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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Como é Possível Comungar se Tenho Intolerância ao Glúten?

Segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, "a doença celíaca é uma condição crônica que afeta principalmente o intestino delgado. É uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, centeio, cevada, aveia e malte". O tratamento indicado para os celíacos é "evitar por toda a vida alimentos que contenham glúten".
Trata-se de uma doença que atinge um número significativo de pessoas e com variada intensidade. Existem celíacos que apresentam uma reação leve ao glúten e outros uma reação extremada. Como, então, essas pessoas podem comungar, uma vez que as hóstias são feitas com trigo?
O Cardeal Joseph Ratzinger, quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 24 de julho de 2003, assinou uma carta circular falando sobre o uso do pão com pouca quantidade de glúten e do mosto como matéria eucarística. Nela afirma que:
"1. As hóstias completamente sem glúten são matéria inválida para a eucaristia.
2. São matéria válida as hóstias parcialmente desprovidas de glúten, de modo que nelas esteja presente uma quantidade de glúten suficiente para obter a panificação, sem acréscimo de substâncias estranhas e sem recorrer a procedimentos tais que desnaturem o pão."
Pao sem GlutenJá existe no mercado hóstias especiais para celíacos, que contém uma reduzida quantidade de glúten, uma vez que é impossível confeccioná-las e consagrá-las totalmente sem glúten, conforme o item 1 acima citado.
De forma prática, o celíaco com grau médio ou baixo de intolerância, que possa fazer uso de uma reduzida quantidade de glúten, deve adquirir as hóstias especiais, acondicioná-la numa teca exclusiva e colocá-la sobre o altar com os outros recipientes.
No caso de a pessoa ter uma intolerância extremada ao glúten, daquela que até mesmo uma ínfima quantidade é capaz de graves sequelas, o mesmo documento indica que o fiel comungue apenas do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo:
"1. O fiel que sofre de fluxo celíaco de sorte a ficar impedido de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, pode comungar somente sob a espécie do vinho."
Nesse caso, o celíaco deve adquirir um cálice exclusivo, que pode ser encontrado em lojas especializadas e, igualmente, colocá-lo sobre o altar para que o vinho seja consagrado no momento propício.
E quando é o sacerdote que tem a intolerância extremada ao glúten? De acordo com o mesmo documento da Congregação para a Doutrina da Fé, este sacerdote não pode celebrar o santo sacrifício:
"3. O sacerdote impossibilitado de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, não pode celebrar a Eucaristia individual­mente, nem presidir a concelebração.
4. Dada a centralidade da celebração eucarística na vida sacerdotal, é necessário usar de muita cautela antes de admitir ao presbiterado candidatos que não podem, sem grave dano, ingerir glúten ou álcool etílico."
A medida pode parecer por demais dura, mas é preciso entender que para que o sacrifício da missa seja completo é necessário que o sacerdote comungue do pão e do vinho. Se isso não acontecer, a missa está incompleta.
A Igreja acolhe a todos os seus filhos e oferece digna solução para que todos possam participar do banquete sagrado que é a Eucaristia.

Referências

  1. http://www.doencaceliaca.com.br/doencaceliaca.htm
  2. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20030724_pane-senza-glutine_po.html

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Escola de Formação: A Cura Pela Eucaristia

