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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A Igreja Aceitou Reencarnação no Passado?Ótimo Texto Formativo!

O Texto que se segue é de autoria de teólogos protestantes, mas em nenhum momento confronta a doutrina Católica, pelo contrário, baseia-se firmemente nos ensinos da Patrística.Leia e forme-se de maneira sólida!

Até o início deste século a crença na reencarnação estava restrita a pequenos grupos como a Unity School of Christianity, a Theosophical Society, e a Association for Research and Enlightenment de Edgar Cayce. 1 Pelos anos 80, contudo, não apenas estes grupos ganharam bem mais que um milhão de seguidores, mas celebridades como Jeanne Dixon e Shirley MacLaine popularizaram a reencarnação para as massas. Enquanto cinquenta anos atrás relativamente poucos americanos acreditavam em reencarnação, hoje mais ou menos um quarto de todos os americanos a aceitam, juntamente com cerca de metade da população mundial.2
Virtualmente todos os modernos proponentes da reencarnação no Oeste clamam que ela "está em completa harmonia com o verdadeiro espírito do Cristianismo." A igreja antiga ensinou a reencarnação, alguns dizem, até o sexto século quando foi suprimida em um concílio. Neste artigo nós vamos examinar este clamor que a igreja suprimiu a doutrina da reencarnação.

Reencarnação definida

A doutrina da reencarnação deriva-se da antiguidade, originando-se do Leste, mas também encontrada na Grécia. Ela "ensina que a alma entra nesta vida, não como uma criação recente, mas depois de um longo curso de existências prévias nesta terra e em outros lugares... e que está a caminho de futuras transformações que agora está a formando." 3
De acordo com um conceito oriental de reencarnação, homem dependendo de seus atos em sua existência prévia pode vir em qualquer tipo de forma de vida, incluindo vários animais, bem como a forma humana. Reencarnacionistas do Oeste contudo geralmente defendem que homens e mulheres só podem ser reencarnados em seres humanos. Reencarnacionistas ocidentais frequentemente referem-se à visão oriental como "transmigração" e à visão ocidental de "reencarnação". Tradicionalmente, no entanto, os termos "transmigração", "reencarnação", e "metempsicose" tem sido usados como sinônimos.4 Por outro lado, reencarnação deve ser distinguida de pré-existência da alma. Enquanto que todos aqueles que acreditam em reencarnação devem acreditar que as almas reencarnadas pré-existiram, nem todos aqueles que aderem à pré-existência da alma aceitam a reencarnação. Um exemplo moderno seria os mórmons.
A fundamental e geralmente não mencionada premissa da reencarnação é "monismo", a crença que somente uma realidade existe. Desde que isto significa que todas as coisas são parte de uma realidade essencial, não há distinção real entre Deus, o mundo, e pessoas - eles são todos "um". Neste sistema de pensamento "Deus" é considerado, não um Criador pessoal, mas uma força impessoal ou consciência da qual todos fazemos parte. 5 Assim, Shirley MacLaine declara que "Deus" é "a palavra que usamos para um conceito de energias espirituais incrivelmente complexas" e sugere que "a tragédia da raça humana era que nós esquecemos que éramos cada um Divinos". 6 A reencarnação de uma alma, então, tem sido classicamente entendida como uma jornada de Deus a Deus, o objetivo sendo a reabsorção no Um. 7

Reencarnção e a Bíblia

As crenças que forma o contexto do reencarnacionismo tanto Oriental como Ocidental são claramente incompatíveis com o Cristianismo bíblico. Então, o caso contra a reencarnação ser "Cristã" vai além de suas implicações para a pós-vida, e envolve muito mais que alguns textos-chave da Bíblia. De preferência, a revelação bíblica inteira em seu ensino sobre Deus, o mundo, homem, pecado e salvação se levantam como um todo contra o reencarnacionismo.
No entanto, adeptos da reencarnação no Oeste invariavelmente tentam reconciliar sua crença com o Cristianismo. Se diz que o Novo Testamento foi escrito por autores desconhecidos em um período muito posterior para ser confiável em seu testemunho dos ensinos de Jesus, e então Seus ensinos sobre a reencarnação foram largamente perdidos. (Muitas pessoas rejeitam a Bíblia que temos como um conhecimento não real sobre os ensinos de Jesus). Também é dito que o Novo Testamento foi codificado com exclusões e interpolações incluídas no texto no sexto século e depois por anti-reencarnacionistas, que até removeram livros inteiros, assim que o próprio texto não é confiável. Finalmente, a despeito da alegada tentativa no sexto século de remover a reencarnação da Bíblia, diz-se que certos "vestígios" da doutrina podem ser detectados em alguns textos (ex., Mt. 17:10-13Jo 3:3,7Jo 9:1-3Ef 1:4Ap 3:12). 8
Não é possível dar uma refutação cuidadosa no espaço limitado deste artigo. 9 Os dados de data, autoria e transmissão dos documentos do Novo Testamento receberam tratamento definitivo por eruditos evangélicos, aos quais o leitor é referenciado.10 Estes eruditos mostraram que todo o Novo Testamento foi escrito no primeiro século, por apóstolos ou associados próximos e que o texto do Novo Testamento foi fielmente transmitido através dos séculos. A respeito do cânon (livros aceitos como inspirados) do Novo Testamento,11 não foi contra a reencarnação que houve a aceitação de alguns escritos e a rejeição de evangelhos apócrifos e outros escritos que foram excluídos do cânon. Ao invés disto, os livros do Novo Testamento foram aceitos porque eles foram escritos por apóstolos ou associados apostólicos e foram rastreados até o primeiro século. Os livros que foram excluídos não eram apostólicos, e foram escritos entre o segundo e o nono século. 12 Além disto, o cânon do Novo Testamento foi desenvolvido no segundo e terceiro século e recebeu sua forma final no quarto século,13 não no sexto século, como os reencarnacionistas clamam. Então, a crítica dos reencarnacionistas é inválida.
O argumento que vestígios da crença no reencarnacionismo podem ser encontradas espalhadas pelo Novo Testamento é basicamente incompatível com outros argumentos já discutidos. Se os livros do Novo Testamento foram escritos por autores desconhecidos tarde demais para serem historicamente não confiáveis, e se escribas do sexto século alteraram o texto do Novo Testamento, qual o valor destes alegados "vestígios"? De qualquer forma, os reencarnacionistas não possuem nenhum direito de citar a Bíblia em defesa de suas crenças se ao mesmo tempo eles argumentam que a Bíblia não é confiável.
Um exame detalhado destes alegados textos-chave para a reencarnação não é possível neste artigo. Contudo, muitos estudos úteis sobre a questão foram publicados por Cristãos, mostrando que a Bíblia simplesmente não contém nem mesmo uma evidência em favor da reencarnação, enquanto que a maioria de seus ensinos principais a contradizem.14

Reencarnação e os Padres da Igreja

Reencarnacionistas do Oeste hoje tipicamente argumentam que a primeira igreja mantinha a crença na reencarnação até o sexto século, quando ela foi suprimida pelo imperador Romano através de um concílio da igreja. Para refutar este clamor, nós precisamos primeiro examinar os registros para ver se os primeiros pais da igreja ensinaram a reencarnação. Nosso exame vai revelar que reencarnação não era uma grande preocupação dos primeiros pais, que mantinham a esperança bíblica da ressurreição,15 mas que sempre que discutiam a reencarnação eles a condenavam completamente. Reencarnacionistas fabricaram uma falsa história da igreja primitiva baseada em 1) uma reconstrução deliberada das evidências que ignora a vasta maioria do testemunho dos padres; 2) citações parciais dos padres, geralmente fora de contexto; 3) interpolações nas citações dos padres; e 4) citações fabricadas.

