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segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Devoção Mariana é Bíblica?

Pergunta: Como pode na Bíblia não existir uma menção e ordem de que se deve cultuar Maria de Nazaré, a mãe de Jesus? O próprio Jesus, em algumas circunstâncias, faz com que as pessoas elevem a figura de sua mãe acima da Sua e de Deus Pai, como objeto de veneração (Stefano).

Resposta: Caro Stefano, algumas passagens do Evangelho são, aparentemente, um culto a Maria. Uma se encontra no Evangelho de Lucas, no capítulo 11, 27-28. A uma moça que grita: “Bem-aventurado o ventre que te gerou e o seio que te amamentou”, Jesus responde: “Bem-aventurados ainda mais aqueles que escutaram a Palavra de Deus e a observaram”. Existem outras passagens similares em (Lc 8,19-21) e nos paralelos de Marcos e Mateus. Concluem com esta afirmação de Jesus: “Minha mãe e meus filhos são estes: aqueles que escutam a palavra de Deus e a colocam em prática” (Lc 8,21). Na verdade Jesus não coloca em evidência o motivo pelo qual Maria é bem-aventurada: porque escutou e observou a palavra de Deus. Foi o que Maria fez acolhendo o anúncio do anjo: “Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua vontade” Lc 1,37.

http://www.arautos.org/resource/view?id=11511&size=2Contudo, no Evangelho não se veta a veneração de Maria. Aparece, antes de tudo, o início e o fundamento de um culto da primitiva comunidade cristã. Isto é evidente na saudação particular do anjo Gabriel, na expressão “cheia de graça”, que se volta a Maria por sua prima Isabel (a qual a abençoa, proclama-a abençoada e a define “mãe do meu Senhor”). Maria mesmo, no Magnificat, diz: “De agora em diante, todas as gerações me chamarão bendita”. Todas estas expressões de elogios a Maria não seriam possíveis se os primeiros cristãos não tivessem tido uma grande estima por ela. É aqui a origem da veneração a Maria, desde a origem da Igreja.

Temos também outros certificados antigos. No início dos anos 900 foi descoberto um papiro do século II e III, com uma oração a Maria feita por uma comunidade egípcia: “Sobre a tua proteção buscamos refúgio, santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas e livrai-nos de todos os perigos, Oh Virgem gloriosa e bendita”.

Aparece já o título de Theotokos, Mãe de Deus, que será definido em 431 no Concílio de Éfeso. Entre os anos de 50 e 60, o padre franciscano Bellarmino Bagatti decifrou dois escritos em grego em uma Igreja judaico-cristã sobre a casa de Maria em Nazaré. O primeiro é o testemunho mais antigo da Ave-Maria (Chaire Maria em grego), o segundo foi deixado por um peregrino que testemunha ter escrito sobre “lugar santo de Maria”.

A partir de São Justino, desenvolve-se também uma reflexão teológica sobre Maria, colocada em paralelo com Eva. Relembra uma famosa passagem de Melitone di Sardi, que em uma homilia pascal (cerca de 165), cita Maria, “o belo cordeiro” do qual vem o cordeiro da nossa redenção.

Em conclusão, o culto a Maria tem origem no texto bíblico e se desenvolve com a reflexão da Igreja, guiada pelo Espírito Santo. Não se trata porém de adoração, reservada somente a Deus, mas de veneração, ou seja, reconhecimento da sua virtude, da sua fé, do seu ter sido doce à palavra de Deus. Veneração que nos leva a imitá-la, a confiar na sua intercessão e a adorar e louvar o Senhor.

Fonte: comshalom.org

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Não Pecamos Mais, só Cometemos Erros?


A Bíblia narra como o homem, ao ter a criação toda exposta diante dele, foi dando nome a cada animal da terra; também deu nome a todas as coisas, situações e relações que ia estabelecendo. O homem é um ser nominal (dá nome a tudo) e tem essa necessidade de dar nome a cada coisa, pois, por meio dos nomes, dá consistência e identidade a determinada realidade e busca uma forma particular de se relacionar com ela.

Não é menos verdade que, a certa altura, o ser humano percebeu que havia alguns termos que eram duros e escandalosos ao ouvido, e teve de enfrentar conceitos e realidades que incomodavam sua consciência e acabavam com a sua tranquilidade.

Para conseguir aliviá-la e sentir-se tranquilo consigo mesmo, ou para mostrar-se um pouco mais culto e decente, ele optou por criar os chamados “eufemismos”, que são manifestações suaves e decorosas de ideias cuja franca e direta expressão seria dura ou censurável.

No começo, tais eufemismos só buscavam enfeitar um pouco aquelas palavras que podiam parecer ásperas ou grosseiras; assim, as pessoas acabaram preferindo mudar os nomes de certos comportamentos, ao invés de transformar as realidades que estavam vivendo de maneira inadequada, para não terem de enfrentar a dureza da censura.

Assim, podiam se sentir mais tranquilos consigo mesmos, sem ter de modificar seu proceder; já não se tratava de “fazer” o bem, mas simplesmente de “sentir-se” bem; já não se interessavam pela bondade, mas sim por tentar fazer que a maldade não parecesse tão “má”.

Com os eufemismos, deixou-se de falar de “aborto”, para falar de “interrupção da gravidez”; o “adultério” virou “deslize amoroso”; as “prostitutas” começaram a ser chamadas de “profissionais do sexo”, e assim por diante.

Os eufemismos são a típica expressão de uma sociedade relativista e manipuladora, que já não acredita em princípios universais, eternos e imutáveis, mas em utilitarismos morais; que está convencida de que mudar os nomes das coisas metamorfoseia a sua essência e que, portanto, a conduta deixa de ser reprovável, até se tornar quase uma virtude; que o que é mau se torna bom só porque um nome agradável tornou possível este “milagre”.

Nossa sociedade é eufemística e, assim, pretende acabar com o mal, com o peso de consciência e sentir que, em última instância, tudo muda com uma palavra. O eufemismo manipula a sociedade, tornando-nos politicamente corretos e evitando, assim, que tenhamos problemas devido ao fato de chamar cada coisa pelo seu nome real.

