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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Como é Possível Comungar se Tenho Intolerância ao Glúten?

Segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, "a doença celíaca é uma condição crônica que afeta principalmente o intestino delgado. É uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, centeio, cevada, aveia e malte". O tratamento indicado para os celíacos é "evitar por toda a vida alimentos que contenham glúten".
Trata-se de uma doença que atinge um número significativo de pessoas e com variada intensidade. Existem celíacos que apresentam uma reação leve ao glúten e outros uma reação extremada. Como, então, essas pessoas podem comungar, uma vez que as hóstias são feitas com trigo?
O Cardeal Joseph Ratzinger, quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 24 de julho de 2003, assinou uma carta circular falando sobre o uso do pão com pouca quantidade de glúten e do mosto como matéria eucarística. Nela afirma que:
"1. As hóstias completamente sem glúten são matéria inválida para a eucaristia.
2. São matéria válida as hóstias parcialmente desprovidas de glúten, de modo que nelas esteja presente uma quantidade de glúten suficiente para obter a panificação, sem acréscimo de substâncias estranhas e sem recorrer a procedimentos tais que desnaturem o pão."
Pao sem GlutenJá existe no mercado hóstias especiais para celíacos, que contém uma reduzida quantidade de glúten, uma vez que é impossível confeccioná-las e consagrá-las totalmente sem glúten, conforme o item 1 acima citado.
De forma prática, o celíaco com grau médio ou baixo de intolerância, que possa fazer uso de uma reduzida quantidade de glúten, deve adquirir as hóstias especiais, acondicioná-la numa teca exclusiva e colocá-la sobre o altar com os outros recipientes.
No caso de a pessoa ter uma intolerância extremada ao glúten, daquela que até mesmo uma ínfima quantidade é capaz de graves sequelas, o mesmo documento indica que o fiel comungue apenas do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo:
"1. O fiel que sofre de fluxo celíaco de sorte a ficar impedido de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, pode comungar somente sob a espécie do vinho."
Nesse caso, o celíaco deve adquirir um cálice exclusivo, que pode ser encontrado em lojas especializadas e, igualmente, colocá-lo sobre o altar para que o vinho seja consagrado no momento propício.
E quando é o sacerdote que tem a intolerância extremada ao glúten? De acordo com o mesmo documento da Congregação para a Doutrina da Fé, este sacerdote não pode celebrar o santo sacrifício:
"3. O sacerdote impossibilitado de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, não pode celebrar a Eucaristia individual­mente, nem presidir a concelebração.
4. Dada a centralidade da celebração eucarística na vida sacerdotal, é necessário usar de muita cautela antes de admitir ao presbiterado candidatos que não podem, sem grave dano, ingerir glúten ou álcool etílico."
A medida pode parecer por demais dura, mas é preciso entender que para que o sacrifício da missa seja completo é necessário que o sacerdote comungue do pão e do vinho. Se isso não acontecer, a missa está incompleta.
A Igreja acolhe a todos os seus filhos e oferece digna solução para que todos possam participar do banquete sagrado que é a Eucaristia.

Referências

  1. http://www.doencaceliaca.com.br/doencaceliaca.htm
  2. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20030724_pane-senza-glutine_po.html