Justino Mártir (c. 100-165)

Justino Mártir foi um dos primeiros pais da igreja. Ele é frequentemente chamado de "um primeiro reencarnacionista Cristão".16 Referindo ao capítulo IV do Diálogo com Trifo de Justino, reencarnacionistas clamam que "ele ensinou que almas humanas habitam mais de um corpo no curso de sua peregrinação terrena".17 O que Justino realmente diz? Ele apresenta um diálogo no qual ele discute com Trifo a questão da reencarnação; ao final desta discussão, o diálogo conclui como segue-se (note que "Eu" é Justino e "ele" é Trifo, o Judeu com quem ele está debatendo; Trifo fala primeiro):
"Então almas nem vêem Deus nem transmigram para outros corpos; pois eles devem saber que então eles são punidos, e eles teriam medo de cometer até mesmo o mais trivial pecado depois disto. Mas que elas podem perceber que Deus existe e que justiça e piedade são honoráveis, eu também concordo com você", disse ele.
"Você está certo," respondi.18

Clemente de Alexandria (c. 155-220)

Outro pai da igreja que alega-se frequentemente ter ensinado a reencarnação foi Clemente de Alexandria, com base em sua declaração no primeiro capítulo de sua Exortação aos Gentios que "antes da fundação do mundo éramos nós". 19 No máximo esta declaração deveria ser construída (fora de seu contexto) para ensinar a pré-existência das almas. De fato, no entanto, a declaração de Clemente no contexto nem chega tão longe. Ao contrário, ele está simplesmente estabelecendo a pré-existência de Jesus Cristo como o Verbo (ou Logos) e o pré-conhecimento de Deus e propósito de nos criar e nos amar antes da criação:
Mas antes da fundação do mundo éramos nós, quem, por ser destinados a estar n'Ele, pré-existimos nos olhos de Deus antes, - nós, as criaturas racionais do Verbo de Deus, da parte de quem somos datados do princípio; pois "no princípio era o Verbo".20
Note que Clemente cuidadosamente qualifica sua declaração que nós existimos no princípio com as palavras "nos olhos de Deus", significando, é claro, que nossa "pré-existência" era uma idéia na mente de Deus, não como entidades substanciais.

Orígenes (c. 185-254)

Orígenes foi admitidamente um dos mais brilhantes e inovadores teólogos da igreja primitiva. Ele foi também, contudo, infame por suas especulações teológicas. Ele é o pai da igreja mais frequentemente citado por reencarnacionistas como ensinando sua doutrina. Uma passagem frequentemente citada é a seguinte, de Contra Celso (I.32), exatamente como citado pelos reencarnacionistas Head e Cranston:
Ou não é mais em conformidade com a razão, que cada alma, por certas razões misteriosas (Eu falo agora de acordo com a opinião de Pitágoras, Platão e Empédocles, que Celso frequentemente cita), é introduzida em um corpo e introduzida de acordo com seus méritos e ações passadas? É provável, então, que esta alma também, que conferiu mais benefícios por sua [anterior] residência na carne que muitos homens (para evitar prejuízo, não não direi "todos"), ficou com a necessidade de um corpo não somente superior a outros, mas investido de todas as excelentes qualidades.21
Vários comentários a respeito desta passagem devem ser feitas. Primeiro, Orígenes qualifica esta declaração dizendo, "Eu falo agora de acordo com a opinião de Pitágoras, Platão e Empédocles, que Celso frequentemente cita". Esta qualificação indica que Orígenes está argumentando com base nas crenças de Celso, não de suas próprias crenças. Um reencarnacionista, Anthony J. Fisichella, omitiu esta cláusula inteira quando cita a passagem.22
Segundo, a inserção da palavra "anterior" em colchetes precedendo a frase "residência na carne" por Head e Cranston na citação como reproduzido acima muda completamente o significado. Orígenes não está falando sobre uma prévia reencarnação em distinção a uma subsequente reencarnação, mas sobre uma simples encarnação.
Terceiro, o ponto que Orígenes está tentando fazer no contexto foi completamente perdido. Orígenes não está falando sobre o nascimento natural de um ser humano comum, mas sobre a concepção miraculosa de Jesus no ventre de uma virgem. Na primeira metade do capítulo Orígenes refuta a lendária explicação do nascimento virginal que estava circulando entre os Judeus (e foi tomada por Celso) que Maria cometeu adultério com um soldado Romano. Ele então propõe a seguinte questão:
É conforme até mesmo à razão, que aquele que ousou fazer tanto pela raça humana... não deveria ter um nascimento miraculoso, mas o mais vil e infame de todos [ex., um nascimento ilegítimo]? E eu vou perguntar deles como Gregos, particularmente de Celso, que ou mantém ou não os sentimentos de Platão e que a qualquer hora os cita, se Aquele que envia almas para os corpos dos homens, degrada Aquele que ousa fazer tais atos, ensinar tantos homens, reformar tantos da massa de pecadores no mundo, a nascer de forma mais infame que qualquer outro, ao invés de introduzí-lO no mundo através de um matrimônio dentro da lei?23
Então segue-se imediatamente a citação original reproduzida acima, apelando para os filósofos gregos tão respeitados por Celso, para provar que de acordo com seu ensino alguém tão nobre como Jesus obviamente era, não poderia ter um nascimento tão ignóbil quanto Celso estava clamando. Com este contexto em mente, é evidente que Orígenes não está aqui argumentando a favor da reencarnação, o argumento sequer o implica. Ele argumenta com base na pré-existência das almas, uma opinião que ele mesmo mantinha, apesar de que mesmo aqui ele dá como fonte daquela opinião a filosofia grega pagã, não a doutrina cristã.
Mais tarde no mesmo tratado, Orígenes faz o seguinte comentário:
Mas sobre estes assuntos muito, de um tipo místico, pode-se dizer; em manter o seguinte: "é bom manter perto o segredo de um rei", - para que a doutrina da entrada das almas nos corpos (não, contudo, da transmigração de um corpo para outro) não seja colocada antes do entendimento comum, nem o quê é sagrado seja dado aos cães, nem pérolas sejam jogadas aos porcos.24
Esta declaração deixa claro que Orígenes mantinha a doutrina herética que almas humanas pré-existiam seus corpos físicos, mas não mantinha reencarnações.25
Cerca do mesmo tempo que ele escreveu Contra Celso, por volta do ano 247 (e então chegando ao fim de sua vida),26 Orígenes escreveu o comentário de Mateus no qual ele discute bastante se João Batista era a reencarnação de Elias. Sua resposta a esta questão era inequívoca:
Neste lugar [Mt. 17:10-13] não parece para mim que, por Elias, refere-se à alma, para que não caia no dogma da transmigração, que é estranha à igreja de Deus e não ensinada pelos Apóstolos, nem em qualquer lugar é estabelecido nas Escrituras...27
Orígenes então dá início a uma grande discussão da transmigração, argumentando que é contrária à doutrina bíblica de um julgamento no fim dos tempos, e que João não tinha a "alma" mas o "espírito e poder" de Elias (Lucas 1:17).28 Nenhuma declaração mais clara rejeitando a doutrina da reencarnação poderia ser imaginada.
É verdade que Jerônimo, um importante pai da igreja no quinto século, argumentou que Orígenes defendia a reencarnação. Escrevendo uma carta a Avitus cerca de 409 ou 410, Jerônimo acusou Orígenes de defender a "transmigração das almas", incluindo a idéia que espíritos tanto angélicos quanto humanos "podem em punição ou grande negligência ou loucura ser transformados em animais", ou seja, ser reencarnados em animais.29 Contudo, nesta mesma carta Jerônimo admite que Orígenes qualificou suas declarações a respeito do assunto:
Então, para que ele não seja culpado de manter com Pitágoras a transmigração das almas, ele resume a racionalização imoral com a qual ele feriu seu leitor, dizendo: "Eu não devo ser levado a fazer dogmas destas coisas; elas são apenas mencionadas como conjecturas para mostrar que elas não são completamente negligenciadas".30
Desde que a crítica de Jerônimo a Orígenes está baseada nos primeiros escritos de Orígenes (particularmente "Dos primeiros princípios", escrito entre 212 e 215) e em seus escritos posteriores Orígenes rejeita explicitamente a transmigração das almas, e desde que mesmo Jerônimo admite que Orígenes queria parar rapidamente de manter aquela doutrina, nós podemos concluir com segurança que Orígenes não ensinou a reencarnação.