Com os eufemismos, o que interessa não é fazer o bem, mas sentir-se bem, pois o subjetivismo jogou a objetividade no lixo; e o sentimento se tornou mais importante que a razão e a opinião de verdade.

O eufemismo moral torna a consciência frouxa e tende a entorpecê-la, pois, de tanto repetir os mesmos conceitos, acabamos perdendo de vista a verdadeira dimensão das realidades que enfrentamos. A suavidade com que se expressa, que parece uma espécie de diplomacia, nem sempre é inócua.

Só quando as coisas recebem seu nome verdadeiro é que podemos enfrentá-las com realismo e buscar soluções. Mas, para isso, é preciso estar dispostos ao incômodo que tal empreitada gera em nós.

A última “perola” eufemística em voga é pedir a Deus que perdoe nossos “erros”, pois já não queremos chamar de “pecado” o que é precisamente isso: pecado.

Os erros não merecem perdão, mas desculpas. O pecado precisa ser chamado de “pecado” sem medo algum, para que a pessoa possa ser perdoada pelo Senhor.

Fonte:Aleteia.org

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Comer a Palavra de Deus

“Quando eu encontrava as Tuas palavras, eu as devorava. Elas se tornaram a minha alegria e a felicidade do meu coração, porque Teu nome era invocado sobre mim, Senhor, Deus dos exércitos (Jr 15,16).” 

 Muitos de nós achamos difícil ler a Sagrada Escritura, mas o Senhor Jesus quer que nós a comamos, até consumi-la, ou seja, que a devoremos, mesmo. “Nem só de pão o homem viverá, mas de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4,4)”. Sua palavra é como o mel dos favos (S1 19,11): é doce ao primeiro contato, embora possa vir a se tornar amarga, por causa da perseguição (Ap 10,9-10). No entanto, a palavra de Deus ainda é a nossa maior alegria e felicidade, porque leva o Seu nome (Jr 15,16). Se a palavra de Deus não for tão importante para nós, provavelmente será porque não temos um relacionamento profundo e pessoal com Ele. Se não passarmos o tempo lendo a Bíblia, então, como poderemos ter o Seu nome? Porque “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” (Catecismo, 133).

 Você já leu algum artigo sobre alguém que você conheceu pessoalmente? Provavelmente você o devorou com um entusiasmo maior do que outros artigos sobre pessoas desconhecidas. E o interesse seria ainda maior, caso você conhecesse o autor. Se você tem um relacionamento pessoal com o autor da Bíblia: Deus – o Pai – e se você conhece o Verbo feito carne – Jesus – então você vai ler, estudar, comer e devorar a palavra de Deus, na Bíblia. Delicie-se com a palavra do Senhor e medite nela dia e noite (S1 1,2). Disse Jesus: “Vós perscrutais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; ora, são elas que dão testemunho de mim” (Jo 5, 39). Jesus Cristo é o centro, e o fim das Santas Escrituras. Ele é a Palavra de Deus (Ap 19,13). 

 Conhecer Jesus é estudar a Sagrada Escritura. Quem estuda a Bíblia vive a obediência do Reino de Deus. A PALAVRA DE DEUS Um dos documentos mais renovadores do Concílio Vaticano II é a Constituição Dogmática Dei Verbum (Sobre a Palavra de Deus). Era, sem dúvida, necessário que, de uma vez por todas, a Igreja dissesse uma palavra autorizada e firme quanto à sua missão de propor a genuína doutrina sobre a Revelação divina e a sua transmissão para o mundo inteiro. A Dei Verbum foi aprovada no dia 18 de Novembro de 1965. Dei Verbum significa “O Verbo de Deus”, ou melhor, “A Palavra de Deus”. É “Constituição dogmática” por conter “assuntos ou matéria de fé”, pois trata da revelação Divina, da Inspiração Divina, do Antigo e do Novo Testamento e da relação entre as Sagradas Escrituras, a Tradição e o Magistério da Igreja. A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, escrita por inspiração do Espírito Santo; a Sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação. Por tanto, a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas, mas também da Sagrada Tradição. A Sagrada Escritura na vida da Igreja: a Igreja venera as Sagradas Escrituras; sobre as traduções da Sagrada Escritura; a investigação bíblica; a importância da Sagrada Escritura para a Teologia; a leitura da Sagrada Escritura; a influência e importância da renovação dos estudos sobre a Sagrada Escritura. (DV, cap. 6). Viver bem é viver o comendo a Palavra de Deus. A leitura mais importante na face da terra é a da Sagrada Escritura. Ler a Bíblia é se alimentar para vida eterna. 

Pe. Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja na Faculdade de Teologia de Volta Redonda 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Regras de Ouro Para Ler a Bíblia


1. Leia a Bíblia todos os dias
Eis a principal regra de ouro: ler a Bíblia todos os dias. Sem exceção. Leia-a quando tiver vontade e quando não tiver também! É como remédio: com ou sem vontade, tomamos, porque é necessário; com a Sagrada Escritura é a mesma coisa. Assim como alimentamos o corpo, todos os dias, alimentemos, diariamente, o nosso espírito com a Palavra de Deus.

2. Tenha uma hora marcada para a Leitura
Para grande parte das pessoas, a melhor hora de ler é de manhã cedinho. Elas se levantam para ler a Bíblia antes das outras ocupações e do começo do movimento em casa. Há, porém, quem tenha dificuldades para fazer isso. São pessoas que, pela manhã, sentem-se pesadas, sonolentas. Elas não conseguem se concentrar. O importante é descobrir o melhor período para você e fazer dele a sua hora marcada com a Bíblia, sendo-lhe fiel.



3. Marque a duração da Leitura
São preferíveis 20 minutos de leitura todos os dias do que a empolgação de quem planeja muito, mas, depois, não vai em frente. Marque a duração da leitura e seja-lhe fiel. Muitas pessoas que, de início, exigiram muito de si mesmas, agora se confessam satisfeitas com o fato de sentirem um envolvimento e uma motivação tamanhos que a disciplina deixou de ser uma exigência para elas. Elas precisam de mais tempo, pois o trabalho ficou com gosto de “quero mais”.

