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sábado, 15 de dezembro de 2012

Congresso Internacional "Ecclesia in América"

Terminou esta semana no Vaticano o Congresso Internacional Ecclesia in America. João Paulo II deu o primeiro e forte impulso e depois o Sínodo de 1999 dos Bispos de toda a América deu forma a uma Exortação Apostólica de seu nome... Ecclesia in America. Tal e qual como um dia disse o Papa João Paulo II: "A América como uma ínica realidade". Uma peça realizada por Rui Saraiva. 
O prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da Comissão para a América Latina (CAL), Cardeal Marc Ouellet, celebrou às 18h30 da passada quarta-feira (dia 12) a missa de conclusão do congresso internacional "Ecclesia in America", realizado no Vaticano à distância de quinze anos do Sínodo dos Bispos para a América. A missa foi celebrada na "Igreja de Santa Maria in Traspontina", situada na Rua da Conciliação, artéria principal que dá acesso à Praça São Pedro.

Na homilia da celebração o Cardeal Ouellet, após recordar o anúncio do anjo Gabriel a Maria e o sim da Virgem à maternidade divina, ressaltou que quando Deus quis abrir a América ao Evangelho lançou seu olhar para um camponês pobre e humilde, Juan Diego, que recebeu, ele também, uma visita e uma mensagem do céu. Atraído para a montanha por um canto celestial do qual ignorava a fonte, viu uma Senhora nobre, radiante, de inimaginável perfeição, vestida de sol. Ela se apresentou como a Mãe do Deus verdadeiro, destacou o purpurado, recordando Nossa Senhora de Guadalupe – Imperatriz das Américas –, cuja festa litúrgica se celebrava nessa quarta-feira.
Referindo-se ao congresso internacional, o Cardeal Ouellet disse que os dias abençoados vividos neste evento se desenvolveram entre os dois mistérios da Anunciação e da Visitação. "Somos testemunhas de que o Povo de Deus diz sim ao chamamento neste Ano da Fé", afirmou o cardeal.

Viemos para este encontro "para reavivar o dom da fé que recebemos há 500 anos atrás", e queremos ser testemunhas da fé na unidade, "vez que este dom é a herança mais preciosa que une o Sul e o Norte da América desde suas origens", observou.
Dirigindo-se aos 250 participantes do congresso e aos demais presentes, o presidente da Comissão para a América Latina disse estarmos preparados para "levar a mensagem do Evangelho com novo ardor, com novos métodos e numa nova linguagem".
Contemplando a realidade da América e a missão da Igreja nesta significativa porção do Povo de Deus, o Cardeal Ouellet destacou que o continente "cresceu sob o signo de Cristo Rei" e que "sob o cajado de Pedro deve transmitir e difundir sua fé para ser fiel a si mesmo". "Os pobres esperam ansiosamente este testemunho que deve passar pela caridade sincera, a fraternidade e a solidariedade efetiva com os menos favorecidos", observou ainda.
E lançou um desejo: "Que todos os batizados se levantem e proclamem sua fé com orgulho, no respeito pela liberdade dos demais, porém conscientes de que têm que passar a luz da fé para as novas gerações da cultura digital. Que surja, sobretudo, um novo florescimento de homens santos e de mulheres santas para a Nova Evangelização” afirmou o cardeal.

O prefeito da Congregação para os Bispos concluiu afirmando que os muitos males sociais que atingem a América reclamam dos discípulos de Cristo um tratamento que elimine o vírus mortal do egoísmo, da inveja e do ódio, exortando a lutar contra a exploração dos pobres, o comércio ilícito, as leis injustas no que tange à imigração, à violência urbana, à desagregação familiar, e muitas outras questões.

Por fim, exortou a colocarmos nas mãos de Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Mãe, as esperanças e os projetos que nascem deste encontro em Roma, 15 anos após o Sínodo dos Bispos para a América e da Exortação Pós-Sinodal Ecclesia in America. O documento de João Paulo II, aliás, insistia neste ponto: na América como uma única realidade. E foi isso mesmo que afirmou aos microfones da Radio Vaticano o Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, que participa deste Congresso.

Sobre o legado da Exortação Apostólica “Ecclesia in America”, também prestou declarações o Secretário-Geral da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Leonardo Stein.
Passados quinze anos, o panorama religioso, cultural, político e económico do continente mudou em alguns aspectos. 
Na esfera civil, entre os aspectos positivos da América de hoje, assinala-se a crescente afirmação em todo o Continente de sistemas políticos democráticos e a progressiva redução dos regimes ditatoriais.

Já em 1999, o avanço das seitas preocupava a Igreja em todo o continente, assim como a questão ecológica: “Quantos abusos e prejuízos ecológicos não há inclusive em muitas regiões americanas!”, lê-se no texto. Problemas como migração, corrupção, consumo e comércio de drogas, corrida armamentista, respeito pelos direitos humanos estão contidos na Exortação Apostólica.

