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domingo, 6 de março de 2016

Retiro Quaresmal 2016 - 4ª Semana da Quaresma

RETIRO QUARESMAL COMUNITÁRIO

Jesus, o Rosto da Misericórdia

4ª Semana da Quaresma

Não podemos esquecer o grande ensinamento que ofereceu São João Paulo II com a sua segunda encíclica, a Dives in misericordia, que então surgiu inesperada suscitando a surpresa de muitos pelo tema que era abordado. (...) o Santo Papa assinalava o esquecimento em que caíra o tema da misericórdia na cultura dos nossos dias: « A mentalidade contemporânea, talvez mais que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. A palavra e o conceito de misericórdia parecem causar mal-estar ao homem, o qual, graças ao enorme desenvolvimento da ciência e da técnica nunca antes verificado na história, se tornou senhor da terra, a subjugou e a dominou (cf. Gn 1, 28). Um tal domínio sobre a terra, entendido por vezes unilateral e superficialmente, parece não deixar espaço para a misericórdia. (...) Por esse motivo, na hodierna situação da Igreja e do mundo, muitos homens e muitos ambientes guiados por um vivo sentido de fé, voltam-se quase espontaneamente, por assim dizer, para a misericórdia de Deus ».”


Nessa quarta semana de nosso retiro, a Bula Misericordiae Vultus, escrita pelo Papa Francisco, nos desperta para a cultura da violência e da falta de compaixão em que o mundo caiu, numa oposição e até numa ojeriza à Misericórdia. Parece que ser misericordioso virou sinônimo de ser fraco.
Estamos num tempo onde quando encontro alguém ferido ou presencio um acidente, antes mesmo de pensar em prestar algum socorro, é mais importante fazer um vídeo ou uma foto para postar numa rede social para dizer que viu a desgraça do outro. Em nossa sociedade é bom, prazeroso, ter em primeira mão a notícia da desgraça do outro e contar com detalhes cruéis a fatídica notícia. Tempo em que os brados de “bandido bom é bandido morto” nos inebriam e fazem achar que assim teremos paz em nossos lares “perfeitos”.
Essa é a semana em que precisamos pedir ao Espírito de Deus um coração igual ao de Jesus, um coração manso, humilde e misericordioso, coração de quem foi tocado e resgatado pela Misericórdia.

Compromissos desta Quarta Semana:*

Abstinência: Essa semana nos absteremos de ver, ouvir ou propagar notícias que retratem a desgraça do ser humano. Que notícias de violência ou morte, não saiam de nossas bocas, telefones ou computadores. Substituamos essas notícias pela Palavra de Deus ou frases de Amor e Misericórdia.

Compromisso de Misericórdia: Busquemos, essa semana, rezar pelas pessoas que são vítimas de violência e pelos que a promovem. Se possível, visitemos alguém que se encontre encarcerado, devido à prática de violência, ou um enfermo vítima desta e levemos a Palavra de Misericórdia, Perdão e de Verdadeira Liberdade.

 Intenção Comum de Oração: Peçamos a Deus que nos faça instrumentos de Paz e perdoe nossas palavras e pensamentos incentivadores da falta de Misericórdia.

 Não se esqueçam de que estamos juntos nesse caminho que pode mudar nossa história e só começa nessa quaresma.

Partilhe conosco suas experiências com esse retiro que é presente de Deus para nós!

Seu Irmão Menor, Pai Fundador,

Luis Fernando Pimentel de Alencar, CMRM


*Não esqueçamos da Oração Diária com o Evangelho do dia, crescendo com a Palavra de Deus e da prática da Via-Sacra que a Igreja recomenda, pelo menos, uma vez durante a quaresma, de preferência ás sextas-feiras.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Retiro Quaresmal 2016 - 3ª Semana da Quaresma

