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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Palavra do Fundador: Mensagem de Natal

“O Amor Zeloso do Senhor dos Exércitos é que fará tudo isto” (Cf. Isaías 9,6)

Assim termina a primeira leitura da Liturgia do dia 24 de dezembro de todos os anos, e esta incrível afirmação sempre me impressionou: DEUS NOS AMA, COM AMOR ZELOSO!

O Amor Zeloso do Senhor dos Exércitos, o Deus de toda a Criação, que existe antes dela e dela não precisaria dela para ser Deus, realiza o extremo de qualquer amor, decide nos salvar, escolhendo, de todas as maneiras que teria para realizar essa salvação, a mais contraditória: se fazer igual a nós, se fazer menino, ser cuidado por um casal jovem e inexperiente, ser levado de um lugar para outro, a fim de salvar a própria vida, vida que devia nos garantir a nossa vida.

Fica então o convite de contemplar de maneira nova este Mistério que nos é revelado, o Mistério de um Deus-Homem, feito assim por vontade própria, por Amor, por Zelo...por você!


Um Feliz Natal para você, que é alvo do Amor Zeloso do Senhor do Exércitos!

Luis Fernando Pimentel de Alencar, MRM

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Arrepiante!Mais acessada no Youtube por uma semana! Está chegando o Natal! (Letra Traduzida)

Canção mais acessada em uma semana no Youtube.É Natal e Jesus nos vem novamente por Maria!Paz e Alegria!



Letra e Tradução

Mary, Did You Know?
Mary, did you know
That your baby boy would one day walk on water?
Mary, did you know
That your baby boy would save our sons and daughters?
Did you know
That your baby boy has come to make you new?
And this child that you've delivered
Will soon deliver you

Mary, did you know
That your baby boy would give sight to a blind man?
Mary, did you know
That your baby boy would calm the storm with his hand?
Did you know
That your baby boy has walked where angels trod?
And when you kiss your little baby
You kiss the face of god

Oh Mary, did you know?

Mary, did you know?

The blind will see
The deaf will hear
The dead will live again
The lame will leap
The dumb will speak
The praises of the lamb

Mary, did you know
That your baby boy is lord of all creation?
Mary, did you know
That your baby boy would one day rule the nations?
Did you know
That your baby boy is heavens perfect lamb?
And this sleeping child you're holding
Is the great I am
Maria, você sabia?
Maria, você sabia?
Que um dia seu garoto irá andar sob as águas?
Maria, você sabia?
Que seu garoto irá salvar nossos filhos e filhas?
Você sabia
Que seu garoto veio para lhe fazer nova?
E essa criança que você deu à luz
Irá em breve dar à luz a você

Maria, você sabia?
Que seu garoto dará visão a um homem cego?
Maria, você sabia?
Que seu garoto irá acalma uma tempestade com suas mãos?
Você sabia
Que seu garoto andou onde os anjos pisaram?
E que quando você beija seu bebêzinho
Você beija a face de Deus

Oh Maria, você sabia?

Maria, você sabia?

O cego irá ver
O surdo irá ouvir
E o morto irá reviver
O manco irá saltar
O mudo irá proclamar
Os louvores do cordeiro

Maria, você sabia?
Que seu garoto é o senhor de toda a criação?
Maria, você sabia?
Que seu garoto um dia irá governar as nações?
Você sabia
Que seu garoto é o Cordeiro Perfeito dos Céus?
Esta criança adormecida que você está segurando
É o Grande Eu Sou!




O Que é Coroa do Advento?

