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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Não Pecamos Mais, só Cometemos Erros?


A Bíblia narra como o homem, ao ter a criação toda exposta diante dele, foi dando nome a cada animal da terra; também deu nome a todas as coisas, situações e relações que ia estabelecendo. O homem é um ser nominal (dá nome a tudo) e tem essa necessidade de dar nome a cada coisa, pois, por meio dos nomes, dá consistência e identidade a determinada realidade e busca uma forma particular de se relacionar com ela.

Não é menos verdade que, a certa altura, o ser humano percebeu que havia alguns termos que eram duros e escandalosos ao ouvido, e teve de enfrentar conceitos e realidades que incomodavam sua consciência e acabavam com a sua tranquilidade.

Para conseguir aliviá-la e sentir-se tranquilo consigo mesmo, ou para mostrar-se um pouco mais culto e decente, ele optou por criar os chamados “eufemismos”, que são manifestações suaves e decorosas de ideias cuja franca e direta expressão seria dura ou censurável.

No começo, tais eufemismos só buscavam enfeitar um pouco aquelas palavras que podiam parecer ásperas ou grosseiras; assim, as pessoas acabaram preferindo mudar os nomes de certos comportamentos, ao invés de transformar as realidades que estavam vivendo de maneira inadequada, para não terem de enfrentar a dureza da censura.

Assim, podiam se sentir mais tranquilos consigo mesmos, sem ter de modificar seu proceder; já não se tratava de “fazer” o bem, mas simplesmente de “sentir-se” bem; já não se interessavam pela bondade, mas sim por tentar fazer que a maldade não parecesse tão “má”.

Com os eufemismos, deixou-se de falar de “aborto”, para falar de “interrupção da gravidez”; o “adultério” virou “deslize amoroso”; as “prostitutas” começaram a ser chamadas de “profissionais do sexo”, e assim por diante.

Os eufemismos são a típica expressão de uma sociedade relativista e manipuladora, que já não acredita em princípios universais, eternos e imutáveis, mas em utilitarismos morais; que está convencida de que mudar os nomes das coisas metamorfoseia a sua essência e que, portanto, a conduta deixa de ser reprovável, até se tornar quase uma virtude; que o que é mau se torna bom só porque um nome agradável tornou possível este “milagre”.

Nossa sociedade é eufemística e, assim, pretende acabar com o mal, com o peso de consciência e sentir que, em última instância, tudo muda com uma palavra. O eufemismo manipula a sociedade, tornando-nos politicamente corretos e evitando, assim, que tenhamos problemas devido ao fato de chamar cada coisa pelo seu nome real.

Com os eufemismos, o que interessa não é fazer o bem, mas sentir-se bem, pois o subjetivismo jogou a objetividade no lixo; e o sentimento se tornou mais importante que a razão e a opinião de verdade.

O eufemismo moral torna a consciência frouxa e tende a entorpecê-la, pois, de tanto repetir os mesmos conceitos, acabamos perdendo de vista a verdadeira dimensão das realidades que enfrentamos. A suavidade com que se expressa, que parece uma espécie de diplomacia, nem sempre é inócua.

Só quando as coisas recebem seu nome verdadeiro é que podemos enfrentá-las com realismo e buscar soluções. Mas, para isso, é preciso estar dispostos ao incômodo que tal empreitada gera em nós.

A última “perola” eufemística em voga é pedir a Deus que perdoe nossos “erros”, pois já não queremos chamar de “pecado” o que é precisamente isso: pecado.

Os erros não merecem perdão, mas desculpas. O pecado precisa ser chamado de “pecado” sem medo algum, para que a pessoa possa ser perdoada pelo Senhor.

Fonte:Aleteia.org

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Não Podemos "Normalizar" o Pecado!


Eu gostaria de falar sobre a força que Deus nos dá nesta vida, na nossa caminhada. O que Deus mais deseja é que sejamos pessoas cada vez mais humanas e felizes. Nós vivemos, hoje, uma enfermidade coletiva. Estamos doentes por causa de alguns 'vírus' e vamos contagiando os outros: o 'vírus' da solidão, de desesperança, do desânimo, da depressão. Vivemos também o contágio da normalização do pecado. Deus nos fez para sermos livres, para sermos sadio, mas estamos nos contentando com a situação de enfermos.

“Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites. Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço. O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça” (Rom 6,12-14). 