4. Escolha um bom lugar
Ter o nosso cantinho é muito bom. Não precisamos de nada especial, o que importa é contar com um lugar tranquilo, silencioso, que facilite a concentração e favoreça a criação de um clima de oração para fazer o nosso trabalho bíblico. Lembre-se, todavia, que o lugar é uma coisa secundária: ele é apenas um meio para trabalharmos melhor e com maior resultado. Importante mesmo é, em qualquer lugar, realizar com dedicação a nossa tarefa.

5. Leia com lápis ou caneta na mão
Não se trata de simplesmente ler; devemos fazer uma leitura ativa. Um meio simples e eficaz é ler a Palavra de Deus com lápis ou caneta na mão. Sublinhe as passagens mais importantes, as coisas que lhe falaram e que o tocaram de modo especial. Não tenha medo de riscar a sua Bíblia. Ela é um instrumento de trabalho. Com o texto bíblico bem marcado, vai ser fácil você se lembrar das passagens e encontrá-las quando procurar.

6. Faça tudo em espírito de oração
Você não está apenas lendo a Bíblia, mas buscando um encontro com a Palavra de Deus. Está à procura de um contato íntimo com a Palavra Viva do Senhor, a qual fala a você. Trata-se de um diálogo: você escuta, acolhe, sensibiliza-se e responde. É um encontro vivo entre pessoas vivas, um encontro de pessoas que se amam. Muitos experimentaram essa relação. Experimente-a você também.

Deus o abençoe!


Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

domingo, 1 de abril de 2012

Curso Bíblico: Imagens Sacras

Curso Bíblico com D. Francisco Falcão, Auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Saudades da Bíblia!




Outro dia estava me lembrando dos velhos tempos. Lá para vinte e cinco anos atrás, bota velho nisso! Pois é: naquele tempo, a gente costumava carregar a Bíblia para onde ia. Ia à escola? Conosco ia a Bíblia. Ia à Missa? Bíblia na mão! Ia ao cabeleireiro, ao ‘mercantil’? A companhia da Bíblia era indispensável. A Bíblia ia para as visitas à família, para a casa da sogra, para a conversa com o chefe, para a merenda – não se dizia ‘lanche’, pois nao havia lanchonetes, exceto nas Lojas Brasileiras, no centro. A Bíblia ia a todo lugar.

Nos grupos de oração, encontros, pregações (não se admitia a palavra ‘palestra’), aí, então, é que a Bíblia aparecia mesmo. E aí, naturalmente, ela tomava destaque especial. Era o centro das conversas, às vezes santas, às vezes santas só na aparência:
- Imagine que no ônibus perguntaram se eu era crente...
- Ih! Acontece comigo todos os dias, mas aí eu aproveito e... tome conversa sobre o senhorio de Jesus!
- E não foi o que fiz? Logo que a senhora me perguntou, aproveitei a deixa e falei até chegar minha parada! No final, acabei rezando por ela ali mesmo.
- Pois é, ninguém pode perder a chance! Só porque a gente está com Bíblia na mão pensam que a gente é crente! Precisamos mostrar que católico também lê a Bíblia.

Ter uma Bíblia católica, porém, não era tão fácil como hoje. Era preciso arriscar encontrar uma em uma livraria do centro da cidade. Quando se conseguia uma era uma festa, motivo de exibicionismo geral. Eram Bíblias grandes, grossas, uns quatro dedos de largura. Quando novas eram exibidas como um troféu. Porém, prestígio mesmo ganhavam quando estavam muito, mas muito usadas mesmo, a capa marcada, rota, cheia de ranhuras. Era sinal de muito uso, de muito serem carregadas, mas nem sempre de muita leitura. O sinal da leitura estava, mesmo, era dentro, onde a história de Noé parecia se derramar em um perene arco-íris: vermelho para as ordens de Deus; verde para as Suas promessas; azul para as verdades eternas e amarelo para as advertências. Isso fazia com que, no mais das vezes, a Bíblia fosse acompanhada de uma indefectível bolsinha com lápis de cores. Afora o arco-íris, havia ainda as observações escritas, os versículos copiados para serem melhor lembrados, os versículos de referência que, não vindo impressos, descobríamos e anotávamos com orgulho, como ‘exímios exegetas’. Bons velhos tempos, aqueles! Bons e simplórios papos:

- Hoje terminei de ler a Bíblia pela quinta vez!
- (silêncio de profunda admiração)
- Vocês nem imaginam o que senti! Foi uma bênção do Senhor (usava-se as palavras ‘bênção’ e ‘Senhor’ preferencialmente às palavras ‘graça’ e ‘Deus’).
- Eu ainda estou na segunda vez, retrucava o outro, humildemente, para logo ser socorrido por um terceiro:
- É, mas você fez o seminário quando?
- Há um ano, mais ou menos.
- Então!?! Ler duas vezes em um ano já é muito! Ouvi dizer que a média é uma vez por ano se você ler quatro capítulos por dia...

Bons velhos tempos! Mas bom mesmo era que conhecíamos de cor todas as passagens que se referiam à Palavra: ‘espada de dois gumes’, ‘penetra até a medula, até as junturas, entre as articulações’, ‘é a verdade, e a verdade liberta’, ‘luz para os nossos passos’, ‘espada da fé’, ‘comida amarga que se torna doce’. Colecionávamos testemunhos de como a Palavra corrige, restaura, alimenta. E lá íamos nós, para cima e para baixo, Bíblia debaixo do braço, embalados pelas primeiras canções do Pe. Zezinho, a anunciar o Evangelho, ‘ao cair da tarde, sem muito – nem tanto! – alarde’.

No mês de setembro, era uma verdadeira competição: todos queriam fazer ou dar cursos sobre a Bíblia e o último domingo, o ‘Dia da Bíblia’, era data importante, comemorada com alegria e gratidão. As pregações eram invariavelmente baseadas em uma passagem bíblica e havia competições veladas de quem sabia mais versículos de cor, com a devida referência, claro.