Por isso, a opção de amar de modo preferencial os pobres foi, mais uma vez, confirmada e apontada nas conclusões deste Congresso Internacional “Ecclesia in America” que terminou esta semana no Vaticano.

Fonte:Rádio Vaticano

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Levar Todos a Experimentarem do Espírito Santo

Jesus voltará para restaurar todas as coisas. Ele precisa limpar este mundo. Retirar o trigo do meio do joio. Ele já esperou demais. Ele anseia pela hora de vir e buscar Sua Esposa: nós, Sua Igreja. Nestes tempos urgentes, de preparação da noiva para o “Esposo”, a evangelização que fazemos não pode ser uma evangelização qualquer. Não é contar historinhas ou simples reflexões. A grande graça, hoje, é dar o Espírito Santo. É levar as pessoas a receber o derramamento do Espírito, a graça que Jesus anunciou dizendo: 

“Vós, é no Espírito que sereis batizados” (At 1,5).
 Quem está cheio do Espírito Santo, deve levá-Lo para os outros. Uma vela acesa pode levar fogo para muitas outras. É assim que se passa o fogo. É assim que se passa o Espírito Santo de Deus! Essa é a missão que cabe a nós. Hoje a Igreja, que é a noiva, precisa urgentemente dessa graça. Ela acabou sendo acometida por doença, e o remédio eficaz que Deus lhe deu é o Espírito Santo; Ele precisa curar Sua noiva; é urgente libertá-la e prepará-la para o Esposo que está chegando.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

sábado, 30 de junho de 2012

Solenidade de São Pedro e São Paulo


- Tu és Pedro! 

O Evangelho de hoje é o Evangelho da entrega das chaves a Pedro. Sobre isso, a tradição católica sempre foi baseada em fundar a autoridade do Papa sobre toda a Igreja. Alguém poderia dizer: mas o que tem a ver o Papa com tudo isto? Eis a resposta da teologia católica. Se Pedro deve funcionar como «fundamento» e «rocha» da Igreja, continuando a existir a Igreja deve continuar a existir também o fundamento. É impensável que as prerrogativas quase solenes («a ti darei as chaves do reino dos céus») se referissem somente aos primeiros vinte ou trinta anos da vida da Igreja e que elas seriam cessadas com a morte do apóstolo. O papel de Pedro se prolonga portanto em seus sucessores. 

Por todo o primeiro milênio, este ofício de Pedro foi reconhecido universalmente por todas as Igrejas, ainda que interpretado de forma diversa no Oriente e no Ocidente. Os problemas e as divisões nasceram com o milênio há pouco terminado. E hoje também nós, católicos, admitimos que não são nascidos todos por culpa dos outros, dos considerados «cismáticos»: antes os orientais, depois os protestantes. A primazia instituída por Cristo, como todas as coisas humanas, foi exercitada ora bem ora menos bem. Ao poder espiritual se mesclou, pouco a pouco, um poder político e terreno, e com isso os abusos. O próprio Papa João Paulo II, na carta sobre o ecumenismo, Ut unum sint, indicou a possibilidade de rever as formas concretas com as quais é exercida a primazia do Papa, de modo a tornar novamente possível em torno a isso a concórdia de todas as Igrejas. Como católicos, não podemos não desejar que se prossiga com sempre maior coragem e humildade sobre esta estrada da conversão e da reconciliação, de modo a incrementar a colegialidade desejada pelo Concílio. 

Aquilo que não podemos desejar é que o próprio ministério de Pedro, como sinal e fator da unidade da Igreja, seja menor. Seria uma forma de nos privar de um dos dons mais preciosos que Cristo deu à sua Igreja, além de contradizer sua vontade precisa. Pensar que basta à Igreja ter a Bíblia e o Espírito Santo com o qual interpretá-la, para poder viver e difundir o Evangelho, é como dizer que bastaria aos fundadores dos Estados Unidos escrever a constituição americana e mostrar em si mesmos o espírito com o qual devia ser interpretada, sem prever algum governo para o país. Existiria ainda os Estados Unidos? 

Uma coisa que podemos fazer já e todos para aplainar a estrada para a reconciliação entre as Igrejas é começar a reconciliar-nos com anossa Igreja. «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»: Jesus disse a «minha» Igreja, no singular, não as «minhas» Igrejas. Ele pensou e quis uma só Igreja, não uma multipliciade de Igrejas independentes ou, pior, em luta umas contra as outras. «Minha», além de singular, é também um adjetivo possessivo. Jesus reconhece portanto a Igreja como «sua»; disse «a minha Igreja» como um homem diria: «a minha esposa», ou «o meu corpo». Identifica-se com ela, não se envergonha dela. Sobre os lábios de Jesus a palavra «Igreja» não tem nenhum daqueles significados negativos que acrescentamos. 

Isto é, naquela expressão de Cristo, um forte chamado a todos os crentes a reconciliarem-se com a Igreja. Renegar a Igreja é como renegar a própria mãe. «Não pode ter Deus por pai – dizia São Cipriano – quem não tem a Igreja por mãe». Seria um belo fruto da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo se começássemos a dizer também nós, da Igreja Católica à qual pertencemos: «a minha Igreja!» 