A coroa ou a grinalda do Advento é o primeiro anúncio do Natal
Deus se faz presente na vida de todo ser humano e de todas as formas deixa-nos sentir Seu amor e desejo de nos salvar. A palavra ADVENTO é de origem latina e quer dizer CHEGADA. É o tempo em que os cristãos se preparam para a vinda de Jesus Cristo. O tempo do Advento abrange quatro semanas antes do Natal.
Atualmente há uma grande preocupação em reavivar este costume muito significativo e de grande ajuda para vivermos este tempo. A coroa ou a grinalda do Advento é o primeiro anúncio do Natal. É um círculo de folhagens verdes, sua forma simboliza a eternidade e sua cor representa a esperança e a vida. Vem entrelaçado por uma fita vermelha, símbolo tanto do amor de Deus por nós como também de nosso amor que aguarda com ansiedade o nascimento do Filho de Deus.
No centro do círculo se colocam as quatro velas para se acender uma a cada domingo do Advento. A luz das velas simboliza a nossa fé e nos leva à oração, e simbolizam as quatro manifestações de Cristo:
1° Encarnação, Jesus Histórico;
2° Jesus nos pobres e necessitados;
3° Jesus nos Sacramentos;
4° Parusia: Segunda vinda de Jesus.
No Natal se pode adicionar uma quinta vela branca, até o término do tempo natalino e, se quisermos, podemos pôr a imagem do Menino Jesus junto à coroa: temos que nos atentar, porém, que o Natal é mais importante do que a espera do Advento.
Essa coroa é originária dos países nórdicos (países escandinavos, Alemanha), a qual contém raízes simbólicas universais: a luz como salvação, o verde como vida e o formato redondo como eternidade.
Simbolismos estes que se tornaram muito adequados ao mistério natalino cristão, e que por isso, adentraram facilmente nos países sulinos. Visto que se converteram rapidamente em mais um elemento de pedagogia cristã para expressarmos a espera de Jesus como Luz e Vida, em conjunto com outros símbolos, certamente mais importantes, como são as leituras bíblicas, os textos de oração e o repertório de cantos.
O comércio e o sistema deste mundo fazem questão de esquecer o verdadeiro sentido do Natal e nós podemos cair nessa, mas é possível dar presente e celebrar o verdadeiro sentido: O Menino Jesus é o nosso grande presente!
Sugestão: você pode fazer uma coroa do Advento em sua casa e celebrar com sua família à luz da nossa fé a chegada de Jesus Cristo nosso Salvador. E a cada domingo ir acendendo as velas, convidando seus familiares para rezar.
Oração: Senhor Jesus, celebrar o teu Natal é fazer da minha vida, da minha casa, um lugar de eternidade e salvação. Que a Tua luz brilhe em cada coração. Acendendo cada vela desta coroa do Advento queremos acender a esperança, o amor, a fraternidade e a Salvação que é o grande presente que queremos dar a todos que amamos por intermédio do Menino Jesus, que vai nascer em nossa família.
Como você se prepara para celebrar esta grande festa do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo? Clique em comentários e diga como você vive este tempo litúrgico? Natal feliz é Natal com Cristo!
Pe Luizinho, Canção Nova

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Batismo do Senhor


O tempo do Natal, que de algum modo inclui os trinta anos da vida oculta de Jesus em Nazaré, acaba com a festa do Batismo do Senhor, que celebramos no próximo final de semana. A partir de agora a Igreja irá considerando os mistérios da vida pública de Jesus. Depois de João Batista ter preparado as almas, cumprindo a sua missão de Precursor, Jesus vai manifestar-se como Deus e Salvador. A vida pública do Senhor tem início, propriamente, quando Jesus se submete ao rito de penitência que João ministrava no Rio Jordão.

O Batismo de Jesus no Jordão é um dos episódios da vida de Cristo narrado por todos os quatro evangelistas. O rito de penitência que João realizava, nas margens do Jordão, era uma ajuda para criar nas pessoas que o recebiam disposições de arrependimento para esperar o Messias. Nosso Senhor, sendo Ele o Messias e a própria Santidade, sujeitou-se voluntariamente ao batismo de João. Esse ato de suprema humildade de Jesus merecerá mais uma Epifania: Deus Pai o proclamará como o seu Filho muito amado. Deus Pai, portanto, corresponde a esse ato de humildade, glorificando Jesus como Filho Unigênito. Na teofania do Jordão, de modo semelhante a como a suprema humilhação da Paixão, merecerá a plena glorificação de Cristo, que ascendeu à direita do Pai.

Os textos propostos na liturgia de hoje convidam-nos a mergulharmos mais profundamente no mistério de Cristo. É um mistério de “abaixamento” que nos toca de perto. Jesus, no seu Batismo, inicia, junto com a sua manifestação ao Mundo, a instituição do seu Reino e do sacramento cristão, que será a porta para a Ele nos incorporarmos: o batismo.

Em Cristo, a humanidade inteira desceu às águas para realizar o verdadeiro êxodo da morte para a vida; n´Ele, todos nós fomos chamados a renovar, cada dia, a opção pelo nosso batismo, que recebemos na água e no Espírito, o novo nascimento, para nos conformarmos cada vez mais com a Sua imagem. Isso comporta o constante reconhecimento do nosso pecado, a humildade de nos dispormos a pedir sinceramente perdão, para recebermos o dom do Espírito Santo que nos torna capazes de caminhar em novidade de vida, segundo o mandamento do amor. Saboreando, desse modo, a alegria que o mundo não conhece nem pode dar: a alegria de sermos também nós, em Cristo, filhos do único Pai. É essa a maior dignidade, a que nos torna para sempre preciosos aos seus olhos. A igualdade da condição batismal faz de nós todos, sacerdotes, profetas e reis:

“Os fieis leigos são chamados a exercer a sua missão profética, que deriva diretamente do batismo, e testemunhar o Evangelho na vida diária, onde quer que se encontrem. A este respeito, os Padres sinodais exprimiram “a mais viva estima e gratidão, bem como encorajamento pelo serviço à evangelização que muitos leigos, e particularmente as mulheres, prestam com generosidade e diligência nas comunidades espalhadas pelo mundo, a exemplo de Maria de Magdala, primeira testemunha da alegria pascal”. Além disso, o Sínodo reconhece, com gratidão, que os movimentos eclesiais e as novas comunidades constituem, na Igreja, uma grande força para a evangelização neste tempo, impelindo a desenvolver novas formas de anúncio do Evangelho” (Verbum Domini 94).