Sem dúvida nenhuma, o grande tesouro que a Igreja Católica possui são os sacramentos. Sacramentos são Sinais do amor de Deus pela humanidade, e isso não esgota o sentido que essa palavra carrega, uma vez que os sacramentos não são apenas sinais do amor de Deus, mas são o próprio Deus nesses sinais.
Assim, para a doutrina católica, a hóstia consagrada não representa Jesus. Ela é Jesus.O sacramento da reconciliação não simboliza o perdão dos pecados, mas realmente perdoa os pecados.
Jesus quando passou pelo mundo, curava as pessoas de suas enfermidades e mazelas. Ele continua fazendo a mesma coisa através dos sacramentos da Igreja.
Dois Sacramentos podem ajudar na facilitação da cura da depressão: a eucaristia e a reconciliação.
Antes de tudo, vamos entender o sentido da palavra “cura”. O verbo vem do latim curare que significa cuidar, tratar, e o substantivo cura nos leva ao sentido de cuidado, tratamento.É muito triste assistir ao grande número de cristãos que se preocupam tanto em cuidar e tratar o corpo e não se dedicam com o mesmo empenho em “curar” a alma.
Pior ainda é quando não sabem ou não procuram conhecer as disposições necessárias para se receber com dignidade tão maravilhosos presentes divinos, por isso o conselho do apóstolo: “Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1 Co. 11,28-29).Parece terrível, mas é isso.
Os mesmos sacramentos que podem servir para nossa cura e salvação podem se tornar também a nossa condenação se não nos aproximarmos deles com as disposições de alma necessárias: “Eis porque há entre vós tantos fracos e enfermos e muitos morreram” (1Co.11, 30).
EUCARISTIA E CURA DA DEPRESSÃO
O grande mistério da eucaristia reside no fato de que ali no altar é o próprio Cristo que se oferece a nós em sacrifício como vítima sem mácula (Heb. 9,14).
Se em sua vida terrena Jesus curava as pessoas, agora ele, pela eucaristia, começa a nos curar a partir de dentro, realizando uma revolução interior que culmina com nossa plena libertação. De fato, “ele derramou seu sangue como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados”.Em que sentido a eucaristia pode significar alívio ou cura de um doente que sofre com a depressão?

De várias maneiras:
1. A eucaristia implica uma mudança. Conforme o Concílio de Trento, “pela consagração do pão e do vinho opera-se a mudança de toda substância do pão na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue; esta mudança, a Igreja Católica denominou-a com acerto e exatidão “transubstanciação”.
Quando comungamos, começa em nós uma operação de transformação. Nossos sentimentos se elevam, nossa vida se regenera, começa a tomar conta de nós, o próprio Cristo.

2. Ficamos unidos a Cristo.O deprimido sofre porque está profundamente ligado a seus pensamentos obsessivos que o levam para dentro de si mesmo, e por isso não consegue ter esperança. A eucaristia nos leva à comunhão com o próprio Cristo: “Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim” (Jo. 6,57).Depois de ter comungado, já não sou eu sozinho que volto para os meus afazeres
Agora somos dois: Eu e Cristo.
Assim, há hora do desespero e da angústia eu posso estar seguro que ele me acompanha e me ajuda quando minhas forças declinarem.
Depois da comunhão, deveríamos dizer: “Agora tenho comigo, o próprio Senhor Jesus”. Isso já seria suficiente para qualquer processo de cura, uma vez que a Palavra de Deus declara: “Quem possui o Filho possui a vida” (1Jo. 5,12).

3. Ficamos unidos aos nossos irmãos. Talvez a pior coisa que nos pode acontecer é descobrir que não temos para quê viver, não temos um alvo, um objetivo a alcançar, ninguém para amar, ninguém para cuidar. Um dos efeitos do contato social, além da redução da solidão, é o fortalecimento do sistema imunológico. Comunhão com os irmãos, portanto, traz saúde e bem estar. Os membros da comunidade proporcionam vida e quando me relaciono com eles, recebo uma porção significativa de vida.
É por isso que TODA missa é “MISSA DE CURA”. No “abraço da paz”, na “procissão da comunhão”, nas mãos dadas para rezar o Pai Nosso, enfim, em toda troca de afeto, no contato com os irmãos, na comunhão de sentimentos, há cura do isolamento, da solidão e da angústia.
Eis porque nenhuma pessoa que sofre de depressão deveria faltar à mesa da comunhão, especialmente aos domingos, uma vez que na abertura ao outro está a cura da solidão e do egoísmo “pois, como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro” (Rm 12,4-5)

SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO E CURA DA DEPRESSÃO
Um outro meio eficaz de cura é o sacramento da reconciliação, conforme doutrina apostólica: “confessai os vossos pecados uns aos outros… para serdes curados” (Tiago 5,16).Se confessar os pecados é sinal de cura, calá-los é sinal de doença: “Enquanto calei o meu pecado, os meus ossos foram se consumindo” (Salmo 31,3).
O deprimido se sente culpado, e a culpa, quando excessiva, é destrutiva.
Por outro lado, a experiência que o homem tem de ser culpado, é positiva, uma vez que o leva a ter consciência da sua carência de Deus e o faz ver o quanto se afastou de seu projeto original de felicidade e plena realização.
Nesse sentido, a confissão elimina a culpa “negativa” e através da reconciliação, faz o homem retornar ao caminho original, libertando-o também da culpa “positiva”.
O gesto do sacerdote em “absolver” o pecado não é simplesmente um gesto terapêutico, mas um ato de salvação.
A grande chave para a compreensão desse sacramento infelizmente permanece ignorada por grande parte de cristãos.
É preciso entender que a maior finalidade da absolvição recebida no sacramento da reconciliação é fazer-nos entender que não mais precisamos permanecer na morte, que ela foi vencida e que agora podemos mudar nossa relação com a vida, mudando de direção (conversão) e é nesse sentido que a confissão é um sacramento de cura, naquele sentido que demos no início a essa palavra: tratamento, cuidado.
Uma vez tratadas as nossas feridas, esforcemo-nos para andar por outros caminhos, onde o pecado, a culpa, enfim, toda espécie de mal, não nos machuque mais.
É assim que os sacramentos da reconciliação e da eucaristia são complementares entre si e úteis na cura da depressão. Se bem recebidos, esses sacramentos nos curam e nos devolvem a paz.

SUGESTÕES PARA TRANSFORMAR OS SACRAMENTOS EM “FONTE DE CURA”
1. Jamais deixe os sacramentos. Deixá-los é o mesmo que deixar Jesus e “quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5,12b).
2. Procure receber os sacramentos com consciência, não irrefletidamente: “que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1Co. 11,28-29).
3. Receba os sacramentos com fé, pois “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb. 11,6)
4. Depois de ter recebido algum sacramento, lembre-se que você se torna também um sacramento (sinal) de Jesus aos homens, “sendo irrepreensível e inocente, filho de Deus íntegro no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilha como luzeiro no mundo, a ostentar a palavra da vida” (Fil. 2,15-16).
5. Por último, viva em ação de graças e sinta-se a pessoa mais privilegiada deste mundo por ter à sua disposição tão grandes dons de Deus que são os sacramentos. Cada vez que necessitar, eles estarão lá, à sua disposição
Comunidade Anuncia-me

sábado, 9 de junho de 2012

Especial Corpus Christi: A Eucaristia na Bíblia.


Para os católicos, a Hóstia Consagrada e o Vinho Consagrado (pão e vinho) são o próprio Cristo, separados ou não, totalmente. A menor partícula de pão consagrado ou a menor gotícula de vinho consagrado são o Cristo inteiro. A isto chamamos a presença real de Jesus na Eucaristia.

A Bíblia fundamenta bem esta verdade. Faremos uso da bela explicação de D. Estevão Bettencourt, em seu livro “Curso sobre os Sacramentos”:

1º) Quando Jesus disse “Isto é o meu corpo” muito provavelmente usou o termo “carne=basar”, que, em hebraico/aramaico, indica a pessoa por inteiro, e não só o corpo físico. Jesus revelou estar dando a totalidade do seu ser: corpo, sangue, alma e divindade.

2º) O termo “sangue =dam” utilizado por Jesus tem um caráter sagrado, significa “vida” e tem ligação direta com Deus, o único “Senhor da vida”.” 11.Pois a alma da carne está no sangue, e dei-vos esse sangue para o altar, a fim de que ele sirva de expiação por vossas almas, porque é pela alma que o sangue expia.(Lv 17,11)”; “23. Mas guarda-te de absorver o sangue; porque o sangue é a vida, e tu não podes comer a vida com a carne” (Dt 12,23). O sangue era usado no altar para expiação dos pecados. Para o homem, representa toda sua VITALIDADE EXISTENCIAL. Ora, Jesus  ao dizer “Isto é o meu sangue” também oferecia toda sua pessoa, neste momento, também, 2ª Pessoa da SS.Trindade, Pessoa Divina.  

