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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O Que São as Novas Comunidades?

No decurso dos séculos, o Espírito sempre suscitou na Igreja realidades novas que servem como uma resposta aos desafios da Igreja no seu tempo. Podemos ver isso desde o surgimento das comunidades cristãs já relatadas no Livro dos Atos dos Apóstolos, mas também no monaquismo nos séculos III e IV, bem como no movimento mendicante no século XIII, nas congregações missionárias nos séculos XV e XVI, nas congregações voltadas para a caridade nos séculos XVII e XVIII e nos institutos seculares nos século XIX e XX.  
Na modernidade, os ares do Concílio Vaticano II (1962-1965) favoreceram o surgimento de“novas formas de vida evangélica”, dentre elas, os Movimentos Eclesiais e asComunidades Novas ou podemos chamar deNovas Comunidades.
As Novas Comunidades começaram a surgir na década de 1970 na França e nos EUA, tornando-se um fenômeno mundial. No Brasil, as primeiras Comunidades Novas surgem na década de 80 e, na década de 90, vê-se o surgimento de inúmeras Novas Comunidades que hoje no Brasil superam o número de 500.
O Concílio pedia uma Igreja inserida no mundo, capaz de atraí-lo para Cristo e de dar respostas aos desafios de seu tempo. O Papa João Paulo II, na memorável Vigília de Pentecostes de 1998, chamou os Movimentos Eclesiais e as Novas Comunidades de “providencial resposta do Espírito”. Isso porque, através das Novas Comunidadese Movimentos Eclesiais, leigos que se consagram a Deus a partir de um carisma e, sob o dom e a radicalidade desse carisma, vivem o seu Batismo de forma autêntica num mundo dilacerado pelo secularismo.

São observadas nas Comunidades Novas duas originalidades eclesiais:

– A primeira consiste freqüentemente no fato de se tratar de grupos compostos por homens e mulheres, por clérigos e leigos, por casados, celibatários e solteiros que vivem em comunidade, seguem um estilo particular de vida sob a graça e espiritualidade de um carisma particular.
– Outra originalidade é a consagração de leigos, inclusive casais, no serviço do Reino. Embora isso não seja exatamente novo na Igreja – vejam-se as ordens terceiras, os oblatos beneditinos – mas a consciência de uma consagração de vida, que inclua pessoas casadas, que inclusive fazem vínculos (promessas, compromissos etc.) de obediência, pobreza e castidade, é, sim, uma originalidade na Igreja.
Assim, as Comunidades Novas são uma novidade do Espírito na Igreja de Jesus Cristo e que por ela têm sido acolhidas, através de seu Magistério, como uma esperança para a Igreja³.
O Documento de Aparecida dedica um sub-capítulo aos Movimentos Eclesiais e Comunidades Novas, que começa dizendo: “Os novos movimentos e comunidades são um dom do Espírito Santo para a Igreja. Neles, os fiéis encontram a possibilidade de se formar na fé cristã, crescer e se comprometer apostolicamente até ser verdadeiros discípulos missionários.”

As Novas Comunidades, quase sempre surgidas da Renovação Carismática Católica, trazem em si algumas características:

– Carisma próprio bem definido;
– Amor e reverência filial à Igreja através da obediência ao Papa e Bispos e da fidelidade à doutrina católica;
– Forte missionaridade sob o impulso da nova evangelização;
– Vivência comunitária sob duas formas: comunidade de aliança e comunidade de vida;
– Chamado específico de pobreza e abandono na Providência Divina;
– Governo comum e organizado, vivido sob a graça da obediência;
– Presença de todos os estados e realidades de vida: homens e mulheres, clérigos e leigos, casados, celibatários e solteiros;
– Intenso apelo à vivência moral segundo o Magistério da Igreja, inclusive confirmado por vínculo de castidade segundo o estado de vida;
– Vida de oração intensa, tanto pessoal como comunitária.
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Notas
1. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Vita Consecrata (1996), n. 62.
2. Exceção se faz à Comunidade Canção Nova, que começou em 1978.
3. Nas mensagens do Papa Bento XVI e nos pronunciamentos do Cardeal Stanislaw Rylko, Prefeito do Pontifício Conselho Para os Leigos, nos encontros da Catholic Fraternity, as Comunidades Novas têm sido chamadas de “Esperança da Igreja”.
4. Documento de Aparecida (2007), n. 311
Fonte: Comunidade Pantokrator

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Papa nas Filipinas: Que a família nunca perca a capacidade de sonhar!

Que a família nunca perca a capacidade de sonhar. Esta foi uma das mensagens deixadas pelo Papa Francisco às famílias das Filipinas no encontro que teve com elas nesta sexta-feira, 16, em sua visita ao país. Falando várias vezes de improviso, em espanhol, Francisco também destacou a necessidade da família permanecer em Deus e rezar sempre unida.
O discurso do Papa se concentrou na figura de São José, que muitas vezes aparece nas escrituras repousando enquanto lhe é revelada em sonho a vontade de Deus. Francisco disse que não é possível uma família que não sonhe pois, sem essa capacidade, os filhos não crescem e o amor se perde.
“Por isso, recomendo a vocês que à noite, quando fizerem o exame de consciência, se coloquem essa pergunta: hoje sonhei com o futuro dos meus filhos? Sonhei com o amor do meu esposo, da minha esposa, sonhei com meus pais e avós que fizeram a história também? É tão importante sonhar. Primeiro de tudo sonhar em uma família. Não percam essa capacidade de sonhar”.
Francisco cumprimenta família que deu testemunho no encontro ; Foto: Reprodução CTV
Francisco cumprimenta família que deu testemunho no encontro / Foto: Reprodução CTV
O Santo Padre observou que Deus também fala com o homem nos momentos de repouso, quando ele coloca de lado seus deveres e atividades diárias. A partir disso, o Papa pediu que as famílias considerem três aspectos, em especial: repousar no Senhor, levantar-se com Jesus e Maria e ser voz profética.
“O repouso é essencial também para a nossa saúde espiritual, para podermos ouvir a voz de Deus e compreender aquilo que nos pede”. E para que cada cristão possa providenciar uma casa para Jesus, a exemplo da Sagrada Família, é preciso repousar em Deus, encontrar tempo para rezar, mesmo diante dos afazeres da vida cotidiana.
“Se não rezarmos, nunca conheceremos a coisa mais importante de todas: a vontade de Deus a nosso respeito. Além disso, durante toda a nossa atividade, na multiplicidade das nossas ocupações, conseguiremos verdadeiramente pouco sem a oração”.
Levantar e agir
Famílias rezam com o Papa em encontro nas Filipinas / Foto: Reprodução CTV
Famílias rezam com o Papa em encontro nas Filipinas / Foto: Reprodução CTV
Embora necessários, tais momentos de repouso não podem se prolongar por muito tempo, ressaltou o Papa. A exemplo de São José, após ouvir a voz de Deus, é preciso despertar e agir.
“A fé não nos tira do mundo, mas insere-nos mais profundamente nele. Na realidade, a cada um de nós cabe um papel especial na preparação da vinda do Reino de Deus ao nosso mundo. (…) Deus chama-nos a reconhecer os perigos que ameaçam as nossas próprias famílias e a protegê-las do mal.
Francisco mencionou ainda as várias pressões que a vida a família sofre hoje. “A família está ameaçada também pelos crescentes esforços de alguns em redefinir a própria instituição do matrimônio mediante o relativismo, a cultura do efêmero, a falta de abertura à vida”.
Nesse ponto, o Pontífice recordou o beato Paulo VI, que teve a coragem de de defender a abertura à vida na família. “Paulo VI era valente, era um bom pastor e alertou suas ovelhas sobre os lobos que as rondava. Que ele nos abençoe nesta tarde”. E acrescentou: “Toda a ameaça à família é uma ameaça à própria sociedade”.
Fonte: cancaonova.com

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Papa Exorta Sobre os Santos escondidos no Dia a Dia


Na Missa desta quinta-feira, 4, o Papa Francisco concentrou sua homilia nos “santos do dia a dia”. Ele recordou que há tantos santos escondidos, homens, mulheres, pais e mães de família, doentes, padres que colocam em prática todos os dias o amor de Jesus e isso dá esperança.


É verdadeiramente cristão quem coloca em prática a Palavra de Deus, não basta ter fé. Comentando o Evangelho que fala da casa construída sobre a rocha ou a areia, o Papa convidou a não ser “cristãos de aparência”, cristãos maquiados, porque com um pouco de chuva a maquiagem vai embora.