A Bíblia era usada para tudo: oração, discernimentos, orientações, aconselhamento. Ainda se abria a Bíblia para pedir a Deus a confirmação de uma profecia, de uma palavra de ciência ou sabedoria. Direcionava-se ou redirecionava-se uma oração comunitária inteira, retiros e encontros por causa de uma ‘palavra’ tirada da Bíblia. Recomeçava-se um discernimento já praticamente fechado quando se tinha um direcionamento novo através da Palavra. Orava-se com a Bíblia no início de cada reunião. Bons velhos tempos!

Passam-se os setembros e cá estamos nós, a escrever estas Entrelinhas, cheios de saudade. Nos setembros de hoje, na pregação, pedimos que abram as Bíblias para descobrir que ninguém as trouxe. Referimo-nos a uma passagem que todos deveriam conhecer de cor, mas ninguém jamais ouviu falar. Preparamos todo um encontro sobre um tema bíblico e, logo na primeira palestra, percebemos que todos o desconhecem. Falamos de ‘estudo bíblico’ e as pessoas pensam que nos referimos a uma cadeira da faculdade de teologia. Referimo-nos à Lectio Divina e logo pensam que estamos usando línguas estranhas. Saudade, saudade, saudade!

É. Saudade! Saudade acompanhada de tristeza, perplexidade. ‘Crescemos’, dizem alguns. ‘Não precisamos mais nos exibir com as Bíblias debaixo do braço por toda a parte’. Será mesmo assim? Certamente havia um certo exibicionismo, uma certa tentação de vaidade, de auto-afirmação. Mas, de uma forma ou de outra, na bela ingenuidade típica dos princípios, lia-se a Bíblia, orava-se com a Bíblia, conhecia-se a Bíblia, amava-se a Bíblia. Ela era luz para nossa conduta moral, pessoal, familiar, comunitária. Saudades!

Para infelicidade nossa, os nossos braços e mãos, agora ‘livres’ da Bíblia carregada para todo o lado, mais do que o talvez ingênuo glamour dos começos, não teriam perdido o ardor apaixonado que nos fazia ter o nome e o poder do Verbo no coração e nos lábios? Saudades!

Emmir Nogueira
Co-Fundadora da Comunidade Católica Shalom

sábado, 3 de setembro de 2011

Começemos Pela Palavra de Deus

Jesus é o motivo de todas as coisas existirem. “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 3). Cristo é o Senhor, e tudo Lhe está submetido, tanto o mundo material quanto o angélico, "para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos" (Fl 2, 10), também toda matéria e forma, viva ou inanimada, estão sob Seu olhar. 

“Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4, 12-13). Jesus veio revelar também ser Ele o Verbo Encarnado do Pai, a Palavra criadora (cf. Jo 1, 14). Palavra que quis se colocar em meio a nós, perpassando e agindo em nossas realidades: “A palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Is 55, 11).
A Palavra de Deus rege todas as coisas. Se, então, a Palavra pode trazer essa eficácia, por que nos privamos de nos orientar por ela quando vamos empreender algo?

Queira ser um agente que propaga a Sagrada Escritura. A força e a sabedoria ali contidas provêm da boca do Senhor e não de nós. Deus não a deixará cair no descrédito. É do interesse divino que a Bíblia transmita Seus efeitos onde quer que ela seja colocada em prática e proferida, ainda que seja por nosso intermédio, servos fracos e sujeitos ao pecado.

Podemos contar sempre com os efeitos da vontade de Jesus em nossas iniciativas. Leve sempre a Bíblia aonde você for.
Comece tudo o que for fazer com a oração de um trecho bíblico, como um salmo por exemplo. Ao acordar, antes de pegar o trânsito, antes de iniciar um trabalho ou ministério, leia um versículo, busque uma passagem relacionada com a situação que você está vivendo. Com certeza, Deus lhe falará, pois Ele quer participar de sua vida. Destaque textos da Sagrada Escritura e os cole em lugares por onde for passar, na cabeceira da cama, no interior do carro, na porta da geladeira, nos cadernos e nos aparelhos de seu trabalho. Se, por vezes, enfeitamos nossos pertences com diversos dizeres, frases de efeito, figurinhas e personagens, por que não fixar também neles um versículo bíblico? Aproveite para lê-los e rezar todas as vezes em que visualizá-los.
Não se trata de separar textos que mais nos agradam e vivê-los isoladamente. Queira, com essa prática, aprender a amar a Palavra de Deus para ser Evangelho vivo, comungando-O na sua totalidade. Essa sugestão é uma maneira de memorizar trechos ou inspirar-se num lema para vida ou tempo presente.
Viver conforme a Palavra de Deus configura-nos segundo a Pessoa de Jesus, Verbo Eterno, de forma a permitirmos que Sua voz tenha poder sobre todo o nosso ser: "Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração" (Hb 4, 12). Assim, também será com nossas ações e sobre o que elas desencadeiam, suas consequências e resultados.
Estas passarão a ter eficiência, tal como o coração de Deus quer imprimir nas situações em que colocamos a Palavra de Deus em prática, segundo os desígnios divinos e não somente para o alcance que imaginamos num primeiro momento.

Todas as realidades contidas na Pessoa da Palavra serão favoráveis em nossa vida, mesmo quando não entendermos o porquê de um fato acontecer daquela maneira. No final, testemunharemos que tudo concorrerá para um bem maior, pois o Altíssimo quer sempre o melhor para nós, como afirma a Bíblia: "Tudo contribui para o bem dos que amam a Deus" (Rm 8, 28).

Começar pela Palavra também é colocar Jesus em primeiro lugar.
"Antes de qualquer tarefa, vem a palavra verdadeira" (Eclo 37, 20).

Sandro Aparecido
Com. Canção Nova 

domingo, 17 de abril de 2011

O Apocalipse e a Santa Missa

Dizia o saudoso papa João Paulo II que a missa é “o céu na terra”. Expressão forte e teológicamente correta; mas infelizmente muito pouco constatada no coração dos fiéis que não raramente, fazem da santa missa uma ocasião de dispersão e repetições mecânicas e vazias de sentido. Muito mais do que mera questão de fé, é necessário dar razões a tal constatação papal para vivênciar a santa missa com toda a intensidade que nos propõem a santa Igreja Católica. Aqueles que se atreverem a se aprofundar pelos mistérios escondidos no véu da liturgia verão que independente de uma possível hora de desconforto, de cantos mal ensaiados, de homilias distantes e de choros de bebês, quando se vai a missa, é ao próprio céu que de fato se visita.