3º) Tanto o corpo (pão) e o sangue (vinho) significavam Jesus por inteiro. Logo, a Última Ceia ministrada por Jesus antecipava o que aconteceria na Cruz, isto é, o próprio Cristo entregando sua vida para a remissão dos pecados da humanidade, para todos aqueles que cressem em Jesus como o Messias, seguissem seus mandamentos e se arrependessem de seus pecados.

4º) No discurso do pão da vida (Jo 6), João não quis repetir a narrativa da Instituição da Eucaristia, já apresentada por Mateus, Marcos, Lucas e Paulo (1 Cor 11,23-24), pois escreveu bem depois. Com isso, desenvolveu o significado doutrinário da determinação de Jesus, referindo-se a promessa do pão da vida.  

Nos vv.1-15 mostra-se o poder de Deus sobre o mistério da Eucaristia (a multiplicação dos pães); nos vv.16-21 demonstra-se o poder de Jesus sobre o corpo e os elementos da natureza para que, enfim, nos vv.22-71, Cristo pudesse discursar sobre o pão da vida, usando elementos dos quadros anteriores, anunciando que o pão será o seu próprio corpo. Em particular, Jesus propõe, nos vv.51-71 que o pão será a verdadeira carne de Cristo, penhor da vida eterna, e não mera representação, teatro ou alegoria, como afirmam os protestantes. Vejamos as expressões muito concretas do trecho 6,51-56:

51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. 52. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer (phagein) a sua carne53. Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos54. Quem come (ho trogon) a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia55. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 56. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.”

Agora, vamos verificar o texto original para compreender ainda mais o que já está explícito nas partes sublinhadas deste trecho supracitado.

No v.52 os judeus indagaram como Jesus poderia dar sua carne para comer. A expressão usada foi phagein, em grego. Jesus respondeu e insistiu na literalidade de seu discurso, – não era alegoria ou figuração – utilizando expressão ainda mais forte, o verbo trogô, que significa  mastigar, dilacerar com os dentes, num realismo extremo.

O que mais se pode dizer depois do que o próprio Jesus disse, através do Evangelho de João? A Eucaristia não é mero simbolismo. É o próprio Jesus, em corpo, sangue, alma e divindade. Carne=basar significando a pessoa por inteiro; sangue=dam significando  a pessoa com  toda sua vitalidade existencial… como desvirtuar tais frases do Mestre?

Muitos perguntarão: então qual o significado semita (hebraico) das verbos “phagein” e “ho trogon”? Pois bem, “comer a carne” de alguém significaria “ofender essa pessoa, perseguí-la até a morte” (Sl 26,2), “beber o sangue de alguém” significaria “arder de ódio para com tal pessoa”… Ora, está claro que Jesus, em Jo 6,54, não poderia convidar os ouvintes para o ódio para com o Mestre, prometendo em troca vida eterna. Seria absurdo e o oposto de toda a mensagem de Jesus! Além do mais, vimos que os discípulos, no v. 52 estavam pensando na literalidade do discurso de Jesus. Em outras vezes, quando Jesus queria ser entendido metaforicamente, figuradamente, o Senhor assinalava, como em Jo 11,11-14 e Jo 3,4s, por exemplo:

11. Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo. 12. Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar. 13. Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal. 14. Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.” (Jo 11,11-14)

4. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez? 5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.6. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.7. Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.” (Jo 3,4-7)

No v.51 Jesus disse “51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” Onde Ele deu o pão como sendo a sua carne? No cenáculo durante a Última Ceia: 26. Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo.” (Mt 26,26) . A afirmação “E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” como já dito, provocou a reação dos judeus, realmente porque pensavam na literalidade. Para os mesmos, era algo grave e escandaloso, expressamente proibido beber sangue: 10. A todo israelita ou a todo estrangeiro, que habita no meio deles, e que comerqualquer espécie de sangue, voltarei minha face contra ele, e exterminá-lo-ei do meio de seu povo.” (Lv 17,10) 
Jesus, então, insistiu na literalidade do discurso, dizendo que (v.54) “quem dilacera, mastiga com os dentes (ho trogon) minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.”