Francisco enfatizou que não basta pertencer a uma família muito católica, a uma associação ou ser um benfeitor se não se segue a vontade de Deus. Os cristãos de aparência construíram sua casa sobre a areia. Por outro lado, o Papa observou que há muitos santos no povo de Deus, não necessariamente canonizados, mas homens e mulheres que colocam em prática o amor de Jesus. Esses sim construíram a casa sobre a rocha que é Cristo.

“Pensemos nos menores, né? Nos doentes que oferecem os seus sofrimentos pela Igreja, pelos outros. Pensemos em tantos idosos sozinhos, que rezam e oferecem. Pensemos em tantas mães e pais que levam adiante com tanto cansaço sua família, a educação dos filhos, o trabalho cotidiano, os problemas, mas sempre com a esperança em Jesus. Não se vangloriam, mas fazem aquilo que podem”.

Francisco explicou que essas pessoas são os santos do cotidiano. Ele mencionou também o exemplo dos padres que não se fazem ver, mas trabalham em suas paróquias com amor. Eles não se aborrecem, não ficam entediados porque no seu fundamento está a rocha, que é Jesus.

É preciso pensar, disse o Papa, na santidade escondida que está presente na Igreja. Cristãos que pecam, mas se arrependem e pedem perdão. Já os soberbos, os vaidosos, os cristãos de aparência serão abatidos, humilhados, enquanto os humildes levam adiante a salvação colocando em prática a Palavra de Deus.

“Neste tempo de preparação ao Natal, peçamos ao Senhor para sermos fundados firmes na rocha que é Ele, a nossa esperança está Nele. Nós somos todos pecadores, somos frágeis, mas se colocamos a esperança Nele poderemos seguir adiante. E esta é a alegria de um cristão: saber que Nele há esperança, há o perdão, há a paz, há a alegria. E não colocar a nossa esperança em coisas que hoje são e amanhã não serão”.

Rádio Vaticano

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Que é Coroa do Advento?

A coroa ou a grinalda do Advento é o primeiro anúncio do Natal
Deus se faz presente na vida de todo ser humano e de todas as formas deixa-nos sentir Seu amor e desejo de nos salvar. A palavra ADVENTO é de origem latina e quer dizer CHEGADA. É o tempo em que os cristãos se preparam para a vinda de Jesus Cristo. O tempo do Advento abrange quatro semanas antes do Natal.
Atualmente há uma grande preocupação em reavivar este costume muito significativo e de grande ajuda para vivermos este tempo. A coroa ou a grinalda do Advento é o primeiro anúncio do Natal. É um círculo de folhagens verdes, sua forma simboliza a eternidade e sua cor representa a esperança e a vida. Vem entrelaçado por uma fita vermelha, símbolo tanto do amor de Deus por nós como também de nosso amor que aguarda com ansiedade o nascimento do Filho de Deus.
No centro do círculo se colocam as quatro velas para se acender uma a cada domingo do Advento. A luz das velas simboliza a nossa fé e nos leva à oração, e simbolizam as quatro manifestações de Cristo:
1° Encarnação, Jesus Histórico;
2° Jesus nos pobres e necessitados;
3° Jesus nos Sacramentos;
4° Parusia: Segunda vinda de Jesus.
No Natal se pode adicionar uma quinta vela branca, até o término do tempo natalino e, se quisermos, podemos pôr a imagem do Menino Jesus junto à coroa: temos que nos atentar, porém, que o Natal é mais importante do que a espera do Advento.
Essa coroa é originária dos países nórdicos (países escandinavos, Alemanha), a qual contém raízes simbólicas universais: a luz como salvação, o verde como vida e o formato redondo como eternidade.
Simbolismos estes que se tornaram muito adequados ao mistério natalino cristão, e que por isso, adentraram facilmente nos países sulinos. Visto que se converteram rapidamente em mais um elemento de pedagogia cristã para expressarmos a espera de Jesus como Luz e Vida, em conjunto com outros símbolos, certamente mais importantes, como são as leituras bíblicas, os textos de oração e o repertório de cantos.
O comércio e o sistema deste mundo fazem questão de esquecer o verdadeiro sentido do Natal e nós podemos cair nessa, mas é possível dar presente e celebrar o verdadeiro sentido: O Menino Jesus é o nosso grande presente!
Sugestão: você pode fazer uma coroa do Advento em sua casa e celebrar com sua família à luz da nossa fé a chegada de Jesus Cristo nosso Salvador. E a cada domingo ir acendendo as velas, convidando seus familiares para rezar.
Oração: Senhor Jesus, celebrar o teu Natal é fazer da minha vida, da minha casa, um lugar de eternidade e salvação. Que a Tua luz brilhe em cada coração. Acendendo cada vela desta coroa do Advento queremos acender a esperança, o amor, a fraternidade e a Salvação que é o grande presente que queremos dar a todos que amamos por intermédio do Menino Jesus, que vai nascer em nossa família.
Como você se prepara para celebrar esta grande festa do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo? Clique em comentários e diga como você vive este tempo litúrgico? Natal feliz é Natal com Cristo!
Pe Luizinho, Canção Nova

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mensagem do Papa Francisco Para a Copa do Mundo 2014

Cardeal Martino é o Novo Protodiácono

Uma das funções do protodiácono é anunciar ao mundo a eleição do novo Pontífice, proferindo a conhecida expressão ‘Habemus Papam’
Cardeal Martino é o novo protodiácono da IgrejaCom o anúncio feito esta quinta-feira, 12, pelo Papa, de que o cardeal francês Jean Louis Tauran passou para a ordem dos cardeais-presbíteros, o novo cardeal protodiácono é o italiano Cardeal Renato Raffaele Martino, 81 anos.
Uma das funções do protodiácono é anunciar ao mundo a eleição do novo Pontífice, proferindo a conhecida expressão ‘Habemus Papam’.
Existem três ordens de cardeais: os cardeais-bispos, cardeais-presbíteros e cardeais-diáconos. Os cardeais-bispos são titulares das seis igrejas suburbicárias de Roma (Albano, Frascati, Palestrina, Porto-Santa Rufina, Sabina-Poggio Mirteto e Velletri-Segni). São eles a eleger o decano do Colégio Cardinalício, cujo nome deve ser aprovado pelo Papa.
Os patriarcas de rito oriental membros do Colégio Cardinalício fazem também parte da ordem dos cardeais-bispos, sem que, contudo, lhes seja atribuída uma igreja suburbicária.
A maioria dos cardeais pertence à ordem dos cardeais-presbíteros, e a cada um é confiado um título na Diocese de Roma. A cada cardeal-diácono é confiada uma diaconia na mesma cidade.
Além do Cardeal Tauran, passaram para a ordem dos presbíteros os Cardeais Herranz, Barrajan, Nicora, Cottier e Marchisano.
Fonte: Rádio Vaticano e TVCN

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Papa à RCC: "Voltem ao Primeiro Amor!"



 Uma multidão em festa acolheu na tarde deste domingo o Papa Francisco no Estádio Olímpico de Roma, para celebrar os 37 anos da Renovação Carismática italiana.

O Presidente do Movimento, Salvatore Martinez, deu as boas-vindas ao Pontífice, afirmando que o Olímpico hoje não é palco de um jogo de futebol, com os times da Roma, da Lácio ou do São Lourenço (da Argentina). Mas há sempre uma equipe, a dos discípulos de Jesus, cujo técnico é o Espírito Santo e o capitão é o Papa Francisco. "A estratégia de jogo é maravilhosa. Colocando em campo a fé, a vitória de Jesus está garantida", disse ele.

O Santo Padre, De joelhos, recebeu a oração de todos presentes que rezavam em línguas, conforme o Carisma próprio, e em seus idiomas de origem.



Tomaram a palavra representantes dos sacerdotes, dos jovens, da família e dos enfermos, que deixaram seu testemunho, intercalados por palavras do Santo Padre, que porém fez notar aos organizadores que faltava um representante dos avós.

“Aos sacerdotes, me vem uma única palavra: proximidade. Proximidade a Jesus Cristo, na oração. Próximos ao Senhor. E proximidade às pessoas, ao povo de Deus que lhes é confiado. Amem sua gente”, disse Francisco.