Frei Raniero Cantalamessa - Pregador da Casa Pontifícia

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Rir é um Santo Remédio" Inaugura o Gênero de Stand-up Comedy Católico


Espetáculo, conduzido por Fábio Borges, evangeliza ao mesmo tempo em que leva o público às gargalhadas

Assessoria de Imprensa
Projeto Rir é um Santo Remédio faz sucesso no Brasil
O show "Rir é um Santo Remédio", conduzido por Fábio Borges, do Rio de Janeiro, apresenta aos espectadores situações repletas de bom-humor sobre o cotidiano dos católicos. Primeiro projeto no estilo stand-up comedy católico no Rio de Janeiro agora ganha o Brasil. O espetáculo será apresentado no dia 12/04, às 19h, na Paróquia São Luiz, na Agronômica, em Florianópolis (Rua Padre Schrader, nº 01, fone 3228-3527).

O espetáculo trata de temas como o ritual da Santa Missa, detalhes da Liturgia e curiosidades da Catequese. Nada escapa ao olhar atento de Fábio, de 29 anos, que está também à frente do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica (RCC) da Arquidiocese do Rio e desenvolveu o projeto paralelamente à sua carreira de dentista.

Porém, seu principal objetivo não é divertir, mas evangelizar: na leveza do gênero cômico, Fábio encontrou uma forma de 'educar' os católicos e aproximá-los dos ensinamentos contidos no Evangelho. A equipe do projeto conta também com mais 3 jovens, Cristiano Martins, Luciana Martins e Michele Marques que auxiliam na criação dos textos e na promoção e divulgação.

Usando um tom lúdico, 'Rir é um Santo Remédio' chega à comunidade católica levando uma mensagem séria: o amor de Deus. Todos se reconhecem naquelas situações apresentadas no palco. "Muitas vezes, após o show, temos um retorno interessante do público: as pessoas vêm contar situações inusitadas ou cômicas que viveram na Igreja, e relatam como tiram, de tudo, um aprendizado" disse Fábio. Segundo ele, alguns desses casos já foram até acrescentados ao roteiro do stand-up.

"Nossa preocupação é sempre abordar os assuntos de forma leve, mas com respeito e fidelidade ao que prega a Igreja", acrescente Fábio, que tem orientação espiritual do padre Cláudio dos Santos, da Paróquia Divino Espírito Santo e São João Batista, no Maracanã, e apoio de outros católicos que evangelizam por meio da arte, como Cristiano Martins, da banda Canto Novo; Claudio Castro, da banda Em Nome do Pai e o músico, compositor e deputado estadual Márcio Pacheco.

As apresentações de "Rir é um Santo Remédio" tiveram início em julho de 2011. Com a presença em mídias sociais como Facebook, Twitter e YouTube, o projeto logo se popularizou, e os convites se multiplicaram. O espetáculo já foi realizado, sempre com forte presença do público jovem, em encontros como o Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom), na PUC-Rio, em julho; a Vigília da Jornada Mundial da Juventude, no Maracanãzinho, que reuniu sete mil pessoas, em agosto, e o Geração 2000, em Campo Grande, na Zona Oeste, em outubro.

"Vivemos um momento especial na Igreja Católica. O Rio vai sediar, em 2013, a Jornada Mundial da Juventude, e isso tem envolvido cada vez mais adolescentes em pastorais, encontros e atividades ligadas à evangelização. O gênero stand-up costuma atrair os jovens, e é mais uma forma de trazer esse público para o convívio na Igreja, fazê-lo se apaixonar por Jesus e querer segui-lo", afirma Fábio Borges.
Serviço:
Nome do grupo/projeto: Projeto Rir é um Santo Remédio
Título do espetáculo: Stand Up Comedy Católico
Direção: Cristiano Martins e Fábio Borges
Texto: Fábio Borges e Cristiano Martins
Produção: Luciana Martins e Michele Marques
www.rireumsantoremedio.com.br
contato@rireumsantoremedio.com.br 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cantor Italiano Pede Mais Evangelização


Durante o Festival de Sanremo 2012, que foi televisionado pela Radiotelevisione Italiana (RAI) para mais de 14 milhões de telespectadores, o famoso cantor italiano, Adriano Celentano, pediu que os padres e religiosos cumpram seu principal dever: "Falar sobre o Paraíso".

Celentano também aproveitou o evento para criticar os jornais "Avvenire", dirigido pela Conferência Episcopal Italiana, e o "Famiglia Cristiana" de propriedade dos paulinos.

