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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Não Pecamos Mais, só Cometemos Erros?


A Bíblia narra como o homem, ao ter a criação toda exposta diante dele, foi dando nome a cada animal da terra; também deu nome a todas as coisas, situações e relações que ia estabelecendo. O homem é um ser nominal (dá nome a tudo) e tem essa necessidade de dar nome a cada coisa, pois, por meio dos nomes, dá consistência e identidade a determinada realidade e busca uma forma particular de se relacionar com ela.

Não é menos verdade que, a certa altura, o ser humano percebeu que havia alguns termos que eram duros e escandalosos ao ouvido, e teve de enfrentar conceitos e realidades que incomodavam sua consciência e acabavam com a sua tranquilidade.

Para conseguir aliviá-la e sentir-se tranquilo consigo mesmo, ou para mostrar-se um pouco mais culto e decente, ele optou por criar os chamados “eufemismos”, que são manifestações suaves e decorosas de ideias cuja franca e direta expressão seria dura ou censurável.

No começo, tais eufemismos só buscavam enfeitar um pouco aquelas palavras que podiam parecer ásperas ou grosseiras; assim, as pessoas acabaram preferindo mudar os nomes de certos comportamentos, ao invés de transformar as realidades que estavam vivendo de maneira inadequada, para não terem de enfrentar a dureza da censura.

Assim, podiam se sentir mais tranquilos consigo mesmos, sem ter de modificar seu proceder; já não se tratava de “fazer” o bem, mas simplesmente de “sentir-se” bem; já não se interessavam pela bondade, mas sim por tentar fazer que a maldade não parecesse tão “má”.

Com os eufemismos, deixou-se de falar de “aborto”, para falar de “interrupção da gravidez”; o “adultério” virou “deslize amoroso”; as “prostitutas” começaram a ser chamadas de “profissionais do sexo”, e assim por diante.

Os eufemismos são a típica expressão de uma sociedade relativista e manipuladora, que já não acredita em princípios universais, eternos e imutáveis, mas em utilitarismos morais; que está convencida de que mudar os nomes das coisas metamorfoseia a sua essência e que, portanto, a conduta deixa de ser reprovável, até se tornar quase uma virtude; que o que é mau se torna bom só porque um nome agradável tornou possível este “milagre”.

Nossa sociedade é eufemística e, assim, pretende acabar com o mal, com o peso de consciência e sentir que, em última instância, tudo muda com uma palavra. O eufemismo manipula a sociedade, tornando-nos politicamente corretos e evitando, assim, que tenhamos problemas devido ao fato de chamar cada coisa pelo seu nome real.

Com os eufemismos, o que interessa não é fazer o bem, mas sentir-se bem, pois o subjetivismo jogou a objetividade no lixo; e o sentimento se tornou mais importante que a razão e a opinião de verdade.

O eufemismo moral torna a consciência frouxa e tende a entorpecê-la, pois, de tanto repetir os mesmos conceitos, acabamos perdendo de vista a verdadeira dimensão das realidades que enfrentamos. A suavidade com que se expressa, que parece uma espécie de diplomacia, nem sempre é inócua.

Só quando as coisas recebem seu nome verdadeiro é que podemos enfrentá-las com realismo e buscar soluções. Mas, para isso, é preciso estar dispostos ao incômodo que tal empreitada gera em nós.

A última “perola” eufemística em voga é pedir a Deus que perdoe nossos “erros”, pois já não queremos chamar de “pecado” o que é precisamente isso: pecado.

Os erros não merecem perdão, mas desculpas. O pecado precisa ser chamado de “pecado” sem medo algum, para que a pessoa possa ser perdoada pelo Senhor.