RETIRO QUARESMAL COMUNITÁRIO

Jesus, o Rosto da Misericórdia

3ª Semana da Quaresma

Temos depois outra parábola da qual tiramos uma lição para o nosso estilo de vida cristã. Interpelado pela pergunta de Pedro sobre quantas vezes fosse necessário perdoar, Jesus respondeu: « Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete » (Mt18, 22) e contou a parábola do « servo sem compaixão ». Este, convidado pelo senhor a devolver uma grande quantia, suplica-lhe de joelhos e o senhor perdoa-lhe a dívida. Mas, imediatamente depois, encontra outro servo como ele, que lhe devia poucos centésimos; este suplica-lhe de joelhos que tenha piedade, mas aquele recusa-se e fá-lo meter na prisão. Então o senhor, tendo sabido do facto, zanga-se muito e, convocando aquele servo, diz-lhe: « Não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti? » (Mt 18, 33). E Jesus concluiu: « Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração » (Mt 18, 35).

A parábola contém um ensinamento profundo para cada um de nós. Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os seus verdadeiros filhos. Em suma, somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para connosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: « Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento » (Ef 4, 26). E sobretudo escutemos a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé: « Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia » (Mt 5, 7) é a bem-aventurança a que devemos inspirar-nos, com particular empenho, neste Ano Santo.”

Nessa terceira semana de nosso retiro, o Santo Padre através da Bula Misericordiae Vultus, vem nos convidar a experimentar uma maravilhosa Bem-aventurança e imitá-lo na Misericórdia. Agora começamos a trilhar um caminho, muitas vezes, duro e doloroso, mas cujo destino é a Eterna Alegria do Céu, e esse caminho único e irrepetível é o Caminho do perdão e da humilhação do pedido de perdão.É hora de quebrar as amarras do orgulho e da autossuficiência, hora de nos assemelhar a Jesus que: Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus,mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens.E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.”(Filipenses 2,6-8)

Compromissos desta Terceira Semana:*

Abstinência: Essa semana nos absteremos de ouvir fofocas ou conversas que venham trazer satisfação no apontar os erros do outro, sem a intenção de auxílio, principalmente das fofocas disfarçadas de “partilha” da vida do irmão. É hora de Misericórdia!

Compromisso de Misericórdia: Se semana passada começamos a escrever o exame de consciência para a confissão quaresmal, já é hora de fazer o “Inventário da Misericórdia” e listar que precisamos perdoar e a quem precisamos pedir perdão, pois: “Antes de oferecer nossas orações é necessário reconciliar nossa vida com a do irmão”(Cf. Mt 5,24) .

Intenção Comum de Oração: Pelas famílias que vivem em permanente espírito competição interna e que não sabem edificar uns aos outros no perdão, na oração e no amor.

Eis mais um passo, irmãos, em nosso caminho de Retiro Quaresmal. Saibam que estamos juntos nesse caminho que pode mudar nossa história.

Partilhe conosco suas experiências com esse retiro que é presente de Deus para nós!

Seu Irmão Menor, Pai Fundador,

Luis Fernando Pimentel de Alencar, CMRM

*Não esqueçamos da Oração Diária com o Evangelho do dia, crescendo com a Palavra de Deus.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Retiro Quaresmal 2016 - 2ª Semana da Quaresma

RETIRO QUARESMAL COMUNITÁRIO
Jesus, o Rosto da Misericórdia

2ª Semana da Quaresma

Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.

Mais uma vez a Bula Misericordiae Vultus, enriquece nosso caminho quaresmal.O Espírito Santo, através do Papa nos conduz a entender que antes de ser Misericordiosos, somos chamados a experimentar a Misericórdia Infinita que nos ama “apesar da limitação do nosso pecado”. Essa segunda semana é a semana de experimentar e levar os outros a experimentarem, em tudo, o Amor que constrange, o que me lembra uma canção que conheci lá atrás em minha caminhada:




“Bem mais do que eu possa entender,
Muito além da razão,está o teu amor
Tão grande que me constrange
(Bem Mais-Suely Façanha)

É hora de ser como a Pecadora apresentada a Jesus e escutar: “Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais.”(João 8, 11)