Segundo o cantor ambos jornais falam demasiadamente de política e pouco de Deus.
Fonte: Gaudium Press


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Bento XVI: " A Igreja não Existe Para Si Mesma"


Bento XVI voltou a se encontrar, neste domingo, 19 de fevereiro, com os novos Cardeais criados no Consistório de ontem de manhã. Ele presidiu a eucaristia e dirigiu uma palavra aos novatos diante dos quase 100 outros membros do Colegio Cardinalício que vieram a Roma prestigiar o evento e atender o apelo do Santo Padre.
Na Basílica Patriarcal de São Pedro,  o cenário era composto por uma multidão de fiéis que lotou a nave central e, além dos cardeais, estavam também presentes cerca de 150 bispos e por volta de 200 padres. Na duas áreas reservadas para a imprensa, próximas do baldaquino estavam cerca de 80 jornalistas de Rádio e TV.  Forte esquema de segurança impedia o trânsito das pessoas pelas naves laterais e a execução das músicas litúrgicas pelo coro criava uma atmosfera especial.
Os novos Cardeais foram concelebrantes, portanto, ocuparam os mesmos lugares que estiveram no Consistório, isto é, diante do altar e sentados num semicírculo. Em nome do grupo, antes da liturgia, falou o Cardeal Fernando Filoni. O papa deixou o veículo que o conduzira desde a entrada da Basílica e se sentou diante do altar-mor que se encontro sobre o túmulo do Apóstolo Pedro. Em latim, ele presidiu a Eucaristia na solenidade da Cátedra de São Pedro. A primeira leitura, tirada do livro do profeta Ezequial foi lida em inglês. Retirada da primeira Carta de São Pedro, a segunda leitura foi feita em espanhol. O trecho do Evangelho de São Mateus foi proclamado em latim.
Na Homilia, o Papa lembrou que a ocasião “se reveste de um caráter especial de universalidade”. Antes de passar à meditação da Palavra proclamada, Bento XVI sublinhou que a mensagem  é dirigida “antes de mais nada” aos novos Cardeais que são reconhecidos no meio do Povo de Deus pelos méritos na “na obra generosa e sábia do ministério pastoral em dioceses relevantes, ou na direção dos dicastérios da Cúria Romana, ou ainda no serviço eclesial do estudo e do ensino”. O Papa reafirmou que a dignidade do cardinalado pretende manifestar o apreço pelo trabalho realizado por cada um de fiel servidor na vinha do Senhor e de “homenagear as comunidades e nações” que os Cardeais são representantes na Igreja. O título vem ainda, segundo o Papa, investir os Cardeais de novas e importantes responsabilidades eclesiais e é um pedido de “suplemento de disponibilidade para Cristo e para a comunidade cristã inteira”.
Bento XVI, enquanto meditava o trecho do evangelho, ressaltou o significado da festa litúrgica deste domingo, a cátedra de São Pedro, mostrando um elemento artístico muito conhecido e que estava diante dos olhos de todos os presentes na Basílica Vaticana: o altar da cátedra. “Quando depois de percorrer a grandiosa nave central e ultrapassar o transepto, se chega à abside, encontramo-nos perante um trono de bronze enorme, que parece suspenso em voo mas na realidade está sustentado por quatro estátuas de grandes Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente. E na janela oval, por cima do trono, resplandece a glória do Espírito Santo, envolvida por um triunfo de anjos suspensos no ar”. Despois dessa descrição, o Papa pergunta: “Que nos diz este conjunto escultórico, nascido do gênio de Bernini?” e responde, com voz firme: “Representa uma visão da essência da Igreja e, no seio dela, do magistério petrino”.
Prosseguindo a reflexão, o Papa destacou: “a Igreja não existe para si mesma, não é o ponto de chegada, mas deve apontar para além de si, para o alto, acima de nós”. E, destacou: “A Igreja é o lugar onde Deus ‘chega’ a nós e donde nós ‘partimos’ para Ele”. No final da homilia, concluindo a exposição dos símbolos do altar da Cátedra na Basílica de São Pedro, Bento XVI disse: ‘lancemos um ohar ao seu conjunto. Vemos que é atravessado por um duplo movimento: de subida e de descida. A Cátedra aparece em grande destaque neste lugar, não só porque está aqui o túmulo de Pedro, mas também porque ela encaminha para o amor de Deus. Com efeito, a fé orienta-se para o amor. Uma fé egoísta seria uma fé não-verdadeira”. E na conclusão, o Papa disse: “Deus não é solidão, mas amor glorioso e feliz, irradiante e luminoso”.
Fonte: CNBB

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Papa Exorta a Evangelização dos Batizados Afastados da Igreja