quarta-feira, 14 de março de 2012

Saúde Não è Só Ausência de Doença


A cada ano, a Igreja que está no Brasil vem promovendo a Campanha da Fraternidade, durante o tempo da Quaresma. Para os cristãos, que se preparam para a Páscoa do Senhor, esse tempo é propício para empreender com gestos fraternos de solidariedade, - inspirados na prática do Senhor, em sua compaixão pela miséria humana, - alentar a dor e sofrimento daqueles que gritam por socorro.
A Campanha da Fraternidade, neste ano com o Tema: Fraternidade e Saúde Pública e o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra, quer envolver a todos. Por isso, ela ultrapassa o âmbito da Igreja Católica e convida todas as demais Igrejas e as pessoas de modo geral, mesmo aquelas que não creem, para o desafio de fraternalmente se empenharem na promoção humana. A Campanha da Fraternidade sempre apresenta sua preocupação com o resgate e da dignidade da vida em quaisquer instâncias. Por isso, ela traz, à tona, temas fundamentais de interesses sociais e humanitários, convocando, assim, a sociedade a discutir e assumir, através de gestos concretos, um compromisso com a os menos favorecidos e, por isso mesmo, excluídos das decisões que lhes favoreçam um mínimo de bem-estar.
A Campanha da Fraternidade, neste ano, chama a atenção para os graves problemas enfrentados pela Saúde Pública no Brasil. O Objetivo Geral da Campanha da Fraternidade de 2012 é: "Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil, em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas, na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde" (p. 12 do Texto-Base). Além do objetivo geral, a Campanha da Fraternidade para 2012 apresenta seis objetivos específicos. Estes são: "a) Disseminar o conceito de bem vier e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável; b) Sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração na comunidade; c) Alertar para a importância da organização da pastoral da Saúde, nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe; d) Difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos sócio-culturais de nossa sociedade; e) despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e a reivindicação do seu justo financiamento; e f) Qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, especialmente na saúde" (cf. p. 12 do Texto).
A nossa Constituição assegura que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Porém, infelizmente, não é isso que vem acontecendo no nosso país. Basta dar uma olhada nos Postos de Saúde nas cidades do interior e em nossos Prontos Socorros para constatar certo descaso com a saúde dos cidadãos brasileiros. Não podemos deixar de reconhecer alguns avanços, atenuando o sofrimento dos nossos doentes. Mas, num todo, apesar do avanço da ciência e da técnica no campo da saúde, nossos pobres ainda vivem – ou morrem – sem assistência médico-hospitalar que correspondam à dignidade dos cidadãos deste país.
O texto da Campanha da Fraternidade nos lembra de que saúde não é apenas ausência de doença, mas sim, um processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. Enfim, é o cuidado do ser humano como um todo. De modo especial, renova em todos nós, o compromisso samaritano da Igreja. A parábola do Bom Samaritano aqui se torna emblemática do cuidado que devemos ter com o outro, quando, tantas vezes, encontramos caído pelo caminho, ferido, doente, desassistido, gritando por socorro a todos que passam, muitas vezes, preocupados com seus problemas mais imediatos, não escutando o clamor desses necessitados.
É, mais uma vez, a hora de empreendermos o gesto samaritano, que dever ser marca constitutiva do nosso ser cristão. Mãos estendidas, direcionadas e prontas para atenuar a dor e o sofrimento daqueles que padecem de todos os males, deixando, assim, nossa sociedade doente. É mais um desafio para nós que cremos e optamos pela dignidade da vida: padres, agentes de pastoral e todos os homens e mulheres de boa vontade prontos e disponíveis para promover a vida.  
D. Antônio Muniz
Arcebispo Metropolitano de Maceió

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Lançamento da Campanha da Fraternidade 2012


A Campanha da Fraternidade, celebrada na quaresma, intensifica o convite à conversão. Ela contribui incisivamente para que este processo ocorra e alargue o horizonte da fé, na medida em que traz, para a reflexão eclesial, tema de cunho social, portadores de sinais de morte, para suscitar ações transformadoras, segundo o Evangelho.
Neste ano, o tema proposto é “Fraternidade e a Saúde Pública”, com o lema: Que a Saúde se difunda sobre a terra (Eclo 38,8).
A Arquidiocese de Maceió, como todas as dioceses do Brasil, vai realizar a Campanha da Fraternidade que se inicia na quarta-feira de Cinzas, 22 de fevereiro.
O encontro de preparação aconteceu no dia 04/02, no Centro de Formação Ib Gatto Falcão - CENFOR/CEPA. Abriu os trabalhos o Mons. José Augusto - Vigário Geral da Arquidiocese, que contou com a presença de vários representantes paróquias e de padres. Foram palestrantes: a Prof. Valéria (UFAL) membro do Fórum Alagoano em Defesa do SUS e Lindolfo Coordenador Regional da Pastoral da Aids.
A Campanha da Fraternidade será aberta oficialmente na Arquidiocese, com Caminhada e ato público, dia 10/03, com concentração às 15h, no Hospital Geral do Estado - HGE, saindo em seguida para a Matriz de São José -Trapiche.
Todos estão convidados!
Fonte: Arquidiocese de Maceió