Fonte:Aleteia.org

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maturidade Afetiva: Essência da Formação de Uma Família


Mais do que nunca, é preciso prestar atenção hoje à educação da afetividade dos filhos e à reeducação da afetividade dos adultos. Uma educação e uma reeducação que devem ter como base esse conceito mais nobre do amor que acabamos de formular: aquele que vai superando o estágio do amor de apetência – que apetece e dá prazer – para passar ao amor de complacência – que compraz afetivamente – e abrir-se ao amor oblativo de benevolência – que sabe renunciar e entregar-se para conseguir o bem do outro.
O amor maduro exige domínio próprio: ir ascendendo do mundo elementar – imaturo – do mero prazer, até o mundo racional e espiritual em que o homem encontra a sua plena dignidade. Reclama que se canalizem as inclinações naturais sensitivas para pô-las a serviço da totalidade da pessoa humana, com as suas exigências racionais e espirituais. Requer que se conceda à vontade o seu papel reitor, livre e responsável. Pede que, por cima dos gostos e sentimentos pessoais, se valorizem os compromissos sérios reciprocamente assumidos. Aaron Beek, no seu livro Só o amor não basta, insiste repetidamente que é necessária a determinação da vontade para dar consistência aos movimentos intermitentes do coração: o mero sentimento não basta.
O “amor como dom de si comporta – diz o Catecismo da Igreja Católica – uma aprendizagem do domínio de si (…). As alternativas são claras: ou o homem comanda e domina as suas paixões e obtém a paz ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. Esse domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida“.
Isso significa cultivar o amor. O maior de todos os amores desmoronará se não for aperfeiçoado diariamente. Empenho este que, na vida diária, traduz-se no esforço por esmerar-se na realização das pequenas coisas, à semelhança do trabalho do ourives, feito com filigranas delicadamente entrelaçadas a cada dia, na tarefa de aprimorar o trato mútuo, evitando os pormenores que prejudicam a convivência.
A convivência é uma arte preciosa. Exige uma série de diligências: prestar atenção habitual às necessidades do outro; corrigir os defeitos; superar os pequenos conflitos para que não gerem os grandes; aprender a escutar mais do que a falar; vencer o cansaço provocado pela rotina; retribuir com gratidão os esforços feitos pelo outro e, especialmente, renovar no pequeno e no grande o compromisso de uma mútua fidelidade que exige perseverança nas menores exigências do amor, uma perseverança que não goza dos favores de uma sociedade hedonista e permissiva, inclinada sempre ao mais gostoso e prazeroso.
O coração não foi feito para amoricos, dizíamos, mas para amores fortes. O sentimentalismo é para o amor o que a caricatura é para o rosto. Alguns parecem ter o “coração de chiclete”: apegam-se a tudo. Uns olhos bonitos, uma voz meiga e um caminhar charmoso podem fazer-lhes tremer os fundamentos da fidelidade. Outros parecem inveterados novelistas: sentem sempre a necessidade de estar envolvidos em algum romance, real ou imaginário, sendo eles os eternos protagonistas: dão a impressão de que a televisão mental lhes absorve todos os pensamentos.
Precisamos educar o nosso coração para a fidelidade. Amores maduros são sempre amores fiéis. Não podemos ter um “coração de bailarina”. A guarda dos sentidos – especialmente da vista – e da imaginação há de proteger-nos da inconstância sentimental, do comportamento volátil de um “beija-flor”.
Tudo isso faz parte do que denominávamos a educação afetiva dos jovens e a reeducação afetiva dos adultos. João Paulo II a chama “a educação para o amor como dom de si: diante de uma cultura que ‘banaliza’ em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e vive de maneira limitada e empobrecida, ligando-a exclusivamente ao corpo e ao prazer egoístico, a tarefa educativa deve dirigir-se com firmeza para uma cultura sexual verdadeira e plenamente pessoal. A sexualidade, de fato, é uma riqueza da pessoa toda – corpo, sentimento e alma – manifesta o seu significado íntimo ao levar a pessoa ao dom de si no amor“.

Dom Rafael Llanos Cifuentes
Foi professor de Direito Matrimonial do Instituto Superior de Direito Canônico da Arquidiocese do Rio de Janeiro; responsável pelo Movimento Pró-Vida; presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família – CNBB (2003-2007).

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Quem Não Sabe Perder, Perde Sempre!