ROMA, sexta-feira, 10 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – O abandono da vida eclesial por parte de muitos fiéis católicos registrado no Brasil é indício de uma evangelização superficial, que deve ser combatida com a promoção do encontro pessoal com Jesus Cristo, afirma Bento XVI.
Ao receber os bispos do Regional Nordeste III (Estados da Bahia e Sergipe) da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) na manhã desta sexta-feira, o Papa, em seu discurso aos prelados, no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, fez um convite a uma nova evangelização do país.
Ao recordar que há mais de cinco séculos se celebrava a primeira Missa no Brasil e que “os valores da fé católica” moldaram “o coração e o espírito brasileiros”, o pontífice alertou para a “crescente influência de novos elementos na sociedade, que há algumas décadas eram-lhe praticamente alheios”.
“Isso provoca um consistente abandono de muitos católicos da vida eclesial ou mesmo da Igreja, enquanto no panorama religioso do Brasil, se assiste à rápida expansão de comunidades evangélicas e neo-pentecostais.”
O abandono da fé católica é “um indício de uma evangelização, a nível pessoal, às vezes superficial; de fato, os batizados não suficientemente evangelizados são facilmente influenciáveis, pois possuem uma fé fragilizada e muitas vezes baseada num devocionismo ingênuo, embora, como disse, conservem uma religiosidade inata”, afirmou o Papa.
Diante deste quadro – prossegue Bento XVI –, emerge “a clara necessidade que a Igreja católica no Brasil se empenhe numa nova evangelização que não poupe esforços na busca de católicos afastados bem como daquelas pessoas que pouco ou nada conhecem sobre a mensagem evangélica, conduzindo-os a um encontro pessoal com Jesus Cristo, vivo e operante na sua Igreja”.
Fonte: Zenit

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Erros de Certas Teologias da Libertação

O apelo urgente que o Papa Bento XVI endereçava aos Bispos dos Regionais 3 e 4 da CNBB, em visita “ad límina” a 5 de dezembro 2009, não se limitou aos Bispos que estavam presentes, mas, como sempre nessas visitas, se dirige ao Episcopado inteiro e a toda a Igreja no Brasil.

O Santo Padre lembrou as circunstâncias prementes que, 25 anos atrás, exigiam uma clara orientação da Santa Sé no Documento “Libertatis Nuntius”. Este, já na primeira linha, afirma que “o Evangelho é a mensagem da liberdade e a força da libertação”. Daquele documento, a Igreja recebia grande luz; mas não faltava a animosidade dos que queriam obscurecer e difamar essa doutrina.

Com palavras claras e sempre muito mais convidativas para uma reflexão serena do que repreensivas, o Papa lembrou a gravidade da crise, provocada, também e essencialmente na Igreja no Brasil, por uma teologia que tinha, em seu início, motivos ideais, mas que se entregou a princípios enganadores. Tais rumos doutrinários da Teologia chamavam-se Teologia da Libertação.

A alocução do Papa aos Bispos dos Regionais Sul 3 e 4 é uma mensagem que envolve a autoridade apostólica do Supremo Pastor e o bem evangélico da Igreja entre nós. Por isso, urge que todos os pastores acolham a palavra do Papa e se lembrem daquela crise, que tornava quase impossível, mesmo em ambientes às vezes de alto nível eclesiástico, o diálogo e a discussão serena. Hoje ainda, a Igreja no Brasil, em alguns lugares, sofre consequências dolorosas daqueles desvios.

Ao relativizar, silenciar ou até hostilizar partes essenciais do “depósito da fé”, a Teologia da Libertação negligenciava “a regra suprema da Fé da Igreja, que provém da unidade que o Espírito Santo estabeleceu entre a Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério vivo”, diz Bento XVI, citando as palavras do Papa João Paulo II (“Fides et Ratio”, 55). “Os três não podem subsistir independentes” entre si. – Por isso, hoje ainda, as sequelas da Teologia da Libertação se mostram essencialmente ao nível da Eclesiologia, ao nível da vida e da união da Igreja. A Igreja continua enfraquecida, em algumas partes, pela “rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia” (mensagem de Bento XVI). Diz o Santo Padre: Cria-se assim “nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas” (Bento XVI, idem).

Já no documento “Libertatis Nuntius”, do ano 1984, o Papa João Paulo II e a Congregação da Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, quis “estender a mão” e oferecer a clara e “benigna luz” da divina fé e da comunhão viva que o Espírito Santo dá à Igreja (Bento XVI, ibd).

Com palavras concisas e fortes, o documento “Libertatis Nuntius” sobre a Teologia da Libertação falava da justa “aspiração à libertação como um dos principais sinais” do tempo moderno. Especialmente “nos povos que experimentam o peso da miséria”, com suas massas deserdadas, ofendidas na sua profunda dignidade (cf. LN I,1-2). “O escândalo das gritantes desigualdades entre ricos e pobres já não é tolerado”. “Abundância jamais vista, de um lado, e, do outro, vive-se ainda numa situação de indigência, marcada pela privação dos bens de primeira necessidade” (I,6).