5º) Jesus manteve sua posição, mesmo após vários ouvintes o abandonarem (v.66):  


57. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. 58. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.59. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.60. Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir?61. Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza ?62. Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?…63. O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.64. Mas há alguns entre vós que não crêem… Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair.65. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido.66. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele.67. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos?68. Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. 69. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!” (Jo 6,57-69)

Se o discurso fosse em tom figurado, metafórico, os discípulos não o achariam duro, difícil para ser admitido. Jesus manteve a literalidade do discurso do pão da vida e foi interrogar os apóstolos a respeito. Pedro, com certeza, inspirado pelo Espírito Santo, em nome dos apóstolos, afirmou que acreditava na instituição da Eucaristia, pois só Jesus tinha “as palavras da vida eterna” (Jo 6,68c)

6º) O versículo 63, aparentemente pode causar dificuldades. Jesus diz “63. O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.”  Jesus apenas tratava de remover um entendimento grotesco de suas palavras. Não se tratava de comer carne humana (isto não santifica o homem) nem de comer a carne do Senhor em condições terrestres (como o canibalismo), mas de receber a carne de Cristo GLORIFICADA, EMANCIPADA DAS LEIS DO ESPAÇO E DO TEMPO. É a carne nestas circunstâncias que Jesus chama de “espírito”, é espírito porque está toda penetrada na Divindade (na verdade, é a Divindade de Jesus que, mediante a carne, vivifica os fiéis na Eucaristia e não a carne humana de Jesus). Por isto, Jesus ao dizer “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue” não se referia somente a carne, mas a totalidade de seu ser, corpo e sangue, alma e divindade (como já vimos). Na própria Bíblia, no Novo Testamento, temos noção de corpo glorificado, corpo-espírito ou corpo espiritual.  Não deixa de ser corpo, Jesus não é incoerente, trata-se de um corpo emancipado das leis do espaço e do tempo, ressuscitado.

20. Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,21. que transformará nossomísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.” (Fl 3,20-21)  
41. Uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua e outra a claridade das estrelas; e ainda uma estrela difere da outra na claridade.42. Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível;43. semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso;44. semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, também há um espiritual.” ( 1 Cor 15,41-44)

A Palavra de Deus é perfeita, não? Por esta razão não é correto dizer que a Missa renova o sacrifício de Jesus na cruz. Na verdade, repete-se a Última Ceia e torna-se “presente” o sacrifício de Jesus na cruz, a entrega de seu corpo glorificado. Porque este corpo está emancipado das leis do espaço e do tempo, embora, com a impassibilidade suspensa. Trata-se, inclusive, da Pessoa Divina de Jesus, de Jesus, por inteiro.

7º) Para João Paulo II, nosso saudoso Papa, a Igreja é feita de Eucaristia. Realmente, a Eucaristia é o ápice da ordem sacramental. O Batismo é dirigido à Eucaristia, de modo que esta é o centro de toda a vida da Igreja e de cada um dos fiéis. É a perpetuação do sacrifício que Cristo ofereceu a sós no Calvário outrora e que, atualmente, através dos sinais sagrados, oferece com sua Igreja. Ora, se a Igreja tem como cabeça Jesus, esta só pode se alimentar do próprio Cristo, que é realmente a Eucaristia, alimento da vida espiritual, sacramento dos sacramentos.

Scott Hahn diz: “A centralidade da Eucaristia está evidente também na descrição concisa que os Atos dos Apóstolos fazem da vida na Igreja primitiva: 42. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações.”(At 2,42). A primeira epístola aos Coríntios (c.11) contém um verdadeiro manual de teoria e práticas litúrgicas. A carta de São Paulo revela sua preocupação em transmitir a forma exata da liturgia, nas palavras da instituição tiradas da Última Ceia de Jesus: “23. Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão 24. e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. 25. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim.” (1 Cor 11,23-25). Paulo ressalta a importância da doutrina da presença real e vê conseqüências funestas na descrença: 29.Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.” ( 1 Cor 11,29).