Imagem de Destaque
Nem sempre as coisas são como queremos e idealizamos, e é bom que isso seja assim, pois nem sempre o que queremos é o melhor para nós. Toda existência humana é marcada pela “condição de contradição”, ou seja, pela fraqueza, pecado e, conseqüentemente, pela queda.
Perder faz parte da vida e aceitar a própria condição limitada é sinal de sabedoria. É horrível conviver com alguém que crê ser absoluto e acredita que todos têm o dever de satisfazer suas vontades.
Há muitos pais que estragam seus filhos, porque não lhes ensinam que o “não” também faz crescer, e que a queda pode também ensinar. Há filhos que não aprendem, em casa, que na vida nós também perdemos. Precisamos aprender a lidar com nossos fracassos. Muitos não suportam os fracassos próprios da vida, porque foram educados somente para ganhar.
Para superarmos as quedas impostas pela vida precisamos ter a humildade de saber perder.
As pessoas não são obrigadas a ser e a fazer o que queremos; elas não são obrigadas a corresponder às nossas expectativas.
A maturidade se expressa quando o coração consegue deixar livre um outro coração que não quis pertencer a ele nem corresponder a seus desejos.
O fato de sermos contrariados é uma experiência que nos faz mais fortes, pois, compreendemos que nossa maneira de pensar não é a única nem a melhor, e que não estamos sempre certos. Precisamos saber perder e sair de cena quando erramos, quando não estamos com a razão.
Perfeição cristã não significa ausência de erro, mas capacidade de perdoar e recomeçar sempre. Não temos a obrigação de acertar sempre, mas temos sim o dever de aprender com nossos erros. Quem não sabe perder perde sempre, pois acaba sendo humilhado pelo fato de não aceitar a própria fraqueza; querendo, assim, ser o que não é e fazer o que ainda não é capaz.
Quem não sabe perder busca sempre levar vantagem sobre tudo e todos, tornando-se alguém insuportável e arrogante.
A humildade é escola da virtude, e grandeza é aceitar com ternura aquilo que se é.
A vida não diz sempre "sim", e a alma se torna grande quando é capaz de sorrir também diante do “não”. Aceitar que nem todos nos amam, que não somos bons nem os melhores em tudo, são expressões de um coração que compreendeu verdadeiramente o que significa “viver bem”. A derrota é sempre uma possibilidade de recomeço e crescimento para quem sabe bem aproveitá-la. Que esta não seja para nós motivo de paralisia, mas um trampolim a nos lançar nos braços da vitória.
Deus o abençoe!

Adriano Zandoná
Com. Canção Nova

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Personalidade e Maturidade


O que podemos entender sobre personalidade? Existem muitas linhas de estudo na psicologia e cada uma delas mostra um “conceito” sobre o que é personalidade.

Em linhas gerais, personalidade é definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo, ou seja, seu caráter. Seria como se traduzíssemos aquele jeito de ser da pessoa, o modo de sentir as emoções ou agir do outro.
É muito comum a confusão que fazemos com tantos termos utilizados nos meios de comunicação, entre amigos, nos bate-papos, feitos até mesmo de forma inadequada. Já pensou quanta coisa você já ouviu dizer? Temperamento, personalidade e caráter são palavras utilizadas com frequência há muito tempo, mas quase sempre de forma confusa ou mesmo errônea. Mas, então, qual a diferença entre temperamento e personalidade?

Temperamento representa a peculiaridade e intensidade individual dos afetos psíquicos e da estrutura dominante de humor e motivação. Foi um dos primeiros estudos na medicina sobre a correlação entre os humores corporais com as reações humanas, divididos entre fleumático, colérico, sanguíneo e melancólico. Entende-se ainda como uma disposição inata e particular de cada pessoa, pronta a reagir aos estímulos ambientais; é a maneira interna de ser e agir de uma pessoa, geneticamente determinado.

Personalidade é formada durante as etapas do desenvolvimento psico-afetivo pelas quais passa a criança desde a gestação. Para a sua formação incluem tanto os elementos geneticamente herdados (temperamento) como também os adquiridos do meio ambiente no qual a criança está inserida.
Existe uma citação bibliográfica que comenta a complexidade de compreender os aspectos do comportamento humano, que vale a pena compartilhar: “Compreender os aspectos e a dinâmica da personalidade humana não é tarefa simples, vista a complexidade e variedade de elementos que a circundam, gerados por diversos fatores biológicos, psicológicos e sociais. Com relação aos aspectos sociais, quanto mais complexa e diferenciada for a cultura e a organização social em que a pessoa estiver inserida, mais complexa e diferenciada será a personalidade. Do ponto de vista biológico, a pessoa já traz consigo, em seus genes, diferentes tendências, interesses e aptidões que também são formados pela combinação dinâmica entre diversos fatores hereditários e uma infinidade de influências sóciopsicológicas que ela recebe do meio ambiente” (FERNANDES FILHO, 1992).