Jerônimo (c. 345-419)

Como nós acabamos de ver, Jerônimo condenou Orígenes como um herético parcialmente com base nas alegadas inclinações de Orígenes para a reencarnação. É contudo surpreendente saber que vários reencarnacionistas clamam que Jerônimo acreditava na reencarnação! Um reencarnacionista até mesmo cita a carta de Jerônimo a Avitus como prova31 - a mesma carta na qual Jerônimo condena Orígenes por ensinar reencarnação!
Outros reencarnacionistas tem atribuído a Jerônimo a seguinte declaração em sua carta a Demetrius: "A doutrina da transmigração tem sido secretamente ensinada de tempos antigos a pequenos números de pessoas, como uma verdade tradicional que não foi divulgada".32 Uma procura por esta carta, contudo, revela nenhuma declaração desta. Ao invés disto, nós encontramos mais uma vez Jerônimo condenando a doutrina como um "ensino imoral e não-divino" que "se arrasta secretamente como uma víbora em seu buraco".33

A rejeição da reencarnação pelos Padres

Não somente nenhum dos Padres da Igreja ensinou a reencarnação - nem mesmo Orígenes, que manteve a pré-existência das almas, mas eles rejeitaram explicitamente a noção como completamente contrária à fé Cristã. Nós já temos visto isto no caso de Justino Mártir, Orígenes e Jerônimo. Somente no período ante-niceno (ou seja, antes do Concílio de Nicéia em 325), pais da igreja que rejeitaram a reencarnação ao lado de Justino Mártir e Orígenes incluem Ireneu, Minúcio Félix, Tertuliano e Lactânio.34 Importantes pais da Igreja do quarto e quinto século além de Jerônimo que rejeitou a reencarnação incluíam Agostinho e Basílio.35 Apologistas da reencarnação admiritiram que muitos destes pais da igreja de fato opuseram-se à doutrina da reencarnação.36
Em adição a esta evidência, todos os pais da igreja ensinaram doutrinas que eram incompatíveis com a crença na reencarnação. Os pais ensinaram que salvação era um dom ganho para nós por Cristo e que no final da era os corpos dos fiéis seriam levantados para a vida eterna e dos perdidos para o julgamento eterno. Os escritos dos pais da igreja são então impregnadamente anti-reencarnacionistas como a Bíblia.

O segundo concílio de Constantinopla

Até este ponto nós mostramos que nenhum dos pais da igreja comumente reconheceram como ortodoxa durante os cinco primeiros a reencarnação. Diante desta evidência, alguns reencarnacionistas apelaram a uma última trincheira de argumentação calculada para minar toda a evidência documental da Bíblia e dos pais da igreja contra sua doutrina. Este argumento é um clamor de que toda ou praticamente toda a evidência da crença na reencarnação foi eliminada da Bíblia e dos escritos dos pais pelo Segundo Concílio de Constantinopla (também chamado de Quinto Concílio Ecumênico) em 553. Leslie Weatherhead, por exemplo, clamou que a reencarnação "foi aceita pela igreja primitiva pelos primeiros cinco séculos de sua existência. Somente no ano 553 d.C. o Segundo Concílio de Constantinopla a rejeitou e somente então por uma limitada maioria".37 Muitos reencarnacionistas clamam que este concílio foi especificamente convocado pelo Imperador Romano Justiniano para condenar a reencarnação e apagar todas as referências a ela da Bíblia.38
Há numerosas objeções que podem ser levantadas contra estes clamores. Primeiro, o cânon do Novo Testamento como conhecemos hoje estava finalizado, no mais tardar, no século quarto, como já explicamos. De fato, nós temos numerosos manuscritos do Novo Testamento datados entre o segundo e o quinto século, tanto quanto manuscritos datados muito mais tarde. Os textos dos manuscritos do Novo Testamento datados de antes do sexto século não se diferenciam consideravelmente daqueles datados do sexto século em diante. Este fato sozinho prova que o concílio de 553 não alterou a Bíblia para suprimir a reencarnação nem qualquer outra crença.
Segundo, o Segundo Concílio de Constantinopla não teve relação nenhuma com reencarnação. O item principal na agenda era lidar com a heresia monofisita, que ensinava que o Cristo encarnado tinha apenas uma natureza (ao invés das duas naturezas de Deus e homem ensinadas pelo Novo Testamento e a igreja primitiva). Tanto naquele concílio ou cerca daquele tempo uma lista de "anátemas" ou condenações foram publicadas contra (entre outras coisas) a noção da pré-existência das almas (como encontrado em Orígenes e alguns de seus seguidores), mas não há qualquer menção feita da reencarnação, que era evidentemente nem mesmo um ponto controverso.39 De fato, outros reencarnacionistas têm argumentado que por causa da dúvida se o concílio em 553 teve alguma relevante coisa a dizer sobre a reencarnação, não há qualquer razão para considerar a reencarnação como oficialmente condenada pela igreja!40 Claro, o quê este argumento omite é o fato de que Cristãos não acreditam na reencarnação porque ela é antitética à cristandade bíblica, não porque eles acham (erroneamente ou não) que ela foi condenada em 553.
Em conclusão, reencarnação certamente não foi suprimida pela igreja no sexto século ou em qualquer outro tempo. Ela foi explicitamente rejeitada pelos líderes da igreja desde o meio do segundo século, e nunca foi tomada seriamente como uma crença que deveria ser adotada por Cristãos. As crenças de Orígenes na pré-existência das almas foi tratada como uma aberração pelos pais da igreja e concílios que vieram após ele. Advogados da reencarnação tiveram que inventar textos não-existentes, interpolar palavras em outros textos, citar passagens anti-reencarnacionistas como se elas suportassem a doutrina e geralmente apresentar uma reconstrução mítica da história da Igreja primitiva, a fim de defender que a Igreja primitiva já ensinou a reencarnação. Teorias requerendo tais defesas inseguras podem ser seguramente consideradas falsas.
Joseph P. Gudel, Robert M. Bowman, Jr., e Dan R. Schlesinger