Se a missa é o céu, e se queremos beber direto da fonte, nada melhor do que recorremos ao uso da Sagrada Escritura. Sabemos que de todos os livros da Bíblia, um deles é o que mais se destaca pelos aspectos e atenção que dá as realidades celestes, que é o livro do Apocalipse escrito por São João.

O Apocalipse é um livro que impressiona do início ao fim. Ao narrar sua visão da ação celeste na terra em tempos incertos, São João não poupa nos detalhes e nos dá a certeza de que o que está a contar não pode ter saído meramente de sua cabeça, pois nem uma imaginação fértil de uma criança seria capaz de conceber imagens e figuras tão significativas quanto as que veremos a seguir. Dragões de várias cabeças, cavaleiros voadores, bestas e feras, guerras sangrentas são algumas delas. Mas lendo atenciosamente e deixando de lado séculos de cultura cristã acumulados desde o início do cristianismo até os nossos dias, uma imagem salta mais a vista do que qualquer outro: um cordeiro sobre um trono. Se a primeira vista tal título não soa estranho é porque ainda não nos aprofundamos no tema. Vale lembrar que São João cita esta figura do cordeiro que governa o mundo, 28 vezes em seu texto. Quer dizer: realmente significa algo.

Basta parar para pensar que estamos a falar de Deus, de Jesus Cristo, da segunda pessoa da Santíssima Trindade. Para Ele não faltam nomes e títulos de nobreza: Altíssimo, Senhor dos Exércitos, o Próprio Amor, Rei do Universo, Criador do Mundo, Santidade infinita, Amor Supremo, Soberano, etc. Dentro deste contexto, um título de Cordeiro não soa a coisa mais normal do mundo. E de fato, é porque não é normal mesmo. Dar a um Deus todo poderoso o nome de uma criatura tão frágil e dependente como um cordeirinho é por demais intrigante.

E é desvendando este mistério que encontramos grandes reflexões sobre Jesus Cristo e sua obra redentora. O início dessa busca se dá na própria gênesis da humanidade aonde podemos olhar reflexivamente sobre essa figura do cordeiro. A imagem do cordeiro é a chave para decifrarmos São João no Apocalipse e a própria realidade da missa: entendendo o que significa o cordeiro na história da salvação entendemos o que significa Jesus Cristo na obra salvífica da Eucaristia.

Sabemos bem que desde as mais remotas idades do gênero humano Deus vem treinando o homem para que se acostume a concretizar com atos, e não só com palavras, o seu amor para com Ele. E sabemos que desde os tempos de Caim e Abel, é um costume do ser humano oferecer a Deus como símbolo de gratidão aquilo que tem de melhor. Para um homem agrário e campestre, cordeiros estão seguramente na fila dos sacrifícios mais altos e difíceis que o ser humano poderia render ao seu Deus.

Embora Deus sendo todo espírito, pode muito bem aceitar de bom grado uma oferta material de suas criaturas, afinal de contas, Ele mesmo criou a matéria, deve gostar dela portanto. É claro que para Deus nenhuma oferta é suficientemente digna para que quitemos nossas dívidas com Ele, mas o que mais importa é o simples desejo de que o amemos acima de qualquer criatura e o nosso total desprendimento das realidades terrenas. Essa é a idéia por de trás das ofertas humanas a Deus.

O fato é que pouco a pouco Deus vai pincelando na história da salvação esboços e respingos coloridos do que viria ser a grande imagem de seu filho Jesus Cristo, no Cordeiro de Deus. Quem não se lembra da dramática história do sacrifício de Isaac por Abraão, quando Deus se utiliza da figura do cordeiro, como aquele que dá a vida em substituição do filho amado (Gn. 22,8)? Com Moisés ainda, Deus oficializou na história da salvação a importância dramática que a figura do cordeiro teria a partir de então, já na prefiguração de seu filho que como um cordeiro entregue nas mãos dos homens se sacrificaria a sí próprio pela redenção de todos.

Vemos portanto durante o episódio da visita do Anjo exterminador no antigo Egito, Deus pedindo a Moisés que se celebrasse a primeira páscoa dos hebreus, o dia em que o Altíssimo feriria de morte todos os primogenitos daquela terra para libertar o seu povo da escravidão do Faraó de coração endurecido. Para se celebrar tal páscoa um aliança entre o homem e seu Deus fora consumada no sacrifício de inúmeros cordeiros, que doando o seu sangue para os hebreus poupou este povo das terríveis perdas que se dariam naquela noite (Ex. 12, 1-23). A regra era que se oferecesse cordeiros ao Senhor, que se marcasse todas as portas com aquele sangue inocente e que se alimentassem posteriormente com aquela mesma carne sacrificada. Dito e feito; o Senhor convenceu o faraó pela dor e este autorizou o povo hebreu partir para longe de seus domínios, em busca da terra prometida.

Pois bem, a partir de então anualmente os israelitas, odernados por Deus e para ratificarem sua aliança, celebravam a mesma páscoa em honra dos grandes feitos a sua gente pelo Senhor. Todos os anos tomavam um cordeiro por família, macho, sem defeito, sem ossos quebrados, e o imolavam aos céus em sinal de seu amor e de sua fidelidade. Para agradecer, para expiar, para redimir, para suplicar, e também em outras especiais ocasiões durante o ano, estava sempre a figura do sacerdote como autoridade especial legitimada pelo próprio Deus a Moiséis, para conduzir outros sacrifícios.