A personalidade é única, adaptável, mutável, dinâmica e ligada numa estrutura biopsicossocial. Mesmo que tenhamos traços parecidos com os de outra pessoa, somos únicos, porque vivemos de forma diferenciada cada fase de nossa vida, somos apresentados a estímulos (escola, lazer, religião, etc.) de uma forma particular, e isto, em sua totalidade, nos dá esta vivência.
Alguns fatores, chamados de hereditários, determinam nossa forma de ser desde nossa concepção. Estatura, reflexos, temperamento e toda a herança genética dos pais colaboram com a personalidade. Mas, convivendo em sociedade, temos nossa personalidade influenciada por aspectos ambientais, ou seja, aqueles ligados à cultura, hábitos familiares, grupos sociais, escola, responsabilidade, moral, ética, entre outros. Tais experiências vivenciadas pela criança, vão, portanto, formando sua personalidade. Alguns aspectos diferenciam o que se percebe que está relacionado ao temperamento e à personalidade.

Temperamento


É biologicamente determinado. Características temperamentais podem ser identificadas já cedo, na infância. Diferenças individuais com características temperamentais como ansiedade, extroversão-introversão, também são observados em animais. Apresenta-se como “estilos de pessoa”; estilo do melancólico, colérico, etc.

Personalidade


É fruto de um ambiente social.
É moldada durante os períodos do desenvolvimento infantil. É a prerrogativa de seres humanos. Contém aspectos do comportamento. Refere-se à função de integrativa do comportamento humano.

Ao passo que as características temperamentais podem ser identificadas, já cedo, na infância, a personalidade é moldada durante os períodos de desenvolvimento infantil.

Através do caráter de cada um, que é composto das atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão consistente de respostas para várias situações, que incluem aqui as atitudes e valores conscientes, o estilo de comportamento (timidez, agressividade e assim por diante) e as atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo), notamos o desenvolvimento humano. Ou seja, o caráter é a forma com que a pessoa se mostra ao mundo, com seu temperamento e sua personalidade; é a expressão do temperamento e da personalidade por meio das atitudes de uma pessoa. Quando conhecemos o caráter do outro, notamos claramente a manifestação da personalidade e o temperamento da pessoa; conhecemos, então, aquilo que essencialmente determina os atos de uma pessoa.


A maturidade se faz na personalidade quando o indivíduo é capaz de:
Compreender sua história familiar, aceitando-a e convivendo com ela. Compreender suas emoções: saber distinguir entre certo e errado, sobre o que devo ou não fazer, sobre o fim de um relacionamento ou aquela paciência que se desenvolve entre os casais, entre as pessoas que se amam. Administrar suas responsabilidades e ter senso crítico sobre aquilo que assume, seja no trabalho, nos relacionamentos, no ambiente social do qual participa. Aceitar-se tal como você é: com seus talentos, com suas limitações, com sucessos ou insucessos, com as habilidades ou limitações físicas; isso permite conviver e desenvolver aquilo que for necessário. Autoconhecimento: chave para que todos nossos conteúdos se integrem e que nossa vivência social se torne mais adequada em cada momento de nossa vida.

Para tudo isso, não há uma fórmula mágica, mas as experiências sociais, religiosas, vivência de modo geral, auxiliarão de modo particular esse processo. E assim a maturidade, nossa percepção, crescerá gradualmente.

Elaine Ribeiro – Psicóloga

domingo, 2 de março de 2008

Arsenal de Infantilidades


“Explico-me: enquanto o herdeiro é menor, em nada difere do escravo, ainda que seja senhor de tudo, mas está sob tutores e administradores, até o tempo determinado por seu pai. Assim também nós, quando menores, estávamos escravizados pelos rudimentos do mundo. Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus” (Gálatas 4; 1-7).

Essa palavra é muito concreta e humana, inicialmente podemos achar um absurdo assemelhar uma criança ao escravo, é simples porque uma criança não é capaz de fazer a separação, a criança é egoísta e o egoísta é aquele que se ocupa do seu mundo, para ele o outro é uma extensão da sua necessidade.