Compromissos desta Segunda Semana:*

Abstinência: Essa semana nos absteremos de toda reclamação a respeito de atitudes supostamente erradas de quem quer que seja que não esteja ouvindo o que falamos. Lembre-se, murmurar, julgar e se fazer de coitadinho são atitudes bem diferentes de exortar. A exortação edifica e conduz ao Céu as outras atitudes destroem e geram o inferno aqui mesmo na Terra.
Compromisso de Misericórdia: Começar a escrever o exame de consciência para a confissão quaresmal.
Intenção Comum de Oração: Pelos que, mergulhados no pecado, acreditam que não têm mais direito a Salvação. Pelos que já experimentaram o Poder Salvador de Jesus e se afastaram por algum motivo. Que estes se sintam Amados por Jesus e Sua Igreja e retornem ao convívio dos irmãos.
Continuemos, irmãos, em nosso caminho de Retiro Quaresmal  e colhamos, ao final, os frutos da Misericórdia!

Mais uma vez lembro que se quiser pode postar aqui no blog seus comentários e testemunhos.Visite também, e curta, nossa Fanpage no Facebook: fb.com/rosamisticaonline

Seu Irmão Menor, Pai Fundador,

Luis Fernando Pimentel de Alencar, CMRM

*Não esqueçamos da Lectio Divina Diária com o Evangelho do dia.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Retiro Quaresmal 2016 - 1ª Semana da Quaresma

RETIRO QUARESMAL COMUNITÁRIO
Jesus, o Rosto da Misericórdia

1ª Semana da Quaresma

“Na Sagrada Escritura, como se vê, a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não Se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias. A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros.”

Nesse trecho que lemos da Bula Misericordiae Vultus, percebemos que Deus quer nos dar a viver uma Misericórdia concreta, não somente no campo das idéias ou no “romantismo espiritual” que nos leva muitas vezes a dizer: “Tenho tanta pena, rezo até por ele(a) mas não preciso estar perto fisicamente”. Jesus, Rosto da Misericórdia, nos pede uma ação concreta de misericórdia, atos de socorro a quem precisa ver o Rosto da Misericórdia em nosso rosto, Lembra da canção?

Seu nome é Jesus Cristo e passa fome
E grita pela boca dos famintos
E a gente quando o vê passa adiante
Às vezes pra chegar depressa à igreja.
Seu nome é Jesus Cristo e está sem casa
E dorme pelas beiras das calçadas
E a gente quando o vê aperta o passo
E diz que ele dormiu embriagado...”

Tantos têm fome de uma conversa, um “bom dia”, um sorriso, mais uma vez repito, nada de “romantismo espiritual” cheio de imaturidade pueril, mas Deus precisa que sejamos Misericórdia Concreta , “para que o mundo creia”(Cf. Jo 17,21)

A partir desta semana teremos três compromissos semanais, que faremos em comunhão, além do compromisso diário com a Lectio Divina do Evangelho do Dia, Uma abstinência  para toda a semana (Exceto os domingos), um Compromisso de Misericórdia e uma Intenção Comum de Oração.

Compromissos desta Primeira Semana::

Abstinência: Essa semana nos absteremos de tudo o que polui nossa audição, para termos ouvidos atentos aos que precisam ser ouvidos com Misericórdia. Abstinência de toda música ou programação de rádio que não fale de Jesus e sua Misericórdia.
Compromisso de Misericórdia: Se dispor a ouvir todos os que vierem a nós precisando falar ou desabafar. Apenas ouvir e rezar.
Intenção Comum de Oração: por todos os que adoecem nas emoções por não ter quem os escute.
Continuemos, irmãos, em nosso caminho de Retiro Quaresmal  e colhamos, ao final, os frutos da Misericórdia!

Se quiser pode postar aqui no blog seus comentários e testemunhos.