Com a Iniciação Cristã ficou muito claro para a missão pastoral da Igreja a importância de redescobrir o Batismo e levar as pessoas a vivê-lo. O grande Plano de Pastoral deveria ser, após o Querigma, o aprofundamento da fé daq    uele que foi batizado para ser testemunha de Cristo Ressuscitado.

Com a Festa do Batismo de Jesus continua o ciclo das manifestações do Senhor, que teve início no Natal, com o nascimento em Belém do Verbo encarnado e uma etapa importante na Epifania, quando o Messias se manifestou aos povos. No dia do Batismo Jesus se revela, às margens do Jordão, a João e ao povo de Israel. É a primeira ocasião em que Ele, como homem adulto, entra na vida pública após ter deixado Nazaré.

No Jordão, Jesus se manifesta com uma extraordinária humildade, que evoca a pobreza e a simplicidade do Menino Deus colocado na manjedoura, e antecipa os sentimentos com os quais, ao término de seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que não tem pecado, coloca-se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus no caminho de conversão do homem. Jesus assume sobre si o peso da culpa de toda a humanidade, inicia a sua missão colocando-se no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz. O Evangelista Lucas narra que quando Jesus foi batizado o "céu se abriu e desceu sobre ele o Espírito Santo (3, 21-22)" e uma voz disse: "Tu és o meu filho, eu, hoje, te gerei".

Naquele momento, o Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e nos revelam o seu amor que salva. Se são os anjos a levar aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador, e a estrela aos Reis Magos do Oriente, agora é a voz de Deus que indica aos homens a presença no mundo de seu Filho e convida-os a olhar para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte.

Que a festa do Batismo do Senhor nos ajude a reanimar o nosso próprio Batismo, como pertença à comunidade dos fiéis, não apenas uma participação numérica ou censitária, mas uma presença efetiva, de discípulos-missionários, colocando na vida diária a ação do Espírito Santo que é derramado sobre nós, e assim, nos tornamos herdeiros da vida divina, com Cristo, que nos chama a ser no mundo suas testemunhas e participantes da grande assembleia dos fieis, a Mãe Igreja.

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Oitava do Natal

  Oitava tem dois sentidos no uso litúrgico cristão. No primeiro, é o oitavo dia após uma festa, inclusivamente, de forma que o dia sempre caia no mesmo dia da semana que a festa original. A palavra é derivada do latim octava (oitavo), com "dies" subentendido. O termo é também aplicado para todo o período de oito dias, durante o qual as ditas festas passam a ser observadas também.

  O Natal não é apenas a celebração do aniversário de Jesus, é memória da nossa redenção. São Leão Magno um pai do século V, afirma que, com o nascimento de Jesus, “brilhou para nós o dia da nossa redenção”. Em Jesus Deus se aproximou do mundo, desposou a nossa humanidade, por isso, o mesmo Leão Magno refere-se às festas do natal como ao dia das nossas núpcias, em que se realizou o admirável intercâmbio entre o céu e a terra. Destacam-se o dia do natal com sua oitava, a epifania e o batismo do Senhor. No dia do natal, celebramos a humilde presença de Deus na terra, adoramos o Verbo que se fez carne e habitou entre nós. É a festa da Divina solidariedade. Na epifania, conhecida como festa dos reis magos, celebramos a sua manifestação a todos os povos do mundo. O Batismo de Jesus no Jordão é a sua manifestação, no início da sua missão. Ele, o Servo da simpatia do Pai, destinado a ser luz das nações. É importante resgatar a dimensão pascal do natal. O presépio, as encenações, os gestos e os cânticos do Natal e da epifania devem nos ajudar a celebrar a “passagem” solidária de Deus na pobreza da gruta, na manifestação Jesus aos povos, em Belém, e na manifestação a seu povo, no Jordão. Os ofícios de vigília, com o simbolismo da luz, retomam, de modo especial, o clarão da vigília pascal: lembram o nascimento e a manifestação do Senhor Jesus qual luz a iluminar os que andavam nas trevas. O Rito das aspersão, especialmente na festa do batismo, expressa o nosso mergulho na divindade do Cristo, do mesmo modo como ele mergulhou em nossa humanidade.

  A prática da celebração das oitavas pode ter tido suas origens na celebração de oito dias da Festa dos Tabernáculos e da Dedicação do Templo do Antigo Testamento. Porém, o número "oito" também pode ser uma referência à ressurreição, que na igreja antiga era geralmente chamada de "oitavo dia".