As crianças são escravas de suas necessidades.

A maturidade de uma criança acontece na medida em que ela vai crescendo. Uma criança é escrava porque ela não sabe a razão da regra, mas submete. Quando ela cresce e obedece a regra porque compreende, ela deixa de ser escrava.
Quantos jogos construtivos, que educa a criança para compreensão de regra, são jogos simples de encaixe entre outros, não videogames que muitas vezes a regra é matar. A palavra de São Paulo é atual. Nós também trazemos as infantilidades nos nossos afetos, insistimos em trazer em nós um arsenal de sentimentos infantis, egoístas, só pensamos em nós e em nossas necessidades. Quando somos afetivamente infantis, nos transformamos em verdadeiros monstros. Uma criança se você não disciplina, se ela é sem regra, ela é um monstro. Tudo aquilo que você desconhece se torna soberano sobre você, o desconhecido nos escraviza.
Quantas vezes você teme a pessoa desconhecida, e aí está a infantilidade.
A birra é o excesso da criança, excesso da infantilidade, e na birra a criança se sente fracassada por não conseguir seu objetivo.
Ensine a criança a lhe dar com as impossibilidades.

E você, quantas vezes dá sua birra? Quantas vezes, não sabe lhe dar com os limites?
Quantos adultos que não se manifestam, não têm coragem de dá opinião porque são infantis, são escravos de seus medos, isso é mesma coisa de birra.

Partilhe, dê opinião. A nossa birra se manifesta na nossa cara feia, nas nossas respostas ríspidas, só não temos a coragem de nos jogar no chão.

Quantos adultos com medo de quarto escuro. Eu pergunto: Qual o mau de um quarto escuro? Mas quantas vezes fomos trancados nos quartos e disseram que lá dentro tinha um monstro. Uma criança ela não tem inteligência suficiente para saber que ali não tem um bicho, porque a referência que ela tem é o adulto. E quantos adultos presos nas emoções do passado. Como você pode curar seu medo de quarto escuro? Traga à sua razão o que te faz sentir medo. Entre no quarto escuro e diga: ‘Este quarto não pode me fazer mau’. Não importa quantos anos você tem. Sente-se com toda sua maturidade, sente-se com você criança e tenha a oportunidade de se curar dos medos do passado. Olhe para o seu abandono que lhe desespera, fale que quem te abandonou é porque não te conheceu e quem não te conheceu não te amou. Você hoje é adulto, maduro, olhe para as fases da sua vida que precisa ser curada, olhe para você criança, você adolescente.

Permita Deus resgatar a sua alma ferida.
Muitas vezes é preciso voltar no tempo e reconciliar consigo mesmo. Nenhum perdão será concreto se antes você não se perdoar, nenhum olhar será profundo se você não olhar. A emoção é burra. Olhe para uma pessoa apaixonado é quase bobo. As emoções são burras.
Deus é especialista de curar corações machucados. O que pode nos destruir na vida não é o que os outros fazem para nós, mas o que permitimos que outros façam de nós. O maior consolo que você precisa não é dos outros, é de você mesmo. Não adianta o outro deixar você livre, e você se sentir escravo. Seja ‘rio’. Pare de dá birra. Pare de lamentar o que você não teve. Seja rio, que quando coloca barreira, ele não deixa de crescer, mas fica mais profundo. Deus ainda prefere os miseráveis.
Deus olha para você, e no momento da sua birra Ele se encontra com você.


Pe Fábio de Melo

É tempo de Amadurecer!