A real presença de Jesus na Eucaristia é claríssima! Nos quatro evangelhos e nas cartas de São Paulo, o 13º apóstolo!  

terça-feira, 21 de junho de 2011

Festa de Corpus Christi


A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. Esta necessidade se aliava ao desejo do homem medieval de "contemplar" as coisas.

A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.
Surgiu então, nesta época, o costume de elevar a hóstia depois da consagração. Disseminava-se uma controvertida piedade eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à igreja mais "verem" a hóstia do que para participarem efetivamente da eucaristia.


Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter ‘visões’ (que retratavam um disco lunar dentro do qual havia uma parte escura. Isto foi interpretado como sendo uma ausência de uma festa eucarística no calendário litúrgico para agradecer o sacramento da Eucaristia). Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, será o Papa Urbano IV (1261-1264), e tornará mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer.

A ‘Fête Dieu’ começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.

festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada antes de 1270.

O ofício divino, seus hinos e o Hino ‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno. Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.

A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ale é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

Durante a missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.


Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar ‘o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia’ e ‘onde for possível, haja procissão pelas vias públicas’, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse :‘Este é o meu corpo...isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira, após o domingo de Pentecostes.


Missão Rosa Mística

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Corpus Christi


A Quinta-feira Santa é o dia da instituição da Eucaristia, mas a lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permite uma celebração festiva. Por isso, é na Festa de Corpus Christi que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.

A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon (†1258), a qual recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia. Essa santa era priora da Abadia de Cornillon e teve, conforme a tradição, uma visão da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade. Juliana comunicou esta imagem a Dom Roberto de Thorete, bispo de Liége, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos e a Jacques Pantaleón, mais tarde o Papa Urbano IV. A Solenidade mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. A santa foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII (1592-1605).

O milagre de Bolsena:

Quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Santa Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Ainda hoje se conservam, em Orvieto, os corporais onde se apóiam o cálice e a patena durante a Celebração Eucarística e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, próximo de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do milagre, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”. Em 11/08/1264 o Papa emitiu a Bula “Transiturus de mundo”, na qual prescreveu que, na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração.

Em 1317, o Papa João XXII (1316-1334) publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a Santa Missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.

Todo católico deve participar dessa procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única na qual o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, que vem visitar o Seu povo. Tudo isso tem muito sentido e deve ser preservado.

Prof. Felipe Aquino

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

E Você: Sabe Comungar?


Lá vem de novo aquela perguntinha retórica… Claro que sim – você me responde – mas qual é o problema dessa vez?

Calma. Talvez você esteja certo. Realmente quero acreditar que a maioria das pessoas sabem receber a Eucaristia. Na verdade, é a coisa mais fácil do mundo: coloque a mão direita debaixo da esquerda e, diante do sacerdote ou ministro extraordinário, olhe quando ele apresentar “o Corpo de Cristo” e responda amém.
Simples, não?

Bom, existe também outra forma, mais tradicional (embora não seja a mais antiga em se tratando da história da Igreja como um todo), que é receber a hóstia diretamente na boca. Nesse caso, como é obvio, você não coloca a mão para receber, mas simplesmente… abre a boca! Sem esquecer de dizer amém antes!

Fácil. Totalmente compreensível até para as crianças do catecismo que, aliás, na minha opinião, são as que menos erram. Porém, meus queridos leitores, além desses doisúnicos modelos de receber a Eucaristia, o povo criou outros inumeráveis. Obviamente TODOS errados!