  Por esta razão, antigas fontes batismais e tumbas cristãs tinham a forma de octógonos. A prática das oitavas foi introduzida pela primeira vez por Constantino I, por conta da festa de dedicação das basílicas de Jerusalém e Tiro, que duraram oito dias. Depois disso, festas litúrgicas anuais passaram a ser observadas na forma de oitavas. As primeiras foram a Páscoa, o Pentecostes e, no oriente, a Epifania. Isto ocorreu no século IV d.C. e indicava a reserva de um período para os conversos terem um alegre retiro.
  O desenvolvimento as oitavas ocorreu vagarosamente. Do século IV até o VII d.C., os cristãos observaram as oitavas com uma celebração no oitavo dia, com poucas liturgias durante os dias intermediários. O Natal foi a próxima festa a receber uma oitava. Já pelo século VIII d.C., Roma tinha desenvolvido oitavas não somente para Páscoa, Pentecostes e Natal, mas também para a Epifania e as festas de dedicação de igrejas individuais. Do século VII d.C. em diante, as festas dos santos também passaram a ter oitavas (uma festa no oitavo dia e não uma festa de oito dias), sendo as mais antigas as festas de São Pedro eSão Paulo, São Lourenço e Santa Inês. A partir do século XII d.C., o costume passou a ser a observância dos oito dias intermediários, além do oitavo. Durante a Idade Média, as oitavas para diversas outras festas e dias santos eram celebradas de acordo com a diocese ou a ordem religiosa.
Pesquisa: Missão Rosa Mística

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Onde Está a Fila Para Ver Jesus?

Vídeo Emocionante.Vale a pena ver!

A Liturgia do Natal


É no ano 336 que temos a primeira notícia da Festa do Natal, ocorrida em Roma. Por intermédio de Santo Agostinho, temos conhecimento de que essa festa era celebrada no século IV também na África. Também na Espanha, no final do século IV, o Natal já era celebrado.

A data 25 de dezembro não é confirmada historicamente como oficial ao nascimento de Jesus. Segundo estudiosos, a explicação mais provável nasce na tentativa de a Igreja de Roma suplantar a festa pagã do “Natalis (solis) incicti”.
Foi no século III que se difundiu no mundo greco-romano o culto ao sol. Foi o Imperador Aureliano (275 d.C.) que deu a esse culto uma importância oficial. Assim, o culto ao sol tornou-se um símbolo da luta pagã contra o Cristianismo. A data principal dessa festa era 25 de dezembro. Era celebrada no solstício de inverno e representava a vitória anual do sol sobre as trevas. Visando purificar essa celebração pagã, a Igreja deu a ela um significado diferente, tendo como base uma rica temática bíblica: Lucas 1,78; Efésios 5,8-14. Enquanto celebrava-se o nascimento do sol, a Igreja apresentou aos cristãos o nascimento do verdadeiro Sol: Cristo, que apareceu ao mundo após longas noites de pecado.
Celebrar o Natal é celebrar o Sol da Vida, que nos ilumina com Sua graça salvadora. É a Luz de um novo tempo que nasce em nosso coração e deseja fazer morada definitiva em nós.
São Leão Magno, em seu "Sermão de Natal", escreve: “O Natal do Senhor não se apresenta a nós como lembrança do passado, mas o vemos no presente”. Fazemos memória presente do nascimento de Cristo em meio à nossa frágil humanidade. Natal não é festa de uma ideia, mas é a festa que celebra a nossa salvação. A Festa do Natal é o ponto de partida para nossa salvação realizada por Cristo.
O Tempo do Natal começa com as primeiras Vésperas do Natal e termina no domingo depois da Epifania (entre 2 e 8 de janeiro). Interessante ressaltar que a Liturgia do Natal do Senhor se caracteriza por quatro Celebrações da Eucaristia, assim distribuídas:
1 – Na tarde do dia 24 se celebra a Missa vespertina . Esta Missa tem caráter festivo, com o canto do Glória e a Profissão de Fé.
2 – Na noite de 25, em geral à meia-noite, celebra-se a primeira Missa do Natal do Senhor.
3 – Ao alvorecer se celebra a segunda Missa do Natal.
4 – Durante o “dia” de Natal se celebra a terceira Missa da festividade.
A solenidade do Natal prolonga sua celebração por 8 dias contínuos, conhecidos como: Oitava do Natal.
Cada uma destas quatro Missas tem Leituras e Orações próprias, a saber:
1 – Missa da Vigília: Primeira Leitura: Is 62,1-5; Salmo Responsorial: Sl 88; Segunda Leitura: At 13,16-17.22-25; Evangelho: Mt 1,1-25.
2 – Missa da Noite: Primeira Leitura: Is 9,1-6; Salmo Responsorial: Sl 95; Segunda Leitura: Tt 2,11-14; Evangelho: Lc 2,1-14.
3 – Missa da Aurora: Primeira Leitura: Is 62,11-12; Salmo Responsorial: Sl 96; Segunda Leitura: Tt 3,4-7; Evangelho: Lc 2,15-20.
4 – Missa do Dia: Primeira Leitura: Is 52,7-10; Salmo Responsorial: Sl 97; Segunda Leitura: Hb 1,1-6; Evangelho: Jo 1,1-18.
Natal é tempo de festa e alegria. É tempo de estar unido à comunidade celebrando o dom da vida manifestada no nascimento de Jesus Cristo. Celebrar o nascimento de Cristo é estar unido à Igreja em todo o mundo que se une na fé e na esperança de um novo tempo. A participação nas Missas é fundamental, pois nos reunimos em comunidade, na qual o Cristo se revela a cada um de nós e a todos por meio do Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia. Para melhor participarmos destas celebrações é interessante meditarmos antecipadamente as Leituras que serão proclamadas durante a Missa. O silêncio exterior e interior é oportunidade para melhor celebrarmos o Sol da Vida, que nos ilumina com Seu amor salvífico.