Seu Irmão Menor, Pai Fundador,

Luis Fernando Pimentel de Alencar, CMRM

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Retiro Quaresmal Comunitário

RETIRO QUARESMAL COMUNITARIO

Jesus, o Rosto da Misericórdia

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré. O Pai, « rico em misericórdia » (Ef 2, 4), depois de ter revelado o seu nome a Moisés como « Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e fidelidade » (Ex34, 6), não cessou de dar a conhecer, de vários modos e em muitos momentos da história, a sua natureza divina. Na « plenitude do tempo » (Gl 4, 4), quando tudo estava pronto segundo o seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar, de modo definitivo, o seu amor. Quem O vê, vê o Pai (cf. Jo 14, 9). Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.

Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.”

Assim o Santo Padre, Papa Francisco, inicia a Bula Papal MISERICORDIAE VULTUS, O Rosto da Misericórdia, que direcionará as meditações e orações de nosso retiro quaresmal deste ano. Nosso retiro será sustentado por um tripé, iniciado pela ORAÇÂO, marcada pela escuta de Deus e de seu desígnio pessoal e vocacional para cada um de nós; A PENITENCIA, que nos levará a compromissos individuais e comunitários que, semana a semana, nos ajudarão a viver com fidelidade e constância este tempo de conversão pessoal; A PALAVRA DE DEUS, “Lâmpada para nossos pés e Luz para nossos passos”(Salmo 119(118),105), é o próprio Cristo, Rosto da Misericórdia, a nos conduzir e fortalecer neste deserto quaresmal através da Lectio Divina diária. Recordo aqui que São João Paulo II, em seus escritos pessoais de oração, descreve a Palavra de Deus como uma espada, uma arma, para: Purificação, Santificação, Vitória sobre Satã e Vitória da Religião Pura(Escritos Pessoas de 10 de março de 1980, Cf, São João Paulo II, Estou nas Mãos de Deus, Anotações Pessoais. Ed Planeta, 2014).

É necessário que antes de começarmos o retiro propriamente dito, no Primeiro Domingo da Quaresma, leiamos, na íntegra, a Bula Papal, como exercício destes quatro primeiros dias (Link para a Bula em Português:http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html ) . Esta bula será citada e meditada em partes todas as semanas deste retiro, mas precisa antes ser compreendida em seu sentido total para que possamos chegar à Páscoa contemplando com todo júbilo, o Rosto Ressuscitado da Misericórdia!

Comecemos nosso caminho de Graça, Paz e Alegria com uma “Determinada determinação”(Sta Teresa de Jesus) e colhamos, ao final, os frutos da Misericórdia!

Seu Irmão Menor, Pai Fundador,


Luis Fernando Pimentel de Alencar, CMRM

quinta-feira, 6 de março de 2014

História da Quaresma

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZsJGJgGBH76r-O83R24EWaMQnXoHISoowPvJCSVhN5SVMssKgwKwqhakCSNUs9huxOdb6HWpMvpfqgkfXwSx1vJft1skJeMz2GEjsYYETIAWELh4SVy_8jWMdhIOdVr4r6UAyDFgvX2h5/s1600/Quarta_Feira_de_Cinzas_01.jpgPode-se entender melhor o significado da Quaresma, decidida pelo Vaticano II,conhecendo a história deste tempo litúrgico.A celebração da Páscoa, nos três primeiros séculos da Igreja, não tinha um período de preparação. Limitava-se a um jejum realizado nos dois dias anteriores. A comunidade cristã vivia tão intensamente o empenho cristão, até o testemunho do martírio , que não sentia a necessidade de um período de tempo para renovar a conversão já acontecida com o batismo.

Ela prolongava, porém, a alegria da celebração pascal por cinqüenta dias (Pentecostes). Após a Paz de Constantino, quando a tensão diminuiu no empenho da vida cristã, começou-se a perceber a necessidade de um período de tempo para admoestar os fiéis sobre uma maior coerência com o batismo.Nascem assim as prescrições sobre um período de preparação à Páscoa.

No Oriente, encontramos os primeiros sinais de um período pré-pascal, como preparação espiritual à celebração do grande mistério, no princípio do século IV. Santo Atanásio nas "Cartas pascais" (entre os anos 330 e 347), São Cirilo de Jerusalém nas Protocatequeses e nas Catequeses mistagógicas (347), fala desse período como realidade conhecida. Eusébio (+340) em De solemnitate paschali fala do "quadragesimo exercitium......santos Moyses e Eliam imitantes" (Cf. PG 24,697).