Desde esse momento é possível traçar enormes paralelos entre o cordeiro, por assim dizer, do homem, e entre Jesus Cristo, o cordeiro de Deus. Jesus Cristo é aquele que dá o seu sangue todo para impedir a morte do seu povo eleito. É aquele que poupa a humanidade de morrer pelos desméritos de seus pecados, que alimenta a família humana e que protége a todos. É aquele que liberta seu povo da escravidão da morte e do pecado e que lhes entrega uma promessa de uma terra eterna e sem fim. É aquele que renova uma aliança entre a terra e o céu de forma absoluta e perfeita, por sua total entrega e abandonado, inocente, puro, perfeito, dando sua vida pela redenção de todos. É aquele que entrega sua vida pela troca de muitos sem pedir nada em troca, como no episódio de Isaac. É aquele que na cruz tem os ossos poupados por morrer rapidamente para que “se cumpram as Escrituras” (Jo 19,36), tamanho o horror que sofrera, e que um dia antes se dá de comer aos seus na última ceia.

É interessante notar que na antiguidade, anualmente no dia da Páscoa, alguns registros mostrem que mais de 255.000 cordeiros eram sacrificados no templo num único dia (Páscoa de 70 d.C.), e que por baixo, cerca de 400.000 missas são realizadas todos os dias no mundo. Que os cordeiros que eram sacrificados no templo eram preparados com ramo de hissopo e vinagre (Ex. 12, 22; Jo. 19,29), o mesmo preparado oferecido a Jesus durante sua via Crucis. Que Jesus fora condenado na hora sexta, a mesma hora que os sacerdotes iniciavam o preparo da imolação dos cordeiros e que cheio do Espírito Santo e da sabedoria acumulada das escrituras, João Batista já exclamava com autoridade divina a correlação entre Cristo e o cordeiro, como novo e definitivo sacrifício de redenção do homem. Que as orações dos sacerdotes judeus foram mantidas na missa durante o momento do ofertório (Bendito sejais Senhor Deus do Universo, pelo vinho que recebemos da vossa bondade, fruto da videira e trabalho humano e que agora irá se tornar… Bendito sejais Senhor Deus do Universo, pelo pão que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e trabalho humano e que agora irá se tornar …) e que muitos dos primeiros cristãos eram martirizados acusados de canibalismo, tamanha convicção e estranheza de que na missa se comia o próprio corpo de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

A luz dessas realidades, a santa Missa ganha uma nova cor e um novo sentido e é simplesmente impossível ficar indiferente face a tantas místicas realidades escondidas no véu da liturgia. Vejamos por exemplo um trecho da liturgia eucarística IV: “nós vos oferecemos o seu Corpo e Sangue, sacrifício do vosso agrado e salvação do mundo inteiro”. Vejamos também outro trecho extraido da liturgia eucarística I ganhando nova clareza: “Recebei, ó Pai, esta oferenda, como recebestes a oferta de Abel, o sacrifício de Abraão e os dons de Melquisedeque. Nós vos suplicamos que ela seja levada à vossa presença, para que, ao participarmos deste altar, recebendo o Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu”. Um olhar atento a missa enxergará inúmeras outras referências a plenitude sacrificial dado por Jesus Cristo como cordeiro santo, como por exemplo a oração do “Agnus Dei” recitada no “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós…”, ou nas palavras do sacerdote que apresenta Cristo eucarístico a assembléia reunida na citação de São João Batista: “Eis aqui o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

São Justino, mártir, escreveu no ano 155 d.C. um importante relato que nos demonstra como a liturgia sacrificial da missa se manteve praticamente intacta desde os tempos apostólicos, até os nossos dias, e como longe de ser um amontoado de regras e formalidades, a celebração eucarística é divina no conteúdo e na forma, e como desde o início do cristianismo era preciso comer o corpo do cordeiro de Deus para se ratificar a nova aliança como nos tempos de Moisés:

1.No dia dito do sol (domingo) reúnem-se em um mesmo lugar todos os cristãos, os que residem nas cidades e os que residem no campo.
2. O leitor lê trechos tirados das memórias dos Apóstolos (Novo Testamento) e dos livros dos Profetas (Antigo Testamento).
3. Terminada a leitura, aquele que preside toma a palavra para explicar aos presentes o que foi lido e exortá-los a pôr em prática tão belos ensinamentos (homilia).
4. Em seguida, levantamo-nos todos e dirigimos a Deus orações e súplicas (súplica insistente ou ecteni, após o Evangelho).
5. Suspendendo as orações, abraçamo-nos uns aos outros (Ósculo da paz).
6. Depois levam àquele que preside a reunião dos irmãos em Cristo, pão e um cálice contendo vinho, misturado com água (Procissão do ofertório).
7. O Presidente toma o pão e o cálice, louva e glorifica o Pai do universo em nome de seu Filho e Espírito Santo; dirige-lhe abundantes ações de graças por ter-se dignado dar-nos estes dons (Anáfora).
8. Terminada esta ação de graças (Eucaristia) todos os presentes exclamam: Amém.
9. Depois os ministros que chamamos diáconos distribuem a todos os presentes o pão da Eucaristia e o vinho misturado com água (Comunhão). Estes mesmos diáconos levam aos ausentes sua parte do pão e do vinho eucarísticos.
10. Por fim, os ricos socorrem os indigentes (Coletas).

É por isso que importa conhecer e reconhecer cada um dos significados da Santa Missa para vivenciarmos tudo quanto Cristo, que ensinou a divina liturgia aos apóstolos, desejou para a humanidade. Na Santa Missa, Cristo toma o lugar do cordeiro santo, aquele que se oferece a humanidade pela expiação dos pecados do mundo, e toma lugar do sacerdote oferecendo-se a sí mesmo em sacrifício perfeito para redenção de todos. Cada parte da missa concorre para o encontro com o Cordeiro que irá no altar ser imolado. Não é a toa que o Concílio Vaticano II chama a sagrada liturgia de o "cume para qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força".

No ano 215 d.C. Hipólito deixou-nos, como Justino, um roteiro da liturgia que rezamos ainda nos dias de hoje: “O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós. Corações ao alto. O nosso coração está em Deus. Demos graças ao Senhor. É nosso dever e nossa salvação”. Vejam que grande e que significativo pode chegar a ser a santa missa. Mediante esses sinais sensíveis presentes na sagrada liturgia chegamos a contemplar com toda a riqueza e plenitude os mistérios do amor de Deus pela nossa humanidade. Compreender tudo o que essa mesma liturgia nos oferece é chegar com maior rapidez e eficácia espiritual a esse cume, a essas alturas sagradas para onde nosso coração e nossa alma buscam sem cessar: a própria essência de Deus.