Padre Flávio Sobreiro

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Verdadeiro Papai Noel


De tão deturpado, esqueceu-se sua maravilhosa origem. Pois Papai Noel tem na sua fonte um homem de carne e osso, um bispo da Santa Igreja, um santo de altar!

Foi São Nicolau, bispo de Myra, na ilha de Gemile, hoje no largo da Turquia.

Ele faleceu rodeado de fama de santidade no ano de 326. 

Conta a tradição que o piedoso bispo soube de um pagão que tinha três filhas mas não tinha dinheiro para casá-las bem. Então decidiu — como aliás não era raro entre certos pagãos — vendé-las ou alugá-las para a prostituição, após as festas cristãs do Natal.

Podemos imaginar quão lúgubre foi aquela noite de Natal para as pobres moças.
Porém, o bispo São Nicolau soube do acontecido. 

Jeitosamente, na calada da noite, jogou pela janela tres sacolinhas com dinheiro aos pés do leito de cada uma delas.

No dia seguinte, elas amanheceram com o presente e a certeza de que poderiam fazer um bom casamento.

A tradição não é só verbal. Acontece que nos tempos das Cruzadas, os piratas muçulmanos devastavam as cidades cristãs junto ao mar. Myra sofreu essa cruel sorte. 

Para salvar as reliquias do santo bispo, marinheiros católicos as trasladaram para Bari no sul da Itália. 

E São Nicolau hoje é mais conhecido como São Nicolau de Bari e é representado com três saquinhos na mão em lembrança do famoso milagre.

Em 1993, arqueólogos intrigados foram a vasculhar a ilha de Gemile. Queriam saber qual catástrofe ecológica a tornara deserta.

Os cientistas encontraram as ruínas de um centro de peregrinações composto de quatro igrejas, um caminho processional e uma quarentena de prédios em torno do primeiro túmulo de São Nicolau. 

Nos restos das paredes acharam pintada em várias formas a história de São Nicolau e as moças, além de muitos outros milagres natalinos que o santo foi praticando na Idade Média.


Os ex-votos testemunhavam que a tradição dos presentes de Natal para as crianças (e também para os adultos em forma de graças e auxílios sobrenaturais e até materiais) é bem verdadeira.

A grosseira deturpação moderna de São Nicolau não desqualifica em nada a maravilhosa tradição medieval.

São Nicolau, Rogai por nós!

Pesquisa: Missão Rosa Mística

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Origem da Festa do Natal

A Igreja, na sua missão evangelizadora, quis dedicar um tempo para aprofundar, contemplar e assimilar o Mistério da Encarnação do Filho de Deus, tempo este que conhecemos como o Natal. 


O dia 25 de Dezembro não é, necessariamente, a data histórica do nascimento de Jesus em Belém, na Judéia, no ano 748 da fundação de Roma. O "Dies Natalis" ou "Natalis Domini" foi marcado no dia 25 de Dezembro pela Igreja, com o Papa Libério, desde o século IV, a fim de suplantar a festa pagã do deus Sol, "Dies natalis invicti solis", celebrada no solstício de Inverno. 



A própria designação de Natal parece ter maior conexão com a tradição cristã, do latim "Natalis" que significa nascimento. No entanto, existem muitas outras versões para a origem da palavra, algumas das quais saídas da tradição pagã, como a de "Noio hel" que significa Novo Sol. 
Por outro lado, a árvore que antes era adorada por si própria ou como símbolo de vida, foi associada à celebração cristã. Para afastar os fiéis da prática de festas idolátricas, a Igreja quis ressaltar que a verdadeira luz que ilumina todo homem é Cristo e a celebração do seu nascimento na carne humana é a solenidade própria para afirmar a autêntica fé no mistério da Encarnação do "Verbo", solenemente afirmada nos quatro concílios ecumênicos de Nicéia, Éfeso, Calcedônia e Constantinopla contra as grandes heresias cristológicas. 



Os primeiros dados históricos relativos à festa do nascimento de Jesus Cristo remontam ao ano 336, em Roma. A eles estão ligados dois acontecimentos determinantes: o Édito de Milão, em 313, pelo qual o imperador romano Constantino deu liberdade de culto aos cristãos, e a existência de uma festa pagã, iniciada por Aureliano, no ano de 274, a 25 de Dezembro, em que se divinizava o sol, comemorando-se o seu "nascimento". Na Igreja do Oriente, o Natal, como manifestação ou "Epifania" de Jesus, celebra-se no dia 6 de Janeiro. 



