sociedade. E para estabelecer relações de causa e efeito. A interferência de um ser muito poderoso seria uma explicação eficiente para aplacar a necessidade de entender o que não se consegue explicar com o conhecimento comum.
Mas o que levaria o ser humano, dotado de razão, a acreditar que um velhinho de barba branca, em cima de uma nuvem, atira raios sobre a Terra? Ou que 72 virgens aguardam os fiéis no Paraíso? “Tendemos a atribuir características humanas às coisas, inclusive ao ser divino”, diz Andrew Newberg, neurocientista da Universidade da Pensilvânia , autor de outro importante estudo sobre o poder da meditação e da oração. “A crença religiosa surgiu como um efeito colateral da maneira como nossa mente é organizada, da maneira como ela funciona naturalmente”, diz Justin Barrett, antropólogo e professor da Universidade de Oxford.
Para Barrett, autor do livro Why would anyone believe in God? (“Por que alguém acreditaria em Deus?”), há evidências de que os sistemas religiosos ajudam a manter comunidades unidas – a dividir, a confiar, a construir redes sociais mais fortes. Barrett afirma que a mente das crianças é um exemplo de como a fé se manifesta precocemente. Em uma das experiências, pesquisadores mostraram uma caixa de biscoitos às crianças e perguntaram a elas o que havia dentro. Como não são bobas, as crianças responderam: “Biscoitos”. Ao abrir a caixa, o que encontravam eram pedras. Então, os cientistas perguntaram às mesmas crianças o que suas mães achariam que havia dentro da lata e o que Deus diria se visse a lata. As crianças de 3 anos disseram que as mães, assim como Deus, diriam que havia pedras. A partir dos 5 anos, elas responderam que a mãe diria “biscoitos”, mas que Deus responderia “pedras”.
Já se chegou a pensar que uma espécie de curto-circuito na parte lateral do cérebro pudesse gerar casos de religiosidade extrema. Ficou famosa uma experiência do neurocientista americano Michael Persinger, batizada “O Capacete de Deus”: um capacete que estimulava eletricamente o cérebro do usuário. Segundo Persinger, oito em cada dez pessoas, qualquer que fosse a confissão religiosa, diziam experimentar um “sentimento religioso” ao vestir o aparato. Mas a maioria dos estudos científicos recentes – sejam eles baseados em imagens do cérebro ou no comportamento humano – afastou a hipótese de que a experiência religiosa seja o mero efeito de estímulos eletromagnéticos em uma parte específica do cérebro. O biólogo evolucionista pop e “ateu militante” Richard Dawkins chegou a usar o capacete para um documentário da BBC britânica. Não conseguiu “encontrar Deus” – só desconforto para respirar e mexer-se. Hoje, Persinger se defende das críticas a seu estudo. “A ‘estimulação religiosa’ reduz a ansiedade e pode ser útil para melhorar a cooperação social”, disse.
Newberg, que estuda as manifestações cerebrais da fé há pelo menos 15 anos, descobriu que as práticas religiosas acionam, entre outras regiões do cérebro, os lobos frontais, responsáveis pela capacidade de concentração, e os parietais, que nos dão a consciência de nós mesmos e do mundo. Em seu novo livro, How God changes the brain (“Como Deus muda seu cérebro”), que será lançado nesta semana nos Estados Unidos, Newberg explora os efeitos da fé sobre o cérebro e a vida das pessoas. Segundo o neurocientista, os estudos anteriores olhavam para os efeitos de curto prazo de práticas como a meditação e a oração. Agora, ele e seu grupo encararam a difícil tarefa de responder à questão: o que acontecerá se você adotar, com frequência, uma prática como a meditação ou a prece?
Andrew Newberg – “O cérebro dos ateus é diferente”
O neurocientista fala sobre seu livro Como Deus muda seu cérebro
ÉPOCA – Como Deus pode mudar a estrutura cerebral das pessoas?
Andrew Newberg –
 Os nossos estudos usando imagens do cérebro mostram que, no longo prazo, há alterações no lobo frontal (relacionado à memória e à regulação das emoções) e no sistema límbico (ligado às emoções). As pessoas tendem a conseguir controlar mais suas emoções e expressá-las. A meditação e a oração ajudam a melhorar a relação consigo mesmo e com os outros. Também especulamos que essas práticas alteram, inclusive, a química cerebral, como os níveis de serotonina e dopamina, que regulam nosso humor, nossa memória e o funcionamento geral de nosso corpo, mas ainda não temos provas disso.
ÉPOCA – Em seu livro, o senhor fala bastante da meditação, uma prática tradicionalmente ligada às religiões orientais. Existe alguma diferença entre, por exemplo, o catolicismo e o budismo?
Newberg – 
Não olhamos exatamente para as diferenças entre as religiões, mas para as diferentes práticas. A forma como você pratica a religião é mais importante que as ideias religiosas em si.
ÉPOCA – Há um consenso entre os cientistas de que a fé pode ajudar na manutenção da saúde?
Newberg – 
Muitos cientistas acreditam que a espiritualidade tem um papel na saúde. A pergunta é quem vai administrar isso e como os profissionais de saúde vão lidar com a espiritualidade de uma maneira apropriada e benéfica. Essas questões ainda não foram respondidas.
ÉPOCA – Há alguma diferença neurológica entre aqueles que creem e os que não creem em Deus?
Newberg – 
Encontramos algumas diferenças, sim, e também notamos diferenças dependendo do tipo de prática religiosa. O problema é que nunca sabemos se aquelas mudanças estão lá porque a pessoa é religiosa há muito tempo ou se ela nasceu daquela maneira e, por causa disso, procurou um tipo de religião ou meditação.
Letícia Sorg
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI64864-15224,00-A+FE+QUE+FAZ+BEM+A+SAUDE.html