Quando eu era adolescente, conheci um padre que dizia já ter contado 16 modos diferentes, além dos dois acima citados, de receber a comunhão. Eu não fiz as contas, pois são tantos os que já contei que não caberiam aqui (ficaria um texto muito enfadonho…), mas, com certeza, ultrapassam em muito a conta do velho sacerdote.
Vamos nos divertir um pouco? Quais são essas maneiras erradas de comungar?
  1. Não dizer amém após o padre ou o ministro extraordinário apresentar a hóstia e dizer “o Corpo de Cristo”.
  2. Dizer amém antes disso.
  3. Dizer amém duas ou mais vezes (acredite, isso acontece mesmo…).
  4. Repetir o que o padre diz e falar junto com ele “o Corpo de Cristo, amém”.
  5. Beijar a hóstia antes de comungar.
  6. Sair da frente do sacerdote (ou ministro) com a Eucaristia ainda na mão.
  7. Sair de ré derrubando os outros que vêm atas.
  8. Dizer outras coisas além de amém. Por exemplo: “graças a Deus”, “glória a vós Jesus”, “te amo Senhor”… etc. Tem erros também da parte do padre. Um dia quando eu era leigo, o padre me deu a hóstia e, em vez de dizer “o Corpo de Cristo” ele disse: “depois eu quero falar com você…”
  9. Pegar a hóstia com dois dedos, como que “pinçando”. Essa é clássica. Muita gente faz isso e às vezes porque foram orientadas erroneamente a fazer assim.
  10. Vir com as mão como se fosse para receber e abrir a boca. Afinal, o que você quer mesmo?
  11. Colocar as mão baixo demais, na altura da barriga. Às vezes as crianças fazem isso, mas também os adultos, como se eu fosse entregar para o umbigo.
  12. Vir conversando na fila, saudando as pessoas, olhando para os lados, rindo, sem prestar atenção ao momento sagrado que está acontecendo.
  13. Abrir só uma brechinha da boca para o padre acertar como se fosse uma ficha em máquina de refrigerante ou cartão telefônico. Algumas vezes enfiei a hóstia entre as gengivas e os dentes da criatura que teve preguiça de abrir a boca…
  14. Lamber os dedos do padre… eca!
  15. Ficar longe demais fazendo com que o padre tenha que esticar o braço ou dar um passo à frente para dar a Eucaristia.
  16. Furar a fila. Essa é boa, até fila de comunhão o povo quer furar…!!!
  17. Vir com as mãos sujas. Já coloquei Jesus em cima de muitos números de telefone.
  18. Vir com terços, papel de cânticos ou outros objetos ocupando as mãos.
  19. Colocar a mão direita em cima da esquerda. Esse é um gesto discreto e disfarçado de comungar com os dedos. Parece que se tem preguiça de tirar a mão de baixo para pegar a hóstia depois. O brasileiro tem “jeitinho” pra tudo.
  20. Abraçar os dedos da mão esquerda com a mão direita por baixo. Estranho? Vá dizer pra quem inventou…
  21. Fazer uma reverência na hora que o padre apresenta o Corpo de Cristo. Nada contra os atos de devoção, o problema é que se você apresentar a hóstia e a pessoa em vez de responder, mostra os cabelos é, no mínimo, muito esquisito. Se você quiser fazer uma reverência, deve-se fazer antes de chegar a sua vez.
  22. Colocar as mãos de modo correto, mas não deixar que se coloque a hóstia na mão querendo pegá-la antes. Essa também é clássica.
  23. Dizer amém com a hóstia na boca. Sua mãe nunca lhe ensinou que é falta de educação falar com a boca cheia?
  24. Não prestar atenção se ficou algum fragmento da Santíssima Eucaristia na sua mão. Essa é grave!
  25. Se benzer depois de receber a hóstia.
  26. Se benzer com a hóstia na mão, o que é pior ainda!
  27. Falar com o padre ou com o ministro alguma coisa que não seja amém. Essa é o contrário daquela que aconteceu comigo.
  28. Sair cortando a fila pelo lado errado. Essa é irritante. A pessoa recebe a Eucaristia do lado direito (quando são duas filas) e quer voltar pelo lado oposto, passando pela frente do sacerdote, atrapalhando a fila do lado, é uma confusão. Se fosse ao trânsito era batida na certa!
  29. Colocar a hóstia na boca com a mão e não com os dedos. Por mais horrível que pareça, isso não é raro. Muita gente faz dessa forma, em vez de pegar a eucaristia com os dedos da mão direita (que está embaixo da esquerda) leva a hóstia à boca na palma da mão, como quem engole um comprimido, sei lá… nem sei comparar.
Tem alguma outra? Com certeza, infelizmente, sim. Mas por enquanto são essas as formas erradas que eu lembro. Como eu falei, os erros não estão somente da parte de quem recebe, mas às vezes também da parte de quem distribui a Sagrada Comunhão. Quem entrega a Eucaristia, deve apenas mostrar a partícula (como se chama a hóstia pequena dada aos fiéis) e dizer em voz alta “o Corpo de Cristo”. Em seguida, depois do amém, coloca-se a hóstia na mão ou na boca do fiel, conforme o caso. Nada mais.