Infelizmente, certas Teologias da Libertação, as que mais espaço ocupavam na opinião pública, caíram em um grave unilateralismo. Para o Evangelho da libertação é fundamental a libertação do pecado. Tal libertação exige “por consequência lógica a libertação de muitas outras escravidões, de ordem cultural, econômica, social e política”, todas elas derivadas do pecado. Muitas Teologias da Libertação afastaram-se deste verdadeiro Evangelho libertador. Identificaram-se, coisas em si muito boas, com as graves questões sociais, culturais, econômicas e políticas, mas já não mostrando seu real enraizamento no Evangelho, embora vagamente citado, e chegaram até a apelar explicitamente à “análise” marxista. Silenciavam, ou ignoravam, que “na lógica marxista não é possível dissociar a «análise» da «práxis» e da concepção da história” (VIII,2). Destarte, “a própria concepção da verdade encontra-se totalmente subvertida” (VIII,4).

Compreende-se que diante da urgência da situação de tantos que – inermes – sofrem, e diante da insuficiente sensibilidade na consciência pública e nas estruturas dominantes, devem-se exigir não só palavras retóricas, mas ações que na prática se comprometem com cada pessoa, com cada comunidade e com a história.

Mas se este compromisso não se enraíza na dignidade que Deus dá ao homem, tal Teologia, que se apresenta como Libertadora, é na realidade traidora dos pobres e de sua real dignidade (Introdução). “Certo número de teses fundamentais (da TL) não são compatíveis com a concepção cristã do homem” (cf. VIII,8).

O Santo Padre, sabendo que, sob muitos aspectos a Teologia da Libertação está ultrapassada, sabe também e vê que a Igreja no Brasil sofre ainda devastadoras sequelas de tal desvio doutrinário, propagado longamente até por gente bem intencionada, mas não capaz de analisar seus falsos princípios.

É quase um juramento que o Papa conclama os Bispos e agentes de Pastoral de todo o Brasil: “Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras da Santa Cruz” (final da mensagem de Bento XVI).

Cardeal Eugenio de Araujo Sales – Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Janeiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pastoral Digital: Como Você Usa suas Redes?


Em um mundo cada vez mais rápido e conectado em tempo real a tudo o que acontece, onde as redes sociais (FaceBook, Orkut, Twitter, …) tem realmente pescado uma multidão enorme de peixes de todos os tipos, tamanhos e idades, nos vemos diante de um desafio: “Como a 'Barca de Pedro‘ pode continuar a pescaria em novos mares?”.

Apesar de ser uma novidade desafiadora, a resposta é a mesma dada por Jesus a Pedro após uma exaustiva noite de pesca sem nada apanhar no mar de Tiberíades:“Disse-lhes ele (Jesus): Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes” (Jo 21,6).

É um misto de coisas antigas e novas, aí é que percebemos que a Palavra de Cristo é sempre atual e responde aos anseios do homem moderno; de modo especial aos novos trabalhadores da ‘Barca de Pedro’, operários desta grande companhia de pesca que é a Igreja.

A proposta que Cristo nos faz hoje é de lançarmos as redes. São outros mares é verdade, mas também são novas ‘redes’, e a ordem vem acompanhada de uma promessa: ‘Lançai e achareis’.

Precisamos navegar por este mar e levar a ‘Boa’ de Cristo que é sempre ‘Nova’; afinal ninguém entende mais de novidade do que a Igreja do Deus vivo que vem proclamando a ‘Boa’ há mais de 2 mil anos.

Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro?” (Mensagem do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial das Comunicações – 2010)

Não se trata apenas de marcar presença nas ferramentas de relacionamento na internet, mas de levar a Boa Nova de Cristo a um ambiente que tende ao fechamento e isolamento; é incentivar os relacionamentos intensos, solidários, sinceros, colaborativos, que produzam frutos de vida nova no mundo real.

A evangelização dentro das redes sociais não vieram para atrapalhar ou tirar as pessoas de suas paróquias; ao contrário, elas contribuem e muito para levar a mensagem do Evangelho mais rápido e mais longe, tornando-se assim uma extensão de nossas comunidades.

Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?” (Rm 10,14).

Pecaremos por omissão se não fizermos um uso sábio destas ferramentas, pois precisamos lançar as redes em todos os lugares, pois a missão da Igreja é, e sempre será, comunicar a ‘Boa’ de Cristo. Assim como São Paulo, precisamos anunciar na linguagem dos povos a quem comunicamos, usar a cultura e o modo de viver deles:

Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!” (At. 17,23)

Os meios de comunicação modernos estão aí, a cada dia, trancando as pessoas no mar de seu egoísmo e solidão, enchendo os corações de pornografia e trevas, dividindo e destruindo famílias, incitando tantos ao erro e ao pecado como modo de vida. São comunidades inteiras na rede, com os mesmos desafios de outrora. Por isso a necessidade de uma pastoral digital’, como foi o pedido do Papa Bento XVI.

E nós, o que estamos fazendo? Estamos fazendo das redes sociais da vida um lugar de ‘besteirol’, onde pouco a pouco nos deixamos envolver pela escuridão; ou estamos proclamando a ‘Boa’ do Evangelho? Estamos deixando resplandecer em nossas redes e comunidades a 'face de Cristo‘ ou usando da internet como um refúgio onde camuflamos o nosso ser de Deus e assumimos o que não somos? A internet não é uma ‘terra de ninguém‘, como muitos pensam, mas é uma terra de quem sabe comunicar o que é e de quem é.