Eu recebo muitas perguntas como "Padre, isto é pecado?" As pessoas só querem saber o que é ou não pecado, mas o que elas precisam é ter consciência da escravidão das paixões. Paixão pelo poder, pelo dinheiro etc. Falamos tanto e ficamos escandalizados com relação à prostituição, mas nos prostituímos com poucas coisas, somos escravos de coisas muito menores. 

O homem vive uma constante luta contra o pecado. Nossa vida é luta desde o momento que acordamos até quando vamos dormir. Jesus não foi tentado apenas no deserto, mas constantemente. A palavra diz que quando Ele venceu a tentação no deserto, o demônio partiu “até uma outra oportunidade”. 

O demônio é sutil, ele se disfarça na beleza, na paixão para nos seduzir. O pecado se mascara de algo bom, porque, se ele fosse mostrar a verdadeira face, você não cairia nele. Nós estamos vivendo na lei da normalidade, tolerantes com as imundícies no mundo. Ficamos resistentes à graça e aceitando as anormalidade do mundo. 

Nós estamos vendo, por exemplo, a onda de violência nos estados e ficando acomodados. Não adianta colocar a polícia para repreender, pois a violência tem gerado mais violência. Qual o problema? O problema destes atos bárbaros da sociedade está na família. Recupere a família e o seu papel na sociedade, e as coisas vão ficar bem. 

A maior força do inimigo é, justamente, nos introduzir na lei da normalidade. O que você foi assimilando na sua vida que pertence aos pagãos? Nós sabemos que o mundo paganizou as datas cristãs. A Páscoa foi paganizada com o coelho da Páscoa, o chocolate. O Natal foi paganizado com o Papai Noel. O dia de Nossa Senhora Aparecida foi paganizado com o Dia das Crianças. Nada contra as crianças, nada contra o Papai Noel, mas estamos falando do mundo paganizado que entrou em nós e hoje aceitamos todo este consumismo como normal. 

Nós não devemos temer a queda de número de católicos no país. O passo que devemos dar, no nosso país, é sairmos da condição de simpatizantes de Jesus para discípulos d'Ele. Neste Ano da Fé não há espaço para os simpatizantes. 

Pe Reginaldo Manzotti

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ate Quando Ficaremos Presos ao pecado?

Deus quer rendimento, portanto, não investe à toa. Ele sabe que podemos render. E o que Ele investe em nós são Seus dons, os dons do Espírito Santo. 

O Senhor quer o rendimento de Seus bens. Ele tirou do preguiçoso, do medroso e deu na mão daquele que tinha dez. E por que tinha dez? Porque trabalhou, investiu, fez mais que todos os outros. Rendeu. E o Senhor, apesar de o homem já ter dez moedas, lhe deu a outra, porque em suas mãos aquela moeda poderia produzir outras dez. Você está entendendo? Para ter de esperar o julgamento final por que você não se gastou agora pelo Reino?! 

É tempo de se gastar, de morrer como o grão de trigo que passa pela morte para produzir muitos grãos. Morrer para se multiplicar; gastar-se para render ao máximo, salvando almas para o Reino de Deus. É o momento de investir com todas as forças nos talentos que recebemos! 

A tática do demônio consiste em nos enredar nas teias da embromação. Assim, você acaba amarrado pelos pés e pelas mãos, pela mente e pelos sentimentos. Trata-se de uma teia igual à de uma aranha, quase transparente, da qual não se consegue sair. 

Até quando você vai ficar enredado nas teias da embromação, sem se decidir definitivamente pelo Reino de Deus? Até quando o demônio continuará embromando-o nos seus pecados de sempre? Até quando? É preciso dizer um basta! 

Deus o abençoe! 

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Os Tipos de Pecado


Nossa vida tem, por assim dizer, o que vamos chamar aqui de diversos estratos. Há em nós uma vida vegetativa, que nos é comum com os vegetais, e se manifesta no crescimento das unhas, cabelos, na assimilação dos alimentos, etc.; também temos uma vida animal que nos é comum com os animais, e se manifesta na nossa capacidade de ver, ouvir, tocar, de cheirar, de mover-nos, de comer, de dormir, etc. 

Ainda mais, gozamos de uma vida racional que temos em comum com os anjos e que se manifesta em nossa capacidade de conhecer, de querer, de amar, e por último, num grau muito superior a todos os níveis anteriores, recebemos uma Vida Divina que nos é comum com Deus: a graça santificante pela qual participamos da mesma vida intratrinitária de Deus.