A solenidade da Epifania passou para o Ocidente nos finais do século IV, pretendendo-se celebrar a vinda dos magos, a consequente manifestação de Jesus Cristo como Senhor de todos os povos, luz do mundo. Os textos bíblicos não especificam o dia ou mês do nascimento de Jesus. Segun- Natal, origem e tradições captada por São Lucas (2,4- 7), o nascimento de Jesus aconteceu em Belém de Judá, a terra do rei David, de cuja linhagem era José, o esposo de Maria. Nos Evangelhos se afirma que Maria "deu à luz um filho e [José] pôs-lhe o nome de Jesus" (Mt 1,25) e que Maria "teve o seu filho primogênito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria" (Lc 2,7). 



A tradição cristã situa o nascimento numa gruta, dado que vem de vários evangelhos apócrifos. O Livro da Infância do Salvador, dependente do influente Protoevangelho de Tiago (séc. II), queria pôr em relevo a virgindade de Maria. E conta que, tendo chegado a Belém, José procurou um sítio para ela dar à luz. Viu um estábulo solitário e estabeleceu-se lá. E foi em busca de uma parteira. Segundo o Evangelho do Pseudo- Mateus, nº 14, o nascimento de Jesus numa gruta contou com a presença do boi e do burro. É desse texto que provém a tradição cristã de os colocar no presépio. 



O nascimento terá ocorrido, efetivamente, no ano 6 ou 7 a.C. O início da era cristã, fixado por Dionísio, o Exíguo (c. sécs. VVI), foi mal calculado, pois o rei Herodes morreu no ano 4 a.C. Com São Leão Magno, o Papa do concílio de Calcedônia, deu-se a essa solenidade o fundamento teológico, definindo-a como "sacramentum nativitatis Christi" para indicar seu valor salvífico. 



Na piedade popular, o Natal goza de grande popularidade, por focar Jesus Menino no ambiente familiar. São tradições ligadas ao Advento a coroa de ramos com quatro velas que se vão acendendo sucessivamente nos quatro Domingos deste tempo; a novena do Natal, que se deve enquadrar no espírito dos dias 17 a 24, em que, nas Vésperas, se cantam as antífonas maiores ou do "Ó"; e a preparação próxima do Natal. 



Com o Natal inauguram-se o presépio e a árvore do Natal armados nas igrejas, casas, destaques  de estabelecimentos e até nos largos das povoações. O Natal é um tempo como nenhum outro, na vivência comunitária e familiar, tendo gerado um pouco, por todo o país e no mundo, modos próprios de o celebrar e de lhe apreender o significado. 


Com. Shalom

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Presépio Ensina

O presépio ensina a fascinante lição da completa plenitude do amor na condição humana: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”- diz o evangelista João no prólogo do seu Evangelho. Utilizando uma poética de densidade inigualável na literatura, sintetiza o que se aprecia na cena que retrata o nascimento do Salvador do mundo, Jesus Cristo.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos Gálatas, no capítulo quarto, assevera: “Quando completou o tempo  previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos de Deus”.

Na Carta aos Filipenses, capítulo segundo, Paulo faz referências ao hino cantado pela comunidade nascente. Ressalta a mensagem que envolve o coração, a mente e a inteligência com a verdade central, sustentadora da condição humana. Abre para eles o horizonte novo e definitivo, que Ele próprio representa. Por isso recomendou: “Haja entre vós o mesmo sentir e pensar que o Cristo Jesus. Ele existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que, em ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra; e toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”. É inteligente e fácil concluir que nada tão grandioso e fascinante aconteceu no âmbito maravilhoso do que é a condição humana.

O conhecimento das galáxias, a descrição dos códigos genéticos ou a lista do que há de extraordinário no universo, nada é comparável à maravilha humano-divina do Natal do Senhor. O evangelista João recapitula e sintetiza em fórmula poética, com inteligência eisnsteiniana, esse evento único que une o mais recôndito de Deus e o mais evidente da condição humana: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Ela existia, no princípio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe. Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. (...) E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único cheio de graça e de verdade.” (Jo 1,1-14).

Os evangelistas Mateus e Lucas, nos capítulos 1 e 2, descrevem de maneira artística e profunda a intervenção amorosa, única, de Deus na história da humanidade. Inspiradora do sentido que a arte retrata no presépio: a ocorrência desse mistério de amor nas circunstâncias mais comuns da vida de homens e mulheres, particularmente na dos pobres e simples.

Da inacessibilidade de Deus à proximidade que só a simplicidade pode tecer, o presépio condensa ensinamentos e lições que não podem ser substituídos nem mesmo pelos sofisticados conhecimentos humanos. Nada é igualável à fonte de toda inteligência, o amor que sustenta e dá sentido à vida, a fonte inesgotável: Deus.
Num cenário de mil faces, onde tudo o que é grandioso é inacessível, o que tem valor não se disponibiliza com facilidade e o que é maior na ciência está sob o domínio de poucos. O presépio coloca perto de todos, na mais simples condição humana, a insuperável força amorosa de Deus - sua proximidade, o segredo revolucionário de sua simplicidade, a mais importante lição na complexidade das ciências, das tecnologias e das estratégias políticas, diplomáticas e relacionais.