Notas

1. Mark Albrecht, Reincarnation: A Christian Appraisal (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1982), 9.
2. E. D. Walker, Reincarnation: A Study of Forgotten Truth (New Hyde Park, NY: University Books, 1965), 14.
3. Walker, 11.
4. The Encyclopedia of Philosophy, s.v. "Reincarnation," por Ninian Smart.
5. Sobre como o monismo se relaciona com o movimento da Nova Era, veja Elliot Miller, "What Is the New Age Movement?" Forward 8 (1985), 16-23.
6. Shirley MacLaine, Out on a Limb (New York: Bantam Books, 1983), 279, 347.
7. Veja Norman L. Geisler e J. Yutaka Amano, The Reincarnation Sensation (Wheaton, IL: Tyndale House Publishers, 1986), para uma completa análise e crítica de várias formas de crença na reencarnação.
8. Para todos estes argumentos, veja, por exemplo, Joseph Head and S.L. Cranston (eds.), Reincarnation: The Phoenix Fire Mystery (New York: Julian Press, 1977), 134-40; Quincy Howe, Reincarnation for the Christian (Philadelphia: Westminster Press, 1974), 92-97; James Dillet Freeman, The Case for Reincarnation (Unity Village, MO: United School of Christianity, 1986), 75-77.
9. Uma discussão destas questões e como elas se relacionam à reencarnação é encontrada em Albrecht, 36-43.
10. Veja especialmente F. F.. Bruce, The New Testament Documents: Are They Reliable? (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co., 1960), Norman L. Geisler e William Nix, A General Introduction to the Bible, rev. ed. (Chicago, IL: Moody Press, 1986), e Donald Guthrie, New Testament Introduction (Downers Grove, IL: Intervarsity Press, 1970).
11. Por exemplo, R. Laird Harris, The Inspiration and Canonicity of the Bible (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing Co., 1973).
12. Bruce M. Metzger, An Introduction to the Apocrypha (New York: Oxford University Press, 1957), 249.
13. Veja qualquer Bíblia padrão ou dicionário teológico ou enciclopédia sobre este ponto.
14. Por exemplo, Geisler e Amano, 133-54; veja também Albrecht, 36-40.
15. Sobre os pais da igreja e a ressurreição, veja especialmente Joanne E. McWilliam Dewart (ed.), Death and Resurrection, Message of the Fathers of the Church, Vol. 22 (Wilmington, DE: Michael Glazier, 1986).
16. Geddes MacGregor, Reincarnation in Christianity: A New Vision of the Role of Rebirth in Christian Thought (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1978), 25.
17. MacGregor, 36.
18. Justin Martyr, Diálogo com Trifo, IV. Todas as citações dos pais da igreja podem ser encontrados em The Ante-Nicene Fathers, eds. Alexander Roberts and James Donaldson, e A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, eds. Philip Schaff and Henry Wace (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co., 1983 reprint).
19. Head e Cranston, 141-42; MacGregor, 48.
20. Clemente de Alexandria, Exortação aos Gentios, I.
21. Orígenes, Contra Celso, I.32, como citado em Head e Cranston, 147.
22. Anthony J. Fisichella, Metaphysics: The Science of Life (St. Paul, MN: Llewellyn Publications, 1986), 134.
23. Contra Celso, I.32.
24. Contra Celso, V.29.
25. Veja também Orígenes, De Principiis ("Do Princípio") III.5, citado em Head e Cranston, 147; esta passagem prova que Orígenes ensinou a pré-existência das almas, mas não a reencarnação.
26. Veja as notas editoriais no The Ante-Nicene Fathers, Vol. X, 411.
27. Orígenes, Comentário de Mateus, XIII.1.
28. Ibid., XIII.1-2.
29. Jerônimo, Carta CXXIV, a Avitus, 4, 15.
30. Ibid., 4.
31. David Christie-Murray, Reincarnation: Ancient Beliefs and Modern Evidence (London: David and Charles, 1981), 59, citado em Albrecht, 47.
32. Joseph Head and S. L. Cranston (eds.), Reincarnation: An East-West Anthology (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1968), 38.
33. Jerônimo, Carta CXXX, a Demetrius, 16.
34. Ireneu, Contra Heresias, II.33.1.5; Tertuliano, Apologia, 48; A Treatise on the Soul, 28-35; Minucius Felix, Octavius, 34; Lactantius, The Divine Institute, 18-19.
35. Agostinho, A cidade de Deus, X.30; Basílio, The Hexaemeron, VIII.2.
36. Head e Cranston, Phoenix Fire Mystery, 142-43, 149-51.
37. Leslie Weatherhead, The Christian Agnostic (Nashville, TN: Abingdon Press, 1972), 209-10, citado em John Hick, Death and Eternal Life (San Francisco, CA: Harper & Row, 1976), 392.
38. Noel Langley, Edgar Cayce on Reincarnation (New York: Warner Books, 1967), 179; Leoline L. Wright, Reincarnation: A Lost Chord in Modern Thought (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1975), 67; etc.
39. Veja, por exemplo, os artigos sobre "Constantinopla, Segundo concílio de," and "Origenismo", na The New International Dictionary of the Christian Church, ed. J.D. Douglas, 2d ed. (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing Co., 1978): 257, 734.
40. Head e Cranston, Phoenix Fire Mystery, 158.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Este é o Seu Lar?

Estreou nas telas brasileiras, nesta última sexta-feira, mais uma superprodução Espírita, adaptação do livro homônimo de Chico Xavier, que narra a passagem de um médico chamado André Luiz, da vida ao suposto mundo dos espíritos, onde conhece uma cidade chamada "Nosso Lar", a partir daí a inocência do filme acaba, com uma enxurrada de doutrina espírita de reencarnação, evolução espiritual, misturada a uma panacéia exotérica sem tamanho.

No filme, os espíritos teriam contato com nosso mundo através de computadores e uma parafernália tecnológica digna de Hollywood, com direito aos melhores efeitos especiais já vistos no cinema nacional, tudo isso pra esconder as mensagens nada subliminares, começando por um dos cartazes de divulgação que mostra a cidade em forma de pentagrama invertido com um círculo em volta, antigo "símbolo de baphomet", nome formado pela composição do nome de três deuses: Baph, que seria ligado ao deus BaalPho, que derivaria do deus Moloch; e Met, advindo de um deus dos egípcios, Set. Um deus-bode, adorado pelos satanistas desde a idade média e associado a Lúcifer.


                                                      
Veja abaixo as figuras e compare você mesmo:



Agora pergunto aos "cristãos" que lotam os cinemas para ver esse tipo de filme e fazem livros espíritas se tornarem best-sellers: Será que esquecemos que Nosso Lar é o Céu?Lá está o nosso tesouro e a certeza da ressurreição  conquistada no Calvário!Lá está a nossa meta! 
                                                              
 "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo,buscai as coisas lá do alto
(Colossenses 3,1)


Luis Fernando Pimentel de Alencar
Missão Rosa Mística

sábado, 17 de abril de 2010

Cristianismo e Espiritismo: Pode Existir esta Parceria?