No Ocidente, temos testemunhos diretos somente no fim do século IV. Falam desse período Etéria (385) em seu Itinerarium (27,1) pela Espanha e Aquitânia; Santo Agostinho para a África; Santo Ambrosio (+ 396) para Milão. Não sabemos com certeza onde, por meio de quem e como surgiu a Quaresma, sobretudo em Roma; apenas sabemos que ela foi se formando progressivamente. Ela tem uma pré-história , ligada a uma praxe penitencial preparatória à Páscoa, que começou a firmar-se desde a metade do século II. Até o século IV, a única semana de jejum era aquela que precedia a Páscoa . Na metade do século IV, já vemos acrescentadas a esta semana outras três, compreendendo assim quatro semanas.A partir do fim do século IV, a estrutura da Quaresma é aquela dos "quarentas dias", considerados à luz do simbolismo bíblico, que dá a este tempo um valor salvífico-redentor, cujo sinal é a denominação "sacramentum".

Celebrar a Quaresma é portanto, reconhecer a presença de Deus na caminhada, no trabalho, na luta, no sofrimento e na dor da vida do povo.Como o povo de Israel, que andou 40 anos no deserto antes de chegar à terra prometida, terra da promessa onde corre leite e mel. Como Jesus, que passou quarenta dias de retiro no deserto antes de anunciar a vinda do Reino.Que subiu a Jerusalém para cumprir a missão que o Pai lhe confiou: dar a sua vida e ser glorificado.A Quaresma, e isso é bem evidenciado na sua história, é um tempo forte de conversão e de mudança interior, tempo de deixar tudo o que é velho em nós, tempo de assumir tudo o que traz vida para a gente.Tempo de graça e salvação, em que nos preparamos para viver, de maneira intensa, livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico, da história da salvação, a Páscoa, aliança definitiva, vitória sobre o pecado, a escravidão e a morte. A espiritualidade da quaresma é caracterizada também por uma atenta, profunda e prolongada escuta da Palavra de Deus. É esta Palavra que ilumina a vida e chama à conversão, infundindo confiança na misericórdia de Deus.O confronto com o Evangelho ajuda a perceber o mal, o pecado, na perspectiva da Aliança, isto é, a misteriosa relação nupcial de amor entre deus e o seu povo. Motiva para atitudes de partilha do amor misericordioso e da alegria do Pai com os irmãos que voltam convertidos. Fazer da Quaresma um tempo favorável de avaliação de nossas opções de vida e linha de trabalho, para corrigir os erros e aprofundar a vivencia da fé, abrindo-nos a Deus, aos outros e realizando ações concretas de fraternidade, de solidariedade.

Pe. Gian Luigi Morgano
 
OBS: Não só os católicos possuem a organização do tempo de quaresma. As igrejas orientais e outras igrejas cristãs têm na quaresma um tempo muito rico de evangelização, de celebrações e de cultivo da espiritualidade pascal, nascida vida peregrina de Jesus Cristo.

Mensagem do Papa para a Quaresma

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2014
MENSAGEM

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2014
Terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Boletim da Santa Sé

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9)

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza » (2 Cor 8,9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

1. A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2,7; Heb 4,15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez conosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (ConC. ECum. Vat. II, Const. past. Gaudium et Spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3,8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1,2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na beira da estrada (cf. Lc 10,25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11,30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogênito (cf. Rm 8,29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

2. O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança.

Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural.
Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo.

O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se veem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde.

Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos autossuficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna.

O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza.

A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6,10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia.

Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir
FRANCISCUS

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Lançamento da Campanha da Fraternidade 2012


A Campanha da Fraternidade, celebrada na quaresma, intensifica o convite à conversão. Ela contribui incisivamente para que este processo ocorra e alargue o horizonte da fé, na medida em que traz, para a reflexão eclesial, tema de cunho social, portadores de sinais de morte, para suscitar ações transformadoras, segundo o Evangelho.
Neste ano, o tema proposto é “Fraternidade e a Saúde Pública”, com o lema: Que a Saúde se difunda sobre a terra (Eclo 38,8).
A Arquidiocese de Maceió, como todas as dioceses do Brasil, vai realizar a Campanha da Fraternidade que se inicia na quarta-feira de Cinzas, 22 de fevereiro.
O encontro de preparação aconteceu no dia 04/02, no Centro de Formação Ib Gatto Falcão - CENFOR/CEPA. Abriu os trabalhos o Mons. José Augusto - Vigário Geral da Arquidiocese, que contou com a presença de vários representantes paróquias e de padres. Foram palestrantes: a Prof. Valéria (UFAL) membro do Fórum Alagoano em Defesa do SUS e Lindolfo Coordenador Regional da Pastoral da Aids.
A Campanha da Fraternidade será aberta oficialmente na Arquidiocese, com Caminhada e ato público, dia 10/03, com concentração às 15h, no Hospital Geral do Estado - HGE, saindo em seguida para a Matriz de São José -Trapiche.
Todos estão convidados!
Fonte: Arquidiocese de Maceió

Normas Para o Jejum Quaresmal


Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais ( e não haver requintes na que for feita), nem outros petiscos durante o dia (nem mesmo cafezinho, doces, chimarrão etc). 

Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum. Água e remédios são permitidos em qualquer tipo comum de jejum. 

Nota: para não se fugir à orientação da igreja este jejum pode ser tornado mais rigoroso, mas não atenuado. Pode-se, caso servir para vivê-lo melhor,  fazer outros tipos de jejum conhecidos, tais quais 
- pão e água:  também conhecido como jejum bíblico, fazê-lo à base de pão e água durante o dia.
- à  base de líquidos:  tais quais chás, vitaminas, laticínios, menos caldos.
- abster-se de refeições: escolhe-se uma das refeições para não ser feita, e come moderamente nas duas outras, não se abstendo de água.
-  jejum completo: neste só é permitido água durante o dia. 
E para ser o jejum que é prescrito, necessariamente referir-se-á à alimentação. As demais mortificações, ou penitências, podem ser bem vindas, mas normalmente não são jejum.

Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente - bovina (gado), ovina (carneiro), aviária (frango, galeto, galinha...), bubalina etc - , bem como seus caldo de carne. 
Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Nos dias prescritos, o jejum feito, ou que se esteja fazendo, não desobriga a abstinência durante todo o dia .

Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.

Abstinência parcial: carne permitida só na refeição principal/completa


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Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: são os dois dias do ano que a igreja define jejum e abstinência obrigatórios.
Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial  recomendados.
Sextas-feiras da Quaresma (que estão entre os dias assinalados pelo calendário antigo como Sextas-feiras das Têmporas): jejum e abstinência recomendados.
Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades: abstinência obrigatória, mas não é obrigatório o jejum.

Em alguns lugares, conforme liberação da conferência episcopal, essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência. Lugares tais quais, no próprio Brasil, em que a CNBB permitiu outros tipos de penitências, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc.

D.Eugênio Sales
Arcebispo Emérito de São Sebastião do Rio de Janeiro

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-Feira de Cinzas: Tempo de Conversão


Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.
Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: " matanoeiete", que quer dizer "Convertei-vos". Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante o austero rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras "Convertei-vos e crede no Evangelho" e com a expressão "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás", convida a todos a refletir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
A sugestiva cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais diáfana do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.
Sinônimo de "conversão", é assim mesmo a palavra "penitência" … 
Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão de livre positivo esforço no seguimento de Cristo.



Tradição

Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa.
Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para imitar o jejum de Cristo no deserto.
Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitênica pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reoconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou a Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando cinzas nas cabeças de toda a congregação.
Hoje em dia na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como um simples serviço em algumas Igrejas protestantes como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a quaresma desde a segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas.

Fonte:ACI Digital