Reunir em nome do Deus Trino (Saudação), confessar as culpas (Ato Penitencial, Mt. 15,22), agradecer o perdão (Glória, Lc. 2,14), ouvir sua palavra (Leituras, Salmo de Resposta e Evagelho, Rm. 10,17), reafirmar a fé (Profissão da fé), pedir ao Senhor (Oração dos Fiéis), oferecer nossos dons (Ofertório), louvar a Deus pelo seu Filho presente (Oração Eucarística), receber o Pão da Vida nossa salvação (Comunhão) e ser abençoado partindo na missão de viver a fé na vida cotidiana (Benção e Despedida) é o que significa participar da Santa Missa verdadeiramente.

Acima de tudo é preciso resgatar, e não subestimar, toda a obra salvífica feita por Deus no período anterior a encarnação, que magnificamente complementa com novos sentidos e orientações toda a vida de piedade cristã. Que nossa próxima visita a uma igreja católica nos revista da imagem do próprio Isaac, que ao subir para o altar aonde seria imolado, encontra alí um cordeiro que dá a vida em seu lugar. Que em nossa próxima participação da santa missa, sejamos revestidos dos olhos de Moisés, que enxergou no sangue daqueles cordeiros, a salvação e a proteção do seu povo: de suas vidas. Que sobretudo, na nossa próxima Eucaristia, façamos essa grandiosa descoberta na pessoa de João Batista de também poder exclamar: “Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. E sem dúvida alguma, seremos felizes, pois seremos os “convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro” (Ap. 19, 9).

Fonte: Comunidade Shalom

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Entrar num Combate para Vencer!

Quando o povo hebreu saiu do Egito, houve dois acontecimentos muito parecidos: a passagem do Mar Vermelho (saída do Egito), e a passagem do Rio Jordão, na fronteira da Terra Prometida. 

O primeiro acontecimento foi para levantar o ânimo dos fugitivos escravos, o que chamamos hoje de autoestima. Com esta experiência eles se sentiram capazes de superar problemas invencíveis. Era a gasolina que necessitavam para atravessar as inclemências do deserto e poder vencer o número de obstáculos que ainda se apresentariam. 

O segundo acontecimento, a passagem do Rio Jordão, era para que os habitantes de Canaã constatassem que o povo hebreu era acompanhado por um Deus poderoso, fiel à aliança e que cumpriria a promessa de entregar-lhes a Terra Prometida. Os habitantes de Jericó perceberam que se tratava de um Deus poderoso, que caminhava ao lado dos hebreus e era capaz de intervir com uma força sobrenatural para cumprir as promessas. 

Josué enviou alguns espiões que exploraram e analisaram cuidadosamente tudo o que se referia aos moradores de Canaã. Os "repórteres" trouxeram duas versões. 

A versão pessimista: "São gigantes invencíveis. Suas muralhas chegam ao céu. Somos simples gafanhotos a seus pés". Sim, se tratava de um exército invencível, que tinha armas defensivas (as muralhas) e armas ofensivas (gigantes bem armados). 

A versão otimista: "A terra é bela, a mais bela de todas as terras. Vale a pena todo esforço". Mas o mais importante foi que desde antes de entrar em Canaã, Josué já havia imaginado as aspirações dos povos nômades, sedentos de território. Josué realiza então um gesto simbólico e profético: Antes da batalha, divide o território. "Vamos tomar esta terra hoje mesmo. Ela é nossa". Está seguro que vai ganhar a batalha. Quem não tem a certeza da vitória na mente, jamais a conseguirá no campo de batalha da vida. 

Assim, quando os hebreus chegaram à fronteira da Terra Prometida, sua fama e façanhas já haviam penetrado as fronteiras de Canaã e haviam conquistado a mente de seus inimigos, pois começaram a ter medo. 

Os habitantes de Jericó tinham tudo para derrotar facilmente um exército que ainda estava à sombra da escravidão. Eles [os hebreus] eram nômades, sem armas, sem experiência ou poder militar. No entanto, os moradores de Jericó decidiram não lutar. Diz a Palavra que Jericó "estava trancada dentro de seus muros e barreiras". Eles olhavam uns para os outros e o medo crescia entre si. Já estavam derrotados, porque não queriam lutar.

A tática de Josué: dar 7 voltas ao redor da cidade para fazer crescer o temor de um ataque que não veio.... "De uma forma ou outra, vocês cairão em nossas mãos", disse ele. O medo cresceu tanto que decidiram não se defender. Já tinham renunciado atacar os hebreus. Agora, ruem e caem as muralhas defensivas de suas vidas. Eles foram, então, presas fáceis para os inimigos que eram bem menos fortes e capacitados. 

Por que perdeu Jericó? O problema deles foi não atacar e não se defender, pois se deram por vencidos antes da batalha. 

Tiveram medo da fama que precedia os hebreus: Seu Deus era um Deus poderoso. Os hebreus conquistaram Jericó não porque suas paredes caíram por milagre, mas porque seus habitantes não queriam lutar, pois se deram por derrotados antes mesmo de entrar na batalha.

Por que ganharam os hebreus?

Eles tomaram posse antes de entrar no território. Eles estavam convencidos da vitória. Sua mente era uma mente vitoriosa. Eles tinham um Deus poderoso ao lado deles, que os fez passar o Mar Vermelho para dar-lhes autoconfiança. 

Quando cruzamos os braços e não lutamos, estamos nas mãos dos nossos adversários. Quando decidimos atravessar o "Jordão" não podemos voltar atrás, então não há outra estrada a não ser a luta e a vitória até o fim. Quando conhecemos os pontos fortes e fracos do inimigo ou a empreitada queremos ganhar, estamos mais bem preparados para enfrentar a batalha. 

Quando num ato real, tomamos posse do desafio que está diante de nós, então somos capazes de superá-lo. Mas acima de tudo, na vitória ou na derrota existe um fato definitivo: o Deus que nos libertou da escravidão, conduzindo-nos através do deserto, nos prometeu uma terra.