1. O Pecado Mortal

Quando cometemos um pecado grave expulsamos a Deus de nós e perdemos a graça santificante. Por isso o pecado é a desgraça maior que existe no mundo. Pecar gravemente é o pior e mais imbecil, o mais terrível e criminal, o mais absurdo e abjeto: é atuar contra a vontade de Deus, é atentar contra sua glória, é ofender ao que é infinitamente bom, é privar-se da graça de Deus, é submeter-se à escravidão do Diabo, é converter-se em candidato ao Inferno.

"Se, cheios de fé, víssemos o fundo de uma alma manchada com um pecado mortal, morreríamos sacudidos de terror" (São João Maria Vianney). Justamente, pois, exclamava São Domingos Sávio: "Morrer antes de pecar!", e Frei Mamerto Esquiú: "Deus me conceda odiar este mal com todo meu coração e me envie a morte antes de cometê-lo". José de São Martim assim expressava: "Que Deus o livre de viver e morrer em pecado mortal, são os votos de seu velho amigo".

Pecado mortal é pensar, desejar, dizer, fazer, ou omitir algo contra a lei de Deus em matéria grave, sabendo-o e querendo-o (ou seja é preciso matéria grave, conhecimento, e liberalidade).

Assim como pela graça temos uma antecipação do Céu na alma, pelo pecado mortal temos uma antecipação do Inferno, e se chegamos a morrer, assim seja com um só pecado mortal, vamos ao Inferno, "Que mundo poderia acolher a um deserto de Deus?" (São Clemente Romano). Quem vive em pecado mortal, está condenando a si mesmo.

"Quem comete o pecado, é escravo" (Jo 8,34). "Cada um é escravo daquele que o domina" (2Pd 2,19): como é o Diabo quem vence o homem induzindo-o a pecar, quem comete pecado mortal fica submetido à servidão do Diabo, "aquele que comete pecado é do diabo" (1Jo 3,8), e por isso os pecadores estão enredados pelo "laço do demônio, que os tinha cativos de sua vontade" (2Tm 2,26).

Ao pecado grave se dá o nome de pecado mortal, porque ao privar a alma da graça, priva-a da vida sobrenatural, sendo assim uma antecipação da morte eterna. Por isso Deus nos ensina: "A pessoa que peca é a que morrerá" (Ez 18,20). "O pecado que leva à morte" (Rm 6,16).

Assim como se deve fugir de uma cobra venenosa porque se nos morde nos mata, assim deve-se fugir do pecado: "Foge do pecado como da serpente" (Eclo 21,2).

Quando um cristão peca mortalmente, só pode ser perdoado caso se confesse ante o sacerdote. "Verdade é que existe o ato perfeito de contrição que justifica, mas ainda assim este deve conter o desejo de confissão" (São Pedro Julião Eymard). Deve confessar-se dizendo o número de pecados cometidos, contra quais mandamentos e as circunstâncias que agravam ainda mais o pecado mortal, até o ponto de fazê-lo mudar de espécie. A modo de exemplo, são pecados mortais os seguintes atos cometidos com plena advertência e deliberada vontade;

Alguns exemplos de matéria grave

    * Não crer algo ensinado por Deus e a Igreja, ou cultuar outros deuses (contra o 1º mandamento)
    *    Blasfemar o Santo nome de Deus, da Virgem e dos Santos; (contra o 2º mandamento)
    *      Faltar à Missa dos Domingos e Festa de guarda, sem grave motivo; (contra o 3º mandamento) 
    *      Matar , suicidar-se, abortar: "crime abominável" (Concílio Vaticano II); 
    *      Consentir em maus pensamentos, desejos, olhares, conversas, ações contra a pureza, contra a fidelidade, contra a transmissão da vida;
    *      Roubar uma quantia importante;
    *      Caluniar ou difamar a uma pessoa em algo grave, etc.

2. O Pecado Venial

Existe outro tipo de pecado. É o pecado venial ou leve. Este pecado não priva a alma da graça de Deus nem a condena ao Inferno, mas impede a perfeição e a caminhada da alma para Deus, levando-a ao vício, à escravidão do pecado, ao relaxamento da consciência, ao arrefecimento do amor por Deus  e a conseqüente piora dos tipos de pecados.

Pecado venial é pensar, desejar, dizer, fazer ou omitir algo contra a lei de Deus em matéria leve.
É um tipo de pecado essencialmente distinto do pecado mortal. Este tem como castigo o Inferno eterno; aquele não impede de entrar no Céu, mas sim tem como pena o Purgatório por algum tempo, caso não tenha dado tempo deste pecado conduzir ao seu conseqüente pecado mortal, ao qual ele é porta.