Nesta onda de filmes, novelas e livros exaltando o espiritismo como prática "cristã", leiamos este maravilhoso texto do saudoso D. Estêvão Bettencourt, sobre o assunto:

INTRODUÇÃO

A relação entre Espiritismo e Umbanda, por exemplo, é tão íntima que há quem diga que a Umbanda é complementação do Espiritismo; seria a quarta revelação (após a de Moisés, a de Jesus Cristo e a de Allan Kardec). Tenha-se em vista o texto do jornal “O Reformado” órgão oficial da Federação Espírita Brasileira, julho de 1953, p. 149:

“Baseados em Kardec, é-nos lícito dizer: Todo aquele que crê nas manifestações dos espíritos, é espírita; ora o umbandista nelas crê, logo o umbandista é espírita… Assim todo umbandista é espírita, porque aceita a manifestação dos Espíritos, mas nem todo espírita é umbandista, porque nem todo espírita aceita as práticas de Umbanda”

O Espiritismo seduz muitos fiéis católicos, seja por causa dos “fatos prodigiosos” que lá ocorrem, seja pela promessa de comunicação com os defuntos, seja porque o Espiritismo às vezes se reveste de capa católica, adotando no mês de Santos para os seus Centros e louvando Jesus Cristo…

Daí a necessidade de dizermos porque um católico não pode ser espírita. É o que faremos nas páginas seguintes, abrangendo sob a designação de Espiritismo também as religiões afro brasileiras (Umbanda, Candomblé, Macumba…); estas têm em comum com o kardecismo a prática da evocação dos mortos e a crença na reencarnação.

São sete as razões pelas quais não sou espírita (kardecista ou umbandista):

1. GRANDE ILUSÃO

Um dos fatores mais atraentes do Espiritismo é a aparente comunicação com os “espíritos desencarnados”; estes parecem acompanhar os vivos, consolando-os e orientando-os; é o que ocorre nos casos do copo falante, da psicografia, das casas mal-assombradas, etc.

Ora, a explicação desses fenômenos por intervenção de espíritos do além podia ter crédito nos tempos de Allan Kardec (1804-1869). Hoje, porém, o estudo do psiquismo humano mostra que todos os fenômenos ditos “de mediunidade” são meras expressões do psiquismo do médium e de seus assistentes. Com efeito, a parapsicologia ensina que temos 7/8 de nossos conhecimentos (adquiridos desde a infância) em nosso inconsciente; usamos apenas 1/8 daquilo que sabemos. Ora, por efeito da sugestão, essas noções latentes sobem à consciência do indivíduo e lhe possibilitam manifestações que parecem estranhas, oriundas do além, quando na verdade são apenas expressões daquilo que a pessoa viu, ouviu, sentiu no decorrer de sua vida presente.

O inconsciente, a sugestão e uma grande sensibilidade são, portanto, os principais fatores que explicam os fenômenos mediúnicos. O inconsciente é um enorme repertório de imagens, sons e experiências latentes no ser humano; está sujei to a ser ativado pela sugestão de que o médium vai receber um espírito do além e, por isto, terá que representar um papel condizente com tal “in corporação”.

Não há fenômeno mediúnico que não possa ser explicado pela parapsicologia, de modo que é falso recorrer a intervenções do além para compreendê-los.

Somente quem permite que a emoção e os sentimentos preponderem sobre o raciocínio e ciência, pode aderir ao Espiritismo. Este não é ciência, como diz, mas (doloroso afirmá-lo) é obscurantismo, pois supõe ainda o contexto do século XIX e ignora os resultados comprovados da Psicologia contemporânea.

2. DESMENTIDO DAS IRMÃS MARGARET E KATY FOX

Pouco se conhece um fato importante:

1. O Espiritismo moderno, como dizem os próprios espíritas, começa em Hydesville (N.Y., U.S.A.) em 1848. Certa noite, o pastor protestante John Fox, sua esposa e as duas filhas Margarida e Catarina estavam a conversar sobre estranhos fenômenos de “assombração”; Catarina então produziu estalos com os dedos; notaram todos que alguém os repetia. Por sua vez, Margarida produziu estalos e encontrou o eco. Apavorada, a Sra. Fox perguntou: “E homem ou mulher que está batendo?”, mas não obteve resposta. Insistiu então: “E espírito? Se é espírito, bata duas vezes”. Produziram-se duas breves pancadas. Concluiu assim que um espírito “desencarnado” estava em comunicação com a família. Segundo se diz, os próprios espíritos indicaram às irmãs Fox em 1850 nova forma de comunicação: que os interessados se colocassem em torno da mesa, em cima da qual poriam as mãos; às interrogações que fizessem aos espíritos, a mesa responderia com golpes e movimentos indicadores de letras do alfabeto e de palavras.

Em pouco tempo, as novas práticas se espalharam pelos Estados Unidos, pelo Canadá e pelo México. Atravessaram o Atlântico, chegando à Escócia e à Inglaterra: passaram para a Alemanha e outros países europeus, encontrado em 1854 na França o seu grande doutrinador: León Hippolyte-Denizart-Rivai que tomou o nome de

AlIan Kardec, pois julgava ser a reencarnação de um poeta celta do mesmo nome.

2. Ora, eis o depoimento de Margaret Fox, publicado no jornal “The New York Herald”, de 24/ 9/1888:

“Quando o espiritismo começou, Kate e eu éramos criancinhas e essa velha mulher, minha outra irmã, fez de nós seus instrumentos. Nossa mãe era uma tola. Era uma fanática. Assim a chamo porque era honesta. Acreditava nessas coisas. De fato, o espiritismo começou com um nada. Éramos apenas criancinhas inocentes. Que sabíamos nós? Ah chegamos a saber demais! Nossa irmã serviu-se de nós em suas exibições; ganhávamos dinheiro para ela”.

Agora se vira contra nós porque é esposa de um homem rico e, sempre que ela o pode, opõe-se a nós.

O Dr. Kane encontrou-me quando eu levava essa vida. (Sua voz tremeu, aqui, e quase desfaleceu). tinha eu apenas treze anos quando ele me livrou disso, colocando-me num colégio. Fui educada em Filadélfia. Aos dezesseis anos, casei-me com ele na ocasião em que voltou de uma expedição ártica. Agora, chegamos à triste história, tão triste… Ele se achava muito doente…

Quando recuperei as forças, fui novamente empurrada para o espiritismo. Dei exibições com minha queridíssima irmã Kate. Sabia, então, é claro, que todos os efeitos por nós produzidos eram absolutamente fraudulentos. Ora, tenho explorado o desconhecido na medida em que uma criatura humana o pode. Tenho ido aos mortos procurando receber deles um pequeno sinaL Nada vem daí — nada, nada. Tenho estado junto às sepulturas, na calada da noite, com licença dos encarregados. Tenho-me assentado sozinha sobre os túmulos, para que os espíritos daqueles que repousavam debaixo da pedra pudessem vir ter comigo. Tenho procurado obter algum sinal. Nada! Não, não, não, os mortos não hão de voltar, nem aqueles que caem no inferno. Assim o diz a Bíblia católica, e eu o digo também. “Os espíritos não voltam. Deus nunca o ordenou”.