Mas não quero motivar você a não usar a rede digital, pois não foi esta a ordem de Cristo, a ordem d’Ele foi lançar as redes do outro lado da barca. Resultado: foram 153 espécies de peixes, ou seja, todas as espécies de peixes daquele mar!

Então, prepare as redes, conecte-se, navegue e boa pescaria, pois o mar digital é grande e está cheio de peixes sedentos da verdade. Precisamos comunicar o Evangelho a todos usando redes eficazes e fortes.

Deus o abençõe!

Redação do Cancaonova.com


domingo, 20 de setembro de 2009

É Possível Evangelizar sem Oração?


A cada dia que passa me pergunto com uma certa angústia de quem esta chegando à belíssima idade de 60 anos, dos quais dediquei mais de 40 ao serviço de Deus, da Igreja no Carmelo, se é possível evangelizar sem a oração? Um questionamento que bate forte à nossa porta e nos obriga a parar para podermos compreender o que se entende por evangelização. Me parece que às vezes se tem a impressão que dentro da Igreja há pessoas que confundem a evangelização com ação social: fazer dar de comer, ajudar os pobres, servir aos mais necessitados, mas deixando de lado o anúncio corajoso da pessoa de Jesus.

O cristão é evangelizador em tudo o que ele faz e o seu coração, como o de Paulo, queima forte pelo Reino de Jesus. Evangelizar não é um trabalho qualquer nem uma atividade que se escolhe para ter o que comer ou ter uma vida mais tranqüila e folgada. É uma exigência interior: “ai de mim se eu não evangelizar”. Havia momentos que Paulo não sentia nenhuma vontade de anunciar o nome de Jesus porque sabia que isto lhe acarretaria muitos sofrimentos e dores. Era preferível calar-se, mudar de rumo e fazer outras coisas. Mas não lhe era possível, havia nele algo de mais forte do que a sua vontade humana. Assim a leitura atenta dos profetas nos faz encontrar que muitos profetas, diante da escolha de Deus se detém profundamente para poder fugir da responsabilidade e não consegue. Basta se lembrar de Moisés, ele discute com Deus, tenta indicar para Deus pessoas mais capazes, mas Deus se torna quase “cruel” com o mesmo Moisés e o coloca com as costas na parede “vai”, e Moisés se vê obrigado a ir lá onde Deus quer que ele vá.
Assim sentimos profundamente a fragilidade e o medo de Jonas que é enviado a Nínive para anunciar a libertação e Jonas, medroso, toma o caminho para Tarsis para se esconder do envio de Deus. E Deus, com mão firme, o faz voltar ao rumo certo. E como esquecer a relutância de Jeremias, de Isaías? E como não lembrar Amós que estava sereno e tranqüilo cuidando do seu rebanho e das suas plantações de sicômoros e Deus o envia para anunciar paz e justiça e diante da constatação do rei o mesmo Amós dirá: “eu não sou nem profeta e nem visionário, Deus me enviou”? Como não lembrar a mesma resistência dos apóstolos em deixar tudo e seguir Jesus para tornarem-se pescadores de homens?

Poderíamos passar atentamente na galeria dos santos e das santas e sempre nos encontraríamos com resistências para o anúncio do Evangelho. O medo do fracasso, da incompreensão e da cruz. Mas diante de tudo isto nos deparamos com homens corajosos, com mártires capazes de entregar a própria vida sem reservas para o anúncio do Reino, e derramar o próprio sangue. Por que tudo isto? Onde eles encontravam a força para não desanimar e não fugir da responsabilidade?

Oração.
A força dos profetas, dos mártires, dos apóstolos é uma só: a oração. É no diálogo íntimo, pessoal com Deus que brota uma força que nada e ninguém pode parar. Não podemos anunciar uma pessoa desinteressadamente se não somos apaixonados por esta pessoa. O apóstolo o evangelizador é alguém que, tendo encontrado Jesus, como Paulo na via de Damasco, no deserto ou no silêncio, foi seduzido e vencido por um ideal. Quantas vezes me parece ouvir no fundo do coração e no mais íntimo do ser as mesmas palavras que Paulo ouviu no caminho de Damasco: Saulo, Saulo por que me persegues? E Saulo, tomado por medo mas também fascinado pela luz e pelo amor, responde: “quem és tu, Senhor?” E a voz confirma: “sou aquele Jesus que tu persegues”...

Hoje nós somos perseguidores de Jesus quando não assumimos a missão evangelizadora, ou quando por medo, preferimos um evangelho “dietético”, que se acomode a todas as correntes do pensamento humano. Eu tenho medo que às vezes anuncie um Cristo revestido e apresentado com tantas facetas, para se entender um Cristo que tem um não sei quê de budismo, de marxista, de muçulmano, de espírita, de protestante...um Cristo tão ecumênico que não é mais o Cristo do evangelho do anúncio corajoso que não tem medo. Ser ecumênico não quer dizer adaptar o Cristo a todos os movimentos mas sim ser fiéis ao Cristo até à morte. Me parece que hoje nos falta a coragem de sermos mártires, o desejo de sermos mártires, e só assim poderemos falar de Jesus com convicção e amor.