O pecado mortal só se perdoa com a confissão (ou com um ato de contrição perfeita que implica o propósito de confessar-se o quanto antes); o venial, em contra partida, através do arrependimento sincero acrescido de muitas maneiras piedosas: mediante uma boa obra, uma oração, uma esmola, água benta, o sinal da cruz, e também mediante a confissão.

Mas ainda que o pecado venial não parecça algo tão grave, não se pode deixar de lutar também contra ele, pois consenti-lo é levar vida medíocre de cristão, e conseqüentemente deixar de caminhar para a santidade. Devemos sim é seguir o conselho de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48). 

Não nos deve, porém,  desanimar o fato de cairmos muitas vezes em pecado leve, já que "o justo cai sete vezes", mas "se levanta" (Pr 24,16). E deve-se lutar contra ele não só porque cada vez devemos amar mais a Deus, senão também porque os pecados veniais podem nos ir levando insensivelmente a cometer pecados mais graves, pois "o que menospreza o pouco aos poucos cairá na miséria" (Eclo 19,1), e "moscas mortas fazem com que o perfumista rejeite o óleo, um pouco de insensatez conta mais que a sabedoria e glória" (Ecl 10,1).

A tentação, ainda que nos incita ao pecado, não é no entanto pecado; Jesus foi tentado e no entanto "nele não há pecado" (1Jo 3,5). Quando uma tentação se converte em pecado? Quando não se rejeita a tentação, por exemplo um mau pensamento, e ainda, sabendo que é mau se entretêm nele; então comete pecado mortal ou venial, segundo a gravidade do mesmo. Quando se rejeita a tentação, não somente não cai em pecado, senão que faz um ato de virtude, já que "podia pecar e não pecou, fazer o mal e não o fez" (Eclo 31,10).

 
O que são Pecados capitais. 

Alguns pecados se chamam capitais porque são a origem de outros pecados e de vícios. São a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula, a preguiça (Cat.I.C., 1866). Eles poderão ser veniais ou mortais de acordo com a matéria em que incidem. 

Pecados contra o Espírito Santo.
 "Aquele, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, jamais será perdoado: é culpado de pecado eterno" (Mc 3,29; cf. Mt 12,32; Lc 12,10). Deus sempre está disposto a perdoar-nos, mas se nós não queremos, respeita nossa liberdade e não nos obriga a aceitarmos seu perdão. Diz-se que nunca se perdoam pela falta de disposição em nós de receber o perdão. Costuma-se enumerar seis tipos de pecados contra o Espírito Santo: desesperar-se de alcançar perdão dos pecados, presumir que sem cumprir os mandamentos de Deus, Ele nos vai salvar, impugnar a verdade conhecida, ter inveja da graça alheia, obstinar-se no mal e impenitência final.

Pecados que clamam ao céu. 
O homicídio voluntário (cf. Gn 4,10); o pecados dos sodomitas, como o a prática do homsexualismo (cf. Gn 18, 20; 19,13), a opressão do pobre (cf. Ex 3, 7-10); o lamento do estrangeiro, da viúva e do órfão (cf. Ex 22, 20-22) e a injustiça para com o assalariado (cf. Dt 24, 24-25).

3. A luta do Cristão

A vida cristã é luta. É luta contra a carne; contra o mundo, inimigo de Deus; é luta contra o Diabo, que busca perder-nos.

Para perseverar no bem, deve-se lutar contra o mal, obrando "com temor e com tremor" nossa salvação. (Fl 2,12).

O Concílio de Trento nos ensina que devemos "temer por razão da luta que ainda (nos) aguarda com a carne, com o mundo e com o Diabo, da qual não podemos sair vitoriosos se não colaborarmos com a graça de Deus" (Decreto sobre a Justificação) para vencer esses inimigos.

"Não está o homem condenado a trabalhos forçados aqui na terra?" (Jó 7,1). "Acaso Jesus não disse que veio trazer a espada?" (cf. Mt 10,34). São Paulo dizia de si mesmo: "combati o bom combate, ... guardei a fé" (2Tm 4,7) e São Pedro: "vosso adversário, o Diabo, rodeia como um leão a rugir. Resisti-lhe firmes na fé" (1Pd 5,8). "Ao Paraíso devemos chegar cansados. Por haver trabalhado aqui exaustivamente, lá se viverá de rendas. É por ele que devemos acumular um forte capital de virtudes" (Beato Vicente Grossi).