Quando fizemos a experiência da passagem do "Mar Vermelho", a passagem da escravidão, perdemos o medo de outros problemas. Quando escolhemos um largo caminho, já não podemos voltar atrás. Só fica aberta a possibilidade da vitória. 

Quando sabemos que tudo depende de uma promessa feita por Deus, as nossas atitudes mudam, porque temos confiança e esperança. Sabemos que alcançaremos a vitória porque Deus prometeu e Ele é fiel. 

José H Prado Flores
Pregador internacional, Fundador e Diretor Internacional
das Escolas de Evangelização Santo André

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Jovem Protestante Estuda o Catolicismo e Se Converte


Meu nome completo é Alessandro Ricardo Lima, sendo o terceiro filho de meus pais entre quatro irmãos.

Nasci em Brasilia e Fui batizado na Igreja Católia quando tinha quase um aninho e idade. A cerimônia aconteceu na Igreja São José ao lado da Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro.

Mesmo sendo batizado na Igreja Católica, não segui esta fé. Pois desde muito pequeno minha irmã mais velha que era Luterana me levava para a Escola Dominical. Cresci congregando na Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Brasília (IECLB). Para agradar meu Pai fiz a primeira comunhão na Igreja Católica aos 15 anos. Mesmo sendo Luterano sempre tive muita admiração pelo exemplo de Vida de Nossa Senhora e lembro-me de gostar muito da figura de João Paulo II. 

Durante determinada fase do final de minha adolescência me interessei em estudar Espiritismo, Magia e Alquimia, só por curiosidade. Jamis me inveredei por estes caminhos. Acreditava que para combater melhor estas doutrinas deveria conhecê-las melhor.

Quando terminei o segundo-grau fiz curso pré-vestibular onde conheci muitos jovens católicos. Foi nesta época que comecei a me interessar um pouco mais pela Igreja Católica. E participei de um grande encontro de jovens de duração de 3 dias, muito conhecido aqui em Brasília o “Segue-Me”. Fiz o V SEGUE-ME do Núcleo Verbo Divino.

Nesta época eu abandonei o Luteranismo e achava que havia me tornado católico. Era um jovem católico como muitos católicos que existem por aí, com um conhecimento muito superficial da doutrina da Igreja e sem conhecimento da memória cristã.

Em 1999 fui morar no Rio de Janeiro, pela influência de alguns parentes e amigos, comecei a frequentar a os cultos da congregação Maranata, fundada pelo sr. Paulo Brito. Lá me converti ao Pentecostalismo. Lá me rebatizaram.

Durante este ano, me tornei um fervoroso protestante, e como normalmente acontece não me faltou o ódio à Igreja Católica. Tive acesso a vários folhetos que “revelavam” as “mentiras” do catolicismo. E me empenhei muito em estudá-los e divulgá-los.
E nestas minhas pesquisas e estudos a Providência Divina cuidou que eu encontrasse o Site AgnusDei. O primeiro artigo deste site que abri foi um intitulado “Concordância Bíblia” de autoria do Professor Carlos Ramalhete. O artigo tratava da concordância Bíblica que a existia na doutrina dos sacramentos; mas uma frase deste artigo me chamou muito a atenção: “A Bíblia é filha da Igreja e não sua mãe”. Nossa! Fiquei iradíssimo com aquilo, pois como um protestante que tinha a Sola Scriptura correndo em suas veias poderia dormir com um barulho daquele?
Entrei em contato com o referido Professor e com o Carlos Martins Nabeto, que era o criador do site.

Comecei a travar com eles uma série de debates. Comecei a me assustar quando me deparava com os Escritos Patrísticos, pois lá via que os primeiros cristãos confessavam o Catolicismo e não as novidades trazidas com a Reforma.
Comecei a ver que o que me ensinavam no protestantismo, não era a doutrina católica, era o que eles acham que era o Catolicismo.
Comecei a ver que o que me mostravam no protestantismo não era a Igreja Católica, mas uma caricatura dela.
O fato decisivo foi quando apresentei aos referidos irmãos, um material que dizia que a Igreja Católica incluiu os livros “apócrifos” na Bíblia durante o Concílio de Trento, que me rebateram me mostrando fragmentos de atas conciliares onde a Igreja já há mais de 1000 anos antes desta data já havia canonizado tais livros; me deram como referência a Bíblia de Guttemberg, que era anterior à Reforma, e já incluía tais livros.
Como trabalhava no Centro do Rio, fui à Biblioteca Nacional afim de conhecer a Bíblia de Guttemberg. Vendo os microfilmes pude constatar que o material protestante que estava em minhas mãos e que eu divulgava como sendo luz e guia da Verdade, era mais uma obra enganadora do Maligno.
Foi neste dia que com muita tristeza por ter perseguido a Igreja de Deus, me converti ao Catolicismo.

Enfrentei muitos problemas por causa da minha conversão, principalmente por causa de amigos e parentes. Em 03/2000 voltei à Brasília, e comecei então a preparar a chegada do Site Ictis, pois eu acreditava que tinha a obrigação de esclarecer os “católicos” que pensam que são católicos e os protestantes que pensam que são Cristãos. Dediquei-me tremendamente ao estudo dos Escritos Patrísticos, e a cada leitura, a cada estudo, me tornava cada vez mais Católico e mais tinha certeza do caminho que havia abraçado.

Sou formado em Processamento de Dados pela União Educacional de Brasília (DF) e possuo Especialização em Gerência de Projetos em Engenharia de Software pela Universidade Estácio de Sá (RJ). Sou Analista de Sistemas (com várias certificações do Mercado) e Professor Universitário aqui em Brasília. 

Hoje me dedico ao estudo das origens cristãs, procurando divulgar o que tenho descoberto e a fonte de minhas informações para quem sabe outros vejam o que eu não pude ver.
E ajudo a manter este Apostolado Católico que tem como objetivo apresentar aos seus visitantes o VERITATIS SPLENDOR, isto é, o ESPLENDOR DA VERDADE. Pois como disse Nosso Senhor: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acender uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos que estão na casa.” (Mt 5,14-15).

Fonte: Comunidade Shalom