Ninguém pode fugir desta missão de proclamar. Por isso que a oração é a fonte de onde brota a evangelização. O Papa João Paulo II o tem recordado quando nos fala que toda pastoral deve ser pastoral da oração.

Para esta pedagogia da santidade, há necessidade dum cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração. O ano jubilar foi um ano de oração, pessoal e comunitária, mais intensa. Mas a oração, como bem sabemos, não se pode dar por suposta; é necessário aprender a rezar, voltando sempre de novo a conhecer esta arte dos próprios lábios do divino Mestre, como os primeiros discípulos: « Senhor, ensina-nos a orar » (Lc 11,1). Na oração, desenrola-se aquele diálogo com Jesus que faz de nós seus amigos íntimos: « Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós » (Jo 15,4). Esta reciprocidade constitui precisamente a substância, a alma da vida cristã, e é condição de toda a vida pastoral autêntica. Obra do Espírito Santo em nós, a oração abre-nos, por Cristo e em Cristo, à contemplação do rosto do Pai. Aprender esta lógica trinitária da oração cristã, vivendo-a plenamente sobretudo na liturgia, meta e fonte da vida eclesial, mas também na experiência pessoal, é o segredo dum cristianismo verdadeiramente vital, sem motivos para temer o futuro porque volta continuamente às fontes e aí se regenera.(NMI 32)

Quem não reza não vai sentir o entusiasmo, a paixão, o amor transbordante por Jesus. E o anúncio que não toca o coração se esvai. São João da Cruz, com seu tom duro mas certeiro, me faz medo e me coloca em crise: “muito bem fariam os pregadores do evangelho.

“Minha alma se há votado,
com meu cabedal todo, a seu serviço;
já não guardo mais gado,
nem mais tenho outro ofício,
que só amar é já meu exercício.
Considerem aqui os que são muito ativos, e pensam abarcar o mundo com suas pregações e obras exteriores: bem maior proveito fariam à Igreja, e maior satisfação dariam a Deus – além do bom exemplo que proporcionariam de si mesmos, - se gastassem ao menos a metade do tempo empregado nessas boas obras, em permanecer com Deus na oração, embora não houvessem atingido grau tão elevado como esta alma de que falamos...” (Cântico 28, 3)


Quem sabe se eu mesmo deva rever o meu apostolado e me colocar na escuta de Jesus como Maria em Betânia e, escutando Jesus, possa falar dele com mais amor. É o caminho da oração que nos dá a alegria de anunciar; não porque o anúncio é acolhido mas porque uma força maior do que nós nos manda anunciar.

Santa Teresinha.
O Carmelo, desde o seu início quando Teresa movida pelo Espírito Santo fundou uma nova Ordem Carmelita e, com a ajuda de João da Cruz, o complementou com os carmelitas descalços de maneira que “monjas e frades” formam uma única realidade, sempre teve a clareza da força da oração como apostolado. A Igreja e seus problemas se tornam problemas e necessidades do mesmo Carmelo.

“A Santa Madre(Teresa) transmitiu a suas filhas seu próprio espírito apostólico, desejando que se afeiçoassem ao bem das almas e ao aumento da Igreja, sinal evidente da verdadeira perfeição. Por isso lhes indicou o serviço eclesial da oração e da imolação, como finalidade da vocação para a qual o Senhor mesmo as havia reunido no Carmelo.”(Constituições das Carmelitas Descalças 125)

Teresa diz: “no dia em que vossos trabalhos, orações e jejuns não forem pela Igreja, considerai que não atingis o objetivo para o qual o Senhor as reuniu aqui.(Caminho 3,10)” Esta chama viva de amor eclesial e apostólico foi tomada e tornada mais acesa pela teologia vivencial e vocacional de Santa Teresinha do Menino Jesus. Ela é o novo paradigma da força da oração como apostolado. É só acolher e entender o que diz no manuscrito C: “na Igreja, minha mãe, serei o amor”. Não podendo abraçar toda a Igreja e todos os lugares escolhe o caminho que abraça a todos. “Serei missionária pela oração e pelo sacrifício. “Tenho a vocação de ser Apóstolo... quisera percorrer a terra, pregar teu nome e plantar sobre o solo infiel tua Cruz gloriosa.(MB 2v)”

Fazer apostolado é um momento da vida, um espaço da vida. Para todos vai chegar o dia em que, por força da idade, da doença, ou de outros acontecimentos, deixaremos de “fazer apostolado”, de anunciar com palavras e obras, mas nunca podemos deixar de “ser apóstolos”, porque isto faz parte “geneticamente” do nosso ser cristão.

Frei Raniero Cantalamessa, OCD
Pregador da casa Pontifícia