Para combater, disse São Paulo, deve revestir-se com "a armadura de Deus" (Ef 6,10-17). Detalhemos este formoso texto:

- "Cingidos com o cinturão da verdade". O amor à verdade é uma virtude fundamental para o cristão. Por isso deve-se "abraçar a verdade" (Ef 4,15), deve-se "amar a verdade" (cf. 2Ts 2,10), deve-se lutar por ela; "luta pela verdade até a morte, e o Senhor Deus combaterá por ti" (Eclo 4,33). Por fim, essa verdade é o mesmo Cristo: "Eu sou a Verdade" (Jo 10,6).

- "Vestindo a justiça como couraça". A justiça nos faz dar a Deus todo o que se deve dar e ao próximo o que lhe corresponde. Essa justiça se identifica com a santidade, e permite que nossa "caridade seja sincera, odiando o mal e aderindo ao bem" (cf. Rm 12,9). Porque não só deve-se fazer o bem, senão também se deve lutar contra o mal: "Iahweh ama os que odeiam o pecado" (Sl 97,10). Só o malvado "não rejeita o mal" (Sl 36,5), e o que não rejeita o mal se faz cúmplice do mesmo. Devemos abster-nos "até da aparência do mal" (1Ts 5,22).

- "Calçados os pés com o zelo para prolongar o Evangelho da paz". Muitas vezes a melhor defesa é um bom ataque. Devemos ter alma de apóstolos, zelo pela casa de Deus, compaixão de tantas almas que estão às escuras.

- "Sempre na mão o escuda da fé". A fé "vence o mundo" (1Jo 5,4), vence ao Diabo: "resisti-lhe firmes na fé" (1Pd 5,9); vence a carne: "a fé limpa o coração" (Santo Agostinho).

- "Tomai o casco da salvação". Cristo é o único que "tem palavra de vida eterna" (Jo 6,68), é o único que nos salva. Essa salvação chega a nós através dos Santos Sacramentos.

- "E a espada do Espírito..." Que é a palavra de Deus, dada pelo Espírito Santo. E é "espada cortante" (cf. Hb 4,12), da qual deve-se aprender a sem um bom esgrimista.

"Aos homens corresponde lutar e a Deus dar a vitória" (Santa Joana D'Arc).

Fonte: El Catecismo de los Jóvenes", Pe. Carlos Miguel Buela, V.E., Ediciones del Verbo Encarnado - pg. 141

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Que São os Pecados Capitais?


Os sete pecados capitais denominam-se dessa forma por originarem outros pecados. E ao contrário daquilo que certas denominações que se dizem cristãs afirmam, os pacados capitais possuem base bíblica e fazem parte do ensino moral cristão. São regras de libertação e não de aprisionamento do ser humano. Afinal, qual homem pode-se dizer livre quando na verdade é prisioneiro de suas próprias inclinações? E foi justamente para sermos homens e mulheres livres que Jesus foi sacrificado. Portanto, os pecados capitais são mais que hodiernos.



Origem
No século IV, são Gregório Magno e são João Cassiano definiram-nos como sete: orgulho, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça. Até hoje na Igreja existe um consenso doutrinal sobre essa classificação.
No cotidiano, o católico pode lembrar desses pecados no exame de consciência que faz ao preparar-se para o sacramento da confissão. Eles servem de fonte de identificação para o defeito dominante que determina os outros, chamado de pecado hegemônico.
Os pecados capitais vão além do nível individual. Iniciando no coração da pessoa, eles concentram-se em determinados ambientes, instalando-se em determinadas instituições. A corrupção nas esferas do poder público pode ser identificada com a avareza, que aniquila o interesse generoso e correto para o desenvolvimento e os cidadãos da nação, em prol de benefícios financeiros próprios. Na realidade urbana, o aumento da violência relaciona-se à ira e à gula, esta representada pelo uso de drogas.
São Pedro alerta aos primeiros cristãos: “vigiai e sede sóbrios”, fortalecendo o espírito a fim de evitar que os pecados capitais tomem conta da vida das pessoas. “Estudar e entender os pecados capitais é um grande proveito para o progresso espiritual e santidade do católico”, afirma Pe. Roberto Paz, assessor de comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre. Segundo ele isso acontece quando a pessoa volta-se para práticas penitencias que levam às virtudes dos cristãos.
“Sem humildade ninguém incorpora nenhuma virtude”, afirma o sacerdote. Ele lembra santa Teresa D’Ávila que considerava a humildade como o chão das virtudes. “Qualquer virtude sem humildade cai, pois fica no ar sem ter em que se prender, assim ela não cresce, tão pouco se desenvolve.”
Na vida dos santos encontram-se inúmeras atitudes de humildade. São Francisco de Assis, por exemplo, possuía um desprendimento tão grande que chamava a pobreza de irmã. Caso encontrasse pelo caminho alguém com uma veste em piores condições que a roupa que usava, não hesitava um segundo em trocá-la com seu próximo mais carente.