.... A julgar pelo tempo, já devieis ser mestres! Contudo ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus, e vos tornastes tais, que precisais de leite em vez de alimento sólido! Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma doutrina profunda, porque é ainda criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal. (Hb 5, 12-14)

Ao ler esta palavra me deparei com o Deus da verdade, que revela toda a verdade, do caminho daquele que abraça a fé em Cristo Jesus.
O amor do Pai, conduziu Jesus no caminho da maturidade da fé. Logo após o encontro de José e Maria com Jesus no templo, onde Ele diz "Não sabieis que preciso ocupar-me das coisas de meu Pai", a palavra nos diz: Crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens.
O itinerário de amor do Pai pelo seu filho Jesus que o fazia crescer no amadurecimento humano e espiritual, até a morte de sí mesmo, é nosso também. Aquele que se torna filho é conduzido pelo Pai pelo mesmo caminho do Filho.
No amadurecimento humano: É preciso motivar, em nossas comunidades, o sair das atitudes de infantilidades e aceitar crescer. Como Jesus teve que enfrentar os desafios de não ser compreendido, não ser amado por todos, de não possuir o que deseja, de esperar o tempo próprio, de ouvir discussões de seus apóstolos, questionamentos dos escribas e fariseus. Ele teve que acolher, de maneira crescente, os desafios que exigem o esforço do corpo: acordar cedo, caminhar embaixo do sol, da chuva, dormir mais tarde, rezar diariamente, cumprir as tarefas do dia... O esforço de amadurecer exige querer crescer. Como Jesus poderia entregar seu corpo na cruz se antes não tivesse experimentado a entrega do corpo na sua missão diária? Como poderia ter chegado a estatura do homem maduro se antes não tivesse morrido muitas vezes para sua vontade própria, deixando emergir o mais essencial que o Pai tinhacolocado Nele: O Faça-se a Tua vontade?Em sua história desde bebê, no Egito precisou viver foragido, com um povo estrangeiro, alimentação de todo o tipo, e em meio aos pagãos sustentar sua fé. Em Nazaré entre os parentes, ouvindo e presenciando os sofrimentos da espera "Deus nos enviará o Salvador", aprendendo o valor da amizade, a dignidade do trabalho que dá bons frutos e nos obriga a vencer o cansaço.Na Sua humanidade, o Pai lhe oportuniza a estrutura equilibrada de uma criança que se tornava, no dia a dia, um homem feito.
Este é o desejo do Pai para nós seus filhos, fazer em nossas comunidades homens e mulheres adultos em nossa humanidade, livres de toda infantilidade, responsáveis pela nossas próprias decisões, pela nossa própria vocação, missão na Igreja e no mundo.
No amadurecimento na fé: O Pai nos leva a amadurecer na fé, pois precisa contar com seus amigos. Neste caminho de formação nos deparamos com nossos sentimentos de impotência. Deparamos com nossos desejos incontroláveis. Com nossa angustia que mais procura a nós mesmos do que uma angústia que O procure como nos sugere Santo Agostinho. O Pai toma a nossa mão e vai nos introduzindo no caminho da fé, assim como fez com Seu Filho, como também fez com Maria "Bem Aventurada és tu que crestes".
Jesus precisou também amadurecer na confiança do amor do Pai, reconhecer onde o Espírito soprava , para poder agir: Naquele cego que gritava , "Jesus Filho de Davi tem piedade de mim". Naquela mulher que o tocou e dele saiu uma força. Naquela resposta de Pedro que o convenceu "Bendito és tu Simão, pois não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus". Este também é nosso caminho na fé, na certeza de que o Espírito vai se manifestar, vai direcionar onde precisamos atuar, dentro de nós, ao nosso redor, em nossa missão e vocação. Abandonar-se a sua linguagem da espera ou da ação. "Ainda não chegou minha hora" ou " ..vamos a Jerusalém". É preciso escutar o Espírito que revela a vontade do Pai, e realiza-la mesmo quando ainda permanecem duvidas, porque pelos frutos O conheceremos. È preciso comer alimento sólido, sem centralizar o emocional, mas o espiritual.
Crer independentemente do prazer, da resolução dos problemas, do alívio do fardo.
Crer naquele que me conforta, me sustenta, que me ergue do chão.
Crer Naquele que está comigo faça chuva ou faça sol, porque coloca sobre mim, seu filho(a) toda Sua afeição.
Crer naquele que conhece tudo de mim por isto sabe como falar comigo.
Crer no que os meus olhos não vêem, mas se realiza na dimensão do mistério onde não alcanço por inteiro.
Crer a ponto de abandonar-se nas mortes pessoais para ressurgir na liberdade de Filho de Deus, pois não tem mais nada a perder porque está entregue em Suas mãos.


Gislaine T. Benedetti
Comunidade Oásis