Já soube de um ministro extraordinário da comunhão que colocava várias hóstias na mão e ficava distribuindo como se fossem fichas. Horrores à parte, o que vale é sempre termos atenção para fazermos tudo com dignidade e respeito que é devido à Santa Eucaristia.

Uma observação importante: de modo algum alguém é proibido pela Santa Sé de comungar de joelhos ou usar o tradicional véu sobre a cabeça, no caso das mulheres. Não é mais a forma ordinária, normal de comungar, mas nem por isso é proibido como querem dizer alguns.

Quando a reforma litúrgica, a partir do Concílio Vaticano II optou por se receber a comunhão na mão e de pé, não estava introduzindo uma “novidade modernista” de sabor “protestantizado”, mas sim retomando a tradição mais antiga da Igreja, desde os primeiros séculos, em que se comungava assim. Estar em pé, na liturgia, significa desde os primórdios estar ressuscitado com Cristo. De fato, o vocábulo bíblico levantar é o mesmo usado para ressuscitar.

Na tradição litúrgica antiga, por exemplo, era proibido ajoelhar-se no tempo pascal, para reforçar esse simbolismo de que, pelo batismo, nós ressuscitamos com Jesus para uma vida nova.

Portanto, comungar na mão, com o devido respeito que a liturgia exite, não diminui a Eucaristia, mas pode nos dar o sentido de que somos mais que servos, somos amigos e filhos de Deus.

Comungar de joelhos, por sua vez, evidencia a reverência e a adoração que são devidas a Deus. É uma tradição também muito antiga (embora não tanto quanto comungar de pé) e talvez a maioria dos santos que conhecemos tenha comungado sempre assim na sua vida. Em suma, as duas formas estão certas e uma não exclui a outra. Só uma observaçãozinha a mais: se você for comungar de joelhos, seja prático. Aí vão alguns erros dessa forma de comungar:
  1. Fazer genuflexão com um joelho só. Não invente! Se vai comungar de joelhos, faça certo: ajoelhe-se com os dois joelhos. Diga amém em voz alta e receba a hóstia na boca.
  2. Ajoelhar-se sem ter forças para levantar. Já teve gente que se agarrou na minha túnica para não cair! Se você não consegue mais se ajoelhar e levantar sozinha, assuma a idade e o peso! Comungue de pé.
  3. Receber a comunhão de joelhos e na mão. Isso é errado. Ou um rito ou outro, a comunhão na mão se recebe de pé.
Por fim, como vocês viram, eu falei aqui do modo prático de comungar e não do modo espiritual. Moralmente falando, é claro que você só pode comungar tendo consciência de não ter cometido pecados graves (consciente e deliberadamente) e não viver em estado de pecado habitual ou de forma ilícita, como por exemplo, viver com uma pessoa como cônjuge sem estar casada na Igreja ou algum tipo de escândalo. Mas isso é um assunto para outro post… Indico um livro muito bom: “E jovem se confessa?!” – escrito por mim mesmo.


Pe. Leonardo Wagner
Comunidade Católica Shalom