A bondade de Deus, certeza da salvação e inteligência amorosa, abre o horizonte novo e definitivo para a vida. O evangelista Lucas narra que o anjo do Senhor, aparecendo aos pastores disse-lhes: “Não tenhais medo. Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor! E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura. Foram, pois, às pressas a Belém e encontraram Maria, José, e o recém-nascido deitado numa manjedoura”. Assim, talhado com arte, minúscula ou engenhosa, a lição mais importante da vida o presépio ensina.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Sentido do Advento

O Advento e o Natal experimentaram um incremento de seu aspecto externo e festivo profano tal que no seio da Igreja surge, da própria fé, uma aspiração a um Advento autêntico: a insuficiência desse ânimo festivo por si só se deixa sentir, e o objetivo de nossas aspirações é o núcleo do acontecimento, esse alimento do espírito forte e consistente do qual nos fica um reflexo nas palavras piedosas com as quais nos felicitamos nas festas. Qual é esse núcleo da vivência do Advento?

Podemos tomar como ponto de partida a palavra «Advento»; este termo não significa «espera», como poderia se supor, mas é a tradução da palavra grega parusia, que significa «presença», ou melhor, «chegada», quer dizer, presença começada. Na antigüidade era usado para designar a presença de um rei ou senhor, ou também do deus ao qual se presta culto e que presenteia seus fiéis no tempo de sua parusia. Ou seja, o Advento significa a presença começada do próprio Deus. Por isso, nos recorda duas coisas: primeiro, que a presença de Deus no mundo já começou, e que ele já está presente de uma maneira oculta; em segundo lugar, que essa presença de Deus acaba de começar, ainda que não seja total, mas está em processo de crescimento e amadurecimento. Sua presença já começou, e somos nós, os crentes, que, por sua vontade, devemos fazê-lo presente no mundo. É por meio de nossa fé, esperança e amor que ele quer fazer brilhar a luz continuamente na noite do mundo. De modo que as luzes que acendamos nas noites escuras deste inverno sejam ao mesmo tempo consolo e advertência: certeza consoladora de que «a luz do mundo» já foi acesa na noite escura de Belém e transformou a noite do pecado humano na noite santa do perdão divino; por outra parte, a consciência de que esta luz somente pode - e somente quer - seguir brilhando se é sustentada por aqueles que, por ser cristãos, continuam através dos tempos a obra de Cristo. A luz de Cristo quer iluminar a noite do mundo através da luz que somos nós; sua presença já iniciada deve seguir crescendo por meio de nós. Quando na noite santa soe uma e outra vez o hinoHodie Christus natus est, devemos recordar que o início que foi produzido em Belém deve ser em nós início permanente, que aquela noite santa é novamente um «hoje» cada vez que um homem permite que a luz do bem faça desaparecer nele as trevas do egoísmo (...) a criança - Deus nasce ali onde se obra por inspiração do amor do Senhor, onde se faz algo mais que intercambiar presentes.

Advento significa presença de Deus já começada, mas também apenas começada. Isto implica que o cristão não olha somente o que já foi e o que aconteceu, como também ao que está por vir. Em meio a todas as desgraças do mundo, tem a certeza de que a semente de luz segue crescendo oculta, até que um dia o bem triunfará definitivamente e tudo lhe estará submetido: no dia em que Cristo retorne. Sabe que a presença de Deus, que acaba de começar, será um dia presença total. E esta certeza o faz livre, o dá um apoio definitivo (...)».

Alegrai-vos no Senhor

(...) «"Alegrai-vos, uma vez mais vos digo: alegrai-vos". A alegria é fundamental no cristianismo, que é por essência evangelium, boa nova. E, entretanto, é ali onde o mundo se equivoca, e sai da Igreja em nome da alegria, achando que a Igreja a tira do homem com todos os seus preceitos e proibições. Certamente, a alegria de Cristo não é tão fácil de ver como o prazer banal que nasce de qualquer diversão. Mas seria falso traduzir as palavras: «Alegrai-vos no Senhor» por estas outras: «Alegrai-vos, mas no Senhor», como se na segunda frase se quisesse recordar o afirmado na primeira. Significa simplesmente «alegrai-vos no Senhor», já que o apóstolo evidentemente crê que toda verdadeira alegria está no Senhor, e que fora dele não pode haver nenhuma. E de fato é verdade que toda alegria que se dá fora dele ou contra ele não satisfaz, mas que, ao contrário, arrasta o homem a um redemoinho no qual não pode estar verdadeiramente contente. Mas isso aqui nos faz saber que a verdadeira alegria não chega até que não a traz Cristo, e que do que se trata em nossa vida é de aprender a ver e compreender a Cristo, o Deus da graça, a luz e a alegria do mundo. Pois nossa alegria não será autêntica até que deixe de apoiar-se em coisas que podem ser-nos arrebatadas e destruídas, e se fundamente na mais íntima profundidade de nossa existência, impossível de ser-nos arrebatada por força alguma do mundo. E toda perda externa deveria fazer-nos avançar um passo rumo a essa intimidade e fazer-nos mais maduros para nossa vida autêntica.