3. Por sua vez, a Sra. Katy Fox (casada com o Sr. Jencken) deixou o seguinte testemunho, publicado no “The New York Herald”, de 10/10/1888:

“O espiritismo é fraude do princípio ao fim. É a major impostura do século. Não sei se ela já lhe disse isso, mas Maggie e eu começamos quando éramos crianças muito pequeninas, pequenas e inocentes demais para compreendermos o que fazíamos. Nossa irmã Leah contava vinte e três anos mais que nós, Iniciadas no caminho do engano e encorajadas a isso, continuamos, é claro. Outros, com bastante idade para se envergonharem de tal infâmia, apresentaram-nos ao mundo. Minha irmã Leah publicou um livro intitulado ‘O Elo que faltava ao Espiritismo Pretende contara verdadeira história do movimento, tanto quanto se originou conosco. Ora, só há no livro falsidade do início ao fim. Salvo o fato de que foi Horace Greeley que me educou. O restante é uma cadeia de mentiras”.

“E, quanto às manifestações de Hydesville em 1848 e aos ossos encontrados na adega, e o mais?’ ‘Tudo fraude, sem exceção” “Contudo, Maggíe e eu somos as fundadoras do espiritismo!”, concluiu a Sra. Jencken.

“Debaixo do nome dessa terrível, horrorosa hipocrisia — o espiritismo — tudo que há de impróprio, mau e imoral é praticado. Vão tão longes a ponto de terem o que chamam ‘filhos espirituais’! Pretendem algo como a imaculada Conceição! Coisa alguma poderia ser mais blasfematória, mais nojenta, mais altamente fraudulenta! Em Londres, fui disfarçada, a uma sessão privada em casa de um homem rico. Vi uma chamada ‘materialização O efeito foi obtido por meio de papel luminoso cujo brilho se refletia sobre o refletor. A figura assim exibida era a de uma mulher– virtualmente um nu; envolvia-a uma gaze transparente. O rosto apenas se achava oculto. Era essa uma das sessões a que são admitidos alguns amigos privilegiados, não ‘crentes’, de espíritas ‘crentes Há, porém, outras sessões a que só são admitidos os mais provados e fiéis; aí ocorrem as coisas mais vergonhosas, que rivalizam com as saturnálias secretas dos antigos romanos. Não posso descrever-lhe es sas coisas, porque não ousaria”.

4. O jornal “The World”, de 22110/1888, publicou a crônica da famosa sessão na Academia de Música de Nova lorque, ocorrida na noite de 21/ 10/1 888. A Sra. Margaret Fox Kane proferiu então, perante grande público, caloroso depoimento, que também se lê no livro de Davenport: The Death – BIow to Spiritualism (New York, 1888); desta obra extraímos o seguinte texto:

“No dia 21 de outubro de 1888, a Sra. Margaret Fox Kane, realizou pela primeira vez seu intento de, com os próprios lábios, denunciar publicamente o espiritismo e seu séquito de truques. Apresentou-se à Academia de Música em Nova York perante numerosa e distinta assembléia e, sem reservas, demonstrou a falsidade de tudo quanto no passado fizeram sob o disfarce da ‘mediunidade’ espírita”.

Foi dura provação. A grande tensão nervosa de que padecia tomou-lhe a mente altamente excitada, e o grande número de espíritas presentes na casa tentava criar uma perturbação, ou uma diversão desleal que teria por fim romper a força de renúncia da Sra. Fox. Falharam, porém, completamente, graças ao caráter superior que possuía a maioria de seus ouvintes.

O efeito moral dessa exibição não poderia ter sido maior. A Sra. Kane manteve-se de pé sobre o palco; tremendo e possuída de intensos sentimentos, fez a seguinte e extremamente solene abjuração do espiritismo, enquanto a Sra. Catharine Fox Jencken assistia de um camarote vizinho, dando, por sua presença, inteiro assentimento a tudo que a irmã dizia:

‘Deveis, sem dúvida, saber que tenho sido o principal instrumento em perpetrar a fraude do espiritismo num público demasiadamente confiante.

O maior sofrimento de minha vida é que essa é a verdade. Embora tenha essa hora chegado tarde, estou agora preparada para dizer a verdade, toda a verdade e nada senão a verdade — a isso Deus me ajude!

Há, provavelmente, muitos aqui presentes que me hão de desprezar por causa do engano a que me tenho entregue; contudo, se soubessem a história verdadeira do meu passado infeliz, a viva agonia, a vergonha que tem sido para mim, haveriam de me lamentar, não reprovar.

A impostura que por tanto tempo mantive, começou na minha tenra meninice, quando, o espírito e o caráter ainda não formados, era incapaz de distinguir entre o bem e o mal. Quando atingi a maturidade, eu me arrependi. Tenho vivido anos através de silêncio, timidez, desprezo e amarga adversidade, ocultando, o melhor que pude, a consciência de minha culpabilidade. Agora, graças a Deus e à minha consciência despertada, estou enfim apta a revelara verdade fatal, a verdade exata dessa hedionda fraude que tantos corações tem feito mirrar e obscurecido tantas vidas.

Esta noite estou aqui como uma das fundadoras do espiritismo, para denunciá-lo como absoluta falsidade, do princípio ao fim, como a mais frívola das superstições, a mais maldosa blasfêmia do mundo.

Os depoimentos aqui transcritos encontram-se na obra de D. Boaventura Kloppenburg: “O Espiritismo no Brasil”, Ed. Vozes, Petrópolis, 1960, pp. 426-447, onde se encontra também a cópia fac-símile das respectivas páginas dos originais ingleses.

Notemos que, além da explicação por truques, ocorre à explicação pela parapsicologia quando se trata de fenômenos mediúnicos. Em nossos dias pode-se crer que a maioria dos médiuns e freqüentadores do Espiritismo são pessoas sinceras e de boa fé; sem o saber, estão provocando fenômenos parapsicológicos, que elas atribuem à intervenção de “espíritos desencarnados”.

3. FATOR DE DOENÇAS MENTAIS

A excitação do psiquismo humano provoca do pelo exercício da mediunidade não pode deixar de traumatizar a pessoa e tornar-se foco de doenças mentais. Atestam-no grandes médicos do Brasil, habituados a tratar de psicopatologias diversas. Eis alguns de seus depoimentos, colhidos por D. Boaventura Kloppenburg num inquérito realizado em 1953:

Dr. Luís Robalinho Cavalcanti:

“Não é aconselhável promover o desenvolvimento das faculdades mediúnicas, desde que se trata de fenômenos psicopatológicos prejudiciais ao indivíduo.

O médíum deve ser considerado como uma personalidade anormal, predisposto a enfermidades mentais, ou já portador de psicopatias crônicas ou em evolução.

As práticas mediúnicas são prejudiciais à saúde mental da coletividade, retardando o tratamento dos pacientes, que muitas vezes chegam às mãos do médico com enfermidade já cronificada. O Espiritismo põe em evidência enfermidades mentais preexistentes e desencadeia reações psicopatológicas em predispostos.