O que são e quais são os pecados capitais?
Os pecados capitais são pecados "cabeças", princípios, pontos de partida de outros pecados. São sete: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Os demais pecados por nós cometidos são sempre uma variação de um dos pecados capitais, ou ainda, uma combinação dos pecados capitais.

Fonte: Universo Católico

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Como Vencer as Tentações da Carne?

"Eu vos exorto: deixai-vos sempre guiar pelo Espírito, e nunca satisfaçais o que deseja a vida carnal. Pois o que a carne deseja é contra o Espírito e o que o Espírito deseja é contra a carne" (Gl 5,16-17).
São Paulo, escrevendo aos gálatas fala da vida carnal, se referindo à impureza, devassidão, imoralidade sexual, libertinagem, inveja, discórdia, bebedeira, orgia, ciúme, ira e outras coisas semelhantes (cf. Gl 5, 19-21). Dando sequência aos versículos, o apóstolo dos gentios ressalta: "todos os que vivem dessa maneira não herdarão o reino de Deus."
Você já teve a horrível sensação de ser vencido(a) pelas tentações da carne? Se a resposta for "sim", não se assuste! Eu também já tive e se não me cuidar ou não me disciplinar, serei vencida sempre. O inimigo de Deus está constantemente nos rodeando, pronto a nos devorar, por isso, é preciso vigilância e muita oração.
"Se não te mortificas, nunca serás uma alma de oração. Nenhum ideal se torna realidade sem sacrifício" (São Josemaría Escrivá).
Geralmente somos tentados na nossa maior fraqueza. Qual é seu ponto fraco? Sua sexualidade, seu temperamento, a gula, a inveja, o ciúme, a discórdia? Fale agora o nome de sua fraqueza para você mesmo (a). Depois de responder, talvez sua próxima pergunta seja: "Mas o que fazer nesses momentos, nos quais me sinto impotente diante das tentações e o que fazer para vencê-las?"
Primeiro: fugir das ocasiões de queda e não procurá-las. Porque se deixarmos para fugir quando ela já está nos envolvendo, será muito difícil resistir. Além de fugir, não podemos ser ocasião de pecado para as pessoas que convivem conosco.
Segundo: Só com o espírito fortalecido será possível dominar os impulsos da carne. Venceremos e dominaremos nossa carne com a oração e a intimidade com Deus, buscando os frutos do Espírito Santo de Deus, que são: alegria, amor, paz, paciência, amabilidade, mansidão, domínio próprio, este, sobretudo, conseguimos somente com muito esforço, e fazendo mortificações, ou seja, renúncia daquilo que gostamos muito: refrigerantes, doces, entre outros.
Por que isso é importante? Porque quem não domina a boca, geralmente tem uma grande dificuldade para controlar seus impulsos sexuais. Essa frase que um dia ouvi de um padre, mestre em teologia moral, me levou a fazer uma grande reflexão. Deus fez muitas libertações na minha vida a partir do momento em que eu gravei isso na minha mente e no meu coração.
"Sem disciplina não há santidade" (monsenhor Jonas Abib). Nossa vida espiritual deve ser regrada e planejada. Por isso, não podemos deixar a oração como última tarefa do dia. Ao despertar, já precisamos consagrar ao Senhor tudo o que vamos viver no nosso dia, nossos pensamentos, nosso desejo de viver a castidade, as pessoas com quem nos relacionaremos e lembrar: precisamos fugir das ocasiões de pecado e não ser ocasião de queda para as pessoas.
Que todo o nosso dia seja uma oração traduzida em ações. Não adianta orarmos e não colocarmos em prática aquilo que Deus nos pede. É Ele quem tudo vê! Não queira provar nada para ninguém.
Mensalmente, ou quando for possível, procure ser orientado por um sacerdote ou diretor espiritual de sua confiança. Faça mortificações, as quais o ajudarão e o levarão ao amadurecimento, ao controle e ao equilíbrio afetivo-sexual.
Isso é possível e com o auxílio do Espírito Santo você poderá vencer as fraquezas da carne.
Tenho dado a Deus a vitória na minha afetividade e na minha sexualidade. Digo que é difícil, mas é possível sim.
Você quer vencer também? Comece agora com uma boa confissão, sem medo. O Senhor está com você!
Muita oração e muita disciplina!
Ana Neri-Com. Canção Nova

sábado, 28 de março de 2009

A Cultura do EGO

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'Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo'