Assim se passa a ver que os dois quadros laterais do tríptico de Advento, João e Maria, apontam ao centro, a Cristo, desde o qual são compreensíveis. Celebrar o Advento significa, dizendo mais uma vez, despertar para a vida a presença de Deus oculta em nós. João e Maria nos ensinam a fazê-lo. Para isso, devemos andar por um caminho de conversão, de afastamento do visível e aproximação ao invisível. Andando esse caminho somos capazes de ver a maravilha da graça e aprendemos que não há alegria mais luminosa para o homem e para o mundo que a da graça, que apareceu em Cristo. O mundo não é um conjunto de penas e dores, toda a angústia que exista no mundo está amparada por uma misericórdia amorosa, está dominada e superada pela benevolência, o perdão e a salvação de Deus. Quem celebre assim o Advento poderá falar com razão da celebração natalina: feliz bem-aventurada e cheia de graça. E conhecerá como a verdade contida na felicitação natalina é algo muito maior do que esse sentimento romântico dos que a celebram como uma espécie de diversão de carnaval».

Estar preparados...

«No capítulo 13 que Paulo escreveu aos cristãos em Roma, diz o Apóstolo o seguinte: "A noite vai muito avançada e já se aproxima o dia. Despojemo-nos, pois, das obras das trevas e vistamos as armas da luz. Andemos decentemente e como de dia, não vivendo em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes, antes vesti-vos do Senhor Jesus Cristo..." Segundo isso, Advento significa colocar-se de pé, despertar, sacudir-se do sono. Que quer dizer Paulo? Com termos como "orgias, bebedeiras, devassidão e libertinagem" expressou claramente o que entende por «noite». As orgias noturnas, com todos seus acompanhamentos, são para ele a expressão do que significa a noite e o sono do homem. Esses banquetes se convertem para São Paulo em imagem do mundo pagão em geral que, vivendo de costas para a verdadeira vocação humana, se afunda no material, permanece na escuridão sem verdade, dorme apesar do ruído e da agitação. A orgia noturna aparece como imagem de um mundo estragado. Não devemos reconhecer com espanto quão freqüentemente descreve Paulo desse modo nosso paganizado presente? Despertar-se do sono significa sublevar-se contra o conformismo do mundo e de nossa época, sacudir-nos, com valor, para a virtude e a fé, sono que nos convida a nos desentendermos de nossa vocação e nossas melhores possibilidades. Talvez as canções do Advento, que escutamos de novo esta semana, tornem-se sinais luminosos para nós, mostrem-nos o caminho e nos permitam reconhecer que há uma promessa maior que a do dinheiro, do poder e do prazer. Estar despertos para Deus e para os demais homens: eis aqui o tipo de vigilância a que se refere o Advento, a vigilância que descobre a luz e proporciona mais claridade ao mundo».

João Batista e Maria

«João Batista e Maria são os dois grandes protótipos da existência própria do Advento. Por isso, dominam a liturgia desse período. Olhemos primeiro a João Batista! Está frente a nós exigindo e atuando, exercendo, pois, exemplarmente a tarefa masculina. Ele é o que chama, com todo rigor, à metanóia, a transformar nosso modo de pensar. Quem queira ser cristão deve "mudar" continuamente seus pensamentos. Nosso ponto de vista natural é, desde então, querer afirmar-nos sempre a nós mesmos, pagar com a mesma moeda, colocar-nos sempre no centro. Quem quiser encontrar a Deus deve se converter interiormente uma e outra vez, caminhar na direção oposta. Tudo isso deve se estender também a nosso modo de compreender a vida em seu conjunto. Dia após dia nos topamos com o mundo do visível. Tão violentamente penetra em nós através de cartazes, do rádio, do tráfico e demais fenômenos da vida diária, que somos induzidos a pensar que só existe ele. Entretanto, o invisível é, na verdade, mais excelso e possui mais valor que todo o visível. Uma só alma é, segundo a soberba expressão de Pascal, mais valiosa que o universo visível. Mas, para percebê-lo de forma viva, é preciso converter-se, transformar-se interiormente, vencer a ilusão do visível e fazer-se sensível, afinar o ouvido e o espírito para perceber o invisível. Aceitar esta realidade é mais importante que tudo o que, dia após dia, se projeta violentamente sobre nós. 

Metanoeite: dai uma nova direção a vossa mente, disponde-na para perceber a presença de Deus no mundo, mudai vosso modo de pensar, considerai que Deus se fará presente no mundo em vós e por vós. Nem sequer João Batista se eximiu do difícil acontecimento de transformar seu pensamento, do dever de converter-se. Quão certo é que este seja também o destino do sacerdote e de cada cristão que anuncia a Cristo, ao qual conhecemos e não conhecemos!

Palavras do Cardeal Joseph Ratzinger sobre o Advento