Aos jovens, suas palavras foram: “Seria triste um jovem que protege sua juventude num cofre. Assim, esta juventude se torna velha, no pior sentido da palavra. Torna-se pano velho. Não serve para nada. A juventude serve para arriscar: arriscar bem, com esperança. Apostá-la em coisas grandes. Deve ser doada para que outros conheçam o Senhor. Não a poupem para vocês, avante!"

Para as famílias presentes, o Pontífice recordou que são a Igreja doméstica, onde Jesus cresce, cresce no amor dos cônjuges, na vida dos filhos. Por isso o inimigo a ataca tanto: o demônio não a quer! E tenta destrui-la. “O Senhor abençoe a família e a fortifique nesta crise na qual o diabo quer destrui-la.”

Em seu pronunciamento, Francisco definiu a Renovação Carismática “uma corrente de graça na Igreja e para a Igreja”. Como em uma orquestra, nenhum movimento pode pensar em ser mais importante ou maior que o outro. “Quando isso acontece, a peste tem início. Ninguém pode dizer: eu sou o chefe. Como toda a Igreja, há um só chefe, um único Senhor: Jesus.”
Como na entrevista que concedeu voltando do Brasil, Francisco repetiu que não amava muitos os “carismáticos”, mas depois se tornou o assistente espiritual da Renovação Carismática, nomeado pela Conferência Episcopal Argentina. "Trata-se de uma força", afirmou o Papa, pedindo que renovem o amor pela palavra, carregando no bolso o Evangelho.

E advertiu: “Cuidado para não perder a liberdade que o Espírito Santo nos doou. O perigo para a Renovação é a da excessiva organização. Sim, ela é necessária. Mas não percam a graça de deixar Deus ser Deus. Não há graça maior que deixar-se guiar pelo Espírito Santo”.

O Pontífice identificou ainda outro perigo, que é se tornar controlador da graça de Deus. “Muitas vezes, os responsáveis (gosto mais da denominação 'servidores') por alguma comunidade se tornam, sem querer, administradores da graça, decidindo quem pode recebê-la. Vocês são dispensadores, não controladores. Não sejam a alfândega ao Espírito Santo”. E indicou três obras como guias seguros para não errar o caminho, sendo uma delas "Renovação Carismática e serviço ao homem", escrita pelo Card. Suenens e por Dom Hélder Câmara. "Este é o percurso, sintetizou: evangelização, ecumenismo espiritual, cuidado pelos pobres e necessitados e acolhida dos maginalizados. E tudo isto baseado na adoração!"


"Voltem ao Primeiro Amor!"Acrescentou o Santo Padre.

Por fim, Francisco disse o que espera da Renovação. Em primeiro lugar, a conversão ao amor de Jesus. “Espero de vocês uma evangelização com a Palavra de Deus que anuncia que Jesus está vivo e ama todos os homens.” Em segundo lugar, dar testemunho de ecumenismo espiritual, de permanecer unidos no amor que Jesus pede a todos os homens. A seguir, a aproximação aos pobres e aos necessitados, para tocar em sua carne a carne ferida de Jesus. “Aproximem-se, por favor.”

O Pontífice concluiu com um apelo: “Busquem a unidade da Renovação, porque a unidade vem do Espírito Santo. A divisão vem do demônio. Fujam das lutas internas, por favor.”

Fonte: Rádio Vaticana e TV Aparecida

quarta-feira, 12 de março de 2014

Influente Pastor Evangélico Sueco Converte-se ao Catolicismo

Um influente pastor protestante na Suécia anunciou no domingo que se vai converter ao Catolicismo, juntamente com a sua mulher.
http://blog.comshalom.org/carmadelio/wp-content/uploads/sites/2/2014/03/ht_30_03_ue.jpg
Ulf Ekman fundou e liderou, durante mais de 30 anos, uma igreja de grandes dimensões na Suécia. Ao longo desse tempo enviou missionários para dezenas de países, fundou a maior escola bíblica e construiu a maior igreja da Escandinávia, fundou um programa de media com estações de televisão nos cinco continentes e publicou livros em mais de 60 línguas.

A sua Igreja, Palavra da Vida, tem mais de 3000 membros permanentes, uma escola com mais de mil alunos e pelo menos 12 pastores ao serviço.

Ekman, que era conhecido também como “pastor de pastores”, pela influência que tinha sobre ministros protestantes, chocou grande parte dos seus seguidores durante uma homilia no passado domingo, ao anunciar que depois de longa reflexão tinha decidido entrar para a Igreja Católica.

Num comunicado publicado no site do seu ministério, Ekman escreve que nos seus contactos com a Igreja Católica: “Encontrámos um grande amor por Jesus e uma teologia sã, fundada na Bíblia em dogma clássico. Experienciámos a riqueza da vida sacramental. Vimos a lógica de ter uma estrutura sólida de sacerdócio, que mantém a fé da Igreja e a passa de uma geração para a seguinte. Encontrámos uma força moral e ética consistente que que se atreve a enfrentar a opinião pública, e uma simpatia para com os pobres e fracos.”

Ekman conclui dizendo que um dos passos decisivos foi ter entrado em contacto com representante de movimentos carismáticos católicos, grupos que no seu estilo de celebração estão próximos dos protestantes, mas que se encontram em comunhão com Roma.

O casal deixa claro que a decisão diz respeito unicamente a eles e que "nem faria sentido" terem tentado fazer uma integração de toda a "Palavra de Vida" na Igreja Católica.

A entrada de Ekman para a Igreja Católica é um facto muito significativo num país muito descristianizado. Embora a maioria dos suecos pertença, nominalmente, à Igreja da Suécia, que é de tradição luterana, sondagens revelam que apenas 18% da população acredita em Deus de uma forma compatível com o Cristianismo. Apenas 2% da população é católica. 
Fonte: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=141573

quinta-feira, 6 de março de 2014

História da Quaresma

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZsJGJgGBH76r-O83R24EWaMQnXoHISoowPvJCSVhN5SVMssKgwKwqhakCSNUs9huxOdb6HWpMvpfqgkfXwSx1vJft1skJeMz2GEjsYYETIAWELh4SVy_8jWMdhIOdVr4r6UAyDFgvX2h5/s1600/Quarta_Feira_de_Cinzas_01.jpgPode-se entender melhor o significado da Quaresma, decidida pelo Vaticano II,conhecendo a história deste tempo litúrgico.A celebração da Páscoa, nos três primeiros séculos da Igreja, não tinha um período de preparação. Limitava-se a um jejum realizado nos dois dias anteriores. A comunidade cristã vivia tão intensamente o empenho cristão, até o testemunho do martírio , que não sentia a necessidade de um período de tempo para renovar a conversão já acontecida com o batismo.

Ela prolongava, porém, a alegria da celebração pascal por cinqüenta dias (Pentecostes). Após a Paz de Constantino, quando a tensão diminuiu no empenho da vida cristã, começou-se a perceber a necessidade de um período de tempo para admoestar os fiéis sobre uma maior coerência com o batismo.Nascem assim as prescrições sobre um período de preparação à Páscoa.

No Oriente, encontramos os primeiros sinais de um período pré-pascal, como preparação espiritual à celebração do grande mistério, no princípio do século IV. Santo Atanásio nas "Cartas pascais" (entre os anos 330 e 347), São Cirilo de Jerusalém nas Protocatequeses e nas Catequeses mistagógicas (347), fala desse período como realidade conhecida. Eusébio (+340) em De solemnitate paschali fala do "quadragesimo exercitium......santos Moyses e Eliam imitantes" (Cf. PG 24,697).

No Ocidente, temos testemunhos diretos somente no fim do século IV. Falam desse período Etéria (385) em seu Itinerarium (27,1) pela Espanha e Aquitânia; Santo Agostinho para a África; Santo Ambrosio (+ 396) para Milão. Não sabemos com certeza onde, por meio de quem e como surgiu a Quaresma, sobretudo em Roma; apenas sabemos que ela foi se formando progressivamente. Ela tem uma pré-história , ligada a uma praxe penitencial preparatória à Páscoa, que começou a firmar-se desde a metade do século II. Até o século IV, a única semana de jejum era aquela que precedia a Páscoa . Na metade do século IV, já vemos acrescentadas a esta semana outras três, compreendendo assim quatro semanas.A partir do fim do século IV, a estrutura da Quaresma é aquela dos "quarentas dias", considerados à luz do simbolismo bíblico, que dá a este tempo um valor salvífico-redentor, cujo sinal é a denominação "sacramentum".