A soberba é o pior de todos os pecados capitais. É o que levou os anjos maus a se rebelarem contra Deus e Adão e Eva à desobediência e ao pecado original. Alguém disse que o orgulho é tão enraizado em nós, por causa do pecado original, que “só morre meia hora depois do dono”. Por outro lado, por ser o oposto da soberba, a humildade é a grande virtude, a que mais caracterizou o próprio Jesus: “Manso e humilde de coração” (cf. Mt 11,29) e também marcou a vida da Virgem Maria: “A serva do Senhor” (cf. Lc 1, 38), assim como a de São José e de todos os santos da Igreja.

São Vicente de Paulo ensinava seus filhos que o demônio não pode nada contra uma alma humilde, uma vez que sendo ele soberbo, não sabe se defender contra a humildade. Por isso, com essa arma ele [maligno] foi vencido por Nosso Senhor Jesus Cristo, pela Santíssima Virgem Maria, pelo glorioso São José, São Miguel e os demais santos.

A soberba consiste na pessoa sentir-se como se fosse a “fonte” dos seus próprios bens materiais e espirituais. Acha-se cheia de si mesma e se esquece de que tudo vem de Deus e é dom do alto, como disse São Tiago: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes” (Tg 1,17).

O soberbo se esquece de que é uma simples criatura, que saiu do nada pelo amor e chamado de Deus, e que, portanto, d'Ele depende em tudo. Como disse Santa Catarina de Sena, ele “rouba a glória de Deus”, pois quer para si as homenagens e os aplausos que pertencem só ao Senhor. São Paulo lembra aos coríntios que: “Nossa capacidade vem de Deus” (II Cor 3,5). Aos romanos ele afirma: “Não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto” (Rm 12,3). E “Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12,16). Aos gálatas, o Apóstolo dos gentios declara: “Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (Gl 6, 3).

A soberba tem muitos filhos: o orgulho, a vaidade, a vanglória, a arrogância, a prepotência, a presunção, a autosuficiência, o amor-próprio, o exibicionismo, o egocentrismo, a egolatria, etc. Podemos dizer que ela é a “cultura do ego”. Você já reparou quantas vezes por dia dizemos a palavra “eu”? “Eu vou”, “Eu acho, “Eu penso que…”, “Mas eu prefiro…”, etc.. A luta do cristão é para que essa “força” puxe-o para Deus e não para o ego. Jesus, nosso Modelo, disse: “Não busco a minha glória” (Jo 8,50). São Paulo insistia no mesmo ponto: “É porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar os homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Deus” (Gl 1,10).

A soberba é o oposto da humildade; essa palavra vem de “húmus”, aquilo que se acha na terra, pó. O humilde é aquele que reconhece o seu “nada”, embora seja a mais bela obra de Deus sobre a terra, a glória d'Ele, como afirma santo Irineu no século II. São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja, no século V, disse que: “Toda a vitória do Salvador, dominando o demônio e o mundo, foi iniciada na humildade e consumada na humildade!”.

Adão e Eva, sendo criaturas, quiseram “ser como deuses” (cf. Gen 3,5); Jesus, sendo Deus, fez-se criatura. Da manjedoura à cruz do Calvário, toda a vida de Cristo foi vivida na humildade e na humilhação. Por isso, Ele afirmou que no Reino de Deus os últimos serão os primeiros e quem se exaltar será humilhado. Façamos como Santa Teresinha que procurava o último lugar…

Oração Diante das Tentações

Mãe querida, acolhe-me em teu regaço, cobre-me com teu manto protetor e, com esse doce carinho que tens por teus filhos afasta de mim as ciladas do inimigo, e intercede intensamente para impedir que suas astúcias me façam cair. A ti me confio e em tua intercessão espero. Amém.


Conte com as minhas orações.

Padre Luizinho,Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 4 de março de 2009

Pecados Capitais...


O que era desejo natural
se transforma
em obsessão de coração...