São convenientes medidas que visem a evitar a prática de atividades médicas e terapêuticas por se tratar de contravenção, proibida pelas leis sanitárias, que só reconhecem ao médico com diploma devidamente registrado nos órgãos competentes o direito de tratar pessoas doentes”

Dr. Francisco Franco:

“Provocar fenômenos espíritas é desaconselhável porque danoso para o organismo; o médium forma-se um neurastênico, autômato, visionário, abúlico, antecâmara à esquizofrenia, um indivíduo perigoso para si e a sociedade.

O médium nunca pode ser normal pelas razões expostas acima.

O Espiritismo é uma farsa, portanto nula a sua finalidade.

O Espiritismo está colocado em primeiro lugar como fator de loucura e de outras perturbações patológicas, agindo, sobretudo nas mentalidades fracas particularmente nas sugestionáveis. O Espiritismo é o maior fator produtor de insanos que perambulam pelas ruas, enquanto grandes percentagens enchem os manicômios, casas de saúde, segundo a opinião de abalizados psiquiatras, como Austregésílo, Juliano Moreira, Franco da Rocha, Pacheco e Silva.”

Dr. Oswald Morais Andrade:

O Espiritismo é prejudicial, principalmente nos meios incultos.

É tese assente em Psiquiatria que o Espiritismo pode agir como fator desencadeante de distúrbios mentais em indivíduos predispostos.

Aprovo uma campanha de esclarecimento da população contra a prática mediúnica”.

Dr. Franco da Rocha no livro “Esboço de Psychiatria Forense”, p. 32, escreve:

“A propósito das reuniões espíritas, num trabalho recente escreveram Soilier e Boissier: ‘Em benefício da profilaxia seria de conveniência divulgar os acidentes causados pela freqüência às sessões espíritas. Charcot, Forel, Vigoroux, Henneberg e outros publicaram exemplos de pessoas, sobretudo moças,anteriormente sãs, que se tornaram histéreo-espilépticas, em conseqüência de terem tomado parte nas cenas de evocação dos espíritos. É o resultado do automatismo, um exercício metódico para o desdobramento e desagregação da personalidade. Aqui fazem explodir ou agravam a neurose, acolá despertam e sistematizam a tendência à vesânia, que um vida regular e bem dirigida teria abafado. Tais são o perigos que devem ser conhecidos”

Dr. Juliano Moreira:

Respondeu nos termos abaixo a um inquérito realizado pelo Dr. João Teixeira Alvares, que publicou as respectivas respostas no livro “ Espiritismo” (Uberaba, 1914), pp. 122-125:

‘Tenho visto muitos casos de perturbações nervosas e mentais evidentemente desperta das por sessões espíritas. No Hospital Nacional, não raro, vêm ter tais casos.

Até hoje não tive a fortuna de ver um médium principalmente os chamados videntes, que não fosse neuropata.”

Dr. Joaquim Dutra:

Respondeu ao mesmo inquérito:

“As práticas espíritas estão incluídas, e com certa proeminência, entre as causas e efeitos das moléstias mentais, incluindo diretamente, pelas perturbações emotivas, com um coeficiente avolumado, para a população dos manicômios.

Exageradas, até se tornarem preocupação dominante, elas preparam a loucura, quando não são mesmo uma denúncia da existência de loucura.

Por impressionáveis, tais práticas concorrem para a alucinação, determinando emoções que acarretam perturbações vaso-motoras ou que provocam concentração psíquica, estados de abstração, perturbações graves nas funções vegetativas, alterações nas secreções internas, redundando tudo em auto- intoxicação…”

Dr. Antônio Austregésilo:

Em resposta ao Dr. João Teixeira Alvares:

“O Espiritismo é no Rio de Janeiro uma das causas predisponentes mais comuns de loucura.

Os médiuns devem ser considerados indivíduos neuropatas próximos da histeria.

O Espiritismo é uma neurose provocada pela fácil auto-sugestibilidade, em que há predominância dasalucinações psíco-sensoriais, sendo não raro histeria ou um estado hísteróíde’

Tais depoimentos dispensam qualquer comentário. A experiência cotidiana os comprova amplamente.

4. REENCARNAÇÃO

A reencarnação vem a ser tese arbitrária, para a qual não há fundamento objetivo. Aliás, é tão subjetiva que os espíritas mesmos não concordam entre si a respeito.

Assim, por exemplo, enquanto os espíritas latinos admitem firmemente a reencarnação, os anglo-saxões o rejeitam. E por quê? – Porque os anglo-saxões, movidos por preconceitos racistas, não podem imaginar que voltarão à Terra num corpo de raça negra ou indígena.

Mesmo entre os reencarnacionistas há divergências: alguns dizem que a reencarnação é lei geral, ao passo que outros a admitem apenas para os espíritos mais atrasados ou para os perfeitos, que tem de cumprir alguma missão na Terra. Uns sustentam que o ser humano se reencarna sempre no mesmo sexo, enquanto outros professam variação alternativa de sexo. Uns ensinam que a reencarnação se faz apenas na Terra, enquanto outros admitem que ocorra também em outros planetas. Uns pensam que a reencarnação se dá pouco depois da morte, outros afirmam um inter valo de mil e quinhentos anos precisamente. Uns julgam que a reencarnação é não só progressiva, mas também regressiva, de modo que o indivíduo pode voltar à Terra num corpo animal ou vegetal; outros, ao contrário, dizem que a reencarnação não pode ser regressiva, mas, na pior das hipóteses, é estacionária por algum tempo…

Como se vê, esta variedade de sentenças manifesta bem que a doutrina da reencarnação carece de base objetiva; é, antes, um postulado fantasioso dos que a professam. Com efeito, vejamos os argumentos aduzidos pelos reencarnacionistas:

1) Os testemunhos de vida pregressa obtidos em estado de transe hipnótico. – Um estudo apurado dos mesmos revela que nada mais são do que a combinação de impressões colhidas durante esta vida mesma e guardados no inconsciente do sujeito. Este, sugestionado pelo hipnotizador de que viveu uma encarnação anterior, projeta essas impressões em combinação livre, tecendo o enredo de uma “vida pregressa”!

2) A desigualdade das sortes humanas só se explicará como conseqüência de atos bons ou maus praticados numa encarnação anterior. – Respondemos que Deus é livre para criar os homens como Ele os quer; a cada qual Deus dá graça para que se santifique e chegue à vida eterna; às vezes uma pessoa tida como pobre ou do ente no plano material e passageiro pode ser extraordinariamente rica e sadia no plano dos valores definitivos. Ademais, segundo os princípios reencarnacionistas, quem atualmente é doente e pobre é um pecador que está expiando pecado da vida passada, ao passo que os ricos e sadio são pessoas virtuosas que estão recebendo o prêmio dos atos bons praticados em encarnação anterior. Ora, tais conclusões são absurdas.

3) Os demais fenômenos tidos como provas da reencarnação (o “já visto”, os gênios, a memória extraordinária…) são facilmente explicados pela parapsicologia como expressões do psiquismo humano.