Celebrar a Quaresma é portanto, reconhecer a presença de Deus na caminhada, no trabalho, na luta, no sofrimento e na dor da vida do povo.Como o povo de Israel, que andou 40 anos no deserto antes de chegar à terra prometida, terra da promessa onde corre leite e mel. Como Jesus, que passou quarenta dias de retiro no deserto antes de anunciar a vinda do Reino.Que subiu a Jerusalém para cumprir a missão que o Pai lhe confiou: dar a sua vida e ser glorificado.A Quaresma, e isso é bem evidenciado na sua história, é um tempo forte de conversão e de mudança interior, tempo de deixar tudo o que é velho em nós, tempo de assumir tudo o que traz vida para a gente.Tempo de graça e salvação, em que nos preparamos para viver, de maneira intensa, livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico, da história da salvação, a Páscoa, aliança definitiva, vitória sobre o pecado, a escravidão e a morte. A espiritualidade da quaresma é caracterizada também por uma atenta, profunda e prolongada escuta da Palavra de Deus. É esta Palavra que ilumina a vida e chama à conversão, infundindo confiança na misericórdia de Deus.O confronto com o Evangelho ajuda a perceber o mal, o pecado, na perspectiva da Aliança, isto é, a misteriosa relação nupcial de amor entre deus e o seu povo. Motiva para atitudes de partilha do amor misericordioso e da alegria do Pai com os irmãos que voltam convertidos. Fazer da Quaresma um tempo favorável de avaliação de nossas opções de vida e linha de trabalho, para corrigir os erros e aprofundar a vivencia da fé, abrindo-nos a Deus, aos outros e realizando ações concretas de fraternidade, de solidariedade.

Pe. Gian Luigi Morgano
 
OBS: Não só os católicos possuem a organização do tempo de quaresma. As igrejas orientais e outras igrejas cristãs têm na quaresma um tempo muito rico de evangelização, de celebrações e de cultivo da espiritualidade pascal, nascida vida peregrina de Jesus Cristo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Novos Cardeais Foram Nomeados.Como acontece a Cerimônia do Consistório?



A cor vermelha é o símbolo que distingue os cardeais. Nas suas vestes diárias podem usar batina preta com os detalhes em vermelho, além do solidéu e a cruz peitoral que igualmente possuem detalhes em vermelho. Essa cor lembra o sangue de Cristo derramado por nós, sua Igreja, e significa para os cardeais a disposição de testemunhar a fé fielmente até o martírio, se for necessário.
Além da cor vermelha, três símbolos acontecem nos consistórios que distinguem os cardeais, são eles: A entrega do Barrete vermelho, do anel cardinalício e da bula de nomeação, que atribui a cada cardeal um título ou diaconia de uma Igreja de Roma.
No rito do consistório, depois da homília do Santo Padre, ocorre a profissão de fé dos novos cardeais, retirada do credo niceno-constantinopolitano, manifestando a unicidade da fé da Igreja. Depois acontece o juramento de obediência de cada cardeal à Igreja Católica na pessoa do Papa e de seus sucessores. Bento XVI comentou em sua homília do consistório de novembro de 2012 que são palavras “carregadas de profundo significado espiritual e eclesial”: «Prometo e juro permanecer, a partir de agora e para sempre enquanto tiver vida, fiel a Cristo e ao seu Evangelho, constantemente obediente à Santa Apostólica Igreja Romana».
O Santo Padre, então, passa ao momento da entrega do Barrete, do anel cardinalício e da bula de nomeação. Todos esses símbolos exprimem de maneira muito clara a especial união dos cardeais com o Bispo de Roma e a sua missão de colaborar mais estreitamente com o Santo Padre no governo da Igreja.

O Barrete vermelho é entregue pelo Santo Padre e é sinal da dignidade do Cardinalato. É neste momento que o Papa recorda ao cardeal que o barrete significa a disponibilidade de comprometer-se com força, até a efusão do sangue, pelo desenvolvimento da fé cristã, pela paz e tranquilidade do povo de Deus e pela liberdade e difusão da Santa Igreja Romana.
O anel sempre foi símbolo de uma união mais estreita, de uma aliança entre duas partes, como a aliança dos noivos representa a sua união, seu compromisso mútuo até que a morte os separe. O anel cardinalício é expressão de uma união mais forte entre o cardeal e a Igreja. Ele recebe o anel enquanto escuta do Papa essas palavras: “Recebe o anel das mãos de Pedro e sabei que, com o amor do Príncipe dos Apóstolos, se reforça o teu amor para com a Igreja”.
O terceiro símbolo, a entrega da bula de nomeação, reforça ainda mais a estreita união que possuem os cardeais e o Papa. Bento XVI na homília do último consistório lembra aos cardeais que “através da vossa colaboração com os Dicastérios da Cúria Romana, sereis meus preciosos cooperadores antes de tudo no ministério apostólico a favor da catolicidade inteira.”

As vestes dos cardeais, com sua característica cor vermelha, e os símbolos que os distinguem, são para nós, povo de Deus, testemunho de que existem hoje pessoas chamadas pelo Senhor que se comprometem inteiramente em guiar-nos pelos caminhos do Plano de Deus. Agradeçamos ao nosso Pai celestial por essas pessoas e rezemos por sua fidelidade na missão tão importante que lhes foi concedida.

Fonte:http://www.a12.com

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Que é o Combate Espiritual?

São Paulo compara o cristão com um soldado
 
 O ministério de libertação é uma força de apoio ao combate espiritual a que todo cristão é chamado a viver. Precisamos conhecer esse combate na vida e nas palavras de Jesus.
 
O Mestre sofreu tentações antes de começar Sua vida pública: cobiça, vaidade e orgulho! Venceu esses males e nos ensinou a pedir: Pai, não nos deixeis cair em tentação, MAS LIVRAI-NOS DO MAL. O Pai-Nosso é a principal oração de libertação. O Apóstolo Paulo falou muito de Combate Espiritual. O texto mais eloquente sobre esse tema está em Efésios 6,10-17: armadura do cristão. Cada versículo desse texto deve ser meditado com muita atenção.
 
A armadura de Deus é Jesus. Precisamos nos revestir de Cristo para estar a salvo dos ataques do inimigo. Isso significa permitir que o “homem novo” vá crescendo em nós, até o ponto de podermos dizer: já não sou eu que vivo, Cristo vive em mim.
 
Estar revestido de Cristo significa sentir como Ele sentia, fazer o que Ele fazia, falar como Ele falava, agir como Ele agia. É colocar a vontade amorosa de Deus como princípio e centro da nossa vida.
 
A Eucaristia é a expressão maior desse revestir-se de Cristo. É o melhor refúgio. Precisamos estar conscientes de que o inimigo de Deus existe e age. A Igreja afirma claramente que o demônio existe. Mas não é tão poderoso assim… é criatura, age só com a permissão de Deus.
 
É interessante conhecer as estratégias do maligno para que possamos resistir “no dia mau”, ou seja, na “hora H”. Santo Inácio de Loyola, com suas “regras de discernimento” nos ensina com sabedoria a perceber a voz do Espírito Santo, distinguindo-a da sedutora cantinela do inimigo.
 
Ao final do seu texto São Paulo compara o cristão com um soldado pronto para a guerra:
 
· o cinturão da verdade: Lembre-se de que o inimigo é o pai da mentira. É o príncipe das trevas. Portanto, não resiste à luz e à verdade. O Sacramento da Confissão é uma luz de verdade que deve ser utilizado como estratégia contra ele.
 
· a couraça da justiça: bastaria lembrar a Campanha da Fraternidade destes dois últimos anos. Justiça e Paz se abraçarão.
 
· calçado da prontidão para anunciar o Evangelho da Paz: a Nova Evangelização é uma estratégia de libertação. Quando nos fechamos em nós mesmos estamos à mercê dos ataques… mas quando nos colocamos a caminho…
 
· o capacete da salvação: na cabeça, um critério muito seguro que distingue as verdadeiras das falsas doutrinas: Jesus é o Salvador.
 
· a Espada do Espírito: é a Palavra de Deus, nosso instrumento de libertação.
 
QUESTÕES PARA REFLEXÃO PESSOAL
 
1. Conheço algo do Combate Espiritual na vida dos Santos? (Santo Agostinho, Antão, Bento…)
 
2. Já tive a curiosidade de pesquisar esse tema no Catecismo da Igreja Católica?
 
3. Conheço algum outro texto da Bíblia que frequentemente me anima no combate?
 
4. Tenho um diretor espiritual, ou, pelo menos, um confessor?
 
5. Tenho um projeto pessoal de vida? Escrito? Tenho metas? Ou meu combate consiste apenas em resolver problemas!?
 
 
Padre Joãozinho, SCJ
 
Oração de Combate Espiritual:
 
Oração de São Miguel Arcanjo
(pequeno exorcismo de São Leão XIII que deve ser rezado diariamente.)
 
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio! Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos; e vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo poder Divino, precipitai ao inferno a satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Padre Escreve ao Papa Antes de Morrer aos 31 anos


"Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração."

 


Pe Fabrizio nasceu em Nápoles (Itália), no dia 8 de setembro de 1982. Quase 3 mil pessoas se reuniram no bairro de Ponticelli para lhe dar adeus na igreja de Nossa Senhora das Neves, onde ele era vigário. Padre Fabrizio viveu um grande sofrimento nos últimos meses, mas com fé e força interior. Sempre sorrindo, com uma palavra de consolo para os amigos e familiares que estiveram com ele até o último momento. Oferecemos a seguir a carta que ele enviou ao Papa Francisco.

A Sua Santidade o Papa Francisco:

Santo Padre,

nas orações diárias que dirijo a Deus, não deixo de rezar pelo senhor e pelo ministério que Deus lhe confiou, para que Ele possa lhe dar forças e alegria para continuar anunciando a boa nova do Evangelho.

Eu me chamo Fabrizio De Michino e sou um jovem padre da diocese de Nápoles. Tenho 31 anos e há cinco sou sacerdote. Desempenho meu serviço no Seminário Arcebispal de Nápoles como professor de um grupo de diáconos, e em uma paróquia em Ponticelli, que se encontra na periferia de Nápoles. A paróquia, recordando o milagre registrado na colina Esquilino, recebe o nome de Nossa Senhora das Neves.

Ponticelli é um bairro degradado por sua pobreza e alta criminalidade, mas a cada dia descubro verdadeiramente a beleza de ver o que o Senhor realiza nestas pessoas que confiam em Deus e na Virgem.

Também eu, desde que estou nesta paróquia, pude ampliar cada vez mais meu amor pela Mãe Celeste, experimentando também nas dificuldades a sua proximidade e proteção. Infelizmente, há três anos eu luto contra uma doença rara: um tumor no interior do coração. Há um mês estou com metástase no fígado e no baço. Nesses anos difíceis, no entanto, nunca perdi a alegria de ser anunciador do Evangelho. Também no cansaço eu percebo, verdadeiramente, esta força que não vem de mim, mas de Deus, que me permite desempenhar com simplicidade o meu ministério. Há uma citação bíblica que tem me acompanhado e me enche de confiança na força do Senhor: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).

Neste tempo tem sido muito próxima a presença do meu bispo, o cardeal Crescenzio Sepe, que me apoia constantemente, ainda que às vezes me peça para descansar, para que eu não me sobrecarregue.

Agradeço a Deus também por meus familiares e meus amigos sacerdotes que me ajudam e apoiam, sobretudo quando faço as diferentes terapias, compartilhando comigo os momentos de inevitável sofrimento. Também os meus médicos me apoiam muito e fazem o impossível para encontrar os tratamentos adequados para mim.

Santo Padre,

estou me alongando muito, mas só quero dizer que ofereço a Deus tudo isso, pelo bem da Igreja e pelo senhor de um modo especial, para que Deus o abençoe sempre e o acompanhe neste ministério de serviço e amor.

Eu lhe rogo que reze por mim: o que peço todos os dias ao Senhor é que seja feita a Sua vontade, sempre e em todas as partes. Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração.

Seguro de suas orações paternas, o saúdo devotamente.

Padre Fabrizio De Michino
 
Fonte:Aleteia.org 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Catequese do Papa: A Igreja é Universal

Igreja não é grupo de elite, diz Papa ao explicar catolicidade Na catequese desta quarta-feira, 9, Papa Francisco seguiu falando sobre a Igreja, concentrando-se, desta vez, sobre o fato dela ser “católica”. Ele destacou três significados fundamentais que explicam essa natureza da Igreja.

Francisco explicou que a palavra “católico” vem do grego ‘kath’olòn’, que significa totalidade. Com relação à Igreja, este aspecto se aplica em três significados fundamentais. O primeiro deles, segundo disse o Papa, é que a Igreja é católica porque é o espaço no qual a fé vem anunciada por inteiro, no qual a salvação de Cristo é oferecida a todos.

“Na Igreja, cada um de nós encontra o que é necessário para crer, para viver como cristãos, para tornar-se santo, para caminhar em todo lugar e em todo tempo”, disse.

Como um segundo aspecto, o Papa falou da universalidade da Igreja, uma vez que ela está espalhada em toda parte do mundo e anuncia o Evangelho a todos. “A Igreja não é um grupo de elite, não diz respeito somente a alguns. A Igreja não tem trancas, é enviada à totalidade das pessoas, à totalidade do gênero humano”.

Por fim, o Santo Padre destacou que a Igreja é católica porque é a “Casa da harmonia”, onde unidade e diversidade combinam-se para formar uma riqueza. Ele citou como exemplo a sinfonia, que é a harmonia entre diversos instrumentos que tocam juntos.

“Na sinfonia que vem apresentada todos tocam juntos em ‘harmonia’, mas não é cancelado o timbre de cada instrumento, a peculiaridade de cada um, antes é valorizada ao máximo! É uma bela imagem que nos diz que a Igreja é como uma grande orquestra na qual há variedade: não somos todos iguais e não devemos ser todos iguais”.

O Papa ressaltou que esta não é uma diversidade que entra em conflito, mas que se deixa unir em harmonia pelo Espírito Santo, o verdadeiro “Maestro”.

“Rezemos ao Espírito Santo, que é propriamente o autor desta unidade na variedade, desta harmonia, para que nos torne sempre mais ‘católicos’, isso é, nessa Igreja que é católica e universal”.

Rádio Vaticano

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A Igreja Aceitou Reencarnação no Passado?Ótimo Texto Formativo!

O Texto que se segue é de autoria de teólogos protestantes, mas em nenhum momento confronta a doutrina Católica, pelo contrário, baseia-se firmemente nos ensinos da Patrística.Leia e forme-se de maneira sólida!

Até o início deste século a crença na reencarnação estava restrita a pequenos grupos como a Unity School of Christianity, a Theosophical Society, e a Association for Research and Enlightenment de Edgar Cayce. 1 Pelos anos 80, contudo, não apenas estes grupos ganharam bem mais que um milhão de seguidores, mas celebridades como Jeanne Dixon e Shirley MacLaine popularizaram a reencarnação para as massas. Enquanto cinquenta anos atrás relativamente poucos americanos acreditavam em reencarnação, hoje mais ou menos um quarto de todos os americanos a aceitam, juntamente com cerca de metade da população mundial.2
Virtualmente todos os modernos proponentes da reencarnação no Oeste clamam que ela "está em completa harmonia com o verdadeiro espírito do Cristianismo." A igreja antiga ensinou a reencarnação, alguns dizem, até o sexto século quando foi suprimida em um concílio. Neste artigo nós vamos examinar este clamor que a igreja suprimiu a doutrina da reencarnação.

Reencarnação definida

A doutrina da reencarnação deriva-se da antiguidade, originando-se do Leste, mas também encontrada na Grécia. Ela "ensina que a alma entra nesta vida, não como uma criação recente, mas depois de um longo curso de existências prévias nesta terra e em outros lugares... e que está a caminho de futuras transformações que agora está a formando." 3
De acordo com um conceito oriental de reencarnação, homem dependendo de seus atos em sua existência prévia pode vir em qualquer tipo de forma de vida, incluindo vários animais, bem como a forma humana. Reencarnacionistas do Oeste contudo geralmente defendem que homens e mulheres só podem ser reencarnados em seres humanos. Reencarnacionistas ocidentais frequentemente referem-se à visão oriental como "transmigração" e à visão ocidental de "reencarnação". Tradicionalmente, no entanto, os termos "transmigração", "reencarnação", e "metempsicose" tem sido usados como sinônimos.4 Por outro lado, reencarnação deve ser distinguida de pré-existência da alma. Enquanto que todos aqueles que acreditam em reencarnação devem acreditar que as almas reencarnadas pré-existiram, nem todos aqueles que aderem à pré-existência da alma aceitam a reencarnação. Um exemplo moderno seria os mórmons.
A fundamental e geralmente não mencionada premissa da reencarnação é "monismo", a crença que somente uma realidade existe. Desde que isto significa que todas as coisas são parte de uma realidade essencial, não há distinção real entre Deus, o mundo, e pessoas - eles são todos "um". Neste sistema de pensamento "Deus" é considerado, não um Criador pessoal, mas uma força impessoal ou consciência da qual todos fazemos parte. 5 Assim, Shirley MacLaine declara que "Deus" é "a palavra que usamos para um conceito de energias espirituais incrivelmente complexas" e sugere que "a tragédia da raça humana era que nós esquecemos que éramos cada um Divinos". 6 A reencarnação de uma alma, então, tem sido classicamente entendida como uma jornada de Deus a Deus, o objetivo sendo a reabsorção no Um. 7

Reencarnção e a Bíblia

As crenças que forma o contexto do reencarnacionismo tanto Oriental como Ocidental são claramente incompatíveis com o Cristianismo bíblico. Então, o caso contra a reencarnação ser "Cristã" vai além de suas implicações para a pós-vida, e envolve muito mais que alguns textos-chave da Bíblia. De preferência, a revelação bíblica inteira em seu ensino sobre Deus, o mundo, homem, pecado e salvação se levantam como um todo contra o reencarnacionismo.
No entanto, adeptos da reencarnação no Oeste invariavelmente tentam reconciliar sua crença com o Cristianismo. Se diz que o Novo Testamento foi escrito por autores desconhecidos em um período muito posterior para ser confiável em seu testemunho dos ensinos de Jesus, e então Seus ensinos sobre a reencarnação foram largamente perdidos. (Muitas pessoas rejeitam a Bíblia que temos como um conhecimento não real sobre os ensinos de Jesus). Também é dito que o Novo Testamento foi codificado com exclusões e interpolações incluídas no texto no sexto século e depois por anti-reencarnacionistas, que até removeram livros inteiros, assim que o próprio texto não é confiável. Finalmente, a despeito da alegada tentativa no sexto século de remover a reencarnação da Bíblia, diz-se que certos "vestígios" da doutrina podem ser detectados em alguns textos (ex., Mt. 17:10-13Jo 3:3,7Jo 9:1-3Ef 1:4Ap 3:12). 8
Não é possível dar uma refutação cuidadosa no espaço limitado deste artigo. 9 Os dados de data, autoria e transmissão dos documentos do Novo Testamento receberam tratamento definitivo por eruditos evangélicos, aos quais o leitor é referenciado.10 Estes eruditos mostraram que todo o Novo Testamento foi escrito no primeiro século, por apóstolos ou associados próximos e que o texto do Novo Testamento foi fielmente transmitido através dos séculos. A respeito do cânon (livros aceitos como inspirados) do Novo Testamento,11 não foi contra a reencarnação que houve a aceitação de alguns escritos e a rejeição de evangelhos apócrifos e outros escritos que foram excluídos do cânon. Ao invés disto, os livros do Novo Testamento foram aceitos porque eles foram escritos por apóstolos ou associados apostólicos e foram rastreados até o primeiro século. Os livros que foram excluídos não eram apostólicos, e foram escritos entre o segundo e o nono século. 12 Além disto, o cânon do Novo Testamento foi desenvolvido no segundo e terceiro século e recebeu sua forma final no quarto século,13 não no sexto século, como os reencarnacionistas clamam. Então, a crítica dos reencarnacionistas é inválida.
O argumento que vestígios da crença no reencarnacionismo podem ser encontradas espalhadas pelo Novo Testamento é basicamente incompatível com outros argumentos já discutidos. Se os livros do Novo Testamento foram escritos por autores desconhecidos tarde demais para serem historicamente não confiáveis, e se escribas do sexto século alteraram o texto do Novo Testamento, qual o valor destes alegados "vestígios"? De qualquer forma, os reencarnacionistas não possuem nenhum direito de citar a Bíblia em defesa de suas crenças se ao mesmo tempo eles argumentam que a Bíblia não é confiável.
Um exame detalhado destes alegados textos-chave para a reencarnação não é possível neste artigo. Contudo, muitos estudos úteis sobre a questão foram publicados por Cristãos, mostrando que a Bíblia simplesmente não contém nem mesmo uma evidência em favor da reencarnação, enquanto que a maioria de seus ensinos principais a contradizem.14

Reencarnação e os Padres da Igreja

Reencarnacionistas do Oeste hoje tipicamente argumentam que a primeira igreja mantinha a crença na reencarnação até o sexto século, quando ela foi suprimida pelo imperador Romano através de um concílio da igreja. Para refutar este clamor, nós precisamos primeiro examinar os registros para ver se os primeiros pais da igreja ensinaram a reencarnação. Nosso exame vai revelar que reencarnação não era uma grande preocupação dos primeiros pais, que mantinham a esperança bíblica da ressurreição,15 mas que sempre que discutiam a reencarnação eles a condenavam completamente. Reencarnacionistas fabricaram uma falsa história da igreja primitiva baseada em 1) uma reconstrução deliberada das evidências que ignora a vasta maioria do testemunho dos padres; 2) citações parciais dos padres, geralmente fora de contexto; 3) interpolações nas citações dos padres; e 4) citações fabricadas.

Justino Mártir (c. 100-165)

Justino Mártir foi um dos primeiros pais da igreja. Ele é frequentemente chamado de "um primeiro reencarnacionista Cristão".16 Referindo ao capítulo IV do Diálogo com Trifo de Justino, reencarnacionistas clamam que "ele ensinou que almas humanas habitam mais de um corpo no curso de sua peregrinação terrena".17 O que Justino realmente diz? Ele apresenta um diálogo no qual ele discute com Trifo a questão da reencarnação; ao final desta discussão, o diálogo conclui como segue-se (note que "Eu" é Justino e "ele" é Trifo, o Judeu com quem ele está debatendo; Trifo fala primeiro):
"Então almas nem vêem Deus nem transmigram para outros corpos; pois eles devem saber que então eles são punidos, e eles teriam medo de cometer até mesmo o mais trivial pecado depois disto. Mas que elas podem perceber que Deus existe e que justiça e piedade são honoráveis, eu também concordo com você", disse ele.
"Você está certo," respondi.18

Clemente de Alexandria (c. 155-220)

Outro pai da igreja que alega-se frequentemente ter ensinado a reencarnação foi Clemente de Alexandria, com base em sua declaração no primeiro capítulo de sua Exortação aos Gentios que "antes da fundação do mundo éramos nós". 19 No máximo esta declaração deveria ser construída (fora de seu contexto) para ensinar a pré-existência das almas. De fato, no entanto, a declaração de Clemente no contexto nem chega tão longe. Ao contrário, ele está simplesmente estabelecendo a pré-existência de Jesus Cristo como o Verbo (ou Logos) e o pré-conhecimento de Deus e propósito de nos criar e nos amar antes da criação:
Mas antes da fundação do mundo éramos nós, quem, por ser destinados a estar n'Ele, pré-existimos nos olhos de Deus antes, - nós, as criaturas racionais do Verbo de Deus, da parte de quem somos datados do princípio; pois "no princípio era o Verbo".20
Note que Clemente cuidadosamente qualifica sua declaração que nós existimos no princípio com as palavras "nos olhos de Deus", significando, é claro, que nossa "pré-existência" era uma idéia na mente de Deus, não como entidades substanciais.

Orígenes (c. 185-254)

Orígenes foi admitidamente um dos mais brilhantes e inovadores teólogos da igreja primitiva. Ele foi também, contudo, infame por suas especulações teológicas. Ele é o pai da igreja mais frequentemente citado por reencarnacionistas como ensinando sua doutrina. Uma passagem frequentemente citada é a seguinte, de Contra Celso (I.32), exatamente como citado pelos reencarnacionistas Head e Cranston:
Ou não é mais em conformidade com a razão, que cada alma, por certas razões misteriosas (Eu falo agora de acordo com a opinião de Pitágoras, Platão e Empédocles, que Celso frequentemente cita), é introduzida em um corpo e introduzida de acordo com seus méritos e ações passadas? É provável, então, que esta alma também, que conferiu mais benefícios por sua [anterior] residência na carne que muitos homens (para evitar prejuízo, não não direi "todos"), ficou com a necessidade de um corpo não somente superior a outros, mas investido de todas as excelentes qualidades.21
Vários comentários a respeito desta passagem devem ser feitas. Primeiro, Orígenes qualifica esta declaração dizendo, "Eu falo agora de acordo com a opinião de Pitágoras, Platão e Empédocles, que Celso frequentemente cita". Esta qualificação indica que Orígenes está argumentando com base nas crenças de Celso, não de suas próprias crenças. Um reencarnacionista, Anthony J. Fisichella, omitiu esta cláusula inteira quando cita a passagem.22
Segundo, a inserção da palavra "anterior" em colchetes precedendo a frase "residência na carne" por Head e Cranston na citação como reproduzido acima muda completamente o significado. Orígenes não está falando sobre uma prévia reencarnação em distinção a uma subsequente reencarnação, mas sobre uma simples encarnação.
Terceiro, o ponto que Orígenes está tentando fazer no contexto foi completamente perdido. Orígenes não está falando sobre o nascimento natural de um ser humano comum, mas sobre a concepção miraculosa de Jesus no ventre de uma virgem. Na primeira metade do capítulo Orígenes refuta a lendária explicação do nascimento virginal que estava circulando entre os Judeus (e foi tomada por Celso) que Maria cometeu adultério com um soldado Romano. Ele então propõe a seguinte questão:
É conforme até mesmo à razão, que aquele que ousou fazer tanto pela raça humana... não deveria ter um nascimento miraculoso, mas o mais vil e infame de todos [ex., um nascimento ilegítimo]? E eu vou perguntar deles como Gregos, particularmente de Celso, que ou mantém ou não os sentimentos de Platão e que a qualquer hora os cita, se Aquele que envia almas para os corpos dos homens, degrada Aquele que ousa fazer tais atos, ensinar tantos homens, reformar tantos da massa de pecadores no mundo, a nascer de forma mais infame que qualquer outro, ao invés de introduzí-lO no mundo através de um matrimônio dentro da lei?23
Então segue-se imediatamente a citação original reproduzida acima, apelando para os filósofos gregos tão respeitados por Celso, para provar que de acordo com seu ensino alguém tão nobre como Jesus obviamente era, não poderia ter um nascimento tão ignóbil quanto Celso estava clamando. Com este contexto em mente, é evidente que Orígenes não está aqui argumentando a favor da reencarnação, o argumento sequer o implica. Ele argumenta com base na pré-existência das almas, uma opinião que ele mesmo mantinha, apesar de que mesmo aqui ele dá como fonte daquela opinião a filosofia grega pagã, não a doutrina cristã.
Mais tarde no mesmo tratado, Orígenes faz o seguinte comentário:
Mas sobre estes assuntos muito, de um tipo místico, pode-se dizer; em manter o seguinte: "é bom manter perto o segredo de um rei", - para que a doutrina da entrada das almas nos corpos (não, contudo, da transmigração de um corpo para outro) não seja colocada antes do entendimento comum, nem o quê é sagrado seja dado aos cães, nem pérolas sejam jogadas aos porcos.24
Esta declaração deixa claro que Orígenes mantinha a doutrina herética que almas humanas pré-existiam seus corpos físicos, mas não mantinha reencarnações.25
Cerca do mesmo tempo que ele escreveu Contra Celso, por volta do ano 247 (e então chegando ao fim de sua vida),26 Orígenes escreveu o comentário de Mateus no qual ele discute bastante se João Batista era a reencarnação de Elias. Sua resposta a esta questão era inequívoca:
Neste lugar [Mt. 17:10-13] não parece para mim que, por Elias, refere-se à alma, para que não caia no dogma da transmigração, que é estranha à igreja de Deus e não ensinada pelos Apóstolos, nem em qualquer lugar é estabelecido nas Escrituras...27
Orígenes então dá início a uma grande discussão da transmigração, argumentando que é contrária à doutrina bíblica de um julgamento no fim dos tempos, e que João não tinha a "alma" mas o "espírito e poder" de Elias (Lucas 1:17).28 Nenhuma declaração mais clara rejeitando a doutrina da reencarnação poderia ser imaginada.
É verdade que Jerônimo, um importante pai da igreja no quinto século, argumentou que Orígenes defendia a reencarnação. Escrevendo uma carta a Avitus cerca de 409 ou 410, Jerônimo acusou Orígenes de defender a "transmigração das almas", incluindo a idéia que espíritos tanto angélicos quanto humanos "podem em punição ou grande negligência ou loucura ser transformados em animais", ou seja, ser reencarnados em animais.29 Contudo, nesta mesma carta Jerônimo admite que Orígenes qualificou suas declarações a respeito do assunto:
Então, para que ele não seja culpado de manter com Pitágoras a transmigração das almas, ele resume a racionalização imoral com a qual ele feriu seu leitor, dizendo: "Eu não devo ser levado a fazer dogmas destas coisas; elas são apenas mencionadas como conjecturas para mostrar que elas não são completamente negligenciadas".30
Desde que a crítica de Jerônimo a Orígenes está baseada nos primeiros escritos de Orígenes (particularmente "Dos primeiros princípios", escrito entre 212 e 215) e em seus escritos posteriores Orígenes rejeita explicitamente a transmigração das almas, e desde que mesmo Jerônimo admite que Orígenes queria parar rapidamente de manter aquela doutrina, nós podemos concluir com segurança que Orígenes não ensinou a reencarnação.

Jerônimo (c. 345-419)

Como nós acabamos de ver, Jerônimo condenou Orígenes como um herético parcialmente com base nas alegadas inclinações de Orígenes para a reencarnação. É contudo surpreendente saber que vários reencarnacionistas clamam que Jerônimo acreditava na reencarnação! Um reencarnacionista até mesmo cita a carta de Jerônimo a Avitus como prova31 - a mesma carta na qual Jerônimo condena Orígenes por ensinar reencarnação!
Outros reencarnacionistas tem atribuído a Jerônimo a seguinte declaração em sua carta a Demetrius: "A doutrina da transmigração tem sido secretamente ensinada de tempos antigos a pequenos números de pessoas, como uma verdade tradicional que não foi divulgada".32 Uma procura por esta carta, contudo, revela nenhuma declaração desta. Ao invés disto, nós encontramos mais uma vez Jerônimo condenando a doutrina como um "ensino imoral e não-divino" que "se arrasta secretamente como uma víbora em seu buraco".33

A rejeição da reencarnação pelos Padres

Não somente nenhum dos Padres da Igreja ensinou a reencarnação - nem mesmo Orígenes, que manteve a pré-existência das almas, mas eles rejeitaram explicitamente a noção como completamente contrária à fé Cristã. Nós já temos visto isto no caso de Justino Mártir, Orígenes e Jerônimo. Somente no período ante-niceno (ou seja, antes do Concílio de Nicéia em 325), pais da igreja que rejeitaram a reencarnação ao lado de Justino Mártir e Orígenes incluem Ireneu, Minúcio Félix, Tertuliano e Lactânio.34 Importantes pais da Igreja do quarto e quinto século além de Jerônimo que rejeitou a reencarnação incluíam Agostinho e Basílio.35 Apologistas da reencarnação admiritiram que muitos destes pais da igreja de fato opuseram-se à doutrina da reencarnação.36
Em adição a esta evidência, todos os pais da igreja ensinaram doutrinas que eram incompatíveis com a crença na reencarnação. Os pais ensinaram que salvação era um dom ganho para nós por Cristo e que no final da era os corpos dos fiéis seriam levantados para a vida eterna e dos perdidos para o julgamento eterno. Os escritos dos pais da igreja são então impregnadamente anti-reencarnacionistas como a Bíblia.

O segundo concílio de Constantinopla

Até este ponto nós mostramos que nenhum dos pais da igreja comumente reconheceram como ortodoxa durante os cinco primeiros a reencarnação. Diante desta evidência, alguns reencarnacionistas apelaram a uma última trincheira de argumentação calculada para minar toda a evidência documental da Bíblia e dos pais da igreja contra sua doutrina. Este argumento é um clamor de que toda ou praticamente toda a evidência da crença na reencarnação foi eliminada da Bíblia e dos escritos dos pais pelo Segundo Concílio de Constantinopla (também chamado de Quinto Concílio Ecumênico) em 553. Leslie Weatherhead, por exemplo, clamou que a reencarnação "foi aceita pela igreja primitiva pelos primeiros cinco séculos de sua existência. Somente no ano 553 d.C. o Segundo Concílio de Constantinopla a rejeitou e somente então por uma limitada maioria".37 Muitos reencarnacionistas clamam que este concílio foi especificamente convocado pelo Imperador Romano Justiniano para condenar a reencarnação e apagar todas as referências a ela da Bíblia.38
Há numerosas objeções que podem ser levantadas contra estes clamores. Primeiro, o cânon do Novo Testamento como conhecemos hoje estava finalizado, no mais tardar, no século quarto, como já explicamos. De fato, nós temos numerosos manuscritos do Novo Testamento datados entre o segundo e o quinto século, tanto quanto manuscritos datados muito mais tarde. Os textos dos manuscritos do Novo Testamento datados de antes do sexto século não se diferenciam consideravelmente daqueles datados do sexto século em diante. Este fato sozinho prova que o concílio de 553 não alterou a Bíblia para suprimir a reencarnação nem qualquer outra crença.
Segundo, o Segundo Concílio de Constantinopla não teve relação nenhuma com reencarnação. O item principal na agenda era lidar com a heresia monofisita, que ensinava que o Cristo encarnado tinha apenas uma natureza (ao invés das duas naturezas de Deus e homem ensinadas pelo Novo Testamento e a igreja primitiva). Tanto naquele concílio ou cerca daquele tempo uma lista de "anátemas" ou condenações foram publicadas contra (entre outras coisas) a noção da pré-existência das almas (como encontrado em Orígenes e alguns de seus seguidores), mas não há qualquer menção feita da reencarnação, que era evidentemente nem mesmo um ponto controverso.39 De fato, outros reencarnacionistas têm argumentado que por causa da dúvida se o concílio em 553 teve alguma relevante coisa a dizer sobre a reencarnação, não há qualquer razão para considerar a reencarnação como oficialmente condenada pela igreja!40 Claro, o quê este argumento omite é o fato de que Cristãos não acreditam na reencarnação porque ela é antitética à cristandade bíblica, não porque eles acham (erroneamente ou não) que ela foi condenada em 553.
Em conclusão, reencarnação certamente não foi suprimida pela igreja no sexto século ou em qualquer outro tempo. Ela foi explicitamente rejeitada pelos líderes da igreja desde o meio do segundo século, e nunca foi tomada seriamente como uma crença que deveria ser adotada por Cristãos. As crenças de Orígenes na pré-existência das almas foi tratada como uma aberração pelos pais da igreja e concílios que vieram após ele. Advogados da reencarnação tiveram que inventar textos não-existentes, interpolar palavras em outros textos, citar passagens anti-reencarnacionistas como se elas suportassem a doutrina e geralmente apresentar uma reconstrução mítica da história da Igreja primitiva, a fim de defender que a Igreja primitiva já ensinou a reencarnação. Teorias requerendo tais defesas inseguras podem ser seguramente consideradas falsas.
Joseph P. Gudel, Robert M. Bowman, Jr., e Dan R. Schlesinger

Notas

1. Mark Albrecht, Reincarnation: A Christian Appraisal (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1982), 9.
2. E. D. Walker, Reincarnation: A Study of Forgotten Truth (New Hyde Park, NY: University Books, 1965), 14.
3. Walker, 11.
4. The Encyclopedia of Philosophy, s.v. "Reincarnation," por Ninian Smart.
5. Sobre como o monismo se relaciona com o movimento da Nova Era, veja Elliot Miller, "What Is the New Age Movement?" Forward 8 (1985), 16-23.
6. Shirley MacLaine, Out on a Limb (New York: Bantam Books, 1983), 279, 347.
7. Veja Norman L. Geisler e J. Yutaka Amano, The Reincarnation Sensation (Wheaton, IL: Tyndale House Publishers, 1986), para uma completa análise e crítica de várias formas de crença na reencarnação.
8. Para todos estes argumentos, veja, por exemplo, Joseph Head and S.L. Cranston (eds.), Reincarnation: The Phoenix Fire Mystery (New York: Julian Press, 1977), 134-40; Quincy Howe, Reincarnation for the Christian (Philadelphia: Westminster Press, 1974), 92-97; James Dillet Freeman, The Case for Reincarnation (Unity Village, MO: United School of Christianity, 1986), 75-77.
9. Uma discussão destas questões e como elas se relacionam à reencarnação é encontrada em Albrecht, 36-43.
10. Veja especialmente F. F.. Bruce, The New Testament Documents: Are They Reliable? (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co., 1960), Norman L. Geisler e William Nix, A General Introduction to the Bible, rev. ed. (Chicago, IL: Moody Press, 1986), e Donald Guthrie, New Testament Introduction (Downers Grove, IL: Intervarsity Press, 1970).
11. Por exemplo, R. Laird Harris, The Inspiration and Canonicity of the Bible (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing Co., 1973).
12. Bruce M. Metzger, An Introduction to the Apocrypha (New York: Oxford University Press, 1957), 249.
13. Veja qualquer Bíblia padrão ou dicionário teológico ou enciclopédia sobre este ponto.
14. Por exemplo, Geisler e Amano, 133-54; veja também Albrecht, 36-40.
15. Sobre os pais da igreja e a ressurreição, veja especialmente Joanne E. McWilliam Dewart (ed.), Death and Resurrection, Message of the Fathers of the Church, Vol. 22 (Wilmington, DE: Michael Glazier, 1986).
16. Geddes MacGregor, Reincarnation in Christianity: A New Vision of the Role of Rebirth in Christian Thought (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1978), 25.
17. MacGregor, 36.
18. Justin Martyr, Diálogo com Trifo, IV. Todas as citações dos pais da igreja podem ser encontrados em The Ante-Nicene Fathers, eds. Alexander Roberts and James Donaldson, e A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, eds. Philip Schaff and Henry Wace (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co., 1983 reprint).
19. Head e Cranston, 141-42; MacGregor, 48.
20. Clemente de Alexandria, Exortação aos Gentios, I.
21. Orígenes, Contra Celso, I.32, como citado em Head e Cranston, 147.
22. Anthony J. Fisichella, Metaphysics: The Science of Life (St. Paul, MN: Llewellyn Publications, 1986), 134.
23. Contra Celso, I.32.
24. Contra Celso, V.29.
25. Veja também Orígenes, De Principiis ("Do Princípio") III.5, citado em Head e Cranston, 147; esta passagem prova que Orígenes ensinou a pré-existência das almas, mas não a reencarnação.
26. Veja as notas editoriais no The Ante-Nicene Fathers, Vol. X, 411.
27. Orígenes, Comentário de Mateus, XIII.1.
28. Ibid., XIII.1-2.
29. Jerônimo, Carta CXXIV, a Avitus, 4, 15.
30. Ibid., 4.
31. David Christie-Murray, Reincarnation: Ancient Beliefs and Modern Evidence (London: David and Charles, 1981), 59, citado em Albrecht, 47.
32. Joseph Head and S. L. Cranston (eds.), Reincarnation: An East-West Anthology (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1968), 38.
33. Jerônimo, Carta CXXX, a Demetrius, 16.
34. Ireneu, Contra Heresias, II.33.1.5; Tertuliano, Apologia, 48; A Treatise on the Soul, 28-35; Minucius Felix, Octavius, 34; Lactantius, The Divine Institute, 18-19.
35. Agostinho, A cidade de Deus, X.30; Basílio, The Hexaemeron, VIII.2.
36. Head e Cranston, Phoenix Fire Mystery, 142-43, 149-51.
37. Leslie Weatherhead, The Christian Agnostic (Nashville, TN: Abingdon Press, 1972), 209-10, citado em John Hick, Death and Eternal Life (San Francisco, CA: Harper & Row, 1976), 392.
38. Noel Langley, Edgar Cayce on Reincarnation (New York: Warner Books, 1967), 179; Leoline L. Wright, Reincarnation: A Lost Chord in Modern Thought (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1975), 67; etc.
39. Veja, por exemplo, os artigos sobre "Constantinopla, Segundo concílio de," and "Origenismo", na The New International Dictionary of the Christian Church, ed. J.D. Douglas, 2d ed. (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing Co., 1978): 257, 734.
40. Head e Cranston, Phoenix Fire Mystery, 158.