Testemunhamos ao longo da história da humanidade homens e mulheres que acreditaram em algo, investiram suas vidas no que parecia impossível e, mesmo sofrendo perseguições e desaprovação da maioria, não pouparam sangue, suor, nem lágrimas; e, ao final, venceram, conquistaram, provaram o que era a inspiração de suas vidas. Infelizmente, pessoas assim, de determinação, não são encontradas apenas fazendo o bem, trabalhando pelo benefício da humanidade, mas também no lado negro e sombrio dos homens, gente que usa dos seus atributos para levar o mal, prejudicar outras pessoas e até populações inteiras.

Segundo São Tomás de Aquino: “O Homem ao seguir qualquer desejo natural, tende à semelhança divina, pois todo bem naturalmente desejado é uma certa semelhança com a bondade divina”. E “A busca da própria excelência é um bem”.

Então é lícito, é justo que o homem siga seus desejos, suas aspirações, pois isso é dom de Deus. É natural e o natural do homem foi criado para o bem. Quando, então, é que isso se desvirtua? Quando é que o desejo se transforma em mal? Pois do coração do homem também provém desejos malévolos.

Ainda citando São Tomás: “Todo pecado se fundamenta em algum desejo natural”. E “O pecado é desviar-se da reta apropriação de um bem” e também: “A distorção dessa busca é a soberba que, assim, se encontra em qualquer outro pecado: seja por recusar a superioridade de Deus que dá uma norma, norma esta recusada pelo pecado, seja pela projeção da soberba que se dá em qualquer outro pecado.”

Se refletirmos a partir dessas citações entenderemos que o pecado acontece pela distorção de algo bom, a pessoa quer o bem – para si e para outras pessoas – como numa aspiração de crescer enquanto ser humano, alcançando a estatura d'Aquele que o criou, mas acaba deixando que outros sentimentos influenciem sua maneira de pensar.

A soberba, o orgulho, a vaidade, enfim, os pecados capitais, entram em cena e o pensamento elevado de si mesmo provoca na pessoa o desejo de trabalhar pelo seu “status”, acreditando demais na sua capacidade e isolando Deus da sua vida.

Dessa forma, a boa intenção se transforma em pecado capital. O que era desejo natural se transforma em obsessão de coração.

Inteligência e sentimentos andam juntos na capacidade de tomar decisões. Às vezes, um destes tem de falar mais alto para haver equilíbrio de vida, mas sempre teremos essas duas vozes no nosso interior. Quando o vício capital entra nessas áreas, a distorção do que seria bom em nós é tão grande, que todas as realidades desse mundo não têm poder sobre os sentimentos, nem mesmo a inteligência da pessoa. Pelo contrário, o indivíduo age querendo impor o que está deturpado dentro de si ao exterior, ao meio em que vive. Fica ilhado numa realidade isolada, só sua, não enxerga, não percebe, por mais que todos vejam e lhe apontem. De forma que a pessoa segue no erro e está cega para a razão, para o que é correto e verdadeiro.

Homens de grande potencial ficam à mercê de atitudes infantis e descabidas, acabam por ser vítimas de paixões platônicas, passam por cima de outros, agindo com injustiça e podendo até contrair dívidas enormes ou mesmo inclinar-se para uma vida de crimes. Fazem o mal sem perceber, julgam estar certos e continuam no erro, dormindo tranquilamente.

Somente um antídoto pode ser usado para não entrarmos nesse processo pecaminoso: A busca da humildade. Santidade, através da humildade, é que nos trará têmpera para aplicarmos conosco as virtudes capitais. Mas, para isso, é preciso querer e buscar, é um treino, diário e com luta. A humildade se alcança por meio do serviço ao próximo.

Maria serviu Isabel com seus préstimos e com sua experiência. A Palavra de Deus diz que: “Ela [Virgem Maria] deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas deitou-o numa manjedoura” (Lc 2, 7). Por ter servido a prima Isabel, Nossa Senhora aprendeu um ofício que Ela mesma iria precisar. O servir traz sabedoria.

Fazer-se menor do que os outros, mesmo tendo um cargo ou apreço maior, valorizando cada sofrimento e humilhação que se enfrenta. Não desperdice lágrimas derramadas. Ofereça-as a Deus pela sua conversão e peça um coração como o d'Ele, manso e humilde! O que os dias de hoje precisam é de corações que queiram assemelhar-se ao de Deus em pureza e retas intenções.

Você só terá a ganhar com isso, ganhará a salvação, ganhará almas para Deus e chegará à Sabedoria, a qual que vem do alto e conquista este mundo.

Deus o abençoe.

Sandro Ap. Arquejada
Comunidade Canção Nova