4) O conceito de inferno… – Muitas vezes a má compreensão do que seja o inferno leva a rejeitá-lo em favor do reencarnacionismo. Na verdade, o inferno não é um tanque de enxofre fumegante atiçado por diabos munidos de tridentes, mas é um estado de alma, no qual o indivíduo se projeta por dizer Não a Deus: após a morte, a pessoa que morre consciente e voluntariamente avessa a Deus, é respeitada em sua opção definitiva, mas não pode deixar de reconhecer que Deus é o Sumo Bem… e o Sumo Bem que continua a amá-la irreversivelmente. É o fato de que Deus ama uma vez por todas, mas foi conscientemente preterido em favor de bagatelas, que causa o tormento do réprobo. Se Deus desviasse do réprobo o seu amor, ele não sofreria o inferno; mas Deus não pode deixar de amar, porque Ele não se pode contradizer. E precisamente nisto que está o princípio do inferno. Vê-se assim que o inferno, longe de contradizer ao amor de Deus, decorre, de certo modo, da grandeza divina desse amor.

5) O reencarnacionismo atribui ao homem o poder de salvar a si mesmo mediante sucessivas existências na carne, durante as quais o indivíduo mesmo se aperfeiçoa por seus esforços. Ao contrário, o bom senso e a fé mostram que o homem é, por si só, incapaz de se libertar do pecado e necessita da graça de Deus para se salvar. Somente numa perspectiva panteísta (ver a seguir) é que se pode admitir a auto-salvação do homem (pois no caso ele é parcela da Divindade); contudo numa perspectiva monoteísta, segundo a qual Deus é distinto do mundo e do homem, é lógico que o homem limitado e falho como é, necessita de Deus para se auto-realizar plena mente.

5. PANTEÍSMO

O Espiritismo seja o kardecista, seja o afro brasileiro, parece dar menos importância a Deus do que aos espíritos desencarnados. O culto espírita versa geralmente sobre a comunicação com os mortos.

Quando tratam de Deus, vários autores espíritas professam o panteísmo, ou seja, a identificação de Deus com o mundo e o homem. Ora, tal conceito é ilógico e aberrante, pois Deus, por definição, é o Absoluto e Eterno, ao passo que toda criatura é relativa, contingente e temporária. Eis alguns testemunhos significativos:

Leão Denis:

“Deus é a grande alma universal, de que toda alma humana é uma centelha, uma irradiação. Cada um de nós possui em estado latente forças emanadas do divino Foco” (“Cristianismo e Espiritismo”, 5ª edição, p. 246).

“O Ser Supremo não existe fora do mundo, porque é sua parte integrante e essencial” (“Depois da morte”, 6ª edição, p. 114).

O escritor espírita Rangel Veloso diz ter ouvi do a seguinte declaração num Centro Espírita:

“Deus é como uma folha de papel, rasgadinha em milhões, bilhões e não sei quantas mais divisões. Lançados esses pedacinhos de papel no Universo, cada pedacinho de papel representa um homem e um ser existente; todos reunidos, formando o todo, é Deus” (”Pseudo-sábios ou Falsos Profetas”, 1947, p. 34).

O 1° Congresso de Espiritismo de Umbanda adotou unanimemente a conclusão n° 5:

“A filosofia (de Umbanda) consiste no reconhecimento do ser humano como partícula da Divindade, dela emanada límpida e pura, e nela firmemente reintegrada ao fim do necessário ciclo evolutivo no mesmo estado de limpidez e pureza, conquistado pelo seu próprio esforço e vontade”.

(Textos colhidos no opúsculo de Frei Boaventura Kloppenburg: “Por que a Igreja condenou o Espiritismo”, 2ª edição, Petrópolis, 1954, p. 29).

6. “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”

O Espiritismo apregoa em alta voz a prática da caridade, sem a qual não há salvação. Tem razão em afirmar a importância da caridade. Todavia os espíritas chegam a relativizar a verdade, como se esta fosse algo de secundário, que não se teria de levar em consideração. Ora, observarmos que o ser humano foi feito para apreender a verdade com a sua inteligência e praticar o bem e o amor em seu comportamento. Por isto não se pode dizer que basta a caridade para a salvação eterna. Em nome da caridade mal entendida (ou mal iluminada pela razão e a fé), podem-se ter autênticas aberrações; a caridade desorientada pode tornar-se mero rótulo que dê aparência legítima ao egoísmo e à exploração do próximo. – De resto, a prática da caridade não é apanágio do Espiritismo, pois a Igreja Católica durante toda a sua história (portanto já muito antes de AlIan Kardec) sempre se empenhou pela sorte dos carentes tanto de corpo como de alma; muitos e muitos Santos foram, e são, verdadeiros heróis do serviço ao próximo.

7. A BÍBLIA REJEITA

Para quem é cristão, o texto bíblico tem valor de guia fundamental. Ora, a Bíblia condena eloqüentemente a evocação dos mortos:

Lv 19,31: “Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os advinhos, pois eles vos contaminariam”.

Lv 20,6: “Aquele que recorrer aos necromantes e aos adivinhos para se prostituir com eles, voltar-me-ei contra esse homem e o exterminarei do meio do seu povo”.

Lv 20,27: “O homem ou a mulher que, entre vós, for necromante ou adivinho, será morto, será apedrejado, e o seu sangue cairá sobre ele ou ela”.

Dt 18,10-14: “Que em teu meio não se encontre alguém que queime seu filho ou sua filha, nem que faça presságio, oráculo, adivinhação ou magia, ou que pratique encantamentos, que interrogue espíritos ou adivinhos, ou ainda que evoque os mortos; pois quem pratica essas coisas é abominável a Iahweh… Eis que nas nações que vais conquistar, ouvem oráculos e adivinhos. Quanto a ti isso não te é permitido por Javé teu Deus” Ver ainda 2Rs 17,17; Is 8, 19s.

A proibição se deve não à suposição de que os mortos sejam incomodados pelos vivos, mas ao fato de que não há receita que garanta a comunicação entre vivos e mortos. A necromancia é superstição. A oração que os cristãos dirigem aos Santos, não se baseia em fórmulas ou receitas mágicas, mas unicamente na convicção de que Deus quer conservar a comunhão entre os membros do Corpo Místico de Cristo; por isto Ele faz que os justos no céu tomem conhecimento das preces despretensiosas que lhes dirigimos na Terra e, em conseqüência, intercedam por nós.

Quanto ao caso de Saul, que evocou Samuel mediante a pitonisa de Endor e foi atendido (cf. 1Sm 28,5-15), não é paradigma, pois diz a própria Bíblia que Saul foi condenado por causa disso (cf. 1Cr 10,3). Deus permitiu que Saul recebesse de Samuel, naquele momento, a advertência de que estava no fim sua vida terrestre e no dia seguinte ia morrer, foi por causa da importância solene daquela hora que Deus permitiu a resposta de Samuel; ela não foi provocada pela arte da adivinha; esta apenas forneceu a ocasião ou as circunstâncias da manifestação de Samuel.

* * *

Eis por que não sou, nem posso ser, espírita. Religião não é apenas emoção e sentimento, mas é culto a Deus e serviço aos homens, sempre iluminado pelas luzes da razão e da fé na Palavra de Deus, O que muito atrai as pessoas ao Espiritismo, é a capacidade que este tem de suscitar afetos e emoções diversas, muitas vezes desligadas de senso lógico e espírito crítico. Ora, quem permite que os sentimentos preponderem sobre o raciocínio, arrisca-se a cometer graves erros doutrinários e prejudicar sua saúde psíquica… principalmente quando se trata de religião, que é um dos fatores mais aptos a impressionar o ser humano.

Fonte: Escola